Demon's Love
2 Praça das cerejeiras
Notas iniciais
Kai POV
Outra noite de tédio, sempre a mesma rotina, continuo imutável, desde a queda renegado a carregar as almas dos maus caráter e toda podridão da raça humana. Por que eles que tem tudo não aproveitam para ter uma vida melhor? Foi lhes dada a dádiva do livre arbítrio, pode escolher opinar e mesmo seguindo caminhos errados, é só pedir perdão, tudo é esquecido e podem recomeçar. Mas não aprendem com os erros e caem em pecado seguidas vezes, já cansei de ver isso acontecer durante Eras.
Me pergunto o que eles têm a oferecer? Nunca são obedientes, praguejam o tempo todo falando seu nome em vão. E o que ele faz, se ele se arrepende mesmo tendo feito coisas de coisas horrendas como assassinato ou outro tipo de maldade, ele perdoa sem questionar sem punições.
Antes desses humanos serem criados, fomos criados para servir, proteger, cuidar de todas as criaturas e ser livres voando por toda aquela imensidão azul, sempre fomos obedientes, nunca houve desrespeito, nosso amor não poderia ser maior por aquele que nos criou. Mas Ele não parecia satisfeito com a legião de anjos a seu dispor, acredito hoje que nosso criador ficou entediado com tudo em perfeita Harmonia, talvez quisesse algo que fosse do contra que pudesse mandar, punir e perdoar.
Apenas uma vez, o Anjo mais amado por Ele perguntou, porque não podíamos ter o direito ao livre arbítrio e perdão que ele deu aos humanos. Sua resposta foi que fomos criados para servir sem contestar e não para pensar e ter desejos. Quando o Anjo não aceitou ser menosprezado por aquela simples criatura mortal, nós que somos imortais, temos asas e poder de cura, como ele pode gostar mais de seres que se machucam, podem morrer e nem voar podem, meros terrestres estragando tudo que era belo na Terra.
Todos os que apoiaram o Anjo Rebelde foram punidos, nem tivemos chance de conversar ou de nos retratar, fomos tratados como escória, não satisfeito com as injúrias ainda tirou nossa graça nos lançando a Terra, nos acusando de demônios, que devíamos passar a eternidade no Inferno, mas poucos devem saber que a Terra é o inferno, não existe mais nada abaixo disso, viver com os humanos é o pior castigo que nos foi dado.
Com a queda, minhas lindas asas brancas ficaram negras como a noite mais escura, com o impacto gastei quase todo poder de cura em minha recuperação, era um imortal na Terra junto com os outros Caídos. Formamos uma família, nosso Líder deu uma responsabilidade para cada um, que seríamos encarregados de recrutar cada alma para nossa causa, no entanto tínhamos que conviver com os Anjos que tinham a missão de protegê-los.
Uma das vantagens era poder escolher, quando recrutar ou recolher as almas, eu podia experimentar qualquer tipo de comida, já tinha provado dos prazeres carnais dos humanos e não tenho que reclamar. Meu maior prazer e alegria seria encontrar um Anjo para seduzir e mostrar que ele não precisa ser obediente e submisso, e poder lhe apresentar aos prazeres mundanos.
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Há algum tempo venho observando um Anjo com belas coxas e feições muito além de angelicais, seu cabelo loiro é meio comprido com tranças caindo nos ombros, sua pele é branca, parece uma cera, sempre está vestindo uma túnica branca com uma corda dourada amarrada na barriga, como se tivesse saído daqueles contos do Monte Olimpo na Grécia, sempre está descalço e fica mais belo quando abre as asas brancas com plumagem brilhante.
Será que ele falaria comigo? Modéstia parte sou bem bonito, sempre recebo elogio por causa dos meus olhos castanhos escuros, meus cabelos negros são lisos compridos até o ombro, às vezes o prendo fazendo um rabo de cavalo, que deixa o rosto mais a mostra aparecendo as minhas covinhas no cantos quando sorrio. Minha pele tem um tom levemente acobreado e sombreada, pois aqui na Terra acostumei a ir na praia e aproveitar o Sol, não tenho mais pele clara como cera.
Sempre estou bem vestido, adoro principalmente as roupas de couro, como jaquetas e calças de couro, sou fã de jóias anel e colares, também adoro as músicas dessa época, atualmente estou ouvindo bandas de JRock, fiz do Japão minha morada há alguns anos.
Sempre venho nessa praça ao entardecer, muitos casais transitam por aqui, há muitos bancos e muitas cerejeiras, deve ser a época das flores, a primavera como o humanos chamam, pois o lugar está lindo com a flores rosas embelezando o lugar. Há também os pontos escuros e escondidos onde tarde da noite, aparecem os drogados, as discussões de mulheres e seu cafetão, pessoas embriagadas jogadas pelos cantos, só fico observando o caos e as pessoas desperdiçando a vida. Estou aqui só para levar aqueles que são mortos ou tiram sua vida, não é da minha índole interferir, eles têm o direito de escolher mas nunca fazem o certo e persistem no erro.
A missão de cuidar e proteger são dos Anjos Protetores, eles têm muito trabalho, defino essa missão mais como castigo, pois esses humanos não aprendem, sempre estão metidos em confusão. Digo isso por causa do Anjo loiro que venho observando, o coitado deve ter salvo esse protegido umas 3 vezes só hoje, ele continua cuidando do traste que é um bêbado sem conserto, tá envolvido com as mulheres e sempre leva surra do cafetão, pois nunca tem dinheiro, vive machucado e caindo nos cantos da praça.
Vou tentar conversar com o Anjo, já to cansado disso todo dia, essa paciência dele, tá me deixando louco. Como ele aguenta? Um ser tão lindo se rebaixando a cuidar de quem não merece. Como um dos Caídos eu já teria deixado ele à própria sorte, depois nós que somos taxados de Demônios e Malvados, esses seres humanos conseguem fazer coisas que até o Diabo não iria acreditar.
Assumo minha forma invisível para falar com o Anjo loiro, eles são bem ariscos tem medo de conversar com um Caído, devem ter feito nossa caveira, mas vou tentar mesmo assim.
— Não está cansado disso? — Falo perto do Anjo que me olha desconfiado.
— Do que você tá falando? — Ele me responde com outra pergunta, continua perto do rapaz sem se importar com minha presença.
— Todo dia, é mesma cena, ele bebe, arruma confusão e você está salvando ele outra vez — Olho para o humano largado no chão cheio de escoriações e um cheiro insuportável de bebida. — Por que ainda continua com ele?
— É minha obrigação. Devo cuidar e proteger ele sem contestar. — O Anjo responde e fico indignado com sua submissão e falta de amor próprio.
— O que acontece? Se você desobedecer e deixar ele seguir suas escolhas. — Ele olha para mim agora com ar pensativo — Afinal, ele tem livre arbítrio pode escolher o que quer fazer.
— Por que pergunta se já sabe a resposta. — Ele suspira fundo — O mesmo que houve com você, somos punidos e expulsos do Paraíso, eu nem devia está falando com um Caído.
— Só acho que esse humano já passou dos limites, não quer ser ajudado por mais que você o salve, ele não aprende e faz tudo de novo. — Ele começa a pensar no que falei e comenta.
— Meio que percebi isso, ele tá vivendo como se não existisse amanhã. — O Anjo agora fica de pé e me olha deixando transparecer seu cansaço e um ar de dúvida. — Nesse ponto você está certo, ele me irrita fazendo isso todo dia.
O Anjo parece começar a entender meu ponto de vista, vou continuar instigando ele a pensar que pode decidir o que quer fazer. A conversa está fluindo bem, além de lindo ele tem uma voz de veludo, parece que gostou de conversar deixando a noite mais agradável.
— Pense um pouco, ele só faz castigá-lo, chega a ser ridículo a forma que te trata. Nem sei como você ainda não perdeu a paciência — Digo um pouco alterado fazendo ele ficar passado com minhas palavras.
— Minha paciência com ele já esgotou, eu fico irritado todo dia quando ele acorda. Como é possível que ele não aprenda com os erros, eu já cheguei no limite do absurdo, de largar tudo e ir embora. — Não pensei que ele iria desabafar comigo. — Sério! Me diz o que fazer e não ser punido?
— Não faça mais nada por ele, apenas esqueça e siga com sua vida! — Quem sabe ele aceita meu conselho. — Me dê sua mão, vamos dar uma volta na praça?
— Por que você tá sendo legal comigo? Os Caídos são maus e gostam maltratar os outros. — Sabia que iríamos chegar nesse ponto.
— Quem disse isso? — Detesto essa mania que a religião tem de nos rebaixar dizendo que somos demônios. — A única pessoa que estou vendo ser maltratada e judiada todo dia é você, depois eu que sou ruim!
— Os Celestiais disseram para não conversar e nem confiar nos Caídos, pois só falam mentiras. — Eles acabam com a nossa reputação, fica difícil interagir assim. — Só que até agora você só fez abrir meus olhos para a verdade na minha frente.
— Sou Anjo como você, nossa diferença é só cor das penas das asas. — Ele me dá sua mão e vamos até um banco ali próximo, o rapaz fica desmaiado na calçada com uma garrafa na mão. — Porque eu mentiria e faria sofrer uma pessoa da mesma espécie, só os humanos fazem isso.
— Nunca pensei desse jeito. Será que não vai ter problema? — Na verdade nunca te deram oportunidade para pensar e refletir. — A propósito meu nome é Uruha, estou gostando de conversar com você...
— Prazer Uruha, me chamam de KAI, essa está sendo uma noite muito proveitosa. — Ele me deu seu nome, acredito que gostou de mim. — Sou muito solitário e gostei da sua companhia. Acredito que não, ele tem a capacidade de escolher o que quer da vida.
— Nossa! Sempre quis conversar com outro Anjo, trocar idéias sobre comidas e roupas, mas o Celestiais são tudo caras fechadas, nem um oi falam só passam a missão e mandam obedecer. — Estou bem contente também que bom que criei coragem para falar com ele.
— Posso te mostrar e levar a lugares que tem ótima comida, mas teremos que trocar essa túnica, está muito fora de moda. — Dou uma risada mostrando minhas covinhas, ele olha encantado e encosta seu dedo. — Tenho muitas roupas de marca e modelos diferentes que você pode experimentar, podemos ir para minha suíte no Hotel, se você quiser.
— Quero sim. Certeza que isso não é nenhuma armadilha? Nunca vi um Caído ser tão bonzinho. — Ele ainda tá desconfiado de mim.
— Uruha, que negócio é esse de armadilha ? — Ele deve tá achando que vou prender ele ou algo assim. — Venha vamos passear na Praça, quero te mostrar que não tenho más intenções com você.
— Me desculpa, Kai. É difícil confiar num Caído depois de tantas invenções sobre vocês. — Não sei o que pensar sobre essa afirmação. — Vamos antes que eu me arrependa dessa loucura, nunca burlei nenhuma regra.
— Uruha, sabia que você é uma fofura de Anjo. — Vejo ele corar com o elogio. — Quero que você veja os casais e as cerejeiras, dizem que é um lugar para romances.
— Ah!... Kai você é um Caído, que tem um sorriso com covinhas lindas. — Nem acredito que ele me elogiou, até parece que quer me seduzir.
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Então saímos daquele lado escuro daquela praça, em direção à parte iluminada onde tem as cerejeiras e os casais passeando, namorando e se beijando. A princípio, Uruha ficou meio relutante em deixar o humano largado na praça, mas no estado apagado que ele estava não ia a lugar nenhum.
Durante nosso passeio, Uruha se mostrou muito falante e interessado no modo de vida dos humanos, dizendo que gostaria de apreciar e ver os lugares e poder experimentar as comidas típicas daquela região. A sua voz é tão suave e doce, o jeito calmo e delicado que ele está contando sobre não ter ninguém para conversar e dar opiniões sobre as coisas mundanas.
Estou me deixando levar por sua beleza e inocência, que fixo meu olhar em seus lábios carnudos rosados se mexendo nem presto mais atenção no falatório, já fico imaginando como deve ser beijá-lo, sinto um desejo crescendo em querer muito esse contato.
Será que ele já beijou outro anjo? Será que sabe o que é um beijo?
No modo invisível, podemos flutuar perto dos casais, para ouvir o que dizem, as juras de amor, ver seus beijos profundos. Uruha me olha às vezes com contemplação e alegria, parecendo uma criança num parque de diversão que não sabe qual brinquedo ir primeiro.
Olhar ele se divertindo, acabou com o tédio da noite, deixando um pouco de lado minha revolta, acabo sorrindo com cada descoberta dele, sobre os humanos ali presentes.
— Kai, pode me dizer porque os humanos aqui estão próximos andando de mãos dadas? — Uruha não deve saber sobre o conceito de namorados.
— São namorados, estão se conhecendo para ver se tem afinidades em comum.- Relato o que já vi e vivenciei sobre os humanos.
— É normal ficar tão agarrados assim? — Uruha tá fazendo muitas perguntas. — Aquele casal está encostando os lábios, qual o sentido disso?
— Sim, é normal quando se gosta da outra pessoa é uma demonstração de carinho. — Uruha me olha intrigado vindo mais perto de mim — Vai dizer que não sabe, o que é?
— Kai... se eu to perguntando, é porque não sei. — Mas ele cuida de humanos e não sabe o que é um beijo?
— É um beijo, um contato mais íntimo entre as pessoas que se gostam. — Ele olha maravilhado. — Uruha, como anjo devia saber, não são vocês que espalham o amor.
— Minha legião não tem essa missão, somos encarregados de cuidar dos desajustados, os que depreciam a própria vida. — Uruha muda o semblante ficando pensativo. — Essa missão de cuidar dos amantes é da legião dos cupidos.
Uruha continua olhando os amantes, seu semblante agora parece melancólico, talvez esteja pensando, o tempo que ele perdeu com aquele humano, era um atraso de vida, nunca aprendeu nada, só via desgraça e podridão.
— Uruha, pede para mudar de legião, para cuidar dos amantes. — Isso resolveria esse problema, ele está segurando uma das flores da cerejeira me ouvindo. — Assim você ficaria aqui na praça das flores e não naquele beco escuro.
— Lembra aceitar a missão, obedecer e não questionar. — Agora ele tá percebendo que não é tão legal ser anjo. — Uma vez naquele legado, sempre será aquele tipo de missão, só muda o humano.
— Isso é muita maldade! Os Anjos deviam ser livres e poder escolher suas missões. — Eles têm medo de falar e serem expulsos. — E depois nós os Caídos que somos os ruins.
— Outra vez você tem razão, não podemos fazer nada, nem conversar, nem escolher. — Uruha está ficando deprimido, analisando tudo que foi proibido de fazer. — Essa flor tem mais liberdade que eu, decide quando abrir, soltar perfume, até quando cair, livre como nunca vou ser.
Preciso pensar em algo mais alegre para distraí-lo, essa conversa tá ficando muito melancólica, vai estragar a noite que está tão agradável. Olho em volta e encontro dois monte de flores empilhadas perto da árvore, penso num jeito de nos divertir, fazer ele esquecer essa melancolia e injustiça. Caminho até a árvore, ele me segue olhando os casais, prestando atenção nos carinhos e afetos que eles têm um com o outro.
Aproveito que ele está distraído olhando os amantes com a flor na mão, que me agacho e com as duas mãos pego um punhado das flores enchendo bem as palmas das mãos. Uruha está falando, quando chega bem perto me levanto e jogo todas as flores nele. Assustado ele se vira rapidamente, para ver com o que foi atingido. Me vendo com algumas flores na mão e um sorriso maroto mostrando minhas covinhas.
— Vem brincar, Uruha ! — Espero que a brincadeira o deixe mais animado.
Uruha fica parado, sem reação, sem saber o que fazer. O que significava brincar?
— Como assim brincar, Kai? — Ele nunca foi criança? Ou será que desde pequeno, eles só aprendem sobre a missão. — Não existe diversão para os Anjos.
— Vai dizer que nunca brincou na neve no inverno ou fez uma guerra de travesseiro quando criança? — Tô abismado, brincar é coisa que crianças fazem. — Nunca pulou num monte de folhas e viu elas voando com o impacto?
— Não, ninguém nunca brincou, só ensinaram servir e obedecer. — Os anjos tratam eles apenas como escravos. — Os agitados e desordeiros eram tirados das aulas, nunca mais tínhamos notícias deles. Então ficávamos com medo, todo mundo não mexia um músculo, sempre em silêncio quietos só aprendendo.
Estou incrédulo com isso, como os Celestiais podem ser tão frios e fazer isso com as crianças. Anjinhos são levados e fofos, e privar eles das brincadeiras infantis é pura maldade, aposto que devem dizer que se, forem desordeiros e questionadores, nós os Caídos vamos pegá-los. Não tem nada de angelical nisso, é sistema ditatorial, os que são contrários às suas ordens e pensam um pouco, são punidos e deserdados.
Deve ser por conta disso que temos umas crianças encapetadas, lá no nosso recanto que apelidaram de Inferno. Foram expulsos por não se comportarem e seguir as regras sem reclamar. Voltando ao Uruha, ele continua parado apenas olhando para baixo, triste com a sua falta de opção sendo Anjo.
— Uruha, vai ficar parado até quando? — Ele sai do transe e me olha. — Vem eu ensino você como se faz, é fácil.
— Sério! Que você quer brincar comigo? Não está meio grande para isso? — Vou ter que buscar ele, para mostrar que nunca se é grande demais para brincar.
Me levanto e vou até ele, pego no seu braço o puxando para o monte de flores no chão. Uruha continua cabisbaixo e pensativo, mas presta atenção nos movimentos que estou fazendo ensinando ele como pegar as flores com as mãos em forma de concha e jogar para cima. Um pouco desajeitado, Uruha copia meus movimentos com as mãos e começa jogar umas flores para cima, fica olhando elas caírem e faz de novo, vejo um sorriso brotar novamente em seus lábios que estão me encantando.
— Kai, você tem razão, isso é bem divertido. — Uruha deixou a tristeza de lado e está brincando com as flores.
— Novo jogo, vamos fazer assim agora. — Ele fica me olhando aguardando o que vou dizer — Você pega um punhado na mão e tenta me acertar, Combinado?
— Tá certo, Kai! Assim desse jeito. — Uruha tenta jogar as flores em mim eu desvio e saio do lugar, ele fica bravo. — Não dá para te acertar se você não fica parado.
— Anjinho bobo. Aí que tá a graça. — Ele fica sem entender a provocação que fiz. — Você tem que tentar me pegar para acertar as flores, chamamos de Pega-pega.
— Ah!... Seu Demon... Vou te pegar e mostrar quem é bobo.- Uruha junta uma boa quantidade de flores e vem para cima de mim .
Agora sim a noite ficou agradável, Uruha está sorrindo muito brincando de Pega-Pega, estamos correndo em volta da árvore do centro da praça, as flores estão voando como se o vento estivesse soprando, deixando as pessoas em volta desconfiadas do que estaria fazendo isso, pois não tem vento aquele momento.
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Numa das tentativas de me acertar com as flores, Uruha por não estar muito acostumado a correr pisa em uma das raízes da árvore se desequilibrando a ponto de cair. Percebo sua iminente queda e num movimento rápido vou ao seu resgate o segurando pela cintura ficando quase perto do chão.
Assustado ele agarra meus braços, ficamos parados inclinados um olhando para outro. Seus olhos azuis estão brilhando com a luz da lua refletida neles chega a ser hipnotizante, sinto a confusão que passa na sua mente, sua pele macia e delicada está arrepiada com o contato e por estar tão perto sua respiração está ofegante, ele não parece com medo, só sem entender essa adrenalina que tá acontecendo no momento.
Nossos corpos estão bem perto, quase se encostando, sinto essa energia diferente com ele nos meus braços, uma atração que não sei explicar só quero continuar com ele junto a mim. Uruha parece a ponto de colapsar com aquela posição, penso numa maneira de diminuir a tensão e acalmá-lo. Então lentamente aproximo dos seus lábios selando um beijo naquela boca rósea num formato de bico de pato, que a princípio me olha surpreso mas retribui o beijo dando passe livre para curtir aquela nova sensação.
O beijo é calmo e quente, seus lábios são volumosos e me aventuro em aprofundar esse contato tentando incluir a língua para sentir melhor a textura desses lábios. Uruha se arrepia com essa tentativa, corta o ósculo virando o rosto soltando suas mãos dos meus braços ficando de pé se equilibrando na minha frente, com a face bem vermelha. Solto sua cintura e fico esperando sua reação, nem acredito que o beijei, que atração foi essa nunca havia sentido isso antes?.
Uruha passa os dedos pelos lábios analisando o que aconteceu, dou uns passos para trás olhando como ele pode ser tão lindo, não parece bravo só está envergonhado, esse suspense está me deixando aflito. O que ele achou do beijo?
— Uruha, tá tudo bem? Você quase caiu...
— Sim, eu quase caí...
— Te machuquei lhe segurando?
— Não... machucou, eu to bem...
— Quer falar algo mais ?
— Sim... Não... talvez...
— Uruha, você parece confuso, Sim ou Não, o que?
— Talvez... o que foi isso? Tô todo arrepiado...
— Chamam de adrenalina, uma espécie de reação para avisar sobre um perigo.
— Ah... Hummm... esse contato entre seus lábios com os meus, também é adrenalina?
— Isso é um beijo, ajuda a acalmar a adrenalina e faz as batidas do coração voltarem ao normal.
— O beijo não acalmou... Meu coração nunca bateu tão rápido...
— Foi uma sensação ruim?
— Não, na verdade foi uma sensação boa, diferente ainda estou tentando entender.
— A sensação que o anjinho sentiu são os chamados sentimentos. Uruha gostou do beijo?
— Os Anjos têm sentimentos iguais aos humanos? Sim... beijo foi bom... Kai sabe muitas coisas...
— Todos os Anjos tem não importa ser Protetor ou Caído, mas no céu acredito ser proibido ter esses sentimentos, pelo que entendi só ensinam a servir e obedecer, nada de diversão.
— Aprendi mais com um Caído numa noite, que durante minha vida toda. Kai pode me ensinar sobre esses outros sentimentos?
— Posso sim, mas pode causar problemas para Uruha, se os Celestiais descobrirem o Anjo com um Caído podem te expulsar do céu.
— Kai está certo, posso perder minhas asas brancas e meu único amigo Reita, não quero que ele fique sozinho lá na missão.
— Talvez podemos nos encontrar escondido, seu humano está sempre bêbado e desmaiado, deixamos ele num lugar seguro e você pode aproveitar a noite. Seu amigo podia lhe dar cobertura?
— Ótima ideia. Acho que consigo convencer o Reita. Aquele humano vai servir para algo. Mas e os outros Caídos se virem você comigo?
— Beleza então, seu amigo é confiável? Eles já me viram conversando com outros Anjos, não vai ser difícil despistá-los. Só tenho que me preocupar com Aoi, ele é invejoso e se faz de meu amigo.
— Reita é sim, fomos criados juntos, ele sempre me tira das encrencas, pois quero conversar e no céu ninguém quer. Me salvou de ser expulso quando éramos crianças.
— Perfeito, ainda dá tempo de conhecer outros lugares ou brincar mais um pouco com as flores, Uruha.
— Nos vemos amanhã Kai, está quase amanhecendo, preciso seguir o meu humano até em casa e estar no encontro da missão.
— Vamos voltar, eu te acompanho até a praça escura, está na hora de realizar meu trabalho também. Foi divertido passar essa noite com você, Uruha.
— Kai, ainda bem que aceitei conversar com você, foi a melhor noite que tive. Todas são tediosas e chatas olhando o humano que devo proteger se embriagar todo dia.
— Amanhã vou te mostrar lugares que tem ótima comida.
— Quero muito Kai, estou cansado de hidromel todo dia...
Dou risada da sua resposta, ele fala que gosta das minhas covinhas que são lindas, minha vez de ficar um pouco envergonhado. Observo ele ir embora seguindo o seu humano bêbado para longe do parque. Sento no banco, analiso aquela noite, só tenho que tomar cuidado para não me apaixonar por ele, será uma confusão se eu deixar meu coração mandar.
Hora de realizar meu trabalho, recolher uns perdidos se eu não levar pelo menos uma alma para o nosso recanto, Lúcifer vai ficar no meu pé. Ruki como ele gosta de ser chamado, vai colocar outros demons na minha cola. Quero um pouco de privacidade para ficar com meu anjinho loiro de olhos azuis.
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