Demons Inside
2 Fim do Caso
Notas iniciais

Norman, Oklahoma
– Deixa eu ver se entendi… Você tem uma irmã que está morta por sua culpa? – Dean perguntou a Mike, com um sorriso afetado.
– Ela não está morta… — Mike respondeu irritado – Está em coma.
Candice se sentou novamente na poltrona, cruzando as pernas e fuzilando o irmão.
– Mas não deixa de ser sua culpa. – ela cruzou os braços também – E só me procurou depois de seis meses.
– Isso é um pouco… — Sam procurou a palavra certa – Irresponsável, não, Mike? Deixar sua irmã em coma por seis meses sem procurar ela.
– Ah, ótimo, agora estão todos contra mim! – o homem encarou a irmã – Muito obrigado, Candice.
– Você deveria me agradecer mesmo, Michael. Porque apesar de tudo, eu ‘to aqui para ajudar. – suspirou – Vocês não tem ideia do que estão fazendo, pelo jeito.
Mike foi até a cama, colocou sua mochila nela e tirou o diário de lá, abrindo na página que falava sobre a entidade que caçavam.
– Você escreveu aqui como matar essa coisa. Quer dizer que escreveu errado?
– Espera um pouco. – Dean se aproximou dos dois, confuso – Quer dizer que o seu diário também é falso? Que é dela?
– Nunca disse que era meu. – Mike deu de ombros.
– Já chega com essa discussão de menininha. O diário é meu, sim. Agora vamos continuar com o assunto sério. Vocês usaram o ritual errado.
– Então foi você quem escreveu o ritual errado, porque seguimos exatamente o que estava no diário. – o homem argumentou, irritado com a situação.
– Ok. – Candice levantou as mãos em sinal de rendição – Como Ésmiro voltou á terra?
– Uma bruxa o invocou. – Sam falou.
– E do que ele se alimenta?
– Do sangue das vítimas. – foi a vez de Dean responder ao questionário que para ele já estava parecendo idiota.
– Errado. As pessoas que mata não o alimentam, só completam o ritual para ele conseguir o alimento. Quando ele volta para a Terra de mil em mil anos, ele vem com a energia que ele juntou no século em que esteve “preso”. – ela fez aspas no ar – Então, se ele não veio com a própria energia…
– Ele se mantém com a energia da bruxa que o invocou. – Sam anunciou num estalo, percebendo como havia sido ingênuo ao não perceber as pistas.
– Bingo. – Candice sorriu para ele.
– Espera, ainda não entendi aonde vocês querem chegar. – Mike encarou os outros três.
– E é por isso que você não entendeu o que escrevi no diário. Pelo menos leu ele direito?
Mike pegou o diário que ainda estava aberto na página que falava sobre Ésmiro. Releu tudo o que estava escrito ali e passou para a próxima, que também já tinha lido. Leu a seguinte e, na depois dela, já era a descrição de outra criatura.
– Não tem nada aqui sobre evocação.
– Abre o diário na parte que fala sobre bruxas, idiota. – a garota revirou os olhos, impaciente. Como seu irmão podia ser tão lento? Por isso ela era a mente da dupla.
Impaciente, Dean tirou o diário das mãos do Hart e folheou, observando que a maioria das criaturas que passavam ele nunca tinha ouvido falar e que cada um deles tinha um desenho feito á mão muito bem feito. Ele parou quando viu o título “Bruxas” e passou as páginas até encontrar uma parte com letras vermelhas.
– Observação: — leu em voz alta – Se uma entidade é invocada por bruxas, ela só pode ser mandada de volta depois da morte delas.
– Aaah. – Mike assentiu, finalmente entendendo onde aquela conversa queria chegar – Eu vi a bruxa mais cedo, na casa daquela mulher que morreu. Acho que já disse isso. Ela tinha cabelos loiros e era alta. Não consegui seguir ela por causa do corpo do cara e tudo mais…
– Bem, acho que ela não vai aparecer mais hoje. – Sam se sentou em sua cama.
– Mas temos que ficar de olho. – Dean continuou – A bruxa sabe que estamos aqui. Vai saber que tipo de bruxaria ela faz. Pode ter algum feitiço pelo quarto.
– Podem ir dormir. – Candice sorriu para os três homens – Eu vou ficar aqui. Se algo acontecer eu chamo vocês.
– Desculpa ai, fantasminha camarada, mas eu não vou confiar em você só porque é irmã do outro caçador ali. – Dean cruzou os braços.
– Sinto muito, mas eu tenho que concordar com ele. – Sam deu de ombros.
– Tudo bem. – a garota assentiu, suspirando e se levantando, um sorriso forçado brincando em seus lábios – Estou indo.
No mesmo momento, seu corpo tremulou no ar e desapareceu deixando uma brisa dentro do quarto, mesmo que a janela e a porta estivessem fechadas.
– E… É assim que um espírito se torna vingativo. Vocês magoaram ela. – Mike encarou os irmãos Winchester – Vou dormir na poltrona.
Ele apertou a alavanca lateral da poltrona e pressionou o encosto para descê-lo; Sentou e ficou olhando para o teto, tentando ignorar o cheiro estranho que vinha de sua cama improvisada e a culpa que sentia.
Logo os três caçadores já estavam dormindo e, do outro lado do quarto, encostada na parede, estava mais uma vez o espírito de Candice, observando o nada, pensativa. Aquele quarto de hotel trazia muitas lembranças, nenhuma delas tão importantes, mas faziam-na ter muita saudade de estar viva. Completamente viva. Já faziam seis meses que não comia sua comida favorita ou bebia. Na verdade, não sentia nem necessidade. Apesar de nunca ter passado uma noite de sono sequer sem pesadelos, sentia falta de dormir. Mas ela não podia, e nem ficava cansada.
Olhando para o canto do quarto, obsevou por algum tempo o irmão dormindo, desajeitado naquela poltrona velha e um pouco pequena para ele, com a boca aberta. Na cama próxima á dele estava um dos Winchester. Não sabia identificar qual deles era o Dean e qual era o Sam, mas sempre ouvira falar deles e a lenda que eram como caçadores. Esse tinha cabelos loiros e dormia de barriga para cima como se estivesse preparado para atacar qualquer coisa que pudesse chegar de surpresa. E, por último, na cama ao lado, estava o outro Winchester, o mais alto. E esse estava sentado na cama, a observando.
– O que faz aqui? – perguntou um tanto nervoso. Ultimamente ele não conseguia controlar a raiva que crescia dentro de si muito bem.
Candice respondeu colocando um dedo sobre os lábios num pedido de silêncio e andou lentamente até ele, desejando que o caçador não atirasse uma bala de sal. Quando chegou próxima aos pés da cama, considerou a distância segura o bastante para os dois.
– Vocês estão sendo seguidos. – ela sussurrou – A bruxa. Ela sabe que estão aqui, mas não está atacando. Eu falei que ficaria aqui para ajudar.
– Duvido que possa fazer alguma coisa, mas… Agradeço a preocupação.
O silêncio reinou por um minuto, mas não foi desconfortável. Foi assim que ela percebeu que, apesar do que parecia ele não a odiava. Não completamente.
– Eu… Nunca faria mal a nenhum de vocês. – comentou, esperando que isso fizesse alguma diferença.
– Eu sei. – Sam respondeu, com um soriso brincando nos lábios.
– Pensei que não gostasse de mim…
– Não é isso. Mas… Eu e Dean não podemos nos dar ao luxo de confiar em qualquer pessoa. – ele explicou e, logo que falou, se corrigiu – Ou fantasmas, claro. A maiora que conhecemos queriam… Sabe… Nos matar.
A garota o encarou por alguns segundos com o cenho franzido, deixando-o um pouco envergonhado.
– Então você é o Sam e o outro é o Dean… — Candice murmurou para si mesma – Bem, você deveria voltar a dormir.
– Tudo bem. Tenho certeza que você vai cuidar muito bem da gente. – Sam olhou de um jeito estranho para ela e se deitou novamente. Não acreditava que um fantasma conseguiria protegê-los, mas era melhor deixá-la pensar daquela forma que irritá-la.
°°°
O sol batia nos olhos de Dean, o incomodando. Ele os abriu lentamente, dando de cara com dois olhos castanhos que o observavam atentamente.
– Puta merda! – ele exclamou, rolando da cama para o chão – O que é isso?
– Você está bem? – Candice perguntou séria, parecendo preocupada, sentada na beirada da cama de Dean.
– O que você pensa que estava fazendo? Sei que sou irresistível e tudo mais, mas não é pra tanto, né? E o que você está fazendo aqui? Pensei que tínhamos dito para ir embora! – ele falou tudo de uma vez, completamente irritado, fazendo com que os outros dois que ainda dormiam acordassem.
Candice riu, ainda sentada na beirada da cama.
– Hora de acordar. Temos uma caça ás bruxas.
°°°
Os três caçadores estavam no Impala. Mike queria que fossem no dele, mas, de acordo com ele, o carro já era um pouco conhecido pela cidade. Estavam parados em frente a uma casa branca de telhado vermelho, o jardim colorido com vários tipos de flores. O cenário, de alguma forma, era surreal. Parecia ter saído de um conto de fadas.
– Ok, vou admitir que a gasparzinha tem razão. Esse lugar… É bem esquisito. – Dean comentou, olhando a casa com uma careta.
– Eu segui a bruxa ontem. – Candice apareceu do nada no banco de trás, ao lado de Sam – E agradeço se parar de arranjar esse apelidos.
– Olha só… É o Ésmiro. – Sam falou, se mexendo no banco para se levantar, já com a estaca na mão.
Do outro lado da rua, saindo da casa, estava a mulher loira andando tranquilamente com um gato nos braços.
– Não é não! – Candice gritou, antes que Sam pudesse sair do carro – Não é Ésmiro.
– Como sabe, garota-sem-apelido? – Dean perguntou desacreditado. Era impossível que ela soubesse esse tipo de coisa.
– Eu posso ver. E, se não acreditam, prestem mais atenção nela. Está segurando um gato. A estaca não é banhada em sangue de gato á toa.
– Ela tem razão. Não é o Ésmiro. – Mike falou, observando a mulher sorridente, virando a esquina.
– Ela pode ter mudado de casca. Estar possuindo outra pessoa. – Sam concluiu.
Os quatro ficaram ali alguns minutos, assistindo a casa e o movimento na rua, esperando algo suspeito. E, depois desses alguns minutos, tiveram a resposta para o problema.
– Ali! – Dean apontou para a janela, onde uma loira, exatamente igual á que havia saído antes, estava parada observando um ponto no horizonte sem qualquer expressão.
– É ele! – Candice concordou.
– Irmãs gêmeas. – Mike sussurrou para si mesmo, olhando para Dean, ao seu lado – Ontem, quando vi a bruxa, ela era loira que nem essas duas. Então a que estava com o gato era a bruxa, com certeza. Que coisa horrivel. Que tipo de pessoa deixa uma entidade entrar no corpo da própria irmã?
– Você não pode falar muita coisa. – a garota falou, encarando o irmão pelo retrovisor.
– Pelo menos seu corpo continua sendo seu. – ele contra atacou.
– Hey, já chega! – Sam interveeio – Viemos aqui para acabar com isso, não ficar discutindo. Entenderam?
Os outros dois ficaram em silêncio.
– Acho que devíamos atacar essa coisa de surpresa… Sabe, aproveitar que ta paradona ali olhando pela janela que nem gente maluca. – Dean comentou.
– Temos que seguir a bruxa. Não adianta atacar a casa agora. – foi a vez de Sam.
– Mas pelo menos assim a gente prende a outra gêmea Olsen*.
A fantasma suspirou assistindo a discussão deles. Depois falavam dela e de Mike.
– Já chega! Eu vou tentar encontrar a bruxa e vocês três fiquem de olho na garota ali em cima. Ponto final.
E mais uma vez ela desapareceu.
– Mas essa garota se acha, hein! – o Winchester mais velho bufou.
– Não fale assim da Candy. – Mike respondeu irritado.
– Candy*? – Dean riu – Ótimo apelido para uma fantasminha camarada.
°°°
Já estava anoitecendo quando a bruxa voltou para casa, e os caçadores continuavam ali, muito mal-humorados pela demora. Assim que ela passou pela porta e a fechou, os três resolveram agir. Saíram do carro com estacas (mesmo sabendo que não funcionariam) e armas na mão, prontos para matar a bruxa e mandar a criatura para o seu lugarzinho no onde-quer-que-ele-fique.
Com passos rápidos e silenciosos, eles subiram as escadas da varanda e Sam testou se a porta estava trancada. Com um clique, ela se abriu e eles prepararam suas armas, prontos para atirar em qualquer coisa que se movimentasse.
A luz da sala estava igada, mostrando a bela decoração. Mas, para os olhos bem treinados de caçadores, era possível ver símbolos pagãos por todo o lugar, disfarçados de vasos de planta, quadros, enfeites…
– Isso aqui parece um antro demoníaco! – Dean fez careta ao ver todas aquelas coisas.
– É quase isso, querido.
Os três se viraram, encontrando uma garota exatamente igual a que Ésmiro possuia, mas essa tinha os olhos verdes.
– Tenho certeza de que procuravam por mim. Acham que não vi o fantasma me seguindo? Sou uma bruxa! E nem um pouco idiota! – ela falou, dando a volta pela sala, ficando o mais longe possível dos caçadores, que ficaram calados – Ah, porque estão tão calados? Morderam a língua?
– Pensei que estariam mais falantes essa noite. – a garota de olhos vermelhos desceu as escadas, com um sorriso enorme no rosto – E não parecem nada felizes, não é, Jane? Vamos, desabafem!
– Sua voz é insuportável. – Mike bufou, apontando a arma para ela.
– Não gaste suas balas, caçador. Ésmiro não vai morrer com isso. E minha irmã Jasmine já está morta. Você – apontou para Dean – matou as possibilidades dela voltar com aquele tiro ontem á noite.
– É, fazer o que… Ninguém mandou usar ela como vaso sanitário de monstro. – o Winchester deu um sorriso irônico, arrancando um rosnado estridente da coisa que possuía a outra gêmea.
– Já chega. – Jane disse entredentes, pegando um saquinho de maldição e falando numa língua estranha.
– Ela está fazendo um feitiço. – Sam falou, observando os outros dois para ver se algo acontecia com eles. Mas, de repente, todo seu corpo começou a ficar dolorido e em sua boca veio o gosto de sangue.
– Sammy! – Dean foi para o seu lado, preocupado, mas antes de chagar ao irmão, ele foi arremessado na parede, onde o corpo possuído de Jasmine o prendia pelo pescoço.
A bruxa continuou recitando a magia, enquanto Sam vomitava sangue no carpeta, Dean permanecia preso na parede e Mike não conseguia mover um dedo, paralisado pela magia de Jane.
Enquanto a mulher recitava de olhos fechados, algo se agitou em suas costas, logo tomando a forma de Candice.
– Isso você não previu de mim, não é? – ela falou, chamando a atenção de Jane. Aproveitando a surpresa da mulher, ela a arremessou para trás, fazendo-a bater as costas nas pedras da lareira e caindo em seguida
– Não! – Ésmiro gritou, correndo para Jane com fúria estampada no rosto.
Aproveitando que a dor havia parado e que o sangue não saia mais, Sam se arrastou até a arma jogada no chão e a apontou para a criatura á sua frente, atirando em suas costas e fazendo-a cair. Mesmo sabendo que em poucos segundos ela se levantaria novamente, isso dava uma vantagem.
Vendo-se livre, Mike também aproveitou a oportunidade e usou sua arma para atirar na cabeça da bruxa, matando-a.
– Vocês vão pagar por isso! – o monstro, ainda vivo e furioso, gritou enquanto se levantava do chão.
– Não vai não, vadia. – Dean respondeu, cravando a estaca banhada em sangue pelas costas da mulher possuída.
Os três homens ficaram um ao lado do outro, encarando a bagunça em que o lugar havia se transformado, com coisas quebradas, sangue empoçando o chão dois corpos sem vida.
– Acho que é isso. – Sam deu de ombros, já indo a caminho da porta – Vamos embora.
Os outros dois o seguiram, entrando no carro.
– Hey, espere, onde está a Candice? — Mike perguntou, olhando para os lados.
– Ela desapareceu assim que matamos a coisa. – Dean respondeu.
Aceitando aquela resposta, Hart se acomodou no banco e o caminho para o motel foi tranquilo, com o sentimento de que o trabalho estava feito e sabendo que aquela cidade não viraria lanche de monstro.
Quando chegaram no motel, a única coisa que Dean queria era tomar um banho para relaxar e depois tirar uma soneca para colocar o pé na estrada o mais rápido possível, mas assim que entrou pela porta, deu de cara com um fantasma parado no meio do quarto.
– Não tem nada a dizer, Winchester?
– Tenho. Não entre no quarto dos outros de surpresa. Isso pode causar um ataque cardíaco e aí terá maiss um coleguinha pra turma de fantasmas camaradas.
Candice revirou os olhos, fazendo menção de desaparecer logo em seguida. Mas, não faziam nem cinco segundos que havia desaparecido, ela reapareceu. E trazia consigo um certo anjo de olhos azuis.
– Precisamos conversar. – Castiel falou sério, passando os olhos por todos que estavam presentes ali – Todos nós.
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