Demons Inside
6 A Água Santa - Parte I
Notas iniciais
Oklahoma City, Oklahoma, Três dias antes
O anjo encarava a mulher á sua frente, esperando uma resposta. Ela não parecia nada contente. Passava as mãos nos cabelos castanhos e encarava o nada com seus olhos azuis nervosa, olhando o movimento á sua volta sem realmente prestar atenção. Os dois estavam sentados um de frente para ao outro na cafeteria do Mercy Hospital, num canto afastado para evitar que algum enxerido escutasse.
– Por favor, Effie. Precisamos de quanta ajuda pudermos conseguir.
– Castiel… — ela suspirou, sentindo-se encurralada; o assunto já estava rendendo demais – Não me chame de Effie. Eu não sou mais essa pessoa. Sou uma enfermeira, e meu nome é Karin.
– Tanto faz o seu nome. — Castiel falou em voz baixa, começando a se irritar com a falta de consideração da mulher – Precisamos de ajuda, e rápido. Temos que descobrir com o que estamos lidando.
– E mesmo com os poderosos Winchester como aliados vocês ainda não descobriram?
Castiel suspirou, pensando no que faria Effie – ou Karin – mudar de ideia.
– Olha, Karin… Sei que deve ser difícil fazer o que estou pedindo…
– Castiel, não me leve a mal, mas quando apareceu há seis meses pedindo para eu cuidar de uma caçadora torturada e em coma, estava tudo bem. Esse é meu trabalho, apesar de não querer me envolver mais com esse tipo de coisa e nem com esse tipo de pessoa. Mas pedir que eu volte a caçar? Impossível. Nunca.
– Effie – Castiel começou, mas parou assim que recebeu um olhar repreensivo da mulher – Karin, isso não tem a ver só com caçadores!
– Não tem, mas eu não posso fazer nada! Se você, que é um anjo, não pode ajudar, o que eu posso fazer?
O anjo apertou a mandíbula e olhou nos olhos de Karin, dessa vez nem um pouco amigável.
– Você pode mudar seu nome, Effie. – ele deu ênfase ao dizer o nome – Mas não pode mudar o mundo em que vive e nem os monstros que estão nele. Você. Está. Fugindo. E não é da vida de caçadora. É de si mesma.
Como resposta, Karin se levantou, espalmando as mãos na mesa com um barulho alto e inclinando o corpo em direção a Castiel, chamando a atenção de algumas pessoas.
– Eu saí dessa vida pra nunca mais ter que matar ninguém e nem ver alguém que amo morrer.
– E não vai ter adiantado nada ter feito isso se deixar tudo acabar. Eu sei o que você quer. Posso ver os seus sonhos, o que quer, e não vai ter nada disso se o mundo for destruido por essas criaturas.
– O que eu sonho não é da sua conta.
Karin sentia sua garganta arder, com uma vontade enorme de socar a cara do anjo e de chorar. Porque ele estava conseguindo o que queria e ela sabia que no final iria ceder, mesmo que tentasse fugir disso.
E o Castiel também sabia que havia conseguido assim que a mulher voltou a se sentar.
– Explique novamente. – pediu com uma careta, completamente derrotada.
°°°
Salta Lake City, Utah, Utah
– Cass! – Sam ficou surpreso com a aparição repentina do anjo logo naquele meio do nada.
E, mais uma vez, antes que se dessem conta do que estava acontecendo, estavam em um lugar diferente, parecia uma cabana completamente feita de madeira e completamente abandonada, com apenas um cômodo – que era onde estavam – e uma portinha ao fundo que deveria ser um banheiro. Suas paredes tinham símbolos estranhos pintados com tinta preta e, no meio do lugar, uma armadilha do diabo bem elaborada, com mais detalhes do que as que os irmãos costumavam fazer.
– Você precisa parar de nos levar de um lugar para o outro sem avisar antes, cara… — Dean reclamou.
– Me desculpem. Precisava trazer o demônio para esse lugar antes que acordasse. – ele explicou.
– Que lugar é esse? – Sam perguntou curioso, olhando em volta.
– Meu lugar favorito no mundo. – uma voz feminina respondeu sarcasticamente, e os três se viraram para ver a mulher sair da pela porta no fundo, empurrando uma pesa de ferro com rodinhas em cada uma das pernas.
– Cass, você arranjou uma namorada? – o mais velho olhou do anjo para a mulher, analisando-a de cima a baixo.
– Eu não sou namorada de ninguém, Winchester. – retrucou séria, deixando claro que não estava ali para brincadeiras – Sou Effie O’Connel.
– Effie? – o anjo perguntou confuso.
– Por favor, Castiel. Depois falamos sobre isso. – a morena suspirou, olhando em volta – Vamos terminar logo com isso. E onde está a Candice? Queria vê-la.
– Parece que ela não veio junto. – Castiel falou, mas, no fundo sentia uma certa preocupação.
Colocando um fim na conversa com apenas um “entendi” como resposta, a mulher passou novamente pela portinha ao fundo – que já dava para saber que não era realmente um banheiro e voltou de lá com uma cadeira de madeira maciça e uma estrutura de ferro que parecia um cabide. Os irmãos a ajudaram a levar as coisas para o meio da armadilha e amarraram o demônio na cadeira. Um minuto depois, ele abriu os olhos e olhou ao redor, dando um sorrisinho convencido.
– Acho que me tornei importante para os cavaleiros do bem. – riu, olhando para os caçadores e o anjo á sua volta – E então, o que vão fazer? Socos, facas, água benta, sal, um exorcismo direto…?
Com um sorriso discreto, Effie pegou uma mochila preta do chão, colocando-a sobre a mesa de metal. Os outros três observavam atentamente o que ela estava fazendo e se surpreendeeram ao vê-la tirar uma bolsa de soro de lá e um equipo*, conectando uma agulha numa ponta e a outra na bolsa. Sem medo nenhum, ela entrou na armadilha e a pendurou no “cabide” e enfiou a agulha sem dó nenhuma no braço do homem possuído.
– Soro? – Sam perguntou confuso.
– Água benta. – ela sorriu, mexendo em algo na bolsa – Se acha que machuca jogar na cara deles, ainda não viu como eles ficam quando isso está circulando nas veias.
Dean se virou para o irmão, completamente surpreso.
– Adorei essa mulher.
Um segundo depois, o demônio começou a se contorcer na cadeira. Nenhuma furmaça saía dele e nenhum sinal dos efeitos, a não ser os gritos. E então, ele parou de se contorcer, ofegante, encarando a mulher.
– Você pode nos dar a resposta e é exorcizado, ou eu posso abrir o acesso de novo. E quando essa água benta acabar tenho outra reservas guardadas.
– E o que quer que eu conte? – perguntou com um sorriso cheio de desdém, mesmo que ainda estivesse arfante – Que isso não vai adiantar?
Effie abriu novamente o acesso e em segundos a criatura estava se contorcendo, alternando entre gritos e risadas forçadas. A mulher saiu da armadilha.
– Querem tentar alguma coisa? Perdi um pouco de prática com a parte da violência. E acho que na condição em que ele está, um soco dói muito mais.
Sem hesitar, o mais velho tirou a jaqueta e avançou, batendo o punho no maxilar do homem que se contorcia, fazendo-o urrar de dor, e repetiu o ato mais duas vezes.
– Vão precisar de mais que isso. – grunhiu entredentes, apertando os braços da cadeira com as mãos.
– Tem mais água benta e sal? – Sam pediu á Effie, que tirou de sua mochila uma garrafa e um pacote, que ele misturou em uma vasilha também fornecida pela mulher e, entre os socos do irmão, jogou todo o líquido esbranquiçado sobre o demônio.
– Um ritual. – falou com a respiração entrecortada e a pele soltando a fumaça com cheiro de enxofre.
– Um ritual para que? – Castiel perguntou se aproximando, enquanto Effie fechava o acesso e o demônio parava aos poucos de se contorcer.
– O portão… — ele parou para respirar – Vamos abrí-lo.
– O portão do inferno? – foi a vez de Sam perguntar.
– Inferno? – o demônio riu – Já passamos dessa fase, não acha, Sam Winchester?
– Então o que é? Que ritual é esse, essas reuniões? – Castiel entrou na armadilha e segurou o colarinho da camisa social do homem.
– Sacrificamos criaturas. Cada mês é uma diferente.
– E pra que serve esse ritual?
– Eu já disse. – o demônio se irritou – Abrir o portão.
– Mas o portão para que? – o anjo estava tão irritado que empurrou o homem contra o encosto da cadeira, rachando-o.
– Vai ter que me matar para saber. – o demônio sorriu, mostrando os dentes sujos de sangue.
Antes que alguém o contradissesse, Castiel colocou a mão na testa do homem e uma luz branca saiu de seus olhos. Quando ela cessou, suas órbitas estavam vazias e queimadas e o corpo sem vida caiu para trás.
– Cass, a gente podia ter descoberto mais coisa! – Sam suspirou, encarando o morto.
– Ele não diria mais nada. – Effie defendeu o anjo.
– Agora já foi. – Dean desamarrou os pulsos – Vamos enterrá-lo.
– O carro não está aqui, Dean, não temos pás. – o mais novo avisou.
– Tem umas três pás lá atrás. – a mulher apontou para a porta no fundo – Podem pegar lá.
Os irmãos entraram no cômodo pequeno que estava abarrotado de coisas, tanto normais quanto “coisas de caçador”. De latas de tinta em spray e cadeiras a caixas com selos demoníacos e de proteção. Demorou alguns minutos, mas finalmente conseguiram encontrar as pás e mexeram em algumas coisas por ali para conseguir retirá-las, fazendo subir uma nuvem de poeira e os dois trataram de sair logo dali.
– Parece que ninguém mexe aqui há anos. – o mais velhos comentou, indo para a porta, mas parou, assim como o irmão, quando ouviu o tom preocupado da mulher que falava no celular.
– Tudo bem, Mark… Sim. Me mantenha informada. – Effie fez uma pausa, passando a mão livre pelos cabelos escuros – Sim, vou voltar agora, estarei no hospital o mais rápido possível. Obrigada por avisar. Até mais.
– Aconteceu alguma coisa? Alguém está ferido? – Sam perguntou preocupado.
– Castiel, – ela ignorou o Winchester, num tom sério e desesperado — a Hart piorou. Precisamos chegar ao hospital agora.
– Eu levo você para chegar mais rápido. – o anjo também tinha as sobrancelhas e os lábios franzidos em preocupação, mas seu tom era calmo.
– Espera um pouco… Hart? – Dean se intrometeu – A Candice?
– Sim. – Effie guardava algumas coisas em sua mochila apressadamente – Sou a enfermeira responsável por ela. E sou o contato para emergências.
Os Winchester trocaram um olhar preocupado e saíram apressados para terminar de limpar a bagunça logo. Assim que terminaram de cavar, colocaram o corpo na cova e jogaram a terra por cima novamente, voltaram para a cabana – que por fora parecia abandonada há séculos e estranha sem nenhuma janela – onde Effie terminava de arrumar o resto das coisas e guardava a cadeira pesada com a ajuda de Castiel. Eles colocaram as pás junto com o resto e se reuniram com os outros dois. Com todos já prontos, a mulher avançou para perto dos irmãos e balançou a cabeça em um cumprimento.
– Se me encontrarem novamente, me chamem de Karin, e não… — ela deu uma pausa com uma careta de desgosto – Effie. Ugh.
– Tudo bem… — Dean concordou hesitante, achando isso muito estranho.
– Vou levar vocês de volta para onde estavam. – tão logo Castiel disse isso, Dean e Sam estavam sozinhos ao lado do Impala, de volta a Utah.
– Pelo menos dessa vez ele avisou. – Sam comentou, mesmo que sua mente estivesse em outro lugar.
– É, acho que sim… — o outro respondeu, destrancando o carro e se acomodando no banco.
– Procurar outro caso?
– Procurar outro caso.
°°°
Medford, Oregon – Três dias depois
Sam e Dean haviam virado a noite pesquisando o estranho caso que haviam encontrado no Oregon, mas ainda sim não encontraram nada. Estavam se preparando para visitar o homem que fora a primeira “vítima” do caso, que era o seguinte:
Semanas antes, Carter Jesington, morador de Medford de quarenta e seis anos, tinha feito uma viagem até o Lago Crater e uma mulher – pelos relatos do homem era uma moradora local – disse a ele que a água do lago era milagrosa. E então, Carter simplesmente entrou na água e ficou curado do seu problema de visão e da diabete. Depois de seus relatos impressionantes e do seu renascimento espiritual para todos os principais jornais do estados e notícia que se espalhou como fogo em palha pela internet, várias outras pessoas com doenças, muitas delas se acreditava não ter cura apesar daquelas que eram passageiras e não apresentavam riscos, foram visitar o lago vindos de muitas partes do país. Muitos citavam o lugar como “o lar da água santa”, e várias teoris surgiam, como aquela água ser lágrimas de anjos.
– Cara, como lágrimas de anjos poderiam ser milagrosas? – Dean estava incrédulo lendo aquela história, postava numa pagina sobre espiritualidade – Sem são lágrimas, deveriam ser algo ruim, não?
– Isso é… Muito bizarro. – Sam concordou – Mas talvez não devêssemos investigar. Se isso está ajudando as pessoas, é uma coisa boa.
– Isso é muito bom para ser verdade, Sammy. E o que é bom demais vem com um preço.
Então, para entender melhor o que estava acontecendo, os dois foram á casa do “paciente zero” – como Sam o chamara – e bateram na porta, que foi atendida por um homem que não aparentava a idade que tinha, com uma bermuda e uma camiseta de cores fortes que o ajudavam a parecer mais novo.
– Senhor Jesington, eu sou o Peter esse é meu amigo Ryan. – o mais novo os apresentou — Lemos uma matéria sobre você em um site sobre espiritualidade e queríamos ver esse milagre com nossos próprios olhos.
– Ah, claro, entrem. – o homem sorriu animado, deixando os dois entrarem – Fiquem a vontade, vou trazer um chá para vocês. Gostam de chá verde, certo?
– Ahn… Claro. – Dean concordou, mas fez uma careta assim que Carter saiu de vista – Eca, verde.
Demorou alguns minutos, mas logo ele voltou carregando uma bandeija com três xícaras, uma açucareira e uma vasilha com leite e a colocou na mesinha de centro.
– Então… — Carter se sentou no sofá do outro lado da mesa – Querem ouvir a história, certo?
– Sim, se for possível. – Sam pediu.
– Bom, eu fui para o lago; gosto de lá, então costumo ir quando estou de folga ou algo do tipo. Quando cheguei na água, tinha uma mulher lá, nadando. O que para mim foi muito estranho, porque o lugar é muito frio, ninguém nada lá. E então ela saiu da água, completamente nua, e falou que se eu nadasse também ficaria curado de qualquer doença que tivesse. Foi tudo tão surreal que acreditei nela e entrei no lago. Fiquei curioso pelo que ela disse e fui no meu médico assim que voltei para Medford, e eu estava realmente curado. Voltei ontem nele só para garantir, e está tudo certo com a minha saúde.
– Ela estava nua? – Dean perguntou, recebendo um olhar incrédulo e repreensivo do irmão.
– E aconteceu mais alguma coisa estranha? – Sam questinou, encobrindo a pergunta do mais velho.
– Além de nadar numa água que curou tudo o que eu tinha? Nada. — Carter foi irônico – Mas sinceramente, a mulher era… Diferente. Não sei explicar como, simplesmente era.
Percebendo que não conseguiriam mais nenhuma informação, os Winchester deram um jeito de ir embora logo – sem tomar o estranho chá verde-escuro – e logo estava, de volta ao motel arrumando suas coisas.
– Quanto tempo de viagem até o lago? – Dean perguntou ao irmão, que olhava a rota pelo computador.
– Pouco mais de duas horas.
– Bem, vamos caçar essa coisa.
°°°
O Lago Crater tinha resquícios de neve em alguns pontos á sua volta e, de acordo com uma placa eletrônica que havia no caminho, fazia 3°C. Nada disso afastou os visitantes do lago. Mas, apesar de ter muitos á sua volta, poucos se aventuravam a entrar, tanto pela temperatura quanto por medo do poder da água.
Dean e Sam caminharam por um tempo pela orla do lago procurando um ponto vazio e depois de um tempo encontraram.
– Socorro! Precisamos de ajuda!
– Você enlouqueceu, Sam? – o mais velho se assustou, encarando o irmão que gritava para o vazio.
– Precisamos chamar a atenção para ela vir até nós. – ele explicou antes de continuar – Por favor, estamos machucados!
Mesmo que achasse loucura, Dean se surpreendeu ao ver a água do lago se mover com mais força, com pequenas ondas que foram aumentando até que uma mulher surgiu entre elas. Como Carter Jesington havia dito, ela era simplesmente diferente.
Ela caminhava pela água revolta como se fosse o chão e, apesar de parecer normal, era como se uma névoa a encobrisse e, quando ela se movia, dava para ver melhor a pele nua que era tão branca que parecia azulada, os olhos preocupados que pareciam água pura e cristalina, e os cabelos loiros quase brancos que caíam em ondas tão perfeitas que pareciam se misturar com as ondas á sua volta, juntamente com as generosas curvas de seu corpo.
– Quem está ferido? – sua voz macia e musical perguntou, olhando para os irmãos com uma preocupação genuína.
– Na verdade ninguém. – Sam se desmentiu – Queríamos encontrar você. É uma Náiade, certo?
– Náiade? – Dean o olhou surpreso, avaliando o corpo da mulher á sua frente.
– Acho que finalmente encontrei alguém que sabe quem eu sou de verdade. – ela sorriu delicadamente – Sou Clío, ninfa da água doce.
– Mitologia grega. – o mais velho suspirou – Odeio essas coisas de deuses, sempre causam problemas. Mas fala aí, Clío, o que você quer dessas pessoas para curá-las?
– Eu não cobro nada. Uma náiade cura as pessoas porque esse é o nosso poder e devemos usá-los para o melhor. Mas vejo que vocês dois não têm nenhuma doença… Nada a ser curado a não ser seus corações; já foram partidos muitas vezes, não? Mas infelizmente não posso ajudar com isso.
– Ahn… Não sei como contradizer isso, mas… Não me parece certo sair curando as pessoas, por melhor que sejam suas intenções. – Sam franziu a testa, uma sensação ruim de que aquilo não estava certo e que estava se esquecendo de alguma coisa.
– Sinto muito que isso não o agrade, mortal, mas estou apenas tentando ajudar. Por favor, se puderem ir embora do nosso lago… — Clío pediu, parecendo triste e prestes a chorar.
– Nosso? – Dean estranhou.
– Sim. Grandes lagos e mares têm mais de uma ninfa. Séssili é minha irmã.
– Clío, por favor, pare o que está fazendo. – o mais novo tentou outra vez.
– E eu já disse para irem embora. Vão. Agora.
Contrariados, os dois foram embora. Mesmo que ficassem, não tinham a arma certa para matá-la e não havia nada demais no que ela estava fazendo, se não fosse o sentimento ruim que isso envolvia. A náiade parecia até muito inocente para parecer culpada por algo ruim.
Com mais uma viagem de duas horas, chegaram muito cansados no motel em Medford. Sam tomou banho primeiro e, quando terminou, se esticou na cama e pegou o computador para dar uma olhada nas últimas notícias enquanto Dean usava o banheiro. E, enquanto olhava os sites, parou ao ver um nome conhecido nas manchetes e abriu, se chocando com a notícia.
Quando o mais velho finalmente saiu do banho secando os cabelos com a toalha, encontrou o irmão encarando a tela á sua frente um tanto surpreso.
– O que foi, Sammy? Finalmente descobriu os sites pornôs? – riu debochado, indo para o lado do irmão, lendo a manchete.
“Carter Jesinton morre após ser supostamente curado por águas milagrosas”
Os dois irmãos trocaram um olhar de pura descrença.
– Desgraçada… — Dean resmungou.
– Parece que agora teremos que matar uma ninfa. – Sam concordou, pegando o celular e discando o número do Bobby, que atendeu no terceiro toque.
– Sam. Aconteceu alguma coisa? – perguntou preocupado.
– Oi Bobby. Você ainda tem aquela faca de ferro estígio? Acho que vamos precisar dela. E rápido.
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