Demons

1 Cards all fold


Notas iniciais
Presente para minha amiga secreta do grupo ShikaTema BR do Facebook, Lucy Moon. Espero que goste do presente, embora não esteja finalizado.

História levemente inspirada pela canção Demons do Imagine Dragons, que aconselho quem não conhece a ouvir e ler a letra, porque é linda!

Essa história é um pouco mais densa do que costumo escrever, então me toma um pouco mais de tempo e sentimento. Ainda não tenho certeza de quantos capítulos vão ser. Quando essa historia começou era pra ser uma one-shot longa, mas conforme eu vou escrevendo ela vai ganhando vida própria e foi se estendendo. Imagino, pegando uma previsão do que ainda quero escrever, uns 3 capítulos, mas nunca se sabe.

A única coisa que prometo é: por mais que demore, eu não estou abandonando, nem essa nem nenhuma outra fic. Elas vão sair, só preciso de tempo, e dos incentivos de sempre.
Então, se ler essa história e achar que ela valeu o seu tempo, tire um tempinho para comentar também, ok? Muito obrigada a todos, e boa leitura.

Temari estava genuinamente feliz. Ela estar presente no casamento de Naruto era algo natural. Gaara estava ali, como um dos cinco Kages a atenderem o casamento do herói do mundo Shinobi. Logo, ela também precisava estar ali, como guarda do Kazekage E diplomata da Suna. No entanto, aquilo estava longe de ser uma obrigação para eles. Bem, talvez fosse um pouco para Kankurou, mas ele gostava de estar com seus irmãos, apesar das constantes implicâncias. Afinal, foi assim que eles fortaleceram seus laços ao longo dos anos. Então não, aquilo não era só uma obrigação.

Apesar de estar oficialmente como guarda do Kazekage, Temari sabia que Gaara pouco precisaria de sua ‘segurança’, por mais que lhe doesse admitir. “Mas eu preciso de seu trabalho como diplomata mais do que você imagina, onee-chan.” Ele lhe dissera anteriormente, lhe oferencendo a desculpa perfeita para se retirar da área reservada aos kages e se juntar a Shikamaru nas fileiras iniciais. Afinal, ele também é um shinobi de prestígio, ela lembrou-se internamente. Shikamaru era não só o representante de Konoha na União Shinobi, mas também o coordenador chefe da União e o principal conselheiro e assistente do Sexto Hokage – e em breve de Naruto, como Sétimo, conforme indicavam os rumores. Definitivamente, Shikamaru não era um shinobi qualquer.

E ali estava ela, diplomata pela Suna, representante de sua vila e principal companheira e apoio do Nara na União Shinobi. E agora, ainda algo mais. Eles tiveram vários encontros — e inclusive um grande mal-entendido. As bochechas de Temari coraram com a lembrança. Mas a culpa foi do Shikamaru, por ser tão inespecifico... É claro que, no fundo, Temari não culpava Shikamaru pelo ocorrido. Eles normalmente não precisavam de muitas palavras e explicações para se entenderem, e o fato de Shikamaru não ter percebido o seu erro era um indicativo de que ele a considerava uma igual. Temari sorriu perante a esse pensamento.

Ao seu lado, Shikamaru se virou para observá-la e levantou uma sombrancelha. Ela somente negou com a cabeça, e propeliu levemente seu queixo adiante, indicando o local onde Naruto e Hinata se encontravam. O Nara sorriu de lado olhando para ela, e o sorriso dela se alargou, e então em sincronia os dois se viraram para frente, voltando a assistir a cerimônia. Se havia uma coisa que Temari gostava no relacionamento deles era o quão fácil e natural as coisas eram entre eles. No primeiro encontro, ambos estavam nervosos e não sabiam bem o que fazer, mas no fim não foi nada diferente do que eles já estavam acostumados a fazer. E foi então que Temari percebera o quanto ela marcara Shikamaru como diferente dos outros: eles nem precisavam de sutilezas ou diplomacias, eles podiam ser apenas Shikamaru e Temari, somente. Aquela sensação por si só trazia uma calma e paz que Temari não poderia descrever mesmo que quisesse.

A cerimônia seguia linda e impecável, os dois noivos radiantes em frente a imensa platéia – multidão, como Shikamaru descrevera. Tudo era lindo e maravilhoso, um clima que transpirava felicidade para todos. Naruto fora o herói da Guerra e quem permitira o início de tudo isso, e hoje ela e Shikamaru lutavam junto a União Shinobi para manejar e manter essa paz. Estar em um ambiente assim lhe trazia um senso de orgulho que Temari não sabia definir. Um orgulho por ela e por Shikamaru. Embora suas batalhas não fossem claras e nítidas como as de Naruto, elas eram constantes e ambos estiveram por um longo tempo trabalhando para que tudo isso fosse possível. Se hoje eles podiam estar em um ambiente feliz e pacífico, era por conta também dos esforços deles dois. Ela virou o rosto e olhou para Shikamaru. Como se de um imã se tratasse, ele se virou assim que ela o olhou. Eles se encararam brevemente, e então ele lhe sorriu. Temari abriu seu sorriso inocente e algo infantil ao vê-lo assim, e novamente se virou para observar os noivos.

Temari observou Hinata, ainda um pouco envergonhada, mas definitivamente encantada por estar assim com o amor da sua vida. Temari se perguntou se um dia ela estaria assim com Shikamaru. O pensamento a fez se lembrar de seu mal-entendido, e Temari se sentiu corar novamente. Um dia eles ainda ririam disso juntos. Hoje, no entanto, ainda era um pouco vergonhoso. Nesse instante, Naruto e Hinata se viraram para uma foto de casados. O flash disparou, e por um segundo, o que Temari viu ali não eram Naruto e Hinata, mas sim Rasa e Karura. Seus pais.

Foi como se uma onda de choque atingisse Temari com tudo. Seu sorriso se apagou ao ver seus pais, mesmo que apenas por um segundo. Logo estavam ali Naruto e Hinata, sorridentes e felizes, com todos a sua volta os aplaudindo , mas Temari já estava longe. Perdida na lembrança do quadro que vira no aposento que evitara ao máximo entrar durante sua infância: o quarto do seu pai. No quadro, apareciam Rasa e Karura em seu casamento, numa cena idêntica a que ela acabara de presenciar. No entanto, Temari nunca conhecera o homem encantado que parecia estar no lugar de seu pai naquele quadro, e também não se lembrava da mãe cheia de vida como na imagem. Era como se aquele quadro tivesse vindo de uma outra dimensão, apenas para assombrar Temari pela família que ela nunca tivera.

Shikamaru devia ter percebido algo errado – talvez porque ela não aplaudira os noivos? – e se virou para ela. Um olhar de preocupação surgiu no rosto dele assim que a viu, e Temari sentiu seu coração apertar ao vê-lo. Ela sorriu de leve e disse que ia ao banheiro, e nem esperou resposta para começar a se virar. Mesmo assim, viu ele apenas assentir com a cabeça e o cenho franzido. Temari ficou de costas para ele e passou a andar depressa, mas por sentir o olhar do Nara sobre si ela tratou de parecer calma, embora tudo que ela quisesse era apenas desaparecer naquele momento. Ela agradecia por todos os demais estarem ocupados demais com os recém-casados para prestarem atenção ao que estava acontecendo com ela. Mas o que estava acontecendo com ela?

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Em finalmente um momento de descanço, Shikamaru se pegou encarando a pequena chama da vela em sua mesa, enquanto segurava seu copo com a mão, sem se mover. Era incrível como toda vez que sua mente divagava além dos acontecimentos presentes, seus olhos de alguma forma eram atraídos pelos movimentos inconstantes e até hipnotizadores do fogo. Seu momento em silêncio foi interrompido antes do que ele gostaria, embora a interrupção não fosse inesperada. Afinal, ele agora era um shinobi reconhecido em toda a União Shinobi, e dizer que ali havia muitas pessoas aidna seria um eufemismo.

“Shikamaru!” Ino gritou, chamando o antigo companheiro de time, vindo de mãos dadas com Sai, que exibia seu típico sorriso apático no rosto – embora Shikamaru pudesse perceber que havia algo diferente no amigo. Ele não saberia bem colocar o dedo no o quê, mas algo em Sai realmente parecia diferente quando ele estava com Ino. Ela também estava sorridente se aproximando dele. “Você está bonito!” Ela elogiou quando chegou perto o suficiente para conversar em um tom natural. “O que está fazendo aqui sozinho com esse olhar de condenado? Onde está Temari-san?”

Shikamaru olhou para o lado da ex-colega, apenas inclinando a cabeça em resposta ao baixo “Shikamaru-san.” vindo de Sai, antes de respondê-la. “Obrigada, Ino. Você também está muito bem.” O Nara viu ela sorrir mais amplamente, e Sai olhá-la brevemente com o canto de olho. “Temari está com Kankurou e Gaara, cumprimentando alguns aliados. Você sabe, política...” Shikamaru revirou os olhos.

“Mas então você não deveria estar com Kakashi?” Ela lhe perguntou, um tanto acusadora.

“Kakashi já tem acompanhantes e conselheiros o suficiente a sua volta para precisar de mim.” Shikamaru inclinou a cabeça pro lado, indicando sutilmente para o Sexto Hokage, que mandava ordens esporadicamente para vários shinobis, enquanto cumprimentava os estrangeiros que se aproximando com os olhos sorrindo – os olhos, porque ninguém sabia do rosto por baixo da máscara – e quem parecia estar sendo levemente auxiliado – ou seria repreendido – pela antiga Hokage. A Yamanaka olhou a cena, e se virou novamente com um olhar de compreensão.

“Então pelo menos com Chouji, para não ficar sozinho. Por sinal, onde está ele?” Ino falou preocupada. Shikamaru percebia que ela se sentia muito responsável por eles todos, e no fundo ele agradecia o sentimento, embora realmente não fosse necessário.

“Chouji está um pouco ocupado, digamos.” Ele apenas dirigiu os olhos até a mesa de banquetes, onde Chouji tratava de experimentar todos os aperitivos. Ino revirou os olhos diante da cena, um pouco exasperada, e levou a mão ao rosto. Em seguida, ela riu contida, e deixou um sorriso adornar seus lábios.

“Algumas coisas nunc a mudam, não é?” Shikamaru sorriu de lado em resposta. A comunicação entre o trio Ino-Shika-Chou deve ter melhorado desde que eles eram crianças, porque agora parecia que esta era resposta suficiente para sua colega. “Mesmo assim, não é bom você ficar por aqui sozinho.” Ela o repreendeu. “Você não sente inveja dos irmãos da Temai-san por ela estar fazendo companhia a eles?”

Shikamaru suspirou. Embora eles se comunicassem melhor, faltava muito para que eles entendessem a mente um do outro. “Ino, primeiro, eu nunca fui um cara que tive problemas em estar sozinho. Na verdade, eu até gosto disso-”

“Seu velho” Ino o interrompeu com um olhar de desaprovação, mas Shikamaru só revirou os olhos, sabendo que a amiga o conhecia o suficiente para não ligar realmente.

“Eu sempre fui.” Ele deu de ombros, sem ligar. “Quanto ao segundo, é claro que não. É a família dela, e o trabalho dela. Eu não tenho nenhum motivo para ficar chateado ou qualquer outra coisa. Seria muito problemático.” Ele suspirou de novo, só de pensar no trabalho que seria já lhe deixava cansado.

“Ah, mas sei lá, ela pode ver eles todos os dias em Suna. Porque não aproveitar o tempo com você?” Shikamaru suspirou novamente, cansado, pensando em como explicar para Ino. Não, Shikamaru não sentia inveja dos irmãos dela ou chateado por Temari estar com eles. Ou mesmo por eles não se verem com frequência. Não, Shikamaru estava acostumado a tudo isso, e respeitava e confiava em Temari plenamente, de forma que nada disso o abalava. Às vezes ele sentia falta por não poder vê-la tantas vezes, mas nunca em sua mente esse sentimento se direcionou como culpa para Temari ou os irmãos dela. Essa era a vida dela, fora assim que ele a conhecera, e fora assim que eles criaram a parceria e companheirismo entre eles. Todas essas coisas que fizeram de Temari a mulher que ela era hoje, e ele não mudaria nada nela. Então não, definitivamente Shikamaru não sentia nenhuma forma de sentimento ruim por Temari não estar junto a ele naquele momento.

Até porque, em apenas alguns dias eles estariam em uma nova reunião no quartel-general da União Shinobi, e pelo que eles conversaram mais cedo, Temari iria direto de Konoha até lá, o que implicava que eles provavelmente fariam a viagem na companhia um do outro. Mas as palavras de Ino o fizeram olhar para onde Temari estava. E céus, algo estava definitivamente errado com Temari hoje. Mesmo a essa distância, Shikamaru conseguia identificar os ombros levemente tensos, as mãos mais trêmulas e inquietas que o comum, o sorriso forçado tão diferente do leve sorriso altivo e controlado que conferia a Temari um ar de superioridade. As mudanças eram sutis, e provavelmente para quaisquer olhos destreinado passariam despercebidas, mas para Shikamaru era claro que Temari não estava a vontade ali. Quando mais cedo ela saíra do lado dele um tanto desconcertada, com uma desculpa qualquer, ele pensara que ela havia lembrado de algo que não poderia lhe contar no momento. Agora, olhando-a com os irmãos e outros convidados, ele tinha quase certeza que não era algo do momento. E que ela possivelmente preferiria não ter que ficar ali.

Shikamaru ponderou por alguns segundos o que ele deveria fazer. Deveria ele apenas ficar ali observando, esperando que Temari se sentisse a vontade para falar com ele? Ou deveria ele ir lá e convidá-la para se juntar a ele? Mas e se ela ficasse ofendida, ou se sentisse pressionada por ele ir até lá? Mas como elepoderia ignorar o desconforto dela e assistir sem fazer nada para ajudá-la?

A dúvida de Shikamaru foi eliminada com viu Temari dar um pequeno passo incerto, e ser pega em uma conversa por um rapaz de Iwa, ao que ela simplesmente deu um sorriso do que lhe parecia de aceitação, e a contra-gosto recuar o passo que havia dado – para sair dali, talvez?

“Quer saber, você tem razão.” Shikamaru se virou para Ino e lhe disse sério, antes de levantar e largar seu copo. “Eu vou lá falar com ela.”

Ino arregalou os olhos“Eu... tenho?” Ela parecia atônita, claramente não esperando essa reação dele.

“Se me derem licença.” Shikamaru fez uma leve reverência, que foi correspondida por Sai apenas, enquanto Ino ainda parecia incrédula. O Nara não esperou a resposta dela para se virar e andar na direção de Temari, com sua postura relaxada e desinteressada de sempre. Mas Shikamaru estava longe disso – ao contrário do que Ino sugerira, Shikamaru não estava chateado, ele estava preocupado.

Shikamaru pode pegar alguma coisa da conversa de Temari com o outro shinobi ao se aproximar.

“-se tivessemos apoio da Suna, poderíamos organizar as missões-”

“A organização de missões é discutida nas reuniões da União Shinobi. Você pode submeter um pedido ao conselho, ou para o seu representante, para ser abordado.” Ele falou, com sua típica voz arrastada e sua pose tranquila.

Temari foi a primeira em lhe ver, e o sutil suspiro e a caída dos ombros indicavam o alívio dela. Seu rosto se abriu em um sorriso agradecido. Mas ainda não tão natural. Aquilo estava realmente assustando Shikamaru. Especialmente por não saber o que fazer. O rapaz se virou depressa um tanto assustado. “Shikamaru-san!” Ele fez uma reverência apressada. “Eu estava conversando com a Temari-san, pedindo se ela poderia-“

“Infelizmente Temari-san não tem como decidir nada sozinha. Apenas a União Shinobi. Além do mais, esse não seria um bom momento para discutir isso, não é?” Shikamaru deu de ombros, aparencia tranquila. O shinobi fez uma reverência.

“Você tem razão, Shikamaru-san. Se me derem licença então, Temari-san, Shikamaru-san.” Ele fez mais uma reverência desajeitada, e saiu sem mais uma palavra. Temari soltou o ar um tanto aliviada.

“Obrigada.” Ela disse, simplesmente, sem nenhum indício de que comentaria qualquer coisa mais.Não que precisasse, aquilo era mais que suficiente para eles. Shikamaru apenas deu um aceno com a cabeça, e Temari indicou com a cabeça uma mesa ao lado. Os dois se sentaram sob um olhar debochado de Kankurou, ao qual Temari só revirou os olhos, enquanto Gaara estava ocupado conversando com Omoi.

Shikamaru observou a kunoichi, os ombros mais soltos, um leve sorriso aliviado – se é que ele podia chamar isso de um sorriso, exatamente – mas de aparência cansada e abatida. O Nara se sentia ao mesmo tempo preocupado e afortunado. Alguma coisa aconteceu com Temari durante a cerimônia de casamento. Era parecido com o mal-entendido deles nas fontes termais, mas ao mesmo tempo era diferente. Temari não estava simplesmente tensa e nervosa, ela parecia incômoda, ansiosa, e cansada. Cansada de um jeito que Shikamaru nunca a vira antes. Se naquele dia Shikamaru tinha uma idéia – embora que errada – de porque Temari estava assim, e ele já se debatera demais pensando em como resolver o problema, dessa vez ele não tinha a menor idéia do que poderia estar acontecendo, e isso estava o deixando maluco, tentando entender o que se passava na mente dela, fazendo mil e uma conjecturas e tentando descobrir qual a melhor forma de ajudá-la a resolver o problema. Só uma coisa lhe confortável: sua presença parecia ser tranquilizadora para Temari.

“O que você achou do casamento?” Ela perguntou, aparentemente tentando soar casual, a feição abatida escondida atrás de um sorriso fraco. Porque ela estava tentando se esconder?

“Bonito, mas problemático.” Ele respondeu, para parecer natural. Um novo olhar para a Temari exausta a sua frente o fez mudar de idéia. “Você não está bem.” Foi muito mais uma afirmação do que a pergunta que ele gostaria de fazer. Mesmo assim, ele pôde ver uma reação de Temari.

A kunoichi franziu o cenho, um tanto irritada. Isso era bom, Shikamaru conhecia a Temari irritada – embora preferisse a Temari tranquila e equilibrada – e sabia como lidar com essa Temari. “Eu não...” Ela começou, decidida a negar tudo, como ele esperava. Mas então Shikamaru viu algo cruzar os olhos dela, e Temari parou de falar. Logo ela soltou um suspiro – de aceitação? – e recomeçou. “Eu...” Dessa vez ela estava pensativa, como que deliberando algum movimento de guerra. Os alertas na mente de Shikamaru estavam em nível máximo. Mas que guerra ela estaria travando?

“Eu estou me sentindo...” ela parou, ponderando. “estranha.” Ela levantou o olhar, que até então estiveram abaixados, para encontrar o dele e fez uma careta. “E tantas pessoas ao redor atrapalham.”

“Você quer ir embora?” Ele perguntou antes que pudesse pensar. Temari parecia ter esse efeito sobre ele: pensar demais e depois falar sem pensar.

“Não é como se eu pudesse me levantar e ir embora, simplesmente.” Ela virou a mão no ar, como se dispensando a idéia.

“Eu posso achar um motivo pra irmos embora, se você quiser.” Shikamaru deu de ombros. “Só precisamos falar com Naruto para nos despedirmos.” Ele viu Temari torcer o lábio inferior. Shikamaru sabia o que isso significava: ela gostava da idéia, mas não achava que seria apropriado. Ele se levantou. “Vem, vamos lá.”

“Não, não precisa. Eu estou bem. São seus amigos. Você deve estar nesse momento importante para eles.” Temari recusou. Bem, é claro que ela não deixaria fácil. Além de que ela é uma diplomata, ela jamais esqueceria das ‘boas maneiras’.

Shikamaru suspirou internamente. “Eu não sou o cara mais sociável do mundo, digamos. Eu já estive presente no momento importante para meus amigos, agora é só o banquete, e eu já estive aqui tempo o suficiente para cumprimentar a todos nesse salão. Mais de uma vez.” Ele ressaltou sem ser rude, quando ela fez menção de querer retorquir. Temari voltou a observá-lo indecisa. “Então acho que meus amigos vão entender se eu precisar ir embora para cumprir meus compromissos...” Ele deu um tempo, esperando a reação dela, mas ela parecia estática. “Além disso,” ele disse, virando seu olhar para o teto, tentando se manter calmo e entender o que se passava na mente de Temari. “Eu preferia estar num local mais isolado, apenas observando as nuvens...”

O riso leve o pegou desprevinido, e quando olhou para Temari se viu sorrindo sem perceber. “Sempre preguiçoso, não é?” Ela deu uma nova risada, o sorriso infantil e agradecido. Ainda não era o sorriso radiante e vibrante que extinguia qualquer escuridão, mas era como a lua em um céu escuro, lhe lembrando que a Temari que ele conhecia ainda estava ali, em algum lugar.

Ele se deixou ficar sorrindo bobamente enquanto a encarava. Então, ele rompeu o silênciio gentilmente. “Vem, vamos lá falar com Naruto. Kakashi-san está com ele, ele me dá cobertura.”

Ela pareceu ponderar alguns segundos. “Tudo bem.” Ela começou a se levantar. “Mas vamos falar com Gaara e Kankurou. Eles vão me dar cobertura.” Então, ela se virou para ele e sorriu. Shikamaru sorriu de lado antes que pudesse pensar.

Notas finais
Se você chegou até aqui, não custa nada gastar mais uns dois minutinhos pra me dizer o que achou, né?