Notas iniciais
E a verdadeira história finalmente começa...

Em uma certa rua, numa certa cidade, havia um garoto. Ele tinha uns 13 anos de idade; tinha pele clara, cabelos loiros não muito longos e olhos pretos. Ele era um garoto de rua, por isso estava vestido em trapos. Seu nome era Jason Harpers.

Era às 23:57 do dia 31 de Dezembro de 1999, noite de ano novo. Algumas pessoas estavam em suas casas, festejando; outras tinham saído de viagem para o exterior; outras, ainda, nem conseguiam dormir, acreditando que o mundo acabaria dali a alguns minutos.

Infelizmente, Jason não era nenhuma dessas pessoas, pois, como eu já disse, ele era um garoto de rua. Ele estava num beco escuro, numa rua deserta, quando notou um barulho estranho de passos. Jason estranhou, pois raramente alguém passava naquela rua àquela hora da noite. Ele resolveu espiar para ver que era, e viu, ao longe, um homem com um sobretudo cor-de-areia e um chapéu que lhe cobriam o rosto, como se ele não quisesse ser reconhecido. Ele passou pela entrada do beco onde Jason estava, e Jason rapidamente se escondeu, assustado com a velocidade do homem. Já eram 23:59 quando Jason deixou de ouvir os passos do homem.

Jason olhou para a calçada e notou que o homem havia deixado cair um objeto estranho. Ele foi pegá-lo e notou que era uma faca de bolso com cabo vermelho. Assim que ele pegou a faca, sem que ele notasse, as nuvens no céu começaram a se agrupar em espiral ao redor da Lua em alta velocidade.

Jason levantou a faca a mais ou menos a altura dos olhos. O brilho da lua começou a ficar mais forte. Jason, por curiosidade, ejetou a lâmina da faca, revelando uma lâmina folheada a ouro brilhante. Assim que ele fez isso, um clarão de cegar os olhos o atingiu durante um microssegundo, e então Jason havia sumido.

No segundo seguinte, um relógio de uma torre próxima tocou.

Exatamente às 00:00 do dia 1º de Janeiro de 2000, Jason desapareceu do mapa.

Ou pelo menos deste mapa.

(...)

Jason acordou. Estava meio atordoado e se perguntando sobre o que havia acontecido quando se deparou que estava num quarto. Era um quarto não muito grande e bem simples, com paredes de madeira iluminadas por uma vela numa cômoda que ficava ao lado da cama onde Jason estava. Na janela à esquerda da cama, dava para ver uma paisagem desértica.

– Até que enfim você acordou – disse alguém.

Jason olhou para a porta. Em pé, ao lado dela, estava um homem de idade. Parecia ter uns 80 e tantos anos, era baixo, tinha cabelo calvo grisalho, barba e bigode longos e também grisalhos e olhos pretos. Ele vestia uma túnica cor-de-âmbar que lhe cobria todo o corpo.

–Quem é você? – perguntou Jason, ainda meio grogue.

–Ninguém importante — respondeu o velho – Só um velho qualquer que encontrou um garoto inconsciente no meio do deserto lá fora e resolveu acolhê-lo em sua casa.

–Obrigado, mas... – Jason se sentou na cama – como eu vim parar aqui?

–Também não sei direito... Só sei que vi um clarão lá longe e, quando fui ver, você estava já, jogado no meio da areia.

E então Jason se lembrou: ele tinha visto um clarão estranho antes de desmaiar. Começou a pensar no que tinha acontecido... Até que uma ideia horrível lhe passou pela mente. Perguntou ao velho, torcendo para sua ideia estar errada:

–Senhor, aqui é o Céu?

–Não – respondeu o velho – Mas também não é a Terra.

Jason levantou a sobrancelha.

–Então onde eu estou?

O velho se aproximou de uma prateleira próxima e tirou um livro enorme e grosso, de aparência antiga. Em sua capa lia-se: Codex Lotria.

–Você me parece um garoto inteligente... – disse – Jason, você já se perguntou como Deus criou o mundo?

A princípio, Jason ficou desconfiado. Como aquele velho sabia seu nome? Mesmo com a desconfiança, ele respondeu:

–Mas todo mundo sabe como Deus criou o mundo. A Bíblia diz que ele criou o mundo em seis dias e descansou no sétimo, não foi?

–E se eu te disser que não foi bem assim que aconteceu?

Jason novamente levantou a sobrancelha, mas antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, o velho abriu o livro numa página que continha a ilustração de alguma coisa luminosa.

–Garoto – começou o velho – este livro que eu estou segurando é uma cópia da Bíblia original, uma das primeiras bíblias que já apareceram no mundo. Aqui tem muitas coisas que na Bíblia de seu mundo foram censuradas. Inclusive a real maneira como Deus criou o mundo.

–O senhor fala como se eu tivesse vindo de outro planeta... – observou Jason.

–É como se fosse isso – explicou o velho – Me responda uma coisa: você quer realmente saber onde está?

–Quero – Jason disse.

–Então preste atenção nesta história que vou lhe contar.

O velho começou a ver a página do livro que havia aberto. Tratava-se da história da criação do universo – a verdadeira história. Jason arregalava os olhos cada vez mais a cada linha que o velho lia. Eu até poderia colocar essa história aqui, mas ainda não é a hora certa. Talvez em um momento futuro.

Quando o velho terminou de ler, Jason disse, impressionado com o que tinha acabado de ouvir:

–Eu... nunca pensei que tivesse sido assim...

–A igreja tem escondido essa história do mundo desde seu surgimento – disse o velho, enquanto se levantava para guardar o livro – Mas ela não acaba por aí. Depois que a Terra foi criada, Deus fez uma segunda Criação para complementar a primeira, e que é onde estamos agora: o reino de Lothres.

Houve alguns segundos de silêncio antes que Jason protestasse:

–Mas como o senhor quer que eu acredite nisso tudo?

–Garoto – disse o velho – Você se lembra daquela “coisa” que foi usada para criar o Universo? Ela está dentro de você agora, e você pode fazê-la explodir em forma de energia só com o pensamento. Quer que eu lhe demonstre?

Jason hesitou por um momento. Uma ideia começava a se formar em sua mente.

–Me mostre – respondeu

–Então venha comigo – chamou o velho. Então os dois saíram por uma pequena porta perto da cama. O velho levou Jason até um ponto qualquer do deserto e pediu que Jason o observasse atentamente. Ele fechou os olhos... e quando os abriu, Jason notou um forte brilho laranja emanando deles. O velho, então, deu uma pisada forte no chão. E, diante dos olhos de Jason, uma montanha gigantesca emergiu da areia.

–Isso é suficiente para você? – perguntou o velho. Jason demorou para responder. Estava pasmo com o que tinha acabado de presenciar. Aquela ideia que ele estava tendo começou a ganhar mais força.

–Isso está dentro de mim... – ele começou a dizer, lentamente – então eu também posso fazer isso?

–Talvez até melhor do que eu – disse o velho, vendo que finalmente o estava convencendo.

–Mas...como?

–Lembra-se do que Jesus disse? A fé move montanhas.

Jason se concentrou. Imaginou a si mesmo destruindo aquela montanha. Quando abriu os olhos, eles também brilhavam, assim como no velho, porém a luz não era laranja, e sim azul.

Ele correu em direção à montanha, a deu um soco nela com todas as suas forças.

E então sua mão também começou a brilhar em luz azul. Quando ela atingiu a pedra, toda a montanha imediatamente se desfez numa chuva de pedras.

–Excelente – parabenizou o velho – você foi muito bem para a primeira vez!

Mas Jason nem escutou. Estava refletindo sobre aquela ideia, agora muito mais forte. Aquele poder... ele poderia fazer muitas coisas com ele. Talvez até pudesse encontrar seu irmão! Mas concluiu que não poderia fazer isso sem antes aprender a controlar essa força. Jason se virou para o velho e pediu:

–Por favor, me ensine a controlar isso! Eu quero poder ajudar as pessoas com isso!

–Farei isso com todo o prazer – respondeu o velho, satisfeito – Mas agora já está tarde. Vamos voltar para dentro e dormir, OK?

Jason fez que sim com a cabeça. Mas antes de começar a caminhar em direção à cabana do velho, perguntou:

–Senhor, qual é o seu nome?

–Você pode me chamar de Mentor – o velho respondeu.

E então os dois entraram.

Notas finais
E esse foi o Capítulo 1. Gostaria muito que vocês dissessem nos comentários o que acharam, é muito importante que eu saiba a impressão de vocês para que eu possa melhorar cada vez mais. Até a próxima!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.