Notas iniciais
Espero que a narrativa não fique muito confusa... Apesar de que tê-la feito assim foi minha intenção...
Boa leitura!
Até as Notas Finais do Capítulo!

Nem os demônios se livram da dor. Nem os anjos se livram do dever. E nem os humanos se livram da verdade: eram perecíveis, covardes e fracos.


Além do mais, não eram nem bons nem maus.


Indecisos...


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— O Demônio! Matem o Demônio! Amarrem-no! Queimem-no! Ou nossas vidas serão desgraçadas! — eram estas as palavras proferidas raivosamente pelos aldeões de um vilarejo qualquer esquecido por Deus e o mundo.


O Fogo vacilante das tochas nas mãos trêmulas porém firmes à necessidade iluminavam o tal demônio. Ele estava cercado. E preso.


Correntes e cordas imobilizavam-no e machucavam-no – pelo pescoço, tronco, braços, pernas, asas... Apenas podia debater-se e urrar desesperadamente, esperando – em vão, já o sabia – livrar-se dasgarras demoníacas dos humanos enlouquecidos e irracionais pelo pavor do desconhecido.


Curiosamente e, apesar da situação, o medo humano era tanto que em seus atos faziam com que assumissem o papel de antagonistas. A angústia por livrarem-se das garras e chifres e caudas e asas e presas nublava suas mentes e desafinava suas vozes.


“Humanos são tão estranhos...”.

Cada ser no Universo nascera com sua função. As plantas, os insetos, os herbívoros, os carnívoros... Os anjos, os humanos...


Qual era a função dos humanos em todo aquele espaço?

Até Demônios como ele tinham uma razão de existir. Se não houvesse os demônios, quem faria o papel de mau na História? Ele... Ele precisava se alimentar... Por que os humanos tinham o direito de se alimentar e ele não?


— Matem o demônio! Queimem-no! Ele profanou e bebeu o sangue de nossa Princesa! O fará também com nossas filhas e esposas! — “Que piada... Se soubessem a verdade...”.

Embora urrasse e grunhisse, rolasse e lutasse, a estaca onde seria amarrado logo se chocou contra suas costas, e mais correntes foram postas em volta de si. Notou que rodeando a estaca viam-se camadas e camadas de palha, encharcadas com um líquido inflamável.


Suspirou. Suas asas encontravam-se pendidas e machucadas em suas costas, suas garras e presas não estavam em situação melhor. Não haveria como fugir.


Era essa a punição que levaria, ideal para demônios e bruxas. Seria queimado vivo... E sozinho.


Ah... Não devia ter ido contra as Regras Demoníacas; o mito era verdade: quem fosse contra elas encontraria a morte da alma nas chamas humanas.


Humana...


Onde estaria a sua humana?


Piscando os olhos, a fim de tentar ver além de imagens turvas e ensanguentadas, pode finalmente mirar os olhos desesperados da humana que atendia pela alcunha de Princesa. A mais gentil e bela de toda a aldeia, e filha do líder desta.


Ah sim... Bebera seu sangue... E “profanara-a”... Não pela fome de seu corpo, e sim pela de sua alma. Praguejou mentalmente novamente, malditas Regras Demoníacas que o proibiam de sentir afeto por um humano ou anjo... E ainda isso já era raro entre os demônios.


A mirada que lhe era lançada o perfurava-o tanto quanto as estacas cravadas por todo seu corpo. Não sabia o que fazer. Nem ele, nem ela.


— Vai me deixar morrer aqui sozinho?, ... Princesa... — murmurou enquanto já sentia as labaredas abrasadoras queimarem-lhe o corpo; o processo estava estranhamente mais rápido que o de costume, deviam ter jogado também água benta sobre a palha...


A princesa chorava copiosamente agora, mas não é como se os outros aldeões notassem isso, estavam ocupados demais recitando suas rezas e apedrejando o ser amarrado.


Arqueou-se com mais um grunhido de dor, tentando não urrar e gritar. Não queria dar esse gostinho aos humanos...


Humanos...

Malditos humanos...

Viviam em cima do muro e ainda recebiam a proteção divina...

Ingratos...

Ele era um demônio...

Nunca teve nada, nunca tinha nada.

A não ser sua...

— Princesa... — era assim que a chamava, não era seu nome, claro, contudo combinava consigo, a menina era mesmo... Nobre.


“Gritos... Tantos gritos...”

“Essas corrente de metal... Queimam tanto...”

Sobressaltou-se quando sentiu sua mão – presa pelas correntes e, portanto, repousada no feno incendiado – ser envolvida por outra. Era sua... princesa... que mantinha a palma em carne viva sobre sua face direita, como se a fizesse acariciar-lhe. Já era um hábito dela, dizia que o toque de sua mão ­­– mesmo que fria e com garras – lhe confortava.


Ela sorria... Porque estava consigo...

Sorria tão lindamente...

De repente sentiu seu braço ser esticado brevemente, e o toque da ruiva esvanecer-se. Era o pai dela que a puxara para seus braços, totalmente louco e enraivecido pelo que vira.


Não tinha notado, mas os gritos se haviam ido, apenas o alto som do fogo estalando era ouvido.


O povo chocara-se demais com o ato da menina.


E ela... Pobrezinha... Foi também amarrada, e as ditas cujas cordas foram pregadas no chão, impedindo a moça de mover-se. Podia ver-se em seu corpo algumas parte queimadas e em carne viva: coxas, braços, cintura... No entanto a marca mais chocante era com certeza aquela no rosto, a forma de enormes garras jaziam sobre sua macia bochecha direita.


Aquela marca nunca curar-se-ia.

Observou-a virar o rosto para a esquerda, em pura dor – emocional –, os olhos apertavam-se e as lágrimas escorriam sem pudor algum.


Ah não... Faltava pouco para mergulhar na inconsciência eterna...

Então...

Esse era mesmo o fim...

Não é?

Nunca mais a veria...

Uma vez uma alma fragmentada... Nunca poderia renascer.

Fechava os olhos com lentidão... Sentindo repentinamente muito frio...

Abriu os olhos abruptamente, querendo ver por uma última vez a moça.

Deu-se conta também de que os gritos haviam voltado, e ainda faziam com que sua cabeça latejasse.

A garota presa desmaiara devido às dores físicas e mentais. A angústia crua carimbada em seu rosto. Era tanta que chegava a virar uma careta feia.

Agora sim... Deixou as pálpebras descerem sobre os olhos, resignando-se a adentrar naquela gélida e solitária escuridão.

“Quem sabe não nos vemos outra hora, princesa...?

Talvez em outra situação...”.

Murmurou para sim mesmo, sabendo que estava iludindo a si próprio em seu leito de morte.



Bem, era nisso em que acreditava seu subconsciente.


Mas todos já sabem, não é...?


Demônios sempre fazem o papel de mau.


Eles sempre perdem.


Eles sempre estão errados.


Notas finais
Deixem um Review, por favor! É uma das primeiras One-Shots que faço e ela realmente vai ser muito importante para minhas futuras Fanfiction, pois pretendo usá-la nestas.
Obrigada por ter lido até aqui!
Ja ne! XD
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!