Demiurgo
1 Artesão
Blindado pela inocência e por um silêncio estranho, o artesão da cidade sempre permanecia em seu recinto. Era cercado de pessoas comuns, não sendo muito especial para elas, que só o conheciam pelos seus trabalhos bem feitos, obras de arte para o mesmo.
Não se sabia de sua história, mas sua personalidade aparentava trazer confiança aos seus clientes. Os produtos mais requisitados eram suas marionetes. Grupos de teatro e circos sempre se mantinham interessadas no humilde artesão.
Seu sucesso passava despercebido aos olhos do município e à medida que as empresas paravam de comprar seus produtos, o artesão teve que mudar sua perspectiva artística.
Tomei a iniciativa de investigar o seu ocorrido, já que desapareceu há um mês e uma poça de sangue foi encontrada em sua loja, já vazia, sem alguma ferramenta ou protótipos de marionetes ou alguma terminada.
Recebi também relatos que mais pessoas desapareceram do bairro, num período de seis dias depois do ocorrido com o artesão. Foram seis pessoas que sumiram repentinamente; estranhamente uma por dia.
Como um dos investigadores do Departamento de Polícia de Bolzano, recebi ordens de me estabelecer a 40 km de distância, na cidade de Naturno, e realizar uma busca por estes indivíduos. Deus saiba o que lhes aconteceu.
Aposentei-me em uma pequena igreja, no vilarejo de Stava. O clima do norte da Itália não me surpreendia, mas sim a serenidade do campo, calmo como um cemitério. Comecei a levantar algumas hipóteses do que aconteceu e resolvi procurar perto das florestas, temendo que fosse uma onda de ataques animais.
De manhã, meu grupo se deslocou até a borda de uma floresta, quando nos deparamos com alguns animais rodeando um corpo. Pensei que minha hipótese estava certa, até que percebi que nenhuma das feras estava se alimentando do cadáver, pareciam somente observar. Assim que nos aproximamos elas fugiram.
Uma atmosfera obscura encheu-nos de tensão. O corpo estava pregado ao chão, e uma estaca de madeira presa firmemente ao coração. Os olhos, orelhas e a língua foram levados embora. Meus ajudantes ficaram horrorizados com o rosto desfigurado, com a aparência de um demônio, mas apenas eu percebi que haviam finíssimos fios entrelaçando os dedos das mãos, o pescoço e os joelhos, que estavam ligados nas árvores ao redor. Pássaros voaram. Um vulto branco se ergueu.
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