Demônios
21 Capítulo 21: Especial parte 3: SasuSaku
Notas iniciais
Sentado sobre as tábuas rachadas do quarto, Gaara apertou os braços envolta de seus joelhos. O estranho ainda não havia ido embora... Quando será que iria? Já se passavam das duas da manhã. Ele não temia ir embora tão tarde? Ele era literalmente um estranho alguém. Jamais vira um homem com cabelos grandes o suficiente para se fazer um rabo de cavalo.
Confuso, o ruivo estava há horas ali, em seu conturbado silêncio. Ino não subira para vê-lo, e ele sentia falta da presença da loira. Novamente estava só, nem mesmo a voz estava a gritar terrivelmente em sua cabeça. Abaixando a fronte, Gaara estendeu um dos braços, puxando seu surrando ursinho ao seu encontro.
Adentrando o quarto, Ino fechou a porta, ou ao menos, encostou-a até onde esta era capaz de ir. Os trincos de metal que seguravam a porta também haviam se dissipado dias atrás, junto da cama. Virando-se, a Yamanaka rapidamente foi ao encontro de Gaara. Como supunha, o ruivo estava muito assustado pela vinda de Shikamaru. Apanhando no chão a pelúcia que comprara, Ino a fez ascender, colocando-a próxima de Gaara.
_ Não acha melhor se levantar daí? Este chão está muito frio... – manifestou-se Ino, sorrindo em travessura e abaixando-se frente ao ruivo.
Gaara nada dissera, porém lentamente pegara a pelúcia, curioso. Ainda não compreendia como aquele ursinho poderia brilhar sem estar ligado a uma tomada. Mas ele iria descobrir. Qual quer que fosse a engenhosa habilidade que a “namorada do senhor ursinho” detinha, ele pretendia descobrir.
Rindo, Ino encarava a face distraída dele. Gaara fazia a luz nos olhos do ursinho se ascender e apagar como se estivesse disposto a desvendar como aquele mecanismo funcionava. Erguendo-se do chão, Ino caminhou até o colchão em que estavam dormindo. Talvez Gaara tivesse razão, teriam que praticamente reconstruir aquele quarto... Com um suspiro, ela retirou a saia e a blusa em tom roxo que estava trajando, indo em direção da cômoda em seguida.
_ Gaara... Não estou achando aquela sua camisa preta... Faz ideia de onde eu coloquei? – interrogou a loira, vasculhando a primeira gaveta da cômoda levemente torta. Estava uma noite incrivelmente fria, teria que pegar um outro cobertor. No entanto, onde havia um outro cobertor? No quarto onde cedera para Shikamaru passar a noite havia somente o necessário para uma pessoa no velho guarda-roupa. Com um suspiro, Ino deu-se conta do óbvio: ele morava sozinho há muitos anos, nunca tivera a necessidade de preocupar-se com aquela casa, praticamente não comia e tão pouco dormia.
Desviando os olhos verdes da pelúcia, Gaara os colocou sobre Ino. Ela estava a retirar todas as suas roupas da cômoda e jogá-las para trás. Interrogativo, o ruivo se levantou, andando silenciosamente até a loira. Ela estava tremendo... Com uma expressão de desagrado, ele rodeou seus braços contornando a cintura de Ino. Não queria que ela sentisse dor.
Surpresa pelo toque repentino, Ino soltou a última peça de roupa da gaveta, virando-se para encará-lo. Ele nunca a abraçara daquela maneira.
_ Eu não vi a camisa, lamento. – pronunciou-se o ruivo, com seu tom rouco habitual. Não lembrava-se onde Ino poderia ter guardado-a. Sentindo-a tremer novamente, ele apertou seus braços envolta dela. Ino sempre o abraçava quando ele estava a sentir dor, gostaria que seu abraço fizesse o mesmo por ela.
Ino continuava a encarar os opacos olhos dele. Gaara nunca a tocara com tamanha firmeza antes. O que ele pretendia? Será que não calculava as reações que poderia despertar nela? Sorrindo, a loira tocou-o no rosto, vendo-o fechar os olhos para sentir de modo mais intenso a carícia. O vento frio que adentrava a janela estava congelando-lhe até os ossos! Todavia, a pele do ruivo estava a aquecê-la. Aproximando-se mais, Ino o sentiu repousar a cabeça em seu ombro, não importando-se com o fato dela estar trajando apenas uma calcinha lilás.Gaara era tão simples, único, que jamais teria coragem de deixá-lo. Perguntava-se como seu pai e irmãos foram capazes de abandoná-lo ainda criança.
_ Quando ele vai embora? – perguntou o ruivo, referindo-se a Shikamaru.
_ Daqui há alguns dias, eu prometo. Shikamaru é muito legal Gaara, tenho certeza que se darão bem... – opinou Ino, deslizando suas unhas pelas costas de Gaara. Sorrindo, a loira o ouviu emitir um fraco suspiro. Era impressionante como ele poderia se acalmar com um simples gesto de carinho. Isolá-lo fora o maior erro de sua família e disto a Yamanaka detinha todas as certezas.
Conduzindo o ruivo pelo pulso até o colchão, Ino desistiu de buscar por uma camisa confortável. Somente o corpo de Gaara e o grosso cobertor jogado por ali eram suficientes para mantê-la aquecida. Não iria buscar por outro, pois nem mesmo sabia por onde iniciar sua busca. Ajeitando o cobertor, a loira viu o ruivo retirar também a camisa branca que trajava.
_ Está frio, Gaara! Porque está tirando a camisa? – interrogou Ino, divertida, observando-o.
Receoso, ele a olhou. Ele não deveria ter tirado a camisa? Mas ela havia tirado, não conseguia entender.
_ Devo colocar de volta? – indagou Gaara, aflito.
_ Não... É melhor assim... – disse a loira, exibindo um malicioso sorriso nos lábios e ajudando o ruivo a se deitar no colchão.
Colocando-se em cima dele, Ino não importou-se em ter os fartos seios esmagados por seu peso. Será que Gaara gostava tanto de confetes quanto ela? Iria fazer de tudo para que ele se alegrasse em seu aniversário ao menos uma vez.
_ Gaara... Como eram seus aniversários? – indagou a loira, suave.
_ Não sei... – murmurou de modo rouco o ruivo, sentia-se confuso. Não tinha tantas lembranças de seus aniversários. O único dia que lembrava-se fora uma tarde que tivera febre, e seu pai permitira que Kankuro e Temari fizessem-lhe companhia por algumas poucas horas. _ ... Nunca tive algo para comemorar, Ino. – afirmou ele, o tom de voz levemente dolorido. É, jamais tivera algo para comemorar. Sempre ouvira de Temari que as pessoas costumavam comemorar seus aniversários, no entanto, ele nunca deteve nada que pudesse comemorar. Quando criança, tudo que almejava era que soltassem-no das correntes por um dia todo.
Deitando a cabeça no peito alvo de Gaara, Ino emitiu um fraco suspiro, acariciando-lhe o abdômen que tanto o condenava a cada dia.
_ Mas você ainda terá muito o que comemorar Gaara... Confie em mim. – assentiu a loira, determinada, erguendo novamente o rosto e depositando um breve beijo nos lábios do ruivo. _ Não quer um bolo especial? – perguntou Ino, animada.
_ Bolo especial? – questionou Gaara, perdido.
_ Sim!!! Eu já volto!!! – exclamou Ino, levantando-se eufórica de cima do ruivo, correndo em direção a porta do quarto.
Aquele grande bolo de chocolate com confetes estava a deixá-la louca!! Tinha que comer um pedaço antes que morresse na vontade até o dia amanhecer. Gaara estava abatido, talvez a guloseima gigante o animasse... Fazendo-o sorrir. Queria ver novamente aquele singelo sorriso. Esquecendo-se de sua pouca veste, Ino adentrou a cozinha de forma travessa, pegando o bolo que escondera na geladeira e retirando quatro pedaços, colocando-os em dois pratos. Veloz, ela subiu outra vez as escadas, adentrando o quarto com um longo sorriso.
Aturdido, Gaara a encarou, vendo-a sentar-se ao seu lado no colchão com dois pratos nas mãos.
_ Senta, senta, senta!!! – pediu Ino, contente. Definitivamente, estava há muito tempo sem comer confetes e, por mais que aquele bolo fosse uma grande bomba de calorias, não tinha Sakura ali para recordá-la daquele triste detalhe.
Sentando-se no colchão, Gaara continuou a encará-la. Ino carregava muito brilho nos olhos, assim como a pelúcia que ela comprara. Apesar de não deter, ele gostava do brilho contido nos olhos da loira, assim como toda a chamativa luz que seus cabelos irradiavam, mas, que como ele havia descoberto, não feriam como o sol.
_ Um pedaço de bolo especial para mim, um pedaço de bolo especial para você, um pedaço de bolo especial para o senhor ursinho, e um pedaço de bolo especial para a namorada dele. – pronunciou Ino, estendendo um dos pratos a Gaara e puxando as pelúcias para perto dos pratos.
Desviando os olhos para o bolo, Gaara inclinou um pouco a cabeça, assustado. Havia muitos pontos junto ao bolo, pontos coloridos. O que era aquilo? Entretanto, pela maneira como a loira os ingeria, deveria ser bom. Receoso, o ruivo levou um dos pontos aos lábios, comendo-o devagar. Tinha sabor de chocolate...
Encarando-o de modo divertido, Ino sorriu. Já havia terminado seu pedaço de bolo e o ruivo ainda estava a estudá-lo, como um menino. Uma triste constatação veio-lhe a mente: Gaara nunca havia provado confetes. Todavia, isso não importava. Iria torná-lo um exímio fã de doces. Soltando o prato, a Yamanaka roubou-lhe um beijo, fazendo-o inclinar-se para trás em função do pequeno susto.
_ Você está todo sujo de chocolate. – notou Ino, risonha, deslizando lentamente a cálida língua pelos lábios de Gaara.
No entanto, ela não esperava que ele repetisse o gesto. Segurando-a pela nuca, o ruivo timidamente deslizou sua língua pelos lábios da loira, que antes estavam a aquecer-lhe a pele fria. Gostava de agradecê-la.
Sorrindo, ele a olhou, esperando para saber se havia feito corretamente.
_ Você tem um sorriso lindo, sabia? – comentou Ino, sincera. Há meses atrás nunca se imaginaria dizendo tais palavras a um homem.
Surpreso, Gaara sentiu as bochechas esquentarem. Não gostavam quando ele sorria, no entanto, apreciara o que o Ino acabara de dizer.
_ Amanhã nós vamos ter um grande dia! – completou ela, animada. Não iria permitir que nada pudesse atingi-lo no dia de amanhã.
XXX
Nove e meia da manhã... Ainda estava em plena madrugada... Como poderia estar com fome à uma hora dessas? Apenas torcia para que Ino tivesse algum alimento instantâneo nos armários ou na geladeira. Não ficaria somente na base de frutas como no dia anterior, não mesmo! Será que naquela isolada cidade tinha-se serviços de pronta-entrega? Com um suspiro, Shikamaru disse a si mesmo:
_ Claro que não... – constatou o Nara, frustrado. Naquele “fim de mundo” , como bem denominado por Neji, não deveria ter estabelecimentos como os de Tóquio. Neji... Não deveria esquecer-se dele. Ainda tinha de perguntar a Ino qual o caminho mais rápido e menos confuso para Konoha, devia avisar Neji de sua chegada e também, caso sobrasse tempo, dar uma volta pela pequena cidade para analisar melhor o perímetro em que estava.
Abrindo a porta do quarto que Ino lhe cedera, o Nara prosseguiu descalço sobre o chão recoberto por tábuas de madeira, em direção as escadas. Ainda lembrava-se da face pálida do demônio de cabelos vermelhos que a loira estava “cuidando”. Jamais vira um cara semelhante a ele antes. A aparência fraca, doente e a evidente palidez não correspondiam aos olhos frios e a postura firme que ele assumira antes de Ino adentrar a cozinha. Após subir para seu quarto, ele não saíra mais. Será que estava com medo dele?
_ Grande ironia... – proferiu Shikamaru, sonolento. Sem dúvidas, ele quem deveria estar temendo o demônio, não o contrário. Cidade problemática, manhã problemática, fome problemática... Por mais que aquela silenciosa casa fosse agradável, sentia-se inquieto e deslocado. Certamente era a distância entre ele e as pizzas de Tóquio. Assim também como a abstinência de meses sem cigarro. Mas o que poderia fazer? Nada... Absolutamente nada... E era por isso que detestava prometer coisas a seu pai.
Passando pela sala, o Nara foi direto em direção a antiga geladeira da cozinha.
_ O quê?! Ela já comeu um pedaço do bolo?! – indignou-se Shikamaru, levando uma das mãos a testa. Ino não tinha jeito mesmo. O maldito bolo era para o aniversário do garoto e ela já violado o doce? Inacreditável.
Repentinamente, Shikamaru sentiu um marcante perfume feminino. Intrigado, colocou-se de pé novamente, porém, fora imobilizado em questão de segundos.
Passando o cabo da mesma vassoura pelo qual já havia dado uns bons golpes em Kankuro, quando este se atrevia a roubar-lhe seus chocolates, Temari apertou-o contra o pescoço do estranho que apossara-se de sua casa. Sentindo a madeira forçar-se contra seu pescoço, Shikamaru grunhiu. O que diabos estava acontecendo?!
XXX
A passos lentos, Kankuro deixara as escadas e seguia pelo corredor. Será que Gaara estava mesmo vivo? Se estivesse, apenas torcia para seu irmão caçula ainda se lembrasse dele e, principalmente, não tivesse mexido em suas coisas por todos esses anos. Gaara era uma criança inocente demais, não seria bom que ele tivesse mexido em seu antigo quarto. A casa ainda continuava incrivelmente escura, exatamente como era nos tempos de seu pai. Pelo visto, Gaara não mudara nada naquele lugar. Dando mais algumas passadas, o Sabaku mais velho abriu a porta de seu velho quarto. Não havia ninguém e, aparentemente, tudo ainda estava dentro do que sua mente se recordava. Abrindo a porta do quarto que pertencera a Temari, Kankuro arqueou uma das sobrancelhas, intrigado. Alguém havia dormido ali? A cama estava desorganizada, e ele limitou-se a um sorriso de canto. Temari daria um chilique quando visse!!!
Prosseguindo com sua inspeção, Kankuro passou em frente ao banheiro, onde também não havia sinais de Gaara. Se ele não estivesse em seu quarto, já poderiam dar tudo aquilo por encerrado e voltar a Osaka. Gaara deveria ter fugido daquela casa. Na sua pele, faria o mesmo. Se estava vivo, com certeza não tinha boas lembranças daquele local. Passando frente ao quarto do irmão, Kankuro já voltava em direção as escadas, porém, parou. Gaara e uma loira? Correndo, ele retornou outra vez à frente do quarto. “O quê?!” indagou-se mentalmente Kankuro, piscando os olhos em uma tentativa de desfazer qualquer alucinação que pudesse estar tendo. Afastando um pouco mais a porta, o Sabaku mais velho arregalou os olhos. O irmão havia crescido mais do que poderia imaginar, e estava deitado junto a uma linda mulher de cabelos loiros, que abraçava-o com carinho, falando algo à ele.
XXX
“Meu coração está quebrado, mas talvez Nagato ainda dê-me um pouco de cola...” Tomando um gole de sakê, Jiraya tinha os olhos na direção do sol que a pouco havia despertado. Os jovens que ajudara alguns bons anos haviam crescido, talvez dentre os três, Konan seria a que melhor havia compreendido o sentido da vida. No entanto, ele também havia crescido. E tinha superado seus três pupilos órfãos, dando motivos em abundância para orgulhar-se de dizer: Uzumaki Naruto é meu afilhado. Ele sem dúvidas havia ultrapassado os três. Não fugira como Yahiko, não desacreditava em si mesmo como Nagato, e sobretudo, não desistira de seu amor, como Konan. A pequenina moça dos cabelos azulados e olhos perolados era uma boa moça, e amava-o tanto quanto ele a ela. Jamais vira seu afilhado tão feliz.
É, tinha cumprido sua missão naquela rápida passagem por Konoha. Talvez ainda tivesse mais alguns anos restantes para visitar novamente o sul do Japão. As gueixas daquela região eram encantadoras, além disso, o ser humano, apesar de sedentário, nunca deveria ter perdido o hábito de ser errante. Errante... Em qualquer lugar... O mundo sempre fora pouco para ele. No entanto, os anos já pesavam em suas costas, e o fato de Naruto tê-lo passado na estatura somente reforçava os fatos.
_ Está na hora de ir não é? – proferiu Jiraya, alisando o longo e macio pelo do grande cão ao seu lado. Até que aquele cachorro não estava tão travesso aquela manhã.
XXX
A passadas lentas, Naruto se encaminhava até a cozinha, no entanto, sonolento, o loiro parou em meio ao caminho. Não estava vestindo suas roupas!!!! Correndo como uma bala, o Uzumaki retornou a seu quarto, fechando a porta em desespero. Seu padrinho ainda estava ali, não poderia sair andando nu pela casa. Era impressionante como sua cabeça parecia funcionar a manivela de manhã, talvez Kiba tivesse razão e ele não funcionasse antes das onze da manhã. Kiba... Ele ainda estava internado em coma no hospital. Com um suspiro, Naruto retirou suas mãos da porta. Daria um jeito de ir vê-lo ainda hoje. Era culpa dele, outra vez, Kiba estar passando por tudo aquilo. “Kiba, eu vou tirá-lo desse hospital. E cuidarei com a minha vida de Akamaru...” Naruto prometeu a si mesmo, cerrando um dos punhos. Desviando levemente os olhos azuis, o loiro sorriu de canto. Hinata ainda estava a dormir tranqüilamente na cama, com o alvo corpo curvilíneo recoberto parcialmente por seu lençol alaranjado. Linda, meiga, inteligente... Ainda continuava a achar que não a merecia, porém, faria de tudo para merecê-la a cada dia.
Era melhor pegar de uma vez sua camisa e fechar aquela janela. O vento matinal que adentrava a abertura na parede poderia gripar Hinata. Aturdido, Naruto questionava-se a onde tinha deixado a camisa de pijama que vestira noite passada. Onde tinha jogado-a? Se bem que sobre os ternos beijos de Hinata, naquele momento saber para onde estava atirando sua camisa não importava. Caminhando até o canto do cômodo, ele finalmente encontrou a peça de roupa.
_ Ah! Você está aí! – exclamou Naruto, abaixando-se para pegar o tecido. No entanto, algo abaixo da peça o fez arquear uma das sobrancelhas e ter seu sangue congelado.
Um revólver. Havia um revólver junto a sua camisa e... As roupas e bolsa de Hinata.
XXX
Cabelos incrivelmente lisos e de um castanho brilhante... Pele pálida e olhos como a lua... Tinha de admitir, o forasteiro explosivo e de modos excessivamente formais era mais belo que Uchiha Sasuke. O adorado Uchiha não possuía uma pequena fração de seu cavalheirismo, tão pouco aparentava esconder tantos segredos como o adormecido Hyuuga a sua frente. O que teria o trazido realmente a Konoha? Não... Não eram negócios totalmente... Algo parecia mantê-lo ali. Contra ou não a sua vontade, já não mais sabia. Lembrava-se muito bem de quanto topara-se com ele na afastada estrada de terra batida que levava ao início de Konoha. Sem dúvidas ele era um péssimo motorista...
Exibindo um singelo sorriso de canto, Tenten cruzou seus braços. Ele certamente não gostava de estar em uma cidade pequena e simples... Porém, podia garantir a si mesma que com o passar dos dias, ele estava passando a apreciar mais tudo que Konoha poderia oferecer, deixando isto mais notável em seus nebulosos olhos. Em tese, Konoha não se aproximava de Tóquio. Entretanto, para ela... As milhares de luzes em neon da metrópole não se comparavam com o lindo céu de Konoha. Céu que os traíra na tarde passada e tivera de ficar por ali, no quarto de hotel alugado por ele. Chovera tanto que a impedira de voltar para casa!!! Era a primeira vez que passava a noite dividindo um espaço com um homem que não fosse sua casa. Se seu pai ainda estivesse vivo... Com certeza levaria uma baita de uma bronca. No entanto, o forasteiro quebrara outro de seus padrões logo que adentrou aquelas terras, fazendo-a gritar e fazer um escândalo no meio da estrada, ato que jamais fizera. Ele não era adepto a regras e a única pelo qual seguia era sua própria mente. Pobre garoto que trombara com ele mais cedo... Tomou um susto tão grande que não conseguiram achá-lo. Rodaram toda Konoha praticamente e não conseguiram localizar outra vez o garotinho, tendo de ficar com os sorvetes para que não derretessem mais.
Sorvetes... Ele dissera não gostar de doces e em especial os gelados, no entanto, acabara logo com sua casquinha de morango. Porque ele evitava tudo que lembrasse a infância? Tanta formalidade e postura madura faziam-lhe mal. Entretanto, ainda recordava-se do que ele dissera a respeito de si: “posso afirmar que não fui uma criança como as outras...” o que será que ele quisera dizer com isso? Ele um poço de mistérios que, aos poucos, com certa astúcia, pretendia desvendar.
Arregalando levemente os olhos, Tenten levou uma das mãos aos lábios. O que se passara na vida dele não era de sua conta, não poderia intrometer-se na vida alheia. Além disso, Kiba estava no hospital, deveria visitá-lo. Mal acreditara quando Karin ligou contando do acidente. Kiba arriscara-se por Naruto. Naruto... Ele não era mais o garoto arteiro com quem estudou tantos anos. Nas poucas vezes que o via voltando a sua casa, ele exalava uma felicidade verdadeira, como se finalmente, tivesse encontrado o motivo que tanto lhe faltava para sorrir. E o motivo era a prima que Neji apenas havia lhe mencionado após encontrarem-se com eles na mesma estrada de terra batida com qual ele chegou.
Distraída, Tenten ergueu seus olhos até a altura da janela aberta do quarto. Já deveriam ser mais de onze da manhã e se não se apressasse para voltar à sua casa, chegaria novamente atrasada na loja e Karin ficaria uma fera. Como ele conseguia dormir tanto? Ainda mais em somente um colchão colocado no chão daquela maneira. Ainda não conseguia crer que ele havia cedido sua cama a ela e feito um escândalo a Ayame para que lhe trouxesse um colchão de espuma específica, sem que ela soubesse. Ele era imperativo em demasia, seria proveitoso se aprendesse a solicitar com gentileza o que deseja. Mas, tinha também de admitir que o modo abrasivo como ele se irritava era bem cômico.
_ Do que está rindo? – indagou Neji, cruzando os fortes braços pela primeira vez expostos, já que não estava vestindo um de seus costumeiros smokings ingleses.
Assustando-se, Tenten o notou o Hyuuga diante de si, já de pé e ainda vestindo a camiseta branca e calça cinza que colocara para dormir. Quando ele acordara? Atordoada, a Mitsashi endireitou-se.
_ Quando acordou? – perguntou Tenten, surpresa.
_ Há alguns minutos, ao contrário de você, pelo que estou vendo... – ironizou o Hyuuga, virando-se e caminhando em direção a janela. Aquele forte vento estava a incomodar-lhe.
Estava se esquecendo de evidenciar o quão “sutil” ele poderia ser às vezes, repetiu Tenten em sua mente, emitindo um suspiro.
_ Preciso ir. Daqui a pouco é meu expediente na loja e a Karin vai ficar aborrecida se eu me atrasar de novo... – avisou Tenten, pegando sua bolsa, em cima da cama que arrumara assim que acordou.
“Ela arrumou a cama?” questionava-se consigo mesmo Neji, não compreendendo o porque daquilo. Era para isso que as arrumadeiras do hotel estavam ali, a disposição. No entanto, aquele era um fato irrelevante. O que vagava-lhe pela mente, como um filme, era a tarde completa que passara ao lado dela. Tarde que o fizera esquecer que era um agente importante, e que tinha de ter ido atrás daquelas três irresponsáveis para fazê-las se lembrar de que também eram agentes e que estavam atrasando os relatórios. Sentindo o sangue ferver, o Hyuuga cerrou fortemente os punhos, no entanto, um toque suave o fizera soltá-los.
_ Acabou de acordar e já está assim? Tome um chá... – ironizou Tenten, sorrindo de canto e erguendo uma das sobrancelhas. Ironia rebatida.
Franzindo o cenho, Neji olhou-a. Ela estava devolvendo o que ele dissera? Com um pequeno sorriso, o Hyuuga a acompanhava até a porta do quarto. “Adversário errado.” Constatou ele, observando o modo como as fitas coloridas que prendiam os dois coques da Mitsashi caíam por seus ombros. Iria vencer aquele pequeno jogo.
_ Irei visitar Kiba no hospital hoje, então se ainda pretende encontrar o garotinho... Terá que achá-lo sozinho dessa vez... – avisou Tenten, abrindo a porta.
Um grande balde de água incrivelmente fria. Mais uma vez o projeto de empresário era capaz de tomar-lhe a companhia de Tenten. Não sabia o porquê de necessitar tanto da companhia dela, no entanto, seja como for, não deixaria que ele ganhasse de si estando em coma. Não permitiria de modo algum.
Em um ato impulsivo, o Hyuuga puxou Tenten pelo braço, fazendo-a deixar cair à bolsa no chão e soltar a maçaneta. Trazendo-a para si, Neji olhou-a com autoridade nos olhos.
_ Nós vamos achar esse garoto juntos. – afirmou Neji, sério.
Com os olhos perolados sob a face um tanto surpresa e rubra de Tenten, Neji não compreendia como fizera aquilo. Entretanto, antes que sua ávida mente acompanhasse o corpo, já havia tomado os lábios da Mitsashi, assegurando que venceria aquela disputa.
XXX
Manuseando o revólver, Naruto tinha as feições completamente confusas. O aquela arma estava fazendo junto às coisas de Hinata? A quem pertencia aquele objeto? Analisando o revólver, os olhos azuis encontravam-se aturdidos.
Espreguiçando os braços, Hinata ergueu lentamente seu tronco, com um brilhante sorriso na face. Não havia nada melhor do que senti-lo, do que tê-lo junto a ela. Naruto era um grande brincalhão, todavia, era justamente sua fértil imaginação que a prendia a ele. Naruto era um sonhador. Um exímio cavaleiro das estrelas... Sonhara com ele. Será que algum dia aquele sonho poderia se realizar? Ela poderia mesmo morar a seu lado sem nenhuma cobrança bater-lhe a porta? Sem qualquer omissão? Trabalharia para que aquele sonho ficasse equivalente a realidade dos dois. Iria sair da agência naquela mesma tarde, e nada do que Neji dissesse poderia impedi-la. Desta vez, seguiria seu coração. Usaria da coragem que o loiro implantara em seu sangue.
_ Bom dia... – pronunciou Hinata de modo doce e delicado, colocando os olhos ao espaço ao seu lado na cama. Porém, Naruto não estava deitado. Desviando os olhos dos lençóis, a Hyuuga o avistou no canto do quarto, atônito. Imediatamente, o sorriso em seus lábios se findou, e seu peito foi invadido por uma injeção de susto e desespero.
_ Hinata... Sabe como isso veio parar aqui? – indagou Naruto, colocando seus olhos de encontro aos da Hyuuga.
Engolindo seco, Hinata sentiu suas mãos tremerem. “Como ele achou meu revólver?!” questionava-se ela mentalmente, apavorada. Tinha de fazer alguma coisa, tinha de agir!!! Será que Naruto...? Será que ele havia descoberto que...?
_ NÃO!!! N-Não sei de quem é isso!!! – exclamou a Hyuuga, afoita, levantando-se da cama e puxando o lençol consigo, cobrindo-lhe o corpo alvo.
Com uma sobrancelha erguida, Naruto a encarou. Porque ela estava nervosa daquela forma? Claro que aquela arma não a pertencia, então porque o nervosismo?
Rapidamente, Hinata arrancou o revólver das mãos do Uzumaki, jogando-o pela janela. Teria de dar um jeito de apanhá-lo mais tarde. Mas por hora, tinha que fazer com que Naruto se esquecesse daquela arma. Ele não suportaria a verdade... O loiro a olhava de maneira interrogativa, não compreendendo por qual razão Hinata havia jogado a arma pela janela com aquela nítida pressa.
_ Isso é perigoso!!! Seja quem for que jogou isto aqui, temos que nos livrar disso!!! – argumentou Hinata, torcendo dentro de si para que tivesse soado convincente. A cada dia que se passava, omitir sua verdadeira identidade à Naruto estava doendo-lhe mais e mais. Gostaria profundamente de contar a verdade a ele, no entanto, talvez fosse mais egoísta do que pensava... Ele a odiaria. Ele certamente a odiaria e... Não suportaria tal fato, assim como não queria machucá-lo.
_ Hey!! Se acalme... Vamos descobrir quem foi o idiota que atirou isso aqui em casa. Prometo. Hinata... Eu sempre irei te proteger! – manifestou-se Naruto mediante ao nervosismo da Hyuuga. A pele dela estava rubra, e seus olhos levemente arregalados. Era mesmo um cabeça de vento! Não poderia ter assustado Hinata daquele jeito! Tinha que ter resolvido aquilo por conta própria! Abraçando-a com esmero, o loiro dirigiu seus lábios até um dos ouvidos dela. _ “Eu te amo...” – sussurrou ele, sincero.
Aflita, Hinata permitiu-se repousar a cabeça em um dos ombros de Naruto. Com uma lágrima a descer dos olhos perolados, a Hyuuga o apertou. Tudo estava se encurtando...
_ Eu quero panquecas!!!!!! – gritou Naruto, soltando-a de seus braços e correndo na direção da porta do quarto. Estava mais leve que um saco plástico cheio de ar. Já que seu padrinho estava ali, iria cobrá-lo pelos natais e aniversários em que aquele velho mulherengo havia faltado. E pretendia cobrá-lo malignamente... Com panquecas!!! Ele teria que preparar as especiais, ou nada feito.
_ Naruto!!! – chamou Hinata, fazendo-o parar à porta.
_ O quê? – questionou o loiro, encarando-a.
_ É... Não seria melhor se vestir antes? – indagou a Hyuuga, corada e com os olhos mirando o chão.
Constatando o óbvio, o loiro retornou ao quarto, fechando a porta. Não iria incomodar Hinata com aquele assunto, mas se alguém estava rondando a casa e planejando uma tragédia como no dia em que perdera seus pais. Ele iria descobrir. Ou não se chamava Uzumaki Naruto.
XXX
Especial: SasuSaku
“Sentado em uma das suntuosas poltronas da sala dos Uchiha, Sasuke tinha um livro nas mãos. Havia aprendido a ler a algumas semanas, ainda estava um pouco complexo unir todas aquelas palavras com rapidez, mas estava compreendendo a fórmula da leitura...
_ Hey baixinho, o que está lendo aí? – indagou Itachi, que havia acabado de retornar para casa, sentando-se ao lado do irmão menor de maneira preguiçosa.
_ Não sou baixinho! Já estou quase do seu tamanho. – rebateu Sasuke, com um notável bico nos lábios. Não era um baixinho. E já não aguentava-se mais na longa espera de crescer. Queria poder sair de casa quando quisesse, assim como Itachi.
_ Ah é? E o que o senhor gigante está lendo? – questionou Itachi, sorridente. Sasuke era uma criança bem orgulhosa, fechada. Todavia, ele sabia como adentrar no “implacável mundo de Uchiha Sasuke”. Por mais calado que fosse, tudo que seu irmão mais queria era um pouco de atenção. E esta era a razão de tanta dedicação nos deveres de casa.
_ Estou lendo o livro que a mamãe pediu para ler... Tem muitas figuras... Quer ler também? – propôs Sasuke, sorrindo abertamente. Talvez seu irmão brincasse com ele por hoje.
_ Infelizmente dessa vez não vai dar... Minha noiva já vai passar aqui. – argumentou Itachi, levantando-se do sofá e desorganizando os cabelos ébano do irmão caçula. _ Uma próxima vez, Sasuke. – finalizou Itachi, tocando-o na testa e empurrando levemente como de costume.
Levando uma das mãos a testa, Sasuke esfregou-a. Porque Itachi tinha que dar-lhe um estalo tão forte? Mais uma vez a noiva... E ela nem era legal. Aliás, nenhuma das meninas de Konoha era. Viviam perseguindo-o e nunca deixavam-no em paz. Manhoso, o pequeno Uchiha cruzou os braços, revoltado. Ele nunca deixaria uma garota fazê-lo virar um chato como Itachi estava naqueles últimos tempos.”
Outra vez, ela havia quebrado todos os muros que construíra dentro de si. Talvez onde Itachi estivesse, deveria estar gargalhando de sua face naquele instante. Sim, ele virara um chato. Sim, ele havia sido completamente preso por uma garota. E não fazia qualquer menção em voltar em sua decisão. Pela primeira vez após aquele fatídico desastre, ele sentia-se plenamente feliz. Ela retirara a grande revolta que havia em dentro de si, lutara contra a criatura que superlotava seu corpo. Ela o fizera se sentir... Vivo. Ele havia morrido naquele dia, havia adentrado um mundo repleto de sombras, amargura e dor. No entanto, ela o tirara. O salvara e não o temera. O intrigara no primeiro instante por não cair a seus pés, por sua sensual autonomia e autoridade. Mandona... Mas ele também o era. Sempre fora um dominador de primeira. Entretanto, ao mesmo tempo que a fizera sua, ela fizera o mesmo. Iguais, equiparados. Ela igualara forças com ele... E o atraíra de forma tóxica, não sabia dizer porquê. Tudo que sabia era que ela lhe dera a chave para tentar começar outra vez. Ela reconstruiria o legado dos Uchiha com ele. Sabia que ela aceitaria.
“Ele estava sentado sobre aquelas tábuas a um indeterminado tempo. O ar tinha um nauseante aroma de sangue... A casa estava escura. Ninguém parecia ouvi-lo. Ninguém estava ali... Todos estavam frios, deitados no chão dormindo sem que nenhum de seus gritos pudessem acordá-los. Sentia frio, sentia fome, e ninguém acordava.
Soluçando um pouco, Sasuke chorava, cobrindo os olhos e abraçando-se numa vã tentativa do frio passar. Por que ninguém acordava?! Não conseguia entender!!! Porque haviam deixado-o sozinho?! Não sabia o que poderia ter feito de errado... Ele sempre seguia o que seu pai e sua mãe pediam. Todos os natais ganhava presentes, não era um menino malvado. Então por quê?!
_ Papai... Mamãe... Tio Obito... Itachi... Alguém! Alguém acorda!!! – exclamou o pequeno Uchiha, agora sacudindo levemente o corpo de Itachi e, sem resposta, colocou-se mais uma vez a chorar, segurando a mão do irmão mais velho. _ Eu sou um baixinho Itachi... Sou um baixinho... – admitia Sasuke fracamente, com a voz exausta.
Ele era um baixinho. Ainda não passara Itachi... Por nem assim seu irmão falava com ele?
_ Eu sei que você é grande agora... Tem tarefas para fazer... Por isso eu prometo que não vou ficar mais bravo com você irmão... Fala comigo, fala...”
Itachi nunca mais lhe respondera. E com o passar dos anos, agora também era grande. E compreendia que todo aquele desastre fora de autoria sua... Do que havia dentro de si. Passara mais de dez anos sem falar praticamente nada. Porém, ela lhe trouxera a necessidade de se comunicar outra vez. Lhe trouxera a necessidade de... Reagir.
_ Sasuke... O que é aquilo? – indagou Sakura, soltando-se dos fortes braços do Uchiha e caminhando até o objeto de sua curiosidade.
Sorrindo, Sasuke a analisava. Não havia sido culpa dele que o vestido caíra no chão. Ela quem decidira fazer uma omelete e havia atingido-o com um forte jato do antigo extintor de incêndio.
Pegando a peça de roupa, Sakura a olhava de modo incrédulo, sem conseguir formular qualquer pergunta coerente em sua cabeça. Um vestido de noiva? Mas o que era aquilo? Sasuke não estava pensando que ela...?
_ S-Sasuke... Que vestido de noiva é esse? – perguntou Sakura, receosa, virando-se com a peça repleta de detalhes em renda nas mãos.
_ E então? Gostou? – perguntou casualmente Sasuke, encarando-a nos olhos de maneira penetrante. Gostaria de ouvir aquela resposta o mais breve possível.
_ Para que isso, Sasuke? – indagou Sakura, confusa.
_ Para você oras! Vamos nos casar o mais rápido possível. Quero que seja minha mulher. – assentiu Sasuke, com o tom levemente autoritário. Não entendia o porque delas perguntas por parte dela. Ela não o queria como homem?
Aproximando-se da Haruno, Sasuke novamente rodeou seus braços envolta da fina cintura da rosada.
Olhando-o nos olhos, Sakura sentiu suas palavras fugirem da garganta. Não queria se casar. Não pretendia se casar. Aliás, logo depois de saiu da casa de seus pais e garantiu sua independência, casamento tornou-se algo fora de seu dicionário. Nunca dera sorte com os homens de Tóquio, além disso, também nunca tivera tempo para encontros. Não compreendia como Ino poderia sair com tantos garotos por semana e levar a vida de agente. Sempre acreditou que para ter progresso na agência, teria de abdicar de muitas coisas. E uma delas fora inevitavelmente manter um namoro normal. Porém, jamais imaginara que ele fosse quebrar seu estilo de vida e prendê-la de modo tão agressivo.
Havia optado por ficar ao lado dele. Então, teria de efetuar cada parte em seu devido tempo. Primeiro, por mais estranho que aquilo ainda lhe parecesse, tinha que sair completamente da agência. Não podia ter qualquer relacionamento oficial com Sasuke antes de... De sair daquela missão que tinha como fim matá-lo. Também, teria de arrumar uma maneira de fazer com que Tsunade e toda a agência desistisse de mandar novos agentes para a missão. Não iria permitir que machucassem Sasuke ou que o matassem tentando exorcizá-lo.
_ O que houve? Não apreciou o vestido? Sei que não devia tê-lo comprado sem que tivesse experimentado ele mas... Achei que este lhe cairia perfeitamente. Além disso, era o mais elegante da loja. Você ficará magnífica nele. – justificou Sasuke, respirando pesadamente. Apenas ao imaginá-la naquela perfeita peça, sentia seus braços tremerem. Sakura era de longe muito mais bela que qualquer moça de Konoha. E tudo devia-se aos seus cabelos incomuns, a seus olhos tão nobres quanto as próprias esmeraldas que se assemelhavam e a sua macia pele.
Engolindo seco, Sakura encarou a face do Uchiha, pela primeira vez, eufórica e iluminada. De repente, não sabia como poderia dizer a ele que não queria se casar.
_ Não vai falar nada? – questionou Sasuke, firme. Porque ela não respondia? Será que... Será que ela não o queria como homem? A hipótese fazia seu sangue ferver em raiva, raiva de si mesmo por não ter conseguido fazê-la amá-lo. E a cada segundo que se passava naquela interminável espera, seu peito doía mais. Porque ela não o amava? Com a respiração mais pesada, Sasuke a largou, levando uma das mãos a cabeça.
Dando dois passos para trás, o Uchiha fechou os olhos, atormentado. Estava sozinho mais uma vez? Não conseguia suportar...
_ Sasuke... – pronunciou Sakura, aflita, vendo-o emitir um grunhido de dor e deixar a cozinha, exacerbado. _ Sasuke!!!! – gritou a Haruno, seguindo-o em direção as escadas.
Atravessando o corredor do segundo andar da casa dos Uchiha, Sasuke derrubava alguns dos antigos vasos de decoração de sua família. Porque ela não queria ser sua mulher?!?! O que ele não havia feito?!?! Ele sentia que... Sentia que era capaz de dar amor a ela. Ela apreciava seus toques, apreciava sua companhia... Apreciava-o na cama, então por quê?! Ele não era bom o suficiente? Aquilo nunca lhe fora apresentado. Todas as garotas sempre estiveram a seus pés. Não sabia como lidar quando alguém não seguia aquilo que queria. Orgulho, talvez... Mas jamais admitiria tal dor. Tal ponto fraco.
Será que ela não o aceitava por isso?
Adentrando seu quarto com fúria, Sasuke fechou a porta com violência. Sua cabeça estava ficando pesada, muito pesada. Ela havia retirado-o de suas confortáveis sombras, e agora o jogava subitamente nelas novamente?
_ Sasuke!!!! Abre essa porta!!! Sasuke!!! Vamos conversar!!! – exclamou Sakura, batendo com força na porta na luxuosa porta trabalhada em madeira.
Sentado ao chão, Sasuke respirava com dificuldades. Não suportaria perder Sakura. A queria como sua mulher. E faria o que fosse preciso para que ela o amasse. Cerrando um dos punhos, o Uchiha ergueu-se do chão, abrindo a porta em seguida. Com apenas um movimento, tomou os lábios de Sakura, em um voraz beijo. Ele tentaria todos os dias... Tentaria de tudo... Iria fazer Sakura amá-lo. Iria fazê-la feliz. Por que no fundo, Uchiha Sasuke não passava de um garoto mimado, a qual tiraram-lhe bruscamente os caprichos, dando-lhe em troca uma amarga solidão.
Sustentando o corpo de Sakura sob a antiga cômoda de seu quarto, Sasuke a sentou sobre o móvel, segurando-a pela cintura com grande dose de força e possessividade. Beijando-a com ferocidade, ele podia ouvir a falha respiração da rosada por entre seus lábios, fazendo-o sorrir. Pegando-a em seus braços mais uma vez, o Uchiha a atirou bruscamente sobre a cama coberta por lençóis azuis.
Ele não dava-lhe a mínima chance para que sua independência falasse mais alto. Ofegante, Sakura ergueu sua cabeça e o encarou, vendo-o livrar-se da camisa preta que anteriormente trajava, jogando-a a um canto qualquer do quarto escuro. Colocando-se em cima da Haruno, Sasuke dirigiu sua face perigosamente aos ouvidos de Sakura, emitindo-lhe um determinado sussurro:
_ Eu lhe amo. E vou fazê-la aceitar meu pedido. – decretou o Uchiha, desferindo uma leve mordida no lóbulo de Sakura.
Internamente, alguma insana voz já havia aceitado tal pedido, deveria segui-la? Encarando outra vez a face de Sasuke, Sakura o beijou com audácia. Não preocuparia-se com aquele pedido agora, apenas queria senti-lo mais uma vez. Em pouco, já haviam livrado-se das roupas, levemente úmidas em função do velho extintor de incêndio. No fim, não precisaria mais da omelete, Sasuke era capaz de fazê-la sentir-se viva, de modo que nunca pensara sentir de algum homem.
Ino era experiente demais. Hinata era precavida demais. E na mais pura verdade, era inexperiente. Jamais dera abertura para além de flertes e uma ou outra noite de sexo. Ele era o primeiro a ultrapassar sua barreira de proteção. Os homens traziam dependência, este era seu maior temor. No entanto, havia feito o mesmo com o Uchiha. Sentia-se realizada, de alguma desconhecida maneira.
Ferindo-lhe a pele pálida, Sakura o arranhava nos ombros, suprimindo um rouco gemido que temia em sair de seus lábios. Ele estava em si novamente, mesclando carinho e agressividade, como sempre fazia. Saboreando a pele do colo da Haruno, Sasuke tinha seus olhos vermelhos assumidos. Somente para ela. Somente para ela tinha coragem suficiente de demonstrar sua verdadeira identidade. Aqueles olhos provocavam medo nas pessoas, porém, ela não lhe temia. Estocando mais forte, Sasuke permitiu-se sorrir outra vez. No escuro apenas ela veria um sorriso sincero seu. Só ela.
_ Sasuke! – exclamou Sakura, embargada em prazer.
Abafando-lhe os lábios com um beijo, o Uchiha sussurrou um “repita”. O som de seu nome sendo proferido por ela dava-lhe sensação de plenitude. Alcançando seu ápice, Sakura acabou inconscientemente atendendo a seu pedido. Era impossível tentar escapar dele, sendo que uma parte de si jamais iria querer tentar escapar. Com um grito abafado, Sasuke derramou-se nela. Sentindo suas forças sendo drenadas, o Uchiha a abraçou, respirando de forma dificultosa.
Por mais blindado que fosse, apreciava a delicadeza da rosada. Apreciava o modo como ela poderia o acalentar apenas com um simples abraço.
_ Sakura... Por favor, case-se comigo... – pediu Sasuke, em um baixo murmúrio.
_ Ainda não Sasuke... Vamos com calma. – respondeu Sakura, dedilhando as marcas que ela mesma provocara na pele do Uchiha.
Com um calmo suspiro, Sasuke levou uma de suas mãos ao ventre da Haruno. Mal esperava a hora em que aquela macia pele abrigaria a chave da nova dinastia dos Uchiha.
Ao longe, jogado sob o chão do quarto, o velho dinossauro que Sasuke ganhara quando criança reluzia ao único feixe de luz presente no cômodo. Ao lado dele, o comunicador reserva da agente Haruno Sakura marcava uma importante mensagem, cuja autoria estava estampada na tela: “Tsunade”.
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