Demônios
20 Capítulo 20: Especial parte 2: NaruHina
Notas iniciais
Círculos, círculos e mais círculos. Shikamaru mal acreditava que enfim achara a entrada daquela isolada cidade. Realmente isolada, era o que constatava mentalmente o Nara, descendo do carro negro que alugara e, respirando fundo, olhou a sua volta. A cidade era totalmente distinta de Tóquio ou de qualquer outra do Oriente, aparentava estar há umas boas décadas atrasada, estagnada em um período próprio. No entanto, como seus pulmões já detectavam e comemoravam o ar era extremamente límpido, assim como céu, de um azul legitimo, sem qualquer resquício cinzento por perto. É, tinha de admitir, por mais que Tóquio lhe oferecesse uma vida ideal, um confortável apartamento, pizzas toda a noite apenas discando alguns números, talvez tivesse algo de muito positivo naquele lugar escondido.
Com as mãos sobre a cintura, Shikamaru encarou a grande e antiga casa a sua frente. Parecia uma casa fantasma, de tão imersa em meio aquelas longas árvores. As tábuas antigas... A terra que, mais precisamente, assemelhava-se mais com areia do que terra em si. Areia... Aquele lugar tinha até mesmo aroma de areia! Ainda se perguntava como uma garota como Ino, estaria naquele “fim de mundo” como Neji sabiamente havia descrito. Agora, tinha muito o que concordar com o Hyuuga. Sobretudo a respeito da entrada da cidade!! Ninguém lhe tiraria da cabeça que havia um labirinto por aquela estrada de terra batida!! Ninguém!! A menos, claro, que lhe oferecessem um travesseiro já. Estava morto de cansaço! Havia dirigido por horas, acordado ainda um pouco de madrugada e estava com um bolo todo confeitado nas mãos... De fato, somente Ino para lhe colocar numa fria como aquela que, novamente, não havia calculado a porcentagem de erros.
“Até que para uma criança esse garoto escolheu um bom lugar para morar, pelo menos deve ser uma beleza dormir nesse silêncio.” Pensou Shikamaru, colocando um sorriso de canto no rosto e, como procurava fazer quando tudo estava fora dos trilhos, pensando no item que mais se aproximava de algo positivo.
Subindo os pequenos degraus em madeira rachada, o Nara tratou de afastar o bolo de seu campo de visão. Será que havia uma campainha naquela encarnação de residência fantasma? Buscando em meio às paredes também em madeira, ele logo encontrou a antiga campainha, tocando-a.
Injetando em Gaara uma das muitas seringas com doses de ferro que havia comprado, Ino fez um singelo carinho no braço do ruivo, que ainda não tinha conseguido se acostumar com as injeções. Com a respiração descompassada, Gaara possuía uma expressão fechada, expressando o desconforto que, como havia descoberto, era o que sentia quando aquela agulha o furava. Ino havia lhe explicado sobre o desconforto das agulhas.
_ Pronto... Isso vai ajudar a cessar os vômitos. – proferiu Ino, esperançosa. O ruivo estava a piorar a cada dia e, mesmo que não estivesse notando eficácia grandiosa naquelas injeções, ao menos elas poderiam saciar em uma parte, a fome da criatura dentro dele.
Rodeando-o na cintura com os braços, a loira deslizou suas mãos pelo abdômen ainda úmido dele, já que tinham acabado de sair do banho. Os fios vermelhos ficavam mais marcantes quando molhados e, travessa, a Yamanaka inclinou sua cabeça, dando um estalado beijo no pescoço de Gaara, que assustou-se levemente com o gesto.
_ O que vai querer fazer hoje? – indagou a loira, deslizando suas unhas pelos ombros e braços do ruivo, em uma carícia.
_ Podemos fazer gelatinas... – respondeu Gaara, o tom de voz de rouco e baixo.
_ Okay... Gelatinas. E o que mais? – interrogou Ino, rindo, era impressionante como aquela simples sobremesa, tornara-se muito importante à ele.
Pensando um pouco, Gaara colocou suas mãos sobre as finas mãos de Ino, que tinham voltado a rodear-lhe o abdômen. Ele havia destruído aquele quarto por completo, apenas o colchão restara. Sabia que Ino pretendia arrumá-lo novamente, gostaria de ajudar.
_ Posso lhe ajudar a reconstruir o quarto? – perguntou o ruivo, receoso. Nunca havia concertado um quarto antes, muito menos deduzira que um quarto poderia ser estragado e destruído como muitos objetos daquela casa, que um dia, ele mesmo quebrara e estragara.
_ Reconstruir? – perguntou Ino, confusa. Aquele quarto apenas precisaria ser arrumado e teriam de trazer uma outra cama de qualquer dos outros quartos, nada mais. Não precisavam de nada mais. _ Podemos somente arrumá-lo Gaara... Não acha que vai ser mais fácil assim? – explicou a loira, paciente, sentindo a pele fria dele tocar a sua, quente.
Gaara estava deslizando suas mãos timidamente pelas dela. Ele estava repetindo o que ela mesma fizera... Com um sorriso, a Yamanaka novamente constatou: ele aprendia rápido, muito rápido. Estava a beijá-la mais cedo sob a água corrente com uma incrível precisão.
No entanto, um enorme ruído chamara a atenção dos dois. Fazendo Ino emitir um gritinho em função do susto. Confuso e surpreso, Gaara proferiu:
_ É a campainha... – constatou o ruivo, em tom baixo, completamente confuso. Há mais de dez anos não ouvia aquele som... Quem estaria ali? Ninguém o visitava. Com medo, ele encolheu-se no abraço de Ino, assustado.
_ Campainha? – questionou a loira, incrédula. Beijando-o docemente no rosto, Ino deixou o colchão rapidamente. Apenas um nome passava por sua cabeça: “Neji”. Se aquele Hyuuga prepotente estava achando que iria tirá-la dali, era melhor dar meia volta. Com uma pitada de desespero no peito, ela caminhou até a porta. Tinha que tirar ele dos arredores daquela casa antes que Gaara o visse. _ Eu vou atender, fique aqui, não se preocupe. – pediu a Yamanaka, deixando o quarto, passando pelo corredor como uma bala e descendo as escadas em uma pressa descomunal.
Abrindo a porta com brutalidade, a loira já foi repreendendo aquele que achava ser o Hyuuga.
_ Sai daqui Neji, eu...!!!! – gritou Ino, deixando a voz morrer assim que seus olhos azuis assimilaram a figura de Shikamaru, com um grande bolo de chocolate repleto de confetes.
_ O que ele fez dessa fez? – interrogou o Nara, divertindo-se com o breve ataque da amiga.
_ Shika... Você veio!!! – exclamou Ino, surpresa, colocando as mãos no rosto. Não esperava que alguém como Shikamaru, fosse se deslocar de seu apartamento para trazer-lhe o bolo que pedira. Acreditou que ele iria passar a receita à ela pelo comunicador e, se não estava lhe falhando a memória, era isso que haviam combinado.
_ Não vai me convidar para entrar ou o demônio não gosta de visitas? – indagou Shikamaru, apertando as mãos na bandeja do bolo. Deveria estar com fome, já estava sentindo-se fraco, havia somente tomado chá com torradas em Tóquio e estar mediante aquele grande bolo não estava ajudando.
Fechando o cenho e dando passagem, Ino deu desferiu em Shikamaru um leve tapa na cabeça. Não iria permitir que aquele preguiçoso se referisse a Gaara daquela forma.
_ Ai! – protestou o Nara, que caminhava sem um rumo, tentando achar a entrada de uma possível cozinha.
_ Não fale assim dele! E é para esquerda! – repreendeu Ino, caminhando atrás de Shikamaru.
Colocando o bolo sobre a espaçosa mesa da cozinha, o Nara tomou a liberdade de assentar-se em uma das cadeiras. Agora, tinha somente de averiguar a situação e, dependendo do que visse de concreto, teria de colocar tanto Ino quanto Sakura e Hinata a par do fato de que teriam de tomar uma decisão e, independente de qual fosse, tinham de arcar com as consequências. Terceira Lei de Newton, simples assim.
_ E então? Onde está o aniversariante? – interrogou Shikamaru, observando a loira pegar o bolo e guardá-lo na geladeira, eufórica. Confetes. Não havia nada que Ino amasse mais em aniversários do que confetes. Shikamaru nunca a deixara na mão mesmo!
Como um gatilho, Ino arregalou os olhos. “Gaara!” Constatou mentalmente a Yamanaka, deixando a cozinha correndo. Sem entender nada, Shikamaru olhou para a entrada do cômodo, assustando-se imediatamente ao ver um rapaz de estatura média, cabelos vermelhos como sangue e pele pálida, olhando-o com os olhos estreitos, tocando levemente a madeira da entrada da cozinha.
_ Quem é você? – indagou Gaara, soando pela primeira vez, firme. Não queria estranhos em sua casa.
Engolindo seco, Shikamaru encarou o ruivo a sua frente, que chegava a passos lentos. Ele tinha um incomum kanji sobre a testa e, certamente, era o demônio “cuidado” por Ino. Abaixando um pouco o olhar, o Nara observou as duas pelúcias na mão direita dele.
Voltando correndo a cozinha, Ino espantou-se ao ver Gaara diante do Nara. Tinha passado tão afoita pelo ruivo que não havia o visto.
_ Gaara! – chamou Ino, aproximando-se.
Olhando-a inseguro, o ruivo a puxou-a pelo braço, colocando-a ao seu lado. Não deixaria que o estranho tocasse em Ino.
_ Vou tirá-lo daqui, Ino. – assentiu Gaara, decidido. Não sabia como, mas retiraria o estranho que havia invadido sua casa.
_ Não, não, não! Gaara, esse é o meu amigo Shikamaru. Ele veio nos fazer uma visita. – explicou a Yamanaka, tentando aparar a situação.
Olhando para o homem de estranho cabelo amarrado, Gaara virou-se novamente a Ino. Visita? Amigo? Confuso, o ruivo não tirou os olhos da loira. Nunca haviam feito uma visita a ele antes, não sabia o que fazer. Nervoso, ele apertou o braço dela, como se pedisse por orientação.
Mesmo com uma aparência de rapaz, ele comportava-se mesmo como um menino, tal como havia suposto pela sua idade e pela análise dos fatos de que morava em uma propriedade vasta, sozinho. Interrogativo, Shikamaru aguardou que Ino dissesse mais alguma coisa.
_ Shikamaru, este é o Gaara. – apresentou a loira, contente. Tinha certeza que Shikamaru gostaria de Gaara. Mesmo ao seu modo, o ruivo era muito inteligente, assim como o Nara.
_ Prazer... – manifestou-se Shikamaru, erguendo-se da cadeira e estendendo a mão em cumprimento.
Olhando para Ino, Gaara viu-se perdido. O que ele pretendia estendendo-lhe a mão?
_ Vou subir... Você vem? – falou ele, perdido. Tudo que queria era voltar a seu quarto e esperar até que o estranho fosse embora.
_ Daqui a pouco. – respondeu Ino, vendo-o assentir de cabeça e deixar a cozinha. Gaara estava assustado, certamente, não deveria ter recebido visitas quando criança. Lembrava-se de como ele passara dias sem dizer uma palavra a ela quando chegara.
Assim que ele deixara a cozinha, Ino virou-se para Shikamaru, que emitiu um suspiro entediado.
_ Parece que o ruivo aí se assustou com a minha beleza... – ironizou o Nara. _ Mas é sério Ino. Você denunciar você por abuso.
Rindo, a loira caminhou até a fruteira, cujas frutas ela havia comprado em Konoha. Jogando uma maçã ao Nara, ela sentou-se na mesa.
_ Valeu... Como adivinhou que eu estava com fome? Pela minha cara de zumbi? – perguntou o Nara. Tinha a ironia como uma de suas maiores amigas e Ino, Sakura e Hinata estavam acostumadas com seu jeito desleixado e intelectual de ser.
Mostrando a língua em um gesto infantil, Ino mordeu a maçã que pegara para si. Tudo teria que ficar perfeito para o dia de amanhã, queria deixar Gaara muito feliz. Queria vê-lo sorrir como na outra vez em que ele o fizera. O amava. Talvez, tivesse sido pega pela forma única dele de ser, assim que o vira naquele dia, debruçado sob aquela estreita pia.
XXX
Com lentos passos, Sakura descia a grande e trabalhada escada da casa dos Uchiha, ou melhor, dos falecidos pais de Sasuke. Ele havia levado-a novamente para aquela casa, deixando muito provavelmente a casa de seu tio antes mesmo do nascer do sol. As ações de Sasuke eram completamente imprevisíveis, e a Haruno poderia jurar a si mesma que, de qualquer modo, até mesmo as ações-surpresa dele tinham pegado-na como se tivesse caído sobre uma grande rede de pesca. Os pés alvos, descalços, pisavam sobre o mármore, levando a rosada até o grande estofado no centro da casa.
Onde Sasuke teria ido? Porque tinha trazido-a de volta a sua casa e não acordado ao lado dela, ainda na casa de seu tio?
Sakura olhou para suas próprias pernas. Na altura das coxas, alguns notáveis arroxeados eram perceptíveis. Sorrindo de canto, ela analisou também a pele avermelhada de seus ombros, com pequenas marcas feitas pelos dentes do Uchiha. Nunca imaginara que alguém pudesse deixá-la em tal estado. Era até mesmo cômico, alguns poucos meses atrás.
Antes de deparar-se com aquela proposta de missão. A missão... Era como se, em único segundo, saísse de um mundo paralelo e caísse, com o grande peso da realidade outra vez curvando seus ombros. A missão... Não sabia ainda como diria a Neji que pretendia abandoná-la. Não sabia o que sua mestra diria. Sim, Tsunade sempre fora sua grande inspiração como agente e, agora, talvez causasse a maior decepção naquela que fizera dela o que tanto lutou para ser. Se tinha uma carreira promissora como agente, um considerável número de missões com êxito, era devido aos ensinamentos da experiente mulher de cabelos loiros. Sua tão preciosa independência fora rompida repentinamente por ele. A independência que tanto se orgulhara de deter...
Sakura tinha muitos itens claros em sua mente. Haveria consequências, sérias consequências. No entanto, no instante em que derramara suas lágrimas para fazê-lo livrar-se do demônio, já havia decidido o que faria. Apaixonar-se por Uchiha Sasuke não estava em seus planos. Entretanto, ter o culto e autoritário Uchiha topando seu caminho fora, trouxera, pela primeira vez, algum sentimento forte em si.
Ino e Hinata inevitavelmente vinham-lhe na cabeça. Algo lhe dizia que as amigas tinham optado semelhante caminho e o seu maior medo era: o exorcismo. A agência poderia, diante da saída delas, capturar os três e exorcizá-los. O que os mataria. Uma pontada apertou o peito da rosada. Nem mesmo Sasuke resistiria. De alguma maneira, teria que impedir que sua mestra tomasse essa decisão, assim que a coragem lhe viesse nas veias e contasse que estava saindo da agência. Aquela hipótese ainda lhe era estranha, sair da agência. Era a primeira vez que dizia aquilo a si mesma.
Esticando os braços, Sakura ergueu-se do sofá, tomando a rota para a cozinha. Sem sombra de dúvidas, Sasuke era muito melhor que ela na cozinha, porém, como seu estômago já se manifestava, estava com muita fome! O Uchiha sugara-lhe todas as energias noite passada. Abrindo um dos armários, Sakura suspirou. É, tentaria novamente fazer uma omelete. E daí que tinha falhado cinco vezes na tentativa? Ino conseguira certa vez, e se a loira conseguira, também conseguiria, nem que fosse na décima tentativa. Ou décima primeira, décima segunda...
_ Não queime, por favor! – disse Sakura, olhando para o pano de prato em suas mãos. Com um suspiro, a rosada sentiu um gatilho em sua mente.
Uma verdadeira operação de guerra. Sim!!! Não iria pegar leve com aqueles ovos!!! Determinada, ela colocou as mãos sobre a cintura e encarou, alguns poucos minutos depois, todos os seus adversários, incluindo o antigo fogão. “Está na hora da omelete!” Decretou mentalmente a Haruno, amarrando os fios róseos com uma fita vermelha, encontrada em uma das gavetas.
XXX
Dedilhando seu smoking, Neji caminhava furioso pelas pacatas ruas de Konoha. Quem aquelas garotas estavam achando que eram para faltarem com o compromisso envolvendo os relatórios?! Pelo visto tudo já estava indo longe demais e ele iria intervir antes que a missão fosse descoberta. Tolas! Aqueles demônios, sobretudo o que Ino estava bancando a enfermeira, poderiam acabar com elas! O tal Sabaku no Gaara poderia devorá-la. O Uchiha poderia despertar o espírito amaldiçoado com um estalar de dedos, já que dominava a criatura. E o loiro que vestia trajes alaranjados, como se fosse uma abóbora viva, poderia machucar sua prima sem qualquer aviso prévio. O que elas estavam achando? Que ele não sabia a respeito de cada característica técnica dos três? Grande ilusão! Grande ilusão! Era que o Hyuuga repetia a si mesmo. Iria começar por sua prima. Não iria permitir que Hinata ficasse na companhia daquele loiro de linguajar de colegial nem mais um minuto! Nem mesmo Hinata estava conseguindo separar as prioridades da missão...
Com o punho cerrado, Neji bufou irritado. Distraindo-se, sentiu um pequeno corpo bater contra si.
_ Desculpe-me! – exclamou um garotinho de cabelos claros, que trombara com o Hyuuga, deixando uma grande casquinha de sorvete cair sobre os sapatos de design italiano dele.
_ Não se deve comer doces antes do meio-dia!!!! – esbravejou Neji, até mesmo as mães eram um perdido caso naquela cidade!
Assustado, o garoto colocou-se a correr, fugindo. Assistindo a cena que acontecia logo a sua frente, Tenten observou a criança passar afobada por ela. Não compreendia como alguém de finos traços, como o forasteiro, pudesse ser tão atormentado. Até uma criança era capaz de tirá-lo do sério? Aproximando-se, a Mitsashi tocou o ombro de Neji, sussurrando marota:
_ Acalme-se forasteiro, ou as formigas também vão fugir de você...
Sentindo o semelhante perfume oriental, o mesmo que tirara seu sono na madrugada passada, o Hyuuga viu-a virar-se e colocar-se perante à ele. Quando não esperava encontrá-la, ela simplesmente surgia. Perguntava-se porque ela não surgira noite passada, quando o frio noturno lhe parecera entediante e colocara-se a caminhar por volta das oito.
_ Não gosto de crianças. Tão pouco de insetos. – manifestou-se Neji, cruzando os braços. Sua raiva estava atingindo altos picos naquela manhã!
_ Entendo... Mas você já foi uma criança um dia. Duvido que não cometera alguma travessura. – argumentou Tenten, cruzando também os braços. Sorrindo, ela arqueou uma das sobrancelhas, marcando seu triunfo.
Olhando-a, Neji analisou as fitas coloridas a descerem por seu colo, prendendo os coques que ela aparentava gostar de utilizar com frequência. Repentinamente, seus dedos coçaram para retirar aquelas fitas. Queria ver a extensão daqueles fios castanhos.
_ Posso afirmar que não fui uma criança como as demais. – afirmou o Hyuuga, seguro. Ele não tivera o luxo de cometer travessuras. Não que sua mente se lembrasse. Após a morte de seu pai, o preto e o branco instalaram-se em uma rotina.
Palavras pesadas... Encarando os olhos perolados, Tenten pôde sentir o peso daquelas poucas palavras. Algo o transformara.
_ Que bom! Pois eu fui uma criança muito descuidada! Vivia caindo pelas ruas! – descontraiu a morena, calma. _ Onde está indo com tanta fúria, forasteiro? – indagou ela, curiosa.
_ Resolver alguns assuntos pendentes. – limitou-se Neji, sentindo o vento levar seus longos cabelos.
_ Você está a tantos dias aqui, já deveria ter os resolvido. A propósito, como estou de folga hoje da loja, posso levá-lo para conhecer o restante de Konoha. – sugeriu a Mitsashi, em tom altivo. Talvez o maior erro dele fosse: pensar em demasia. Não havia nada mais enlouquecedor... A vida, às vezes, era para pouco se pensar. Seus avós, vindos do Nepal, sempre lhe repetiram isto.
_ E porque eu aceitaria, se tenho compromisso? – interrogou o Hyuuga, esboçando um sorriso de canto. Um ponto a menos para o Inuzuka... Era o que pensava Neji, satisfeito. Não sabia de onde aquele projeto de empresário de forte porte surgira, no entanto, enfim estava sentindo-se seguro de que ele iria comer a própria poeira. A companhia de Tenten era algo além do agradável, e como havia prometido a si, aquela companhia seria sua enquanto estivesse naquela isolada cidade.
_ Pois está perdido... – respondeu Tenten, dando uma piscadela. Estava mais do que óbvio que o Hyuuga deveria estar perdido, ou já teria cortado suas palavras no primeiro ato.
Perceptiva e simples, definitivamente as moças de Tóquio não comparavam-se a ela. Olhando para o estabelecimento ao seu lado, Neji encarou a placa em forma de um grande sorvete. Não acreditava que faria aquilo, talvez... Fosse o efeito proveniente dela...
_ Está bem. Temos um garoto a achar, e um sorvete para entregar.
XXX
Era como se tudo se partisse outra vez... Sem rumo... Céu sem estrelas... Dor... Vazio. Todos ao seu lado, realmente, estavam fadados aquele destino. Talvez o grande problema fosse ele, talvez... Ele não devesse ter nascido. O vento secava as lágrimas de Naruto, e seus pés o levavam fracamente para uma rua qualquer. Havia decido sair daquele hospital. De que adiantava ficar ao lado de Hinata ou de Kiba? O Inuzuka não poderia ouvi-lo, e Hinata... Deveria tomar aquela decisão. Ela teria de ficar longe. Longe dele! Logo ela poderia ouvi-lo, no entanto, preferira seguir ao menos uma vez em sua fadada vida, a voz da razão. Não esperaria que ela despertasse. Iria impedir que ela aproximasse-se de si novamente.
A única que vira por detrás de seu casaco, e aceitara-o como era. Aquele amor doía em seu peito, como se tivesse uma faca enterrada. Mas era preciso mantê-la segura. Não iria arriscar que aqueles olhos brilhantes como a lua pudessem se apagar por egoísmo. O egoísmo de tê-la com ele. De alguma maneira, o destino já havia decretado que deveria viver só. Este era o destino de um demônio. Ele era um demônio... Não deveria ter lutado tanto contra sua condição antes. Burro, outra vez um mero parvo. Deveria, desde o início, aceitar seu destino: estar sozinho. Demônios não eram criaturas que poderiam criar laços, pois eles, uma hora ou outra, seriam rompidos. Por ele mesmo.
Hinata entrara na sua frente para salvar-lhe, e Kiba a salvara, recebendo praticamente todo o impacto do caminhão que empurrara os três. Demônios não poderiam ser heróis, pelo contrário, eram os vilões.
Os cabelos loiros desarrumados... a pele ainda carregando resquício de folhas e terra. Não compreendia porque era o único a ganhar aquele fardo estrondoso. Oco, Naruto ergueu os olhos da calçada, não sabia o porquê, mas seus olhos deixaram o chão contra sua vontade, encontrando um par de olhos ônix, que vinha na direção contrária. Sentiu a criatura dentro de si agitar-se. Virando-se para acompanhar com o olhar a figura séria do misterioso garoto de cabelos ébano, Naruto entreabriu os lábios. Aquele cara, aquele cara era... Era com ele!!!
Incrédulo, o loiro encarou o vestido branco, aparentemente de noiva, que ele tinha sobre um dos braços. Vestido de noiva? Aquele cara tinha uma noiva mesmo sendo...?
Com o impulso tomando seus nervos, o Uzumaki colocou-se a correr atrás de Sasuke, que desviou rapidamente os olhos, percebendo claramente que alguém o perseguia. Virando-se friamente, como de costume para os demais daquela cidade, o Uchiha encarou o loiro que parava a sua frente. Já havia o visto... Ele era o outro como si, que notara naquela noite. Mas não era ele que havia marcado a amiga loira de Sakura. Agora, tinha certeza. Havia também um outro.
Com a garganta travada, Naruto sentiu todas as suas palavras se perderem.
_ O que quer? – indagou Sasuke, diante do silêncio do Uzumaki.
_ Naruto!!!!! – uma grave voz chamou pelo loiro, fazendo-o se virar.
“Não...” recusou-se a acreditar Naruto, piscando algumas vezes. Seu padrinho, após muitos anos, estava passando por Konoha novamente. Virando-se outra vez para encarar o garoto de cabelos ébano repicados, o Uzumaki já o viu longe, carregando aquele vestido de noiva, de tamanho semelhante ao de... Hinata.
XXX
Correndo pela terceira vez para fora da cozinha, Sakura emitia vários gritos desesperados. Não era possível!!! Fazer uma omelete não deveria ser tão difícil assim!! E pelo que estava lembrada das aulas de química no colegial, não havia nada de inflamável em ovos recém comprados. Então como?! Como aqueles malditos ovos poderiam simplesmente pegar fogo do nada?! Aborrecida, Sakura encostou-se a uma das pilastras da sala, deixando-se cair até as tábuas antigas que recobriam toda a casa.
_ Três a zero para você omelete... – suspirou a Haruno, frustrada. Era uma péssima dona de casa! Certamente se não tivesse morado tantos anos em Tóquio, umas pioneiras mundiais em comida de pronta entrega, já teria ido dessa para melhor. Com tais pensamentos, a rosada encarou os fios róseos desordenados que caíam sobre seu rosto. A fita havia se soltado... _ Aaaaaaaaaaaaaaah!!!! – berrou a rosada, constatando que além dos panos de prato, ao fogo havia chamuscado também uma mecha de seu cabelo.
Cerrando os punhos, Sakura levantou-se do chão e encarou novamente a cozinha. Okay, sua operação inicial de guerra havia sido derrotada pelo inimigo, mas agora, as coisas ficariam sérias!!! Ou não se chamava Haruno Sakura!!! “Preciso de proteção” pensou Sakura, correndo até a entrada da sala, onde havia um pequeno extintor de incêndio. “Tomara que você esteja na validade...” torceu ela, correndo até a cozinha e deixando o extintor ao pé da mesa. Voltando como um foguete para a sala, a Haruno recolheu o máximo de itens possíveis para ajudá-la em sua tática de guerrilha. Amarrando um grosso avental de treino marcial na cintura, prendendo novamente os cabelos e ajeitando o extintor em mãos, Sakura aproximou-se do fogão. Era tudo ou nada!!!
_ Hora da receita! – decretou ela, colocando os ingredientes sob outra frigideira e ligando novamente as chamas do fogão.
“Agora... pegar o prato!!” pensou Sakura, encaminhando-se até um dos armários e retirando o objeto.
_ Sakura?
_ Aaaaaaaaah!!!! – assustou-se a Haruno, ligando o extintor de incêndio no mesmo instante.
Cruzando as mãos frente ao rosto, Sasuke soltou a peça que trazia em mãos, levando um grande susto. O que diabos aquela mulher estava a fazer?!
_ S-Sasuke!!! – exclamou Sakura, respirando em alívio.
_ O que você está fazendo? Que cheiro de queimado é esse? – interrogou o Uchiha, analisando bem o perímetro a sua volta. Ela estava vestindo o antigo avental de treino de Itachi? E porque estava com o extintor de incêndio em mãos? Confuso, ele desviou os olhos até o antigo fogão. Sakura estava cozinhando?
_ A omelete!!!! – gritou a rosada, correndo até o fogão e desligando as chamas, permitindo-se erguer os braços e comemorar sua vitória. Ela havia conseguido!!! Largando o extintor, Sakura encaminhou-se até Sasuke, abraçando-o com euforia.
_ Eu consegui!!! Fiz uma omelete!!! – disse ela, sentindo os ágeis braços de Sasuke capturarem suas pernas em um único movimento.
Segurando-a em seu colo, o moreno exibiu um sorriso de canto. Não sabia ao certo o que estava ocorrendo ali, todavia, jamais vira Sakura tão animada antes. Por mais que detestasse a euforia alheia, talvez a dela fosse mais uma vez uma exceção a suas regras particulares. Mesmo desajeitada e com uma mecha dos fios cor de rosa aparentemente chamuscada, tinha de admitir, ela estava linda. Deslumbrado, o Uchiha a colocou no chão, rodeando-lhe a cintura e trazendo-a mais para si.
O modo violento como Sasuke acostumara-se a tocar-lhe era de fato surpreendente, mas não tanto como a expressão feliz que ele demonstrava. O que teria acontecido para deixá-lo tão contente? Era o que a rosada se perguntava, não deixando o imenso sorriso em seus lábios morrer.
_ Pode deixar que eu preparo nosso café da manhã, você deve estar cansada... – manifestou-se Sasuke, deslizando suas mãos carinhosamente pelos cabelos de Sakura.
_ Não, de maneira alguma!!! Hoje o café da manhã é por minha conta! – decretou Sakura, firme. Colocando-se na ponta dos pés descalços, ela depositou um singelo beijo nos lábios do Uchiha, que apenas a apertara mais.
Sorrindo, a Haruno encarou um enorme tecido branco, repleto de rendas, jogado no chão. O que era aquilo? Curiosa, ela olhou para Sasuke a espera de uma resposta, no entanto, ele não lhe dera nenhuma explicação, somente alargou o sorriso que exibia. Ela havia gostado, constatava mentalmente o Uchiha...
_ Ter caído no chão não foi culpa minha.
XXX
_ Há quanto tempo não colocamos os pés nessa cidade... – pronunciou-se Temari, suspirando em reflexo a nostalgia que invadia-lhe as veias.
_ Tem razão... Tanto tempo que não deveríamos estar de volta. – manifestou-se Kankuro, encarando a mesma praça onde brincara poucas vezes quando menor. Konoha estava a mesma. _ Não sabemos se ele está vivo Temari... E se está, vai ver nem se lembra de nós. – opinou o Sabaku mais velho, segurando firmemente as alças da grande mochila que trazia sobre as costas.
_ Claro que ele está vivo! Pare de falar besteiras, Kankuro! Gaara era uma criança muito forte! – rebateu a loira de cabelos mel, abrindo o papel onde havia anotado a confirmação da reserva no único hotel da cidade. Talvez Ayame ainda se lembrasse dela...
_ Primeiro, se ele está vivo, não é mais uma criança. E ele pode sim não se lembrar de nós... Além disso, aquela coisa pode ter tomado-lhe o corpo. Ainda acho que deveríamos ter ficado em Osaka. – afirmou Kankuro.
_ Nosso pai morreu... Gaara é nossa única família, não podemos abandoná-lo outra vez. Vamos! Amanhã nós nos encaminhamos para Suna. – falou Temari, lembrando-se vagamente da vasta propriedade que um dia, fora sua casa.
_ Hey! Será que a Ayame ainda continua uma gata? – indagou Kankuro, sorrindo.
Incrédula, Temari desferiu-lhe um tapa no ombro. Não era possível que aquele idiota não fosse capaz de pensar em mulheres um só minuto!
_ Qual é? – interrogou Kankuro, irritado. Temari era a mais estressada das irmãs.
_ Trate de medir suas palavras com o Gaara, ouviu?! Não quero que meu irmão caçula vire um erro-baka como você! – repreendeu Temari, séria. _ E ande depressa! Estou cansada!
“Mas é uma estressada mesmo...” pensou Kankuro, apressando os passos.
XXX
Especial NaruHina:
Colocando os olhos sobre a silhueta do afilhado, Jiraya analisou o loiro mais uma vez. Aquele certamente não era o mesmo Naruto que vira há dois Natais passados... No entanto, nada que um bom prato de lamén não curasse, até mesmo a melancolia.
Com os olhos sobre a bancada da lanchonete, Naruto não proferira uma única palavra. Não sabia o que seu padrinho pretendia visitando-o tão repentinamente, todavia, nada importava. Ele sempre vinha sem avisar e em tempo indeterminado. Talvez não o visse desde alguns bons Natais...
_ Hey! Hey! Como andam as coisas? Você me parece meio bêbado Naruto... Já te falei que bebidas não levam ninguém a lugar algum. – manifestou-se Jiraya, tomando um bom gole do sakê que pedira.
“Olha só quem está falando...” pensou Naruto, encarando a face do padrinho. Por mais que estivesse alguns anos mais velho, ele ainda acreditava que estava em seus áureos tempos de juventude... Um grande fanfarrão. Seu grande padrinho fanfarrão.
Diante da expressão vazia do sobrinho, Jiraya virou-se um pouco no banco que estava sentado. É, pelo visto havia chegado em boa hora. Naruto precisava da sua ajuda. Seus olhos azuis sempre brilhantes estavam tão apagados quanto naquele dia... Naquele trágico dia.
_ Eu tenho umas coisas para lhe entregar. – anunciou Jiraya, inclinando-se para pegar os presentes que comprara no caminho até Konoha. _ Seus presentes de Natal!!! Um pouco atrasados, eu sei, mas quem não adora receber presentes?
Pegando as duas caixas bem embrulhadas a sua frente, Naruto emitiu um suspiro. Colocando-as em cima do balcão, o loiro virou-se para seu padrinho.
_ Desculpe padrinho... Mas não estou afim de abrir presentes hoje. – decretou Naruto, sincero.
Naruto recusando presentes? Então realmente algo sério estava acontecendo. Gostaria de não acreditar, porém, diante dos fatos, tudo que tinha a fazer era aceitá-los. Inibindo o marcante sorriso do rosto, Jiraya pronunciou-se:
_ Sabe... Naruto... Às vezes nem tudo sai exatamente como sonhamos. E por mais que as decepções possam doer muito, nosso único dever é enfrentá-las. Não podemos fugir da dor, assim como também não podemos desistir de alcançar a felicidade.
_ O que meu pai fez? – indagou o loiro, sério, encarando o chão. _ ... O que ele fez quando soube que teria um filho como eu?
_ Hum... Se lembra quando eu parti para ir atrás dos pequenos jovens que conheci? Pois bem... Seu pai sempre tivera muito mais persistência que eu Naruto. Eu jamais o vi tão feliz quanto no dia em que soube que sua mãe estava grávida. – respondeu Jiraya, sorrindo.
_ Não os achou até hoje? – interrogou Naruto, referindo-se aos jovens que seu padrinho encontrara prosseguindo sem rumo pelos arredores de Konoha, há muitos anos. Ainda se lembrava vagamente do dia em que seu padrinho o deixara, decidindo ir em busca dos jovens perdidos.
_ Na verdade... Os achei. Como também não os achei. – afirmou Jiraya, tomando mais um pequeno gole de seu sakê. _ Você não deve se sentir um empecilho no caminho dos outros Naruto... Esse foi o maior erro que aqueles três cometeram. Não tenho notícias de Yahiko há alguns anos, não sei se ainda está vivo. Konan está bem, muito bem aliás... Mas passa todos os seus dias cuidando de Nagato.
_ O que houve com ele? – perguntou Naruto, sem muito interesse, girando os hashis em seu prato. Nem mesmo aquele prato saboroso de lamén poderia ajudá-lo a suportar a dor de ter de separar-se de Hinata. Mas não havia outra alternativa. Era o mais sensato a se fazer. Mais tarde passaria na fazenda dos Inuzuka e deixaria um bilhete para Kiba, pedindo desculpas, mais uma vez. Quando ele saísse do coma e retornasse para casa, poderia ler... Quem sabe.
_ Nagato está doente, incrivelmente magro. Ele nunca superou a perda dos pais. E é por isso que lhe digo Naruto, não importa o que aconteça, supere a sua dor. Ou ela o levará a uma cama de hospital como levou o Nagato. – disse Jiraya, com os olhos sob o afilhado. Como sempre, Naruto não estava a prestar muita atenção em suas histórias...
_ Hum. – proferiu o Uzumaki apenas. Mesmo que estivesse em uma cama de hospital, o tal Nagato dos cabelos de fogo, como seu tio costumava descrevê-lo, deveria ter mais sorte que ele. Ao menos não detinha algo dentro de si. Nunca saberia o que era conviver com uma criatura furiosa dentro de sua própria cabeça, tão pouco saberia o que era ser um fadado a viver completamente só, para garantir a segurança daqueles que amava.
Era somente ele. Até mesmo o outro como ele, o estranho rapaz de cabelos ébano, possuía uma noiva, estava construindo uma nova família. Somente ele que incrivelmente atraía todas as tragédias para junto de si, como um imã. _ Estou indo nessa padrinho, não quero lamén. Você tem a chave de casa, então se quiser passar a noite lá, basta só abrir a porta. – finalizou o loiro, descendo do banco onde estava, a pouco, sentado.
_ O que é isso Naruto? Está abandonando um prato de lamén assim? – indagou Jiraya em tom brincalhão, na expectativa de fazer o afilhado retornar.
_ Não sei se vou passar a noite em casa hoje. – afirmou o Uzumaki, desferindo um fraco aceno e deixando a lanchonete a passos lentos.
_ O que deu nele? – perguntou Ayame, aproximando-se do balcão com a outra rodada de sakê solicitada por Jiraya.
_ Não faço idéia... Há quanto tempo Ayame! Pelo visto você não é mais aquela garotinha que vivia brincando com o Naruto. – ressaltou Jiraya, surpreso.
_ E você senhor Jiraya? Onde estava dessa vez? No Tibet? – zombou Ayame.
_ Acertou em cheio!! Mas me diga uma coisa... O que mudou na rotina do Naruto para ele estar assim? – perguntou Jiraya, atento. Iria dar um jeito de ajudar o afilhado.
_ Na rotina do Naruto? Acho que nada... Só que eu estava achando que ele e a Hinata estavam namorando. Mas ela nem passou aqui para pedir as contas, simplesmente disse que não iria trabalhar mais. – revelou naturalmente Ayame, limpando o balcão.
_ Hinata? Quem é essa Hinata?
XXX
Abrindo os olhos lentamente, Hinata encarou o teto branco acima de si. Onde estava? Sua cabeça doía intensamente, como se algo muito grande tivesse batido contra ela. Ino? Sakura? Onde elas estavam?
_ Que bom que acordou... – manifestou-se Jiraya, escorado a uma das paredes do quarto hospitalar.
Não reconhecendo a voz grave e um tanto arrastada a falar consigo, Hinata desviou os olhos por todo o quarto. Sua cabeça estava tão pesada quanto chumbo. Parando os olhos perolados sobre um homem de estranhos cabelos brancos e roupas tipicamente japonesas, próximo a porta, a Hyuuga assustou-se. Quem era aquele senhor? Onde estava? Num hospital?
Receosa, Hinata ergueu lentamente o tronco. Onde estava Naruto? Não conseguia se lembrar do que havia acontecido logo após perceber que Kiba aproximava-se correndo dos dois. Será que algo de grave havia ocorrido com Naruto?! Nervosa, a Hyuuga tentou levantar-se da cama, porém, ainda havia um desconhecido próximo a porta. Será que seu revólver de emergência ainda estava preso a sua perna esquerda?
_ Quem é você?! – indagou a Hyuuga, suspirando aliviada por ainda estar com seu revólver preso junto a seu jeans.
_ Hey! Não precisa se assustar moça! Eu sou o Jiraya, padrinho do Naruto... – saudou Jiraya, tranqüilo. Então aquela era a tal Hinata? É, Naruto havia herdado seu bom gosto. Era uma bela moça! Apesar dos incomuns olhos em tom pérola.
XXX
“Vamos passar muitos aniversários como este Naruto... Terá que nos aturar por muitos anos...”
_ Por que vocês mentiram?!?! POR QUÊ!??!?! – berrava o loiro, socando a árvore a sua frente. Não fazia idéia de onde estava. Mas, no fim das contas, este era apenas um fator relevante.
“Seremos amigos para sempre Naruto, pode escrever!!!”
_ Me desculpa, Kiba!!! ME DESCULPA!!! — prosseguia Naruto, assistindo a árvore começar a vacilar. A coisa dentro de si dava-lhe forças para derrubar uma árvore. Era um monstro. E nem mesmo as portas de alguma prisão estavam abertas para ele...
“Nunca conheci alguém com o sorriso semelhante ao seu antes...”
A doce voz de Hinata não abandonava-lhe a mente. O que faria de agora em diante? Como tentaria não amá-la? Era impossível. Mas teria de tentar, afinal, não havia restado-lhe nada. Nada. “Hinata... Se pode me ouvir... Me perdoe!” Com um soco de maior potência, o Uzumaki acabou derrubando a grande árvore, encarando a energia alaranjada envolta de seu punho. Era a coisa... Tinha que ter um jeito de retirá-la de si!!! Derramando grossas lágrimas, Naruto virou-se de costas. Demônios não poderiam ir tão alto... Não poderiam ouvir os céus. Tudo que tinha à fazer era ir para onde viera: do inferno. Talvez, deixando o calor desintegrar-lhe o corpo... A coisa fosse desintegrada também.
Com os olhos azuis nublados, ele andou até o lago mediano que já havia localizado naqueles arredores. Uma grande quantidade de areia... A areia poderia levá-lo até o fundo daquele lago. “O que quer?” a voz fria do moreno detentor dos cabelos ébano repicados... Aquele vestido de noiva... Somente tinha a lamentar. Se ele tinha também uma “coisa” dentro de si, estava arriscando a vida de quem amava. Mas não cometeria tal erro... Não mais.
Sentindo a gélida água envolver seu corpo, Naruto tinha os olhos abertos, encarando a quantidade de plantas a nascer dentro daquele lago. Todos tinham uma casa... Um lugar para morar, o dele? O dele certamente não era junto das pessoas. “E é por isso que lhe digo Naruto, não importa o que aconteça, supere a sua dor.” Não era tão simples. Seu padrinho não sabia o que estava dizendo. Mesmo que tivesse lutado em duas guerras... Seu padrinho jamais saberia o que era pior do que enfrentar um exército de estrangeiros inimigos: enfrentar a si mesmo.
Estava cansado de machucar as pessoas... Farto de criar esperanças no peito e após certo tempo, vê-las despencar de uma grande altura. Queria ser alguém como todos. E tudo que sempre pensara em relação a não perder a coragem? Fora em vão? Ninguém compreendia sua dor. Mas ela precisava ser compreendida? Não era isso que sempre pensara?
Levando as mãos aos fios loiros desordenados pelo fluxo da água, Naruto tentava encontrar um caminho a seguir. A coisa estava a falar... Porém, não sabia qual das vozes a gritar em sua mente correspondia a voz da criatura que estava hospedada em si. Só cometera atos ruins quando ouvira a coisa... Somente atos ruins. Soltando boa parte do ar que estava em seus pulmões, o loiro vira-se arrastado para baixo, como se algo estivesse a puxá-lo. Era isso, o fim...
_ Naruto!!!! – gritou Hinata, passando a correr mais depressa em direção ao lago que o vira entrar e até agora, não havia saído. Seguindo-a, Jiraya tinha seu novo telefone celular em mãos, tentando lembrar-se do telefone correspondente a emergência nacional. O hospital de Konoha deveria atender por esse número.
Sem pensar muito, a Hyuuga pulou no lago, contando somente com as aulas de natação que fizera na companhia de Neji até pouco mais de seus onze anos de idade. Tomando fôlego e velocidade, Hinata colocou-se a nadar rápido, tentando não se desesperar. O que ele pensava que estava fazendo dessa vez?!?! “Naruto...” Não suportaria perdê-lo. Sempre acovardara-se quando tinha de proteger aqueles que amava... Não faria o mesmo com Naruto. Ele ensinara-lhe a não correr dos problemas. Ensinara-lhe a ver brilho nas itens mais apagados... Não poderia falhar dessa vez.!
Avistando cores como o vibrante laranja e o preto do casaco de Naruto, Hinata não teve dúvidas, era ele!!! Reunindo força nos braços, a Hyuuga abraçou o corpo a sua frente, esforçando-se para tomar o rumo da superfície. Respirando fundo ao sentir a presença do ar, Hinata conduziu-os até onde o velho Jiraya se encontrava.
Entregando Naruto ao padrinho, Hinata deixou a água, aflita. Tudo que pedia era para que o loiro não tivesse engolido muita água. Para que conseguisse respirar novamente.
XXX
Travesseiros... Era como se estivesse rodeado por muitos... Onde estava? Por fim, Naruto abriu os olhos, passando a encarar um par de olhos perolados como a lua, a sua frente.
_ Como está sentindo? – indagou Hinata, doce, acariciando levemente a face do loiro. Finalmente ele tinha despertado! Mal podia acreditar!
_ Você nos deu um susto e tanto moleque! Vai ficar uma semana sem comer lamén! Me ouviu? – manifestou-se Jiraya, colocando na boca a escova de dentes que segurava. Detestava aquele pijama azulado de Minato, todavia, havia mais uma vez esquecido-se de trazer seu próprio pijama.
Confuso, Naruto encarou o padrinho e Hinata. Estava em sua casa. Em seu quarto. Já era noite? Seu padrinho estava novamente vestindo o pijama de seu pai... E Hinata, Hinata estava mais bela ainda trajando aquela camisola feita em seda. Hinata!!! Tinha de tirá-la dali!!! Tinha que afastá-la dele!!!
Afoito, Naruto ergueu-se da cama, puxando Hinata pelo braço esquerdo.
_ Você não pode ficar aqui!!!! Não pode!!! Tem que ficar longe de mim!!! – exclamou Naruto, rumando a porta da casa.
Incrédula no que ouvia, Hinata o parou, ficando de frente para o loiro. O que diabos ele estava dizendo? Ela não ficaria longe dele!
_ Naruto... O que é isso? Porque está dizendo algo assim? – indagou Hinata, olhando-o nos olhos.
Perdendo-se nos olhos diante de si, Naruto sentiu novamente suas palavras não chegarem até sua garganta. Não teria coragem de pedir a ela para ir... Não olhando-a tão de perto. Seria egoísta. E cuidaria para que seu egoísmo estivesse a salvo.
_ Acho que bati com a cabeça... – blefou o loiro, passando a sorrir ao sentir o delicado toque das mãos dela em sua nuca.
Sorrindo, Hinata concordou em um aceno. Sabia que a partir daquele momento sua carreira como agente estava oficialmente terminada, porém, desta vez, não iria desistir de seguir o que seu coração dizia. Teria de falar com seu primo... Enfrentá-lo... O que não seria uma tarefa fácil. Entretanto, ela lutaria por Naruto.
Aproximando a Hyuuga de si com certa pressa, o loiro beijou-lhe os lábios, saudosista. Erguendo-a pela cintura, Naruto deslizou suas mãos pelo tecido branco escorregadio, girando-a no ar.
_ Naruto!!! – exclamou Hinata, abraçando-o para não cair.
Radiante, Naruto a pôs no chão novamente. Não compreendia como fora capaz de pensar em ficar distante daquela pele macia... Daqueles olhos... Daqueles lindos lábios naturalmente avermelhados. Poderia beijá-los a noite toda. Ele iria controlar a coisa dentro de si. Iria conseguir!!! Por Hinata.
Sendo jogados no chão por duas patas grossas, Naruto encarou o cão tão familiar a latir para ele. Era Akamaru?
_ Akamaru! – repreendeu Hinata, rindo, esforçando-se para tirar o cão de cima de Naruto. _ Enquanto o Kiba não sair do coma... A senhora Inuzuka não terá tempo para cuidar dele. Então me ofereci para tomar conta dele, tem algum problema? – explicou Hinata, não aguentando ficar com o cachorro em seu colo por muito tempo. Akamaru era um cachorro gigante!
_ Não... De forma alguma... – respondeu Naruto, erguendo o tronco do chão.
Abaixando-se, Hinata transpassou suas pernas envolta da cintura do loiro, sorrindo em seguida.
_ Hinata... Me desculpe por... – começou o Uzumaki, cabisbaixo, lembrando-se vagamente de senti-la retirando-o da água gélida.
_ Não... Já passou. – cortou a Hyuuga, em um sussurro, aproximando seu rosto do dele. _ Esqueça isso...
Tocando-o com carinho nos ombros, Hinata o sentiu findar a distância entre eles, forçando-a contra ele. Naruto tinha um modo único de beijá-la. E agora tinha todas as confirmações possíveis que não adiantaria deixar a vergonha e a reclusão vencê-la, ele sempre daria um jeito de ultrapassá-las. Tomando o lábio inferior da Hyuuga com os dentes, Naruto abriu os olhos, encarando a face corada dela. Hinata deveria passar muitas horas do dia com as maçãs do rosto reunindo sangue. Porém, isso apenas deixava seu rosto mais atraente.
Sorrindo, o Uzumaki sentiu-a fazendo o mesmo consigo, puxando seu lábio inferior pelos dentes. Rindo, ele deixou-a buscar por ar.
_ Seu padrinho está nos olhando... – constatou Hinata, sentindo-se roxa internamente.
Virando a face, Naruto desferiu um furioso olhar ao padrinho.
_ Tem um cachorro devorando os sapos de tecido da sua mãe. – avisou Jiraya, sorridente. É... Naruto tinha puxado seus dotes com as mulheres! _ Mas pode deixar que eu tiro ele de lá. Boa noite!
_ Boa noite... – respondeu Naruto, irritado pela interrupção.
Vendo o padrinho dar-lhe uma piscadela rápida, Naruto se virou para Hinata, que tinha as duas alvas mãos sob o rosto. Retirando-as, Naruto sorriu.
_ Eu quero me esconder... – falou Hinata, envergonhada.
_ Então vamos nos esconder no meu quarto. – decretou Naruto, travesso, levantando-se com a Hyuuga enlaçada em si.
Com um gritinho em surpresa, Hinata encarou Naruto, que já levava-a na direção de seu quarto.
_ Eu te amo. – confessou o loiro, seguro.
Incrédula, Hinata arregalou os olhos. Não esperava que ele fosse falar tal coisa em um momento como aquele. E agora? Conseguiria responder?
_ E-Eu também... – respondeu Hinata, sentindo o macio colchão amparar-lhe.
Retirando a camisa amarela que colocaram em si, Naruto jogou-a em um canto qualquer do quarto. Porém, o tecido acabou por cobrir o revólver da Hyuuga, abandonado no chão do quarto.
Notas finais
O próximo capítulo eu tentarei postar amanhã, mas não posso garantir pois amanhã tem clássico aqui em BH. Enviem vibrações positivas para o galo :D Se ele vencer o cruzeiro eu posto :p, brincadeira. Farei de tudo para postar independente de qualquer resultado de jogo ou de qualquer coisa menos importante.
Gostaria de convidá-los para ler Panem et Circenses, uma fic que estou fazendo junto de uma amiga que conheci aqui pelo Nyah! a Cacau54. Quanto a Grades Mortais, tenho o cap. pronto, basta revisá-lo. Com relação a Coração de Tinta, minha amiga que fez a fanfic e que eu ajudei com ideias, bem, ela anda bem mudada e não sei quando é que ela pretenderá postar um novo capítulo. Estou aqui na luta para ela me ceder a autoria total da fic, assim, ao menos, a fic poderia continuar, pois eu não abandono as coisas que faço. Torçam também para que ela não desista ou me dê a autoria para continuar!!!
Gostaria também de agradecer a Daniela Nicacio sempre pelos excelentes comentários e pela dedicação comigo *---*.
Kisses!!! Nita.
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