Demônios

15 Capítulo 15: Sorria, irrite-se e arrombe portas


Notas iniciais
Olá!!! Aqui estou eu novamente, me empolguei DEMAIS neste cap, espero que não se importem. Desculpem-me o atraso mas estava viajando e retornei a BH apenas ontem. Gostaria de agradecer a todos vocês pelos comentários e as doze recomendações. Também! Estou compartilhando com vocês que meu time é C.A.M.peão da libertadores rsrsrsrsrs, muita emoção! Bom, boa leitura, este cap contém hentai. O próximo também, no entanto, será NaruHina no próximo.

Sorrindo, Ino prosseguiu em sua tarefa, sentindo os dentes do ruivo em seu ombro direito. Ele estava a fazer o mesmo que ela, mais cedo, havia feito enquanto secava-lhe as costas. Ele não era previsível, tão pouco comum, mas todos os pacatos gestos que ele desferia a ela, eram ao seu modo, de acordo com suas próprias conclusões. Talvez, jamais encontrara um homem de tamanha personalidade antes. Nenhum dos amantes tivera era capaz de se igualar a Gaara. Ele arfava, emitindo fracos gemidos, e tais sons eram como uma singela música aos ouvidos da loira. Era a primeira a dar-lhe a prazer, a primeira a ouvi-lo, a primeira a abraçá-lo.

_ Ino... Pare... – suplicou Gaara, a voz vacilante, rouca, baixa.

Rindo de leve, Ino atendeu o pedido do ruivo, mas, não pretendia atendê-lo permanentemente. Vendo-o tentar normalizar a respiração, a Yamanaka acariciou os fios escarlate dele. Gaara fechou os olhos, apreciava a forma como ela divertia-se com seu cabelo, trazia uma reconfortante sensação. Apertando sua cintura, ele agradecia silenciosamente pelo contato. Contato que ele descobrira não querer se desvencilhar.

Aproveitando a distração do ruivo, Ino retirou a camisa que usava, pertencente a ele, e jogou-a à um local qualquer do quarto, meio-iluminado pelo raios de sol da manhã. Gaara passou a acompanhá-la com os olhos, a pele dela era alva, de aspecto macio e, tão próxima, o fazia recordar da primeira vez em que haviam feito sexo. Jamais sentira algo tão desesperador e agradável antes, era um estranho conjunto, porém, mesmo que eles se fundissem, era bom. Tão bom quanto gelatinas de morango e uva. Despertando de seus pensamentos, o ruivo desviou os olhos verdes aos seios dela, livres, desprotegidos do tecido da camisa. Eram grandes, firmes. Era como se não tivesse os analisado com precisão ainda, mesmo já tendo os visto várias vezes. Ultimamente, tudo nela aparentava ser novo a sua mente, não compreendia muito bem o porquê, mas o era. Ele poderia vê-la de mil maneiras, até mesmo parada em um simples desenho. Abaixando o olhar, Gaara sentia uma breve ideia vir-lhe a cabeça. Um desenho. Não sabia se ela iria ficar contente em ver-se inerte, ela gostava de se mover, de falar, os fazia como se fosse uma alta necessidade. Todavia, ela lhe fazia gelatinas, ele deveria agradecê-la de algum modo. No entanto, quase não se alimentava, não saberia fazer gelatinas, um desenho seria mais acessível a ele.

_ O que foi? – perguntou Ino, intrigada com a expressão pensativa de Gaara. Abraçando-o, ela deixou-se prensar no corpo dele, sentindo a camisa preta que ele trajava tocando-lhe os seios.

_ Eu não sei fazer gelatinas. – constatou o ruivo, desapontado, ansioso pelo que ela diria. Ela ficaria triste por ele não poder agradecê-la corretamente? Não desejava aquilo. Ele conhecia a tristeza, ela trazia dor. Não queria que Ino a conhecesse também. Ela não merecia sentir dor.

Aflito, o ruivo aguardava a resposta. Mas, ao invés de ouvir algo, ele tivera os lábios tomados por Ino. A loira beijava-o com carinho, deslizando os lábios úmidos pelos dele, devagar, em uma tentativa de tranquilizá-lo. Gaara sentia seu corpo trêmulo, nervoso, ainda não havia se acostumado com os toques feitos pelos lábios dela. Entretanto, timidamente, moveu os seus, retribuindo. Ela havia ensinado-o assim, ele deveria mover-se também, não havia se esquecido. Sugando o lábio inferior de Gaara, Ino o deixou buscar por ar. A face dele persistia pálida como de costume, mas ela tinha a ligeira impressão de ter-lhe provocado cor por pequenos instantes.

_ Eu não me importo... Você desenha muito bem, só com isso já me ultrapassa... – respondeu Ino, sorrindo. Era a mais pura verdade. Ela aprendera a fazer gelatinas somente para ajudá-lo, pensando que um alimento de fácil ingestão não iria incomodá-lo, que ele iria comer sem importar-se ou rejeitar o sabor, já que era adocicado. Mesmo que ele dissesse não gostar de doces, ela era a maior fã de açúcar de todo Oriente, duvidava que ele não iria deixar-se levar ao menos uma vez.

Beijando-o no rosto, a loira sorriu travessa, não pretendia pensar em alimentos agora. Somente mais tarde, quando sua outra fome estivesse saciada. No entanto, uma discreta ação dele a fez inibir todo e qualquer pensamento: os lábios dele tinham um leve curvar, Gaara estava sorrindo.

Perplexa, Ino jogou os longos cabelos loiros para trás, não queria que nada a impedisse de ver aquele momento. Ele estava mesmo sorrindo, levemente, mas estava. Não acreditava que enfim havia cumprido uma das promessas que havia feito a si mesma. Não sabia como havia o feito sorrir, nem o motivo dele estar o fazendo, mas, nada tinha importância. Ele estava sorrindo! E, mais uma vez, pegara-a de surpresa. Todas as situações mais cômicas que vivera e relatara a ele não causaram nenhuma alteração positiva em seu rosto e, quando ela menos esperava, ele já havia arrematado-a novamente.

_ Você sorriu!!! – exclamou Ino, eufórica, abraçando-o com força, derrubando-os sobre as tábuas frias do chão.

Assustado, Gaara a olhava com os olhos arregalados. Ela estava feliz por ele ter sorrido? Não acreditava. Não conseguia acreditar. Todos diziam que ele não deveria sorrir, não apreciavam que ele o fizesse. Pensou que ela não iria notar, assim, não iria aborrecê-la também. Mas, ela havia percebido e estava contente. Deixava-o contente.

_ Desculpe... Fiz você bater as costas no chão e te assustei né? Eu não queria que... – ia se explicando Ino, mas Gaara a calara, puxando-a contra si com certa brusquidão não calculada.

_ Eu quero tentar... Sozinho... – proferiu o ruivo, direcionando os olhos aos lábios da Yamanaka.

Ino assimilava as palavras proferidas por ele, sentindo sua respiração se descompassar pela forma como fora puxada. Deveria ter se acostumado com os puxões de Gaara, no entanto, era como se não conseguisse fazê-lo. Trêmulo, o ruivo levou uma das mãos aos cabelos da loira, segurando-os pela nuca. Com a outra, ele apertou-a na cintura, como garantia de que ela não se moveria. Colando os lábios ao dela, Gaara perguntava-se se estaria tocando com os lábios como se deveria, mas Ino pedira-lhe passagem com a língua, aprofundando o beijo com pressa. Ele sentia sua língua roçar na dela, estranhamente se entrelaçando mais uma vez, e deixava-se guiar pelos toques da loira, que os erguia do chão e retirava-lhe a camisa preta.

Acariciando o torso alvo de Gaara, Ino distribuiu longos beijos por sua pele, ouvindo-o suspirar em reação. Ela podia sentir o membro dele, ereto, tocando-lhe a fina calcinha branca que usava. Mordendo o lábio inferior, a loira sentia a areia rodeando-lhe as coxas, adentrando em grande quantidade no quarto. Desconfortável, o ruivo gemeu fracamente, seu membro se enrijecia e o fato trazia desespero, tornando seu olhar turvo. Ele estava aquecendo-se, outra vez seu corpo queimando. Por mais que sorvesse-se de ar, não era o suficiente, mal conseguia respirar. Deitando-o com cuidado no chão, Ino o ajudou a retirar a calça de moletom, que parecia estar incomodando-o extremamente. Sádica, ela voltou a acariciar-lhe o pênis, por cima da box vermelha, vendo Gaara se contorcer em angústia. Estava mais quente do que na primeira vez, era como se estivesse dentro de um grande forno. Os movimentos da mão dela causavam a mesma sensação desesperadora de antes, embriagante, capaz de irritá-lo pela lentidão. Ele almejava por mais, e não pretendia esperar, ou queimaria de vez. Erguendo uma das mãos, o ruivo dominou a areia, apertando as coxas de Ino com força, como já havia o feito. Ela, por sua vez, não pôde conter um fraco gemido de dor, identificando que ele compartilhava de sua excitação.

_ Tire isso. Se não tirar, vou rasgá-la. – ordenou Gaara, se referindo a calcinha branca usada pela loira.

Animada, Ino tirou a peça sem rodeios, fazendo o mesmo com a box vermelha dele. Desta vez, não iria com calma, ele teria de suportar. Com os olhos azuis, brilhantes em desejo, sobre o membro do ruivo, ela sorriu de canto, jogando na mesma moeda, enterrando-se nele sem qualquer espera. Gaara acabou por emitir um grito, ofegante, observando-a puxar-lhe pelos braços para que erguesse o tronco. Suspirando, Ino mantinha seu sorriso mediante aos olhos assustados dele, certamente ele não havia experimentado penetração tão profunda antes, como ela chegava a adorar.

_ Deixe a areia descansar... – instruiu a loira, suave, parando uma das mãos do ruivo, que estava a dominar a areia. Travessa, Ino dirigiu-lhe a mão até seu seio esquerdo. _ Tente você...

Confuso, Gaara olhou-a e retornou o olhar a sua mão, não sabia se conseguiria tocá-la daquele modo, temia que pudesse feri-la. No entanto, ela gemia reagindo ao leve apertar que ele desferia, como se estivesse a aprovar. Ela estava gostando. Sentindo uma pontada de satisfação, Gaara prosseguia, observando a face da loira, que passara a se movimentar sobre si. Ela subia e descia, fazendo seu membro latejar.

_ Ino... – gemeu o ruivo, sôfrego, ofegante.

Cavalgando mais rápido, a loira ouvia os gemidos dele, em vitória, arranhando-o nos braços. O membro de Gaara era grande, e ela poderia senti-lo por inteiro, com força. Não gostaria que ele parasse com suas carícias, mas, ela já o sentia sem forças, imerso em prazer. Abraçando-o, Ino o ajudou a se sustentar, sussurrando-lhe tudo que passava-lhe pela cabeça, sem se importar em manter um vocabulário considerável. Ele se assustava com suas palavras, mas inconscientemente parecia se excitar mais. Diante disso, a loira o sentia crescer em si, indicando que gozaria. Em um gemido rouco, Gaara sentiu a mesma sensação desesperadora lhe invadir de modo abrasador, repentino. Ino movimentou-se sobre ele mais algumas vezes, contraindo-se em um doloroso orgasmo em seguida. Arfando, ela repousou sua cabeça no peito alvo dele, ouvindo seu coração bater acelerado.

_ Está... com dor? – perguntou Gaara, rouco, sentindo toda extensão de sua virilha tornar-se úmida. Ela tremia, assim como ele, mas aparentava estar a tremer mais. Tinham de sair dali, não queria que ela sentisse dor.

_ Não... – respondeu Ino, rindo. Ele estava a analisar suas atitudes mais uma vez.

Porém, o riso da Yamanaka morrera ao notar o mesmo filete de sangue que partira dos lábios dele como na primeira vez em que transaram. O demônio estava a puni-lo, em breve ele passaria mal. Desesperada, Ino o auxiliou a retirar-se de dentro de si. Pondo-se de pé, ela o rodeou pela cintura, guiando-o até o banheiro.

Gaara sentia seu estômago se revirar em dor, como se estivesse a ser dilacerado. Em pânico, ele segurou com força nas barras da pia, sentindo o sangue, ácido, subir em sua garganta.

_ Calma... Gaara... Vai passar... – falava Ino, abrindo a torneira da pia.

O ruivo permanecera a vomitar por longos minutos, até que, fraco, tivera de ser erguido por Ino, que encaminhava-o ao chuveiro. Ele precisava de um banho para se acalmar, em seguida precisaria urgentemente comer alguma coisa, ele estava desde o dia anterior sem se alimentar. Nem que tivesse de fazer cem tigelas de gelatinas, ela faria, não iria deixá-lo naquele estado. Colocando-o debaixo da água morna, ela o olhou. Os olhos dele que, por alguns instantes transpareceram desejo, haviam voltado ao opaco costumeiro, combinados a uma intensa dose de agonia e dor. Molhando-se na água também, ela o abraçou, sentindo-o respirar com mais calma após algum tempo.

_ As pessoas costumam fazer isso? – interrogou Gaara, o tom de voz praticamente inaudível.

_ Após fazerem sexo, sim... – respondeu Ino, sorrindo, compreendendo ao que ele se referira. Gaara jamais deveria ter tomado banho com outra pessoa, era natural que ele estranhasse sua presença. _ Quer que eu saia?

Ele não respondera a sua pergunta, escorara-se no box trincado e repousara a cabeça em si, respondendo a sua maneira.

XXX

Sakura encolhia-se na enorme cama do quarto. Não havia nada pior do que aqueles dias do mês, ela simplesmente não se levantava da cama caso não tivesse alguma missão na agência. Porém, ela já estava em missão. Sasuke havia ido tomar banho e, assim que ele retornasse, iria implorá-lo para que a deixasse ir até a farmácia. Deixar... Sentia como se sua tão clamada independência estivesse sendo violada com aquela conclusão, no entanto, nada poderia fazer. Teria mesmo que esperar que ele permitisse que fosse comprar absorventes, com urgência! O absorvente reserva que tinha na bolsa já estava sendo usado, estava de mãos atadas. Além disso, estava com fortes cólicas, teria de comprar um remédio também. Não pretendia que o Uchiha se enfurecesse como da última vez, em que ela saíra para encontrar com Hinata e Ino. Não estava com a cabeça lúcida para tolerá-lo aborrecido com ela, iria acabar tendo uma feia briga com ele e aí sim tudo sairia dos trilhos. Teria de pedi-lo para ir a farmácia, para que transtornos fossem evitados. Uma incrível controversa... Ela não pedia permissão a ninguém há vários anos, desde que deixara a casa de seus pais. E, agora, teria de se submeter àquele papel.

Suspirando, a Haruno desviou os olhos para a camisola cor de rosa, feita em seda, que trajava. Não acreditava que ele realmente havia comprado aquela cara peça para ela. Ficara em ação quando, na madrugada passada, ele lhe relevara que o tecido não pertencera a sua mãe. Jamais o vira sorrir tão abertamente quanto naquele momento, ao constatar que, ela havia gostado do presente. De fato havia mesmo gostado do presente. Há anos não ganhava um. Naqueles poucos minutos... Ele havia deixado todas as suas muralhas de lado... Todo o peso que aparentava carregar em função da tragédia da família... E olhara-a de modo simples, sereno, não utilizando dos olhos vermelhos e, sim, dos olhos ônix que ela aprendera a se perder.

_ O que houve? – a grave voz de Sasuke tomara o ambiente. Impotente, ele tinha os braços cruzados acima do laço do roupão azul. Colocando-se de frente para Sakura, ele olhou-a confuso. Não compreendia porque ela ainda estava deitada, muito menos o motivo dela estar a encolher-se debaixo dos lençóis.

_ Preciso ir a farmácia, Sasuke. – afirmou a rosada, gemendo baixinho. As cólicas estavam insuportáveis. Notando o olhar interrogativo do Uchiha, Sakura tentou ser mais clara: _ Estou sangrando. Tenho que ir a farmácia de qualquer jeito! – irritou-se ela, o silêncio dele estava a incomodá-la profundamente.

Sangrando? Farmácia? Assustado, Sasuke manteve-se calado, tentando organizar sua mente. Ele havia machucado-a na noite passada, era a única alternativa que lhe vinha na cabeça e o fato o deixava aflito. Não pretendia feri-la. Em desespero, o Uchiha olhou para todos os cantos do quarto. Não sabia o que fazer, tão pouco como faria para se desculpar.

_ Eu sinto muito... Não queria machucá-la... Eu... – dizia Sasuke, perdido.

_ Sasuke! Calma! Você não feriu, eu estou menstruada. É apenas isso. Preciso de absorventes e de um remédio para cólicas. – explicou Sakura, segurando-lhe o braço.

Como se uma boa dose de alívio lhe percorresse as veias, o Uchiha permitiu-se suspirar. Ao menos, não era nada tão grave quanto imaginava. Mesmo que em sua família houvesse tido uma grande maioria masculina, sua mãe, apesar de muito discreta e gentil, passara por situação semelhante. Lembrava-se vagamente dela proferindo palavras como aquelas, em uma tarde que ele tentara impedi-la de ir a farmácia, chorando, supondo que algo terrível estivesse a acontecer.

_ Eu vou a farmácia por você... – proferiu Sasuke, olhando-a.

_ Não! EU tenho que ir a farmácia! Sasuke! Eu estou falando sério! – exclamou Sakura, levantando-se bruscamente da cama e olhando para o Uchiha com a face estampando que não estava para muitos amigos.

Calado, Sasuke se surpreendeu como o modo arredio com que ela falara consigo, encaminhando-se a suíte e, batendo a porta sem demora. Caminhando lentamente, ele deu três batidas suaves na porta do cômodo, aguardando, paciente.

_ Sakura... Não foi minha intenção aborrecê-la. – afirmou o Uchiha, ponderado.

Abrindo a porta, a rosada o encarou, nervosa, com os braços na cintura. Divertindo-se, Sasuke a trouxe ao seu encontro, abraçando-a.

_ Acho que você quem tem de se acalmar... – comentou Sasuke, zombeteiro, ouvindo os pés dela baterem-se contra a madeira, semelhante a uma criança birrenta.

_ Idiota! – rebateu Sakura, esmurrando-o no ombro.

Mantendo a postura impassível, o Uchiha não importou-se com o golpe, acariciando os róseos cabelos daquela junto de si. Se ele precisava ir a farmácia, então que fosse a farmácia, sozinha como ela havia exigido. Não queria vê-la encolhida a sentir dor outra vez. Sorrateiro, ele a deixou, indo até a grande cômoda de madeira polida do quarto. Abrindo a última gaveta, retirou uma coroa feita com flores de cerejeira, que ele ganhara na manhã passada, enquanto comprava a camisola que ela estava por trajar. Levando-a até ela, Sasuke colocou-a sobre seus cabelos.

_ Para a mais bela irritada de Konoha. – dedicou o Uchiha, sorrindo, singelo.

XXXX

Ouvindo ao chamado, Neji se virou, lento. Era bom que Hinata tivesse plausíveis explicações a lhe dar, ou a situação passaria do saudável e cordial. Deixando que as mechas castanhas, lisas, fossem guiadas pelo vento, o Hyuuga observou a prima, perplexa, acompanhada de um rapaz loiro. Rapaz que não tinha noção alguma de como deveria se vestir, o casaco laranja portado por ele era horrível! Estava parecendo um moleque que acabara de sair do colegial.

Rangendo os dentes, Naruto não desviava os olhos do prepotente cara que lhe olhava com certa superioridade. No entanto, se ele desse mais alguns passos, mostraria quem era o superior ali. Apenas aquele cabelo esvoaçante já daria uma bela de uma vitória à ele, não seria difícil arrancar fio a fio. Frustrado, o Uzumaki suspirou. Mesmo que seu sangue estivesse a ser ativado por cólera, não deixava de se sentir frustrado. O que diabos ele estava fazendo em Konoha? Porque não ficou em sua amada metrópole? Somente para lhe estragar o dia? Era revoltante... Nunca fizera um piquenique antes, e quando iria o fazer, um almofadinha tinha de surgir da terra como um morto-vivo.

Observando a cena, Tenten permaneceu em seu lugar. Tinha de ir a Konoha, logo seu expediente começaria na loja e não pretendia ouvir as reclamações de Karin, mas, sentia um clima tenso pairar sobre o ar, temia que uma briga ocorresse. Era melhor ficar ali e aguardar o que o forasteiro iria fazer. Pelo visto... A moça de cabelos azulados era uma das pessoas que ele tinha de urgentemente encontrar.

_ Hinata... É melhor que me explique JÁ... Não, irá me explicar tudo mais tarde, junto daquelas duas irresponsáveis. Avise a Sakura e Ino. Em qual hotel está hospedada? – se manifestou o Hyuuga, autoritário, aproximando-se e cruzando os braços em represália.

_ Hey seu almofadinha! Não fale assim com a Hinata!!! – exclamou Naruto, avançando alguns passos sobre a estrada em terra batida.

_ Tudo bem Naruto! Eu tenho mesmo que conversar com meu primo. – interveio Hinata, despertando de seu breve transe, ocasionado pela surpresa em ver Neji, ali, caminhando sobre uma estrada deserta, a gastar seus sapatos italianos.

_ Você não tem nada para conversar com esse sujeito! Olha só para ele Hinata, não se deve gritar com uma mulher assim, quem ele pensa que é?! – argumentou Naruto, revoltado.

_ Naruto está tudo bem! Se acalme! – pediu Hinata, tocando-o no antebraço, em menção de impedir que ele partisse para cima de Neji.

_ Quem é essa aberração laranja? – indagou Neji, olhando diretamente para Hinata.

_ Você vai ver quem é a aberração seu almofadinha!!! – gritou Naruto, sendo segurado por Hinata.

_ Neji vá na frente! Mais tarde eu lhe alcanço! Estava hospedada em um hotel no início da cidade, será fácil de achar! Agora, por favor, pare com isso! Este é o Naruto, um grande amigo, estou passando uns dias na casa dele. – explicou Hinata, aflita.

Notando o ferver nos olhos azuis do loiro, Tenten achou melhor por também tentar apartar aquela situação, a pobre moça aparentava estar desesperada. Aproximando-se, a morena segurou firme em sua bolsa estampada, trançada em tecido oriental.

_ Ainda quer que eu o leve a cidade, forasteiro? Não tenho muito tempo... – proferiu a Mitsashi.

Bufando em protesto, Neji olhou-a. Tinha de encontrar o tal hotel o mais rápido possível, ainda tinha de encontrar rede e sinal para seus equipamentos e, naquela estrada, era mais do que claro que não encontraria. Era melhor não prolongar aquela situação. Não pretendia ficar em companhia daquele loiro intragável. Mais tarde cobraria de Hinata as devidas explicações, inclusive sobre aquela história dela estar hospedada na casa daquele garoto. Ela estava em missão, não de férias no campo.

_ Vamos a cidade... Hinata, mais tarde terá que me dar todas as explicações. Uma a uma. – decretou o Hyuuga, dando as costas e voltando a caminhar, sendo acompanhado por Tenten, que comemorava internamente pelo confronto evitado. Odiava qualquer tipo de discussão ou briga. Como uma fiel moça de Konoha, ela também repudiava toda e qualquer violência. Nunca se alcançava nada utilizando daqueles meios.

Respirando dolorosamente, Hinata virou-se na direção de Naruto, no entanto, o loiro já estava distante, caminhando a passos duros.

Grande amigo? Então era isso que ele era para ela? Cerrando os punhos, Naruto tinha a pior das faces, contendo seus olhos que, estavam a marejar. Todos os dias que passaram não significava nada para ela, talvez... Ele não significasse também.

_ Naruto!!! – chamou Hinata, correndo atrás do loiro, que retornava para sua casa. _ Naruto espera!!!

Mas, apesar de todos os seus gritos, ele não parara, adentrando a casa e trancando a porta, deixando-a só a poucos metros da entrada. Sentindo o peito se contrair, Hinata sentou-se no chão de terra, não importando-se com seu vestido azul. O que faria agora? Como iria explicar tudo a Naruto? Ele estava magoado consigo e, aquela constatação provocava-lhe lágrimas.

XXX

Assistindo ao anoitecer, Neji tinha as mãos sobre o parapeito da janela do quarto em que se hospedara. A brisa da noite naquele fim de mundo parecia ser mais gélida, assim, como a lua, que parecia mais vívida. Ela trabalhava em uma simpática loja de roupas femininas, e os olhos castanhos, brilhantes, que ela carregava não saiam-lhe da mente. Jamais vira olhos como os dela. Os seus eram pálidos, sem brilho algum e mesmo que todos dissessem que os olhos dos Hyuuga eram os mais belos do Oriente, agora já não mais acreditava.

_ Como vai insuportável? Porque nos deu a desgraça de aparecer por aqui? – Ino interrogou ao adentrar o quarto acompanhada de Hinata e Sakura. Não acreditava que ele estava mesmo em Konoha. Era como se um pesadelo virasse realidade. Odiava as críticas de Neji, não conseguia crer que novamente teria de agüentá-las.

_ Poupe-me das suas gracinhas Ino... Vocês me devem explicações. – afirmou Neji, virando-se e escorando os cotovelos preguiçosamente na janela.

_ Neji... – ia começando Hinata, no entanto, a loira a interrompera.

_ Não devemos explicação alguma!!! Primeiro, esta missão está cotada para nós! Nós!!! Foi você quem quis vir para cá!!! E segundo, nossa superior é a Tsunade, não você!!! – exclamou Ino, cruzando os braços por cima do colado vestido cor de rosa, que terminava acima da metade de suas coxas.

_ Vocês me devem explicações SIM!!! Por exemplo, porque não atenderam a todos os meus chamados?! Um agente deve carregar seu comunicador consigo, e não largá-lo na primeira esquina!!! – se enfureceu o Hyuuga.

_ Não atendemos pois você estava chamando em seguida!! E, caso não se lembre, toda vez que fazia isso era porque havia batido um de seus carros, e isto não nos interessa, Neji! Estamos em missão! Não tínhamos tempo para seus ataques, com todo respeito. – argumentou Sakura, sentando-se na cama no centro do local.

_ Ataques?!?! Eu fiquei horas a procura de vocês!!! – evidenciou Neji.

_ Problema seu! Não tinha nada que estar aqui! – rebateu Ino.

_ Gente! Vamos parar com isso! Nós devemos explicações sim! Ainda não enviamos relatório algum a agência e é por isto que veio não é primo? – indagou Hinata, sentando-se ao lado de Sakura.

_ Na verdade vim para checar as coisas. Mas... Pelo que estou vendo... Tudo está bem mais fora de controle do que imaginava... Agora moram com os demônios? – interrogou Neji, dando alguns passos à frente. Aquilo não estava na missão. Elas certamente estavam se apegando aos seres mais temidos de todo Oriente. Seres que deveriam ser eliminados para a paz.

_ Temos de ganhar a confiança deles. Não importa como. – respondeu Sakura.

_ Mas não irão passar todo o dia com eles. Precisam fazer os relatórios e discutir a respeito da missão. Escolham, ou passam o dia, ou passam a noite com eles. – decretou o Hyuuga, era o mais sensato a se fazer.

_ Eu já ouvi demais! Não vou perder meu tempo ouvindo você achar que manda em alguma coisa! Gaara está com febre e não posso deixá-lo sozinho! – exclamou Ino, dirigindo-se a porta do quarto.

_ Gaara? Já o chama pelo nome? Ele é um demônio! E esta com febre é? Virou enfermeira dele, loira? – ironizou Neji, tranquilo, assistindo-a retornar e encará-lo com fúria.

_ Isto não é problema seu!!! Vá quebrar seus carros importados!!! Eu não vou ficar aqui ouvindo esta sua voz insuportável! – despejou Ino, sentindo seus cabelos loiros caírem por seus ombros.

_ Escolha loira, ou o dia, ou à noite. Se não tiverem tempo para se dedicarem aos relatórios irei informar a Tsunade, isto é parte da missão de vocês. – afirmou Neji, impassível.

Sakura e Hinata permaneceram em silêncio. Teriam de se submeter à ordem de Neji, não haviam feito nenhum relatório e, de fato era parte crucial da missão.

Em cólera, Ino deu as costas e saiu do quarto, batendo a porta com força e descendo as escadas do hotel com afobação. O que diria a Gaara? Como iria deixá-lo metade do dia sozinho? Teria de arrumar uma desculpa a contra gosto. Mas, no momento, não pensaria em nada. O ruivo não estava conseguindo se colocar de pé, estava com febre alta e os vômitos mais frequentes.

Saindo do hotel, a loira caminhou apressada pela calçada. Entretanto, um chamado a fizera parar.

_ Hey loira, quanto você cobra? – indagou um homem, observando-a, malicioso.

Sorrindo, Ino se virou, aproximando-se daquele que lhe olhava.

_ Eu não cobro, costumo presentear de graça homens como você... Com um chute! – completou a Yamanaka, colocando suas mãos sobre o chão e derrubando-o com a pressão de seus pés no pescoço dele. Erguendo-se novamente, Ino ajeitou seus cabelos, caminhando até o homem. _ Estou bondosa hoje e não irei torcer o pescoço. – completou ela, acertando seu sapato púrpura por entre as pernas do homem, que proferia diversos palavrões.

Suspirando, Ino voltou a caminhar, atravessando a rua em direção à estrada de terra que dava a propriedade de Suna. Não iria parar de se vestir ao seu modo somente pelo que os outros achavam, mas, havia sido ferida. Não era uma prostituta. Desviando os olhos para o trajeto, ela avistou Hinata, correndo com toda as suas forças, em direção à mesma estrada para que iria.

_ Vadia!!! – o homem ainda lhe desferia ofensas e, aparentava estar cada vez mais próximo.

Virando-se, a loira avistou uma sombra negra puxá-lo pelo colarinho e desferir a ele uma série de socos.

_ Sasuke!!! – a voz de Sakura se fizera presente, somente então reconhecera aquele que estava a lhe salvar. Era o Uchiha. O alvo de Sakura.

Erguendo-se, Sasuke olhou rapidamente para a amiga loira da Haruno. O homem iria matá-la se não tivesse chegado a tempo, ele tinha uma faca em punho. Assim como ele, aquele que havia marcado-a deveria passar a segui-la, a loira certamente estaria sempre em perigo nas mãos dos lenhadores de Konoha.

_ Sasuke! O que está fazendo aqui?! – indagou Sakura, ofegante, aproximando-se do Uchiha.

_ Protegendo você. E a suas amigas. – decretou Sasuke, trazendo-a para si.

_ Obrigada... – agradeceu Ino, sorrindo, observando a maneira possessiva como Sakura havia sido arrematada. Jamais pensara e ver a amiga sempre tão auto-suficiente, render-se tão fácil.

XXX

Derrubando a porta da casa de Naruto com o atrito de um de seus pés, Hinata adentrou-a sem rodeios, encontrando o loiro sentado sobre o sofá, com os olhos incrédulos diante da atitude tomada por ela. Aproximando-se, a Hyuuga se abaixou, colocando os olhos perolados sobre a imagem dele. Seus olhos estavam avermelhados, ela não acreditava que havia o feito chorar. Mesmo que a insegurança estivesse a lhe consumir por dentro, ela retirou os braços de Naruto, que estavam a rodear-lhe os joelhos, e sentou-se em seu colo. Atônito, o Uzumaki a observava, sentindo-a tocá-lo suavemente no rosto.

_ Naruto... Não é apenas um grande amigo para mim, é muito mais que isto. Desculpe-me por tudo mais cedo, não queria que ficasse triste. Neji é assim mesmo, sempre foi. – afirmou a Hyuuga, sincera, sentindo suas bochechas arderem.

Exibindo um grande sorriso, Naruto apertou-a na cintura, aproximando-a mais de si.

_ Seu primo é um almofadinha... Mas é o primo mais sortudo do Oriente. – se manifestou o loiro, contente, sentindo seus lábios serem pressionados pelos adocicados lábios dela.

XXX

Observando seu sangue manchar o chão do quarto, Gaara tinha as mãos sob a cabeça. A voz estava a gritar por horas e, sem forças, ele não conseguia se levantar daquela cama. Ino não voltava e ele a queria ali, com ele. Estava se desesperando com sua ausência. Estava acostumado a passar seus dias sozinho, no entanto, desde que ela chegara, não queria mais que aquilo ocorresse. Descobrira apreciar a presença dela mais do que poderia descrever em sua mente. Não queria sentir-se sozinho outra vez.

Estava a olhar a porta desde que ela saíra. Não tocara na jarra de soro que ela havia preparado nem mesmo nas tigelas de gelatina que ela fizera. Somente estava a esperá-la, ouvindo a voz gritar furiosa em sua cabeça.

Subindo as escadas, Ino logo se encaminhou ao quarto, aflita. Torcia para que a febre do ruivo tivesse passado. Adentrando o cômodo, ela o viu ainda deitado na cama, mas, não havia tomado uma gota do soro e nem tocado nas gelatinas. Deixando os sapatos no chão, a loira se deitou ao lado dele.

_ Como está se sentindo? – indagou Ino, acariciando-o na face. _ Gaara... Tenho algo a lhe dizer. Arrumei um emprego. – mentiu ela.

Notas finais
Gostaria de convidar a todos vocês para lerem Coração de Tinta, uma fic do qual sou coautora e amei o enredo, pertence a Mística, uma grande amiga minha. Irei jantar agora e logo logo volto para responder aos reviews do cap passado.
Kisses, Nita.