Demônios

10 Capítulo 10: Aprenda, veja as estrelas e fuja


Notas iniciais
Olá!!! Este capítulo será dividido em duas partes. Aviso: contém hentai. Ah!! Estou indo lá agora responder os reviews do capítulo passado, aliás, gostei bastante todos os comentários!! Vocês são mesmo leitores muito nota dez *-*, agradeço a todos. Good read.

Ino sentia-se estática. Os olhos azuis a encararem os verdes sempre tão opacos estavam mais do que surpresos pela ação desferida pelo ruivo. Ele olhava-a inexpressivo, como se puxá-la pelas pernas daquela forma tão convidativa não passasse de uma simples atitude, como se fosse o mesmo que tomar um copo de água. O que ele queria? Era o que questionava-se a loira, analisando a face pálida, de lábios avermelhados, assim como os cabelos vivamente escarlate daquele a poucos centímetros de si. Ela tentava soltar o ar devagar pelos lábios entreabertos, ainda sentindo o coração descompassado pelo susto que levara. As mãos frias dele, como no dia em que fizera o mesmo naquele pequeno banheiro, tinha uma postura firme, algo que contradizia o olhar marcado, dolorido, e a inocência que parecia exalar dele. Presa, era daquela maneira que a loira sentiu-se por míseros instantes. Completamente presa nas mãos que a seguravam e nos olhos que não se desviavam dos dela.

_ Quer um abraço? – questionou Ino, deduzindo que o ato dele apenas poderia significar isto: ele desejava um abraço.

Porém, ela estava errada. Confuso, Gaara não entendia o porquê da pergunta. Ela estava a sentir dor e interrogava se ele quem queria um abraço?

_ Não merece sentir dor. – respondeu o ruivo em seu tom de voz rouco, concentrado nos olhos azuis que também olhavam-no em interrogação.

Dor? Ela não estava sentindo dor, apenas, frio. Frio... Ele havia confundido suas reações ao frio com a hipótese de que ela estava a sentir dor. Ela havia tremido, como ele quando sentira dor mais cedo em função do ataque do demônio. Ele levava como base suas próprias ações para tentar interpretar as dela. Sorrindo, comovida pelo gesto de Gaara, Ino teve sua mente invadida por mais uma questão: merecer?

_ Você merece? – perguntou a loira em tom apreensivo, encarando a face pálida do ruivo, que tornou-se levemente cabisbaixa, dando aos olhos verdes o mesmo brilho de dor que ela vira outra vez.

_ Eu faço coisas ruins as pessoas, não sei fazer muito além de ferir os outros. Já estou acostumado à dor... – respondeu Gaara, em fio de voz, ansioso pelo que a Yamanaka diria. Ele receava. Temia que ela não fizesse mais a dor passar somente por achar que ele estava acostumado. _ ... Você tira a dor, por isso, não merece senti-la.

As palavras do ruivo adentraram aos ouvidos de Ino de modo lento, como se a mesma não estivesse crendo no que estava a ouvir. Ela sentia o peito contrair levemente devido as primeiras palavras dele. Ele quem não merecia toda aquela dor, todo aquele inferno particular que o rondava, que o dilacerava todos os dias. Rodeando os braços em volta da nuca dele, ainda um pouco úmidos por conta do banho recém tomado, a loira tratou de aproximar-se mais. Ele havia passado por um pesadelo real naquela manhã, ela queria livrá-lo de toda aquela agonia, mesmo que momentaneamente.

_ Você não faz coisas ruins Gaara, você não tem culpa... Não merece dor alguma. – afirmou Ino, segura, deslizando as unhas esmaltadas pelos ombros do ruivo, em uma carícia, afim de tranquilizá-lo.

Ela tirava a dor? Sorrindo travessa, Ino perguntava-se o que ele realmente estava querendo dizer com aquilo. Todavia, era como se não importasse. Se de alguma forma ela retirava a dor, ela iria persistir, havia assegurado a si mesma que iria ajudá-lo e que, em breve, faria-o sorrir nem que tivesse que utilizar dos mais incomuns artifícios.

Gaara mantinha os olhos no rosto alvo que diversas vezes, sorria, como se pensasse mil e uma coisas em menos de um segundo. Ela havia dito que ele não fazia coisas ruins, que não possuía culpa, no entanto, ele sabia que o tinha. Ele somente sabia ferir, afastar todos dele, a vida toda fora assim. Mas, era agradável ouvir aquelas palavras dos lábios úmidos dela. Era agradável vê-la demonstrando que ainda acreditava nele. Os lábios dela... Deixando os olhos recaírem sobre eles, o ruivo novamente sentiu a sensação estranha no estômago, a sensação arrepiante, como ele havia denominado. Lembrava-se do instante que ela tocara-lhe usando deles... O úmido, o macio, o acalento... Era como se sua pele pudesse sentir outra vez aquele toque que aquecia, assim como qualquer outro desferido por ela.

Notando os olhos dele, curiosos, sobre seus lábios, Ino retirou com cuidado suas mãos dos ombros cobertos dele, levando-as ao abdômen do ruivo, onde lentamente as deslizou até sua cintura. A respiração já descompassada, Gaara acompanhava os movimentos dela com os olhos. Curvando o rosto em direção ao pescoço alvo dele, Ino olhou-o por poucos segundos. Sentindo a proximidade dos lábios rosados dela, úmidos, com seu pescoço, o ruivo já sentia o corpo tremer com mais intensidade, e a respiração transformar-se em ofegos quase sôfregos. Uma enorme ânsia de sentir aquele contato tão diferente outra vez, tomara conta de todo seu corpo, fazendo-o não se manifestar ao olhar dela, cedendo-lhe assim a autorização que ela precisava. Fechando os olhos, Gaara sentia os lábios dela encostarem-se ao seu pescoço de modo calmo, suave. Era realmente desesperador. A sensação em seu estômago aumentava gradativamente, e ele não conseguia crer como utilizar os lábios no lugar das mãos para tocar poderia ser tão... Estranho, porém, muito agradável, trazendo também mais uma ânsia: que aquilo não se extinguisse nunca.

Vendo-o involuntariamente curvar o pescoço para trás, a loira sorriu sapeca, também aproveitaria aquela situação. Movendo desta vez a língua, em um movimento desejoso, Ino sentiu-o tocar-lhe nos braços, como se fizesse menção em afastá-la, mas, ele não o fez. Em situações normais, Gaara certamente teria afastado a loira, e sairia correndo assustado em seguida. Entretanto, ele não estava em suas condições normais, e tinha consciência disso. Ele mantinha-se imóvel, os olhos demonstrando um misto de surpresa e espanto devido ao gesto da loira.

Acariciando a cintura dele afim de não assustá-lo tanto, Ino continuava a beijá-lo ávida em seu pescoço. A pele fria dele era embriagante, assim como as arfadas que ele parecia não controlar. Ela queria-lhe arrancar um gemido, para saciá-la por aquele instante, seu corpo ressoava para que o fizesse gemer. Tomando certa precaução para não deixar uma marca tão extensa na pele pálida dele, a loira deu-lhe um chupão leve, suficiente para arrancar um gemido rouco do ruivo, que arregalara os olhos mediante a nova sensação.

Erguendo a cabeça e deixando o pescoço de Gaara, Ino permitiu-se sorrir, passando a língua pelos lábios em uma de suas típicas travessuras. Encarando-a assustado, o ruivo sentiu-a curvar novamente a cabeça, porém, para repousá-la em seu peito.

Puxando o grosso cobertor para envolvê-los mesmo sentados, Ino dedilhou com uma dose de carinho o braço esquerdo de Gaara, que ainda continham os pequenos cortes sofridos mais cedo. Fazendo-o inclinar-se mais sobre o travesseiro atrás de si para que descansasse, ela desejou:

_ Boa noite...

Nunca haviam-lhe desejado boa noite. Suspirando em alívio, o ruivo sentia-se acalentado, e, para agradecê-la, apertou de leve a fina cintura que ainda estava sob suas mãos. O corpo ainda parecia estar recuperando-se daqueles toques jamais sentidos antes, mas, não arrependia-se. Ele descobrira que além de retirar a dor com as mãos, ela conseguia o fazer com os lábios.

_ Boa noite. – disse Gaara, repetindo a frase dela várias vezes em sua mente. “Boa noite”. Era seu primeiro “boa noite” e, gostaria que ele não sumisse de sua memória.

XXX

Apoiando as finas mãos na gélida parede atrás de si, Sakura sentia a respiração pela primeira vez, sair do habitual automático e calmo. “Desista... Não vai mais sair daqui”. O que ele havia tentado insinuar com aquelas palavras? A manteria presa ali? Sentindo o corpo forte, trabalhado e impotente a prensar o seu contra a parede, era como se a Haruno não conseguisse raciocinar com perfeita lucidez. Ele havia voltado aos olhos ônix, sempre nebulosos, e aquele olhar a colocava em uma condição nunca antes imposta: a de refém. Ela estava refém daquele que, de alguma maneira, fazia-a perder os sentidos.

_ Irá me manter presa aqui? – perguntou Sakura, a voz falha, ofegante.

Concentrado nos olhos esmeralda levemente arregalados que olhavam-no sem aparentar qualquer desespero, o Uchiha apertou as fortes mãos que detinha envolta da cintura fina de Sakura. Era sua resposta silenciosa. Ele não permitiria que ela o deixasse, que fugisse dele. Ele a marcaria como dele, assim, jamais ela poderia se esconder, não importava onde estivesse, ele a acharia.

Sentindo o corpo forte contrair-se mais sobre o seu, Sakura emitiu um grunhido. As coxas apertadas contra as dele, os seios médios abaixo da blusa em renda e do casaco cor de rosa, esmagados contra o torso evidentemente definido do Uchiha. Os olhos dele emitiam um brilho desconhecido, que ela não conseguia decifrar, fazendo-o curvar os lábios em um sorriso de canto, semelhante a um predador a encurralar sua presa.

Tentando mover os braços para afastá-lo, a rosada viu-se sem forças. Nunca iria conseguir empurrar alguém tão forte na condição em que estava. Trovões furiosos e um imenso clarão invadiu a enorme e majestosa cozinha, anteriormente iluminada a meia-luz. Furioso, Sasuke levou uma das mãos aos cabelos curtos e sedosos de Sakura, puxando-os para trás. Vê-la tentando afastá-lo, temendo-o como fizera com o antigo castiçal, trazia a pior das raivas.

_ É melhor não tentar isso. – afirmou Sasuke, o tom de voz grave carregado de ira.

Tentando silenciar um gemido pela dor em sentir os cabelos sendo puxados daquela maneira, Sakura olhou-o. Ao encontrar novamente os olhos ônix, ela falhou, não conseguindo conter mais o gemido de dor. Ouvindo-o, o Uchiha soltou-lhe os cabelos, não pretendia machucá-la. No entanto, iria marcá-la como sua. Não iria correr o risco dela deixar-lhe como todos um dia haviam feito.

Tomando os lábios rosados de Sakura com certa urgência, Sasuke sentiu a força que continha nas mãos ser esvaziada. Sentindo a língua dele pedindo passagem, Sakura cedeu, jamais havia sido beijada com tamanha volúpia antes. Estava mesmo presa a ele, àquela atmosfera feroz que parecia ocupar todo o ambiente.

Erguendo a ponta dos pés, a Haruno tratou de corresponder ao contato que assemelhava-se ao vício. Mordendo de leve o lábio inferior dela, Sasuke findou o beijo. Ela já tinha a primeira marca. Sorrindo, com os olhos tomados pelo desejo de marcá-la, ele ergueu-a pela cintura com brutalidade, colocando-a sobre a grande pia de mármore da cozinha.

Ofegando, Sakura sentiu outra vez os lábios exigentes do Uchiha contra os seus, enquanto as mãos fortes seguravam-na pela cintura com possessão, domínio. Deslizando as finas mãos pelos cabelos em ébano, Sakura também exigia daquele contato. Os raios e trovões no céu eram como o próprio reflexo do desejo de Sasuke, cada vez mais contínuo. Ela não fugiria dele, não iria permitir de modo algum que aquilo ocorresse.

Em apenas um movimento, Sakura sentiu seu casaco cor de rosa ser tirado e jogado em um canto qualquer pelo Uchiha. No entanto, o que ele fizera com a blusa rendada que trajava causou-lhe uma alta exclamação de surpresa e espanto. Sem muito esforço, Sasuke rasgara o tecido ao meio, e retirou-lhe o sutiã azul em seguida. Sentindo a cintura ser apertada com mais violência e os seios serem envolvidos por mãos impotentes, Sakura arfou, fechando os olhos. Os sons emitidos pelos lábios levemente inchados dela faziam os olhos de Sasuke tornarem-se vermelhos outra vez, tomados por uma pressa imensa. Os músculos adquiriam mais força, o corpo ardia almejando marcá-la por completo.

Abaixando a fronte, o Uchiha sugou com violência um dos seios da rosada, tão alvos, intactos, tentadores. Ele iria marcá-los. Mordendo o lábio inferior, Sakura abafou um grito, sentindo a mesma língua exigente envolver-lhe um dos mamilos túrgidos em função do desejo. Apertando o outro com força devido as reações causadas pelo grito abafado, Sasuke sentia seus verdadeiros olhos cada vez mais presentes, não iria conseguir controlá-los por muito mais tempo. Com a segunda marca, os raios e trovões tornaram-se muito mais audíveis, o sangue corria-lhe pelas veias muito mais rápido e o membro chegava a latejar de tamanha excitação. Retirando com desespero a camisa azul anil que usava, Sasuke retornou a tomar os lábios daquela que estava fazendo-o perder o controle.

Apreensiva, Sakura correspondia o beijo com menos intensidade. Os olhos dele estavam vermelhos outra vez e, sentia que se quisesse, ele poderia matá-la. Entretanto, todo e qualquer outro pensamento que pudesse ter fora anulado pela forma bruta como ele retirara sua calça jeans e, com outro movimento, rasgara sua delicada calcinha. A respiração dele era mais audível que a dela, fazendo-a descrer em como alguém poderia sentir tanto desejo. Ouvindo mais um raio aterrorizante, Sakura teve a prova legítima de sua tese, assistindo-o livrar-se das próprias calças também, junto da cueca box branca que exibia um volume descomunal. Arregalando os olhos, a Haruno encarou o membro do Uchiha completamente assustada, nenhum dos parceiros que tivera antes possuía um membro tão grande e, grosso, totalmente ereto como demonstração do quanto estava excitado. Perdida no susto, Sakura voltou a si assim que sentiu sua mão ser puxada do mármore da pia, sendo envolvida no enorme membro de Sasuke, que proferiu algo pelo qual ela não pôde reconhecer ou ouvir com precisão. Percebendo os olhos vermelhos serem fechados e os lábios dele emitirem um suspiro de prazer, Sakura sorriu de canto, ele estava descontrolado, porém, ela também fervia no mesmo desejo que ele. Apertando levemente o membro rígido em suas mãos, ela o ouviu gemer pela primeira vez, motivando-a a movimentar a mão por toda aquela extensão, determinada a ver até onde ele poderia ir. Friccionando a ponta, a Haruno divertia-se, mantendo movimentos frenéticos, sentindo-o crescer ainda mais sobre sua mão, pulsando. Abrindo os olhos totalmente tomados em vermelho, Sasuke cravou os dedos na cintura de Sakura, fazendo-a parar o que realizava. Ele ansiava sem controle pela última marca, ela seria dele, jamais poderia fugir. Puxando-a pelas coxas alvas, ele penetrou-a de uma só vez, fundo, violento. Gritando, Sakura sentia a intimidade completamente úmida ser invadida com rapidez, arrancando-lhe mais um grito seguido por um gemido de prazer. Ele era muito grande, mas o modo como ele já se movia estava deixando-a imersa em prazer. Deleitado em prazer, Sasuke havia perdido todo seu controle, penetrava-a com muita urgência, e os gritos proferidos por ela apenas o deixavam mais excitado, assim como sentir seu membro envolvido pela intimidade úmida dela. Ela lhe desejava tanto quanto ele. Não havia nada melhor do que constatar aquilo.

Gemendo constantemente, Sakura apertava as pernas contra o quadril do Uchiha, motivando-o a enterrar-se nela mais rápido. Rodeando o clitóris dela com os dedos, Sasuke sentiu seu membro ser comprimido, e assistiu-a tremer, gemendo rouca, alcançando um doloroso orgasmo.

Ver tal cena o fez adquirir mais força, assim como de seus lábios, sair um rugido, ocasionando trovões altos no céu. Com os olhos vermelhos brilhando, Sasuke penetrava-a depressa. Sentindo a cintura doer pela maneira como era apertada por ele, Sakura pensou em pará-lo mas ainda encontrava-se em espasmos de prazer, no entanto, quando finalmente conseguiu uma dose de força para tentar afastá-lo, sentiu-o enterrar-se mais forte nela, derramando-se e entreabrindo os lábios em um gemido praticamente animalesco.

Ofegante, a Haruno encarava os olhos avermelhados que olhavam-na com mais desejo. Como um vaso que se quebra, Sakura deu-se conta do que havia feito. Havia transado com seu alvo! Nervosa, ela espalmava o torso trabalhado do Uchiha, ela tinha que sair dali, agora. Confuso, Sasuke retirou-se de dentro dela, colocando-a de pé a sua frente. Ele havia marcado-a, tinha conseguido o que queria, a garantia de que ela nunca mais poderia se esconder dele, no entanto, os olhos dela não o faziam sentir-se pleno. Ela ainda queria fugir dele.

Aproveitando a distração que tinha notado nos olhos dele, que voltaram ao ônix, Sakura correu em direção ao banheiro da casa, sem importar-se com sua nudez, afinal, estavam somente os dois naquela residência enorme. Trancando-se no cômodo, a Haruno ligou o chuveiro sem cerimônias, entrando sob a água fria. O que ela havia feito? Como se explicaria para Tsunade, Ino e Hinata? E o pior de tudo, como diria que havia feito por vontade própria? Justo ela. Não sabia como havia perdido a lucidez daquela maneira.

XXX

Ajeitando o edredom laranja que os cobria na cama revestida por lençóis infantis e sapos de tecido, Hinata sorria, observando o loiro ao seu lado encarar a janela à frente deles, usando uma touca de dormir simpática e divertida. Ela havia conseguido acalmá-lo e, fazer com que o radiante sorriso surgisse novamente naquela face de olhos azuis, tão distinta daquela que matara a pouco, por esquartejamento, um homem naquela estrada.

_ Está vendo a lua, Hinata? Ela está tão linda não acha? – questionou Naruto, maravilhado. A lua era como os olhos perolados dela.

Desviando os olhos na direção da janela aberta, Hinata encarou o céu. Era tão límpido, realmente o mais belo céu que já havia visto. Em Tóquio as estrelas praticamente não existiam, porém, ali, naquele lugar tão distante e isolado, elas cobriam o céu entrelaçadas, formando as mais criativas constelações. Quando pequena, este era um de seus passatempos favoritos: perguntar a Neji a respeito das constelações. O primo sempre soubera tudo sobre estrelas.

_ Esse céu é lindo... Por completo... – respondeu Hinata, com o tom de voz doce costumeiro.

_ Eu gostava de formar constelações no céu... Mesmo que elas não tivessem nada a ver. – revelou o loiro, rindo de leve.

Incrédula, Hinata virou-se, encarando-o.

_ Eu também sempre gostei muito das estrelas. – contou a Hyuuga, sorrindo.

Abaixando o olhar, Naruto desfez os braços cruzados atrás da cabeça, recordando-se dos fleches aterrorizantes do que fizera. Ela havia lhe assegurado não o achar um monstro, todavia, ele temia que aquilo ocorresse novamente e ela fosse embora para a metrópole de onde viera, deixando-o.

_ Hinata... Eu sinto muito pelo que lhe fiz passar hoje eu... – tentava mais uma vez se desculpar o loiro, já sentindo o corpo ser tomado por agonia e nervoso.

Aproximando-se, a Hyuuga tocou-lhe de leve o rosto aflito. Ela sabia, havia visto o modo como ele perdera completamente a sanidade, dando lugar realmente a outra pessoa. Mesmo que tivesse consciência de sua missão, ela ainda tinha a conclusão que ele não detinha culpa do que o destino havia lhe reservado. Era um homem contente, capaz de contagiar qualquer criatura com aquele sorriso radiante, a vivacidade e a coragem que tinha nos olhos era algo nobre, utilizado para superar a perda da família e o título de demônio.

_ Não se preocupe Naruto... Já passou... Você está mais calmo agora, não se torture com isso. – pediu Hinata, preocupada que ele não conseguisse pegar no sono devido ao acontecido.

Erguendo o torso, apoiando-se nos cotovelos, Naruto encarou-a. O joelho alvo dela ainda continha o ralado, ela havia importado-se tanto com ele que nem ao menos havia cuidado da ferida.

_ Eu faço um curativo para você. – disse Naruto, fazendo menção em se levantar da cama para pegar o quite de primeiros socorros na cozinha.

No entanto, faltou-lhe força nos cotovelos para se erguer. Ele se sentia exausto, totalmente sugado. Respirando com dificuldades, a loiro sentia uma vertigem. Notando-o fechar os olhos como se sentisse dor, Hinata levou outra vez as mãos ao rosto dele. Ele deveria estar com todas as energias esgotadas pela possessão do demônio. O corpo dele não estava acostumado aquilo, certamente.

_ Naruto...? Naruto está se sentindo bem? – interrogou Hinata, a voz mais audível.

_ Estou... Só... Foi uma tontura. Acho que bati a cabeça... – brincou o loiro, levando uma das mãos a cabeça.

Vendo-o tentar se erguer mais uma vez, Hinata sentiu toda sua face arder em rubor. Ele estava a centímetros de si. Abrindo os olhos, o loiro sorriu levemente, ela estava exibindo uma expressão engraçada. No entanto, assim que os olhos azuis recaíram sobre os lábios dela, o sorriso se desfez. Eles eram tão convidativos... Rosados... Tão próximo dos dele... Por impulso, Naruto aproximou-se mais. Mantendo-se imóvel, Hinata observava nervosa a face dele cada vez mais perto, até que sentiu os lábios frios dele tocarem-se aos seus, fazendo-a arregalar os olhos perolados em completa surpresa.

XXX

Vomitando grande quantidade de sangue, Gaara fechava os olhos, a dor que apossava-se de seu estômago era enorme, insuportável. Já não tinha mais forças para agarrar aquela pequena pia, seus dedos tremiam. A voz em sua cabeça estava furiosa, ordenando que ele matasse Ino e machucando-lhe o estômago, fazendo a garganta arder devido à acidez do sangue expelido. Ele não queria machucá-la. Ela tirava-lhe a dor, acreditava nele, tratava-lhe de um modo diferente, não o temia.

Correndo pelo corredor, Ino trazia um copo de soro caseiro. O ruivo havia saído no meio da madrugada e, quando ela finalmente acordou, a luz do banheiro estava acesa. Ele estava a passar mal, não tinha nenhuma dúvida. Havia preparado uma jarra com soro caseiro e levava um copo para que ele tomasse, ajudaria a conter os vômitos e conteria uma possível desidratação.

Adentrando o banheiro, a loira confirmara suas suspeitas, ele estava debruçado sobre a pia, exatamente como fazia quando passava mal. Vestindo somente a camisa dele, Ino aproximou-se, deixando o copo de soro em cima do pequeno armário na lateral do banheiro.

_ Gaara! – exclamou a loira, tensa, vendo o modo como o ruivo tremia e respirava com desespero, como se o ar lhe faltasse.

_ Ino... – proferiu Gaara, ofegante, a voz rouca praticamente inaudível.

Rodeando as mãos com cuidado envolta da cintura do ruivo, Ino ajudava-o a se sustentar. Sentia a pele do ruivo cada vez mais gelada, os músculos trêmulos e o abdômen contraindo-se sobre suas mãos, demonstrando que ele sentia dor, uma dor aparentemente intensa pela expressão dele.

_ Gaara... Calma... Eu estou aqui... Vai passar... – falava Ino, em uma tentativa de conter a aflição de Gaara, que rangia os dentes devido à queimação na garganta.

Segurando-o com mais força, a loira constatava que ele estava cada vez mais fraco, não iria conseguir se manter ali, de pé e a expelir sangue por muito tempo. Abraçando-o, Ino sussurrava qualquer coisa que lhe passasse pela cabeça que pudesse servir para confortá-lo.

_ Ino... Eu não quero fazer o que a voz está gritando... Me tira daqui. – suplicou o ruivo, em pânico.

XXX

Finalmente tomando coragem suficiente para sair daquele imenso banheiro, Sakura procurou não olhar-se no espelho. Não acreditava no que havia feito. Não acreditava que poderia desejar alguém daquela maneira, o seu corpo chamava pelo Uchiha mais uma vez. Enrolada a toalha azul que encontrou dobrada em um dos armários do banheiro, a Haruno subia as escadas, ainda procurando alguma explicação a dar a ele e, buscando uma maneira de pegar seu jeans e seu casaco e sair dali o mais rápido possível.

Adentrando o quarto onde adormecera por poucas horas ao lado dele, ela o viu, já vestido e sentado sobre a cama com algum tecido nas mãos. Aproximando-se a passos aflitos, Sakura parou a frente dele.

Encarando-a, Sasuke estendeu o vestido vermelho de sua mãe a direção dela, inexpressivo.

_ Foi de minha mãe. Cabe perfeitamente em você. – disse o Uchiha, a voz grave saindo arrastada. _ Agora já tem condições de fugir de mim. Dou minha palavra que não irei procurá-la.

Olhando o chão de tábuas antigas, Sasuke tinha os olhos marejados, e pretendia que ela não os visse. Ela queria fugir dele. Ele a deixaria ir, mesmo que pudesse obrigá-la de qualquer maneira a permanecer ali, sem gastar esforço nenhum. Ela tinha medo dele, havia notado diversas vezes tal fato nos olhos esmeralda dela. Aquilo lhe gerava uma grande raiva, assim como o anseio dela de fugir, mas, apenas a faria ter ainda mais medo se a prendesse ao seu lado. Ele não iria aguentar, iria ser demais para ele vê-la ter ainda mais medo do que ele fora forçado a ser.

Notas finais
O próximo será mais focado em NaruHina e GaaIno, principalmente em GaaIno. Como me saí??? Kisses, Nita.