Delphi
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Voldemort atacava enlouquecido os funcionários do Gringotes que deixaram Harry Potter escapar e levar a taça de Helga Hufflepuff. Quando o último corpo caiu ao chão ensanguentado ele observou sua obra. Andou por entre ela e se voltou para Nagini em ofidioglota.
— O garoto descobriu nosso segredo. Isso nos torna vulneráveis. Devemos usar todos nossos poderes para encontra-lo. E você, minha amiga, deve ficar por perto.
Estendeu as mãos para o animal. Assim que ele lhe tocou a palma pálida, desaparataram.
Na moradia dos Lestrange o Lorde das Trevas ressurgiu com um crack. Rodolphus veio rápido curvando-se diante do mestre e logo atrás dele um velho corcunda caminhava lentamente até o local.
— Onde está Bella? — Foi a primeira pergunta de Vodemort ao notar a falta da mulher de presença marcante.
— Ela foi visitar Augurey, mi lorde — Rodolphus respondeu prontamente ainda com os olhos abaixados.
O homem pálido respirou suavemente e Nagini sibilou. O velho corcunda, que se chamava Bravus, sorriu corajoso para o lorde. Voldemort passou entre os dois homens e tomou um assento qualquer na sala para esperar Bellatrix. Não foi um longo tempo de espera. A mulher chegou alegre e saltitante alguns minutos depois. Ao se deparar com o lorde ela encolhe-se imediatamente.
— Pensei que não estivesse mais amamentando, Bella — Os rubis nas orbes amarelas brilharam ameaçadores para sua seguidora.
— E não estou, mi lorde — A voz saiu apreensiva.
— Então por que continua a vê-la frequentemente? Euphemia me relatou que sua presença é constante na casa — Ele ergueu-se do sofá em frente a lareira e ficou diante da mulher.
Bella hesitou por alguns instantes.
— Eu apenas gosto de ver Del... Augurey — Ela respirou fundo e baixou a cabeça com força como se tivesse levado um soco.
— Não vá à casa novamente — Voldemort ordenou e observou a mulher prender a respiração um tanto desesperada. Se aproximou mais dela e com uma mão gélida ergueu-lhe o rosto pelo queixo. Gesto sutil que fez Bellatrix se remexer excitada e Rodolphus virar o rosto para outro canto, discretamente — Se desacatar a minha ordem tomarei medidas severas. Compreende?
— Sim, mi lorde — Ela gemeu e sorriu para ele.
Voldemort afastou as mãos da mulher e deu alguns passos para trás. Ele observou as três figuras presentes por alguns instantes.
— A batalha se aproxima. E nessa guerra em hipótese alguma a existência de minha Augurey poderá ser descoberta — Falou olhando cada um dos seguidores nos olhos — Lestrange e Bravus, vocês cuidam de mantê-la a salvo...
— Mas... — Bella, por um impulso impensado, tentou protestar.
— Preciso de você ao meu lado, Bella — O lorde declarou sabendo que a mulher aceitaria de bom grado aquelas palavras vazias, porém muito bem escolhidas.
— Ordenado, mi lorde — Rodolphus concordou como um bom e leal servo.
A guerra se aproximava e todos poderiam pressentir. No meio da noite Snape chegou para avisar que a Ordem tomou Hogwarts. O diadema!. O garoto sabia do diadema de Rowena Ravenclaw. Tinha que impedi-lo e matá-lo o mais rápido possível. O lorde iniciou a chamada de seus seguidores para invadirem Hogwarts. Os comensais se puseram a aparatar direto para os arredores do castelo.
Na mansão dos Malfoys, Bella puxou o marido para um canto antes de partir para junto dos outros comensais. Ela tirou um bilhete e um pingente de dentro da capa. O frasquinho azul pendurava-se na ponta de um cordão, repleto de um líquido brilhante.
— Se algo acontecer quero que dê isso à Delphine — Bella falou tremendo os lábios.
— O que está dizendo? Estamos em número maior e a escola está repleta de alunos que mal sabem expelliarmus... — Rodolphus contrapôs um pouco exasperado pela atitude da esposa.
— Não é isso, Rody — Bella o interrompeu e o segurou pelo antebraço cravando as unhas — Eu não sei se sou capaz de ficar longe dela.
Um pesado silêncio estabeleceu-se entre o casal que apenas se olhavam. Bella pedindo compreensão e Rodolphus tentando entender. O homem respirou fundo e com um estalo dos lábios pegou o pingente das mãos da mulher. Se olharam pela última vez e ela desapatou.
Voldemort estava com Bravus em um quarto da mansão. Queria que o velho e acabado clarividente lhe profetizasse qual seria o desfecho da história naquela noite.
— Eu não sei, mi lorde — O velho corcunda tremia da idade e tentava a todo custo dar uma resposta que satisfizesse o mestre — Está tudo muito aberto, mas as vozes dizem que existe chance para ambos os lados.
— Chance?! — Voldemort semicerrou os olhos para seu servo. Bravus lhe abriu um grande sorriso indicando que era tudo o que tinha à dizer. Quando o lorde estava para dar as costas e se retirar, o clarividente pigarreou chamando-lhe a atenção — Após o fim dessa batalha. Não se esqueça, mi lorde — Chegou bem perto do mestre para sussurrar — O afeto é o perigo.
Sem responder, Voldemort desaparatou com Nagini para os arredores do castelo. Foi no topo de um penhasco que ele sentiu a conhecida dor excruciante no peito. Mais uma. Mais uma de suas horcruxes havia sido destruída. Ele sentiu sua alma presa naquele objeto desfalecer. A raiva cresceu no momento e usando todo seu inimaginável poder destruiu, sozinho, o feitiço de proteção que foi conjurado ao redor de toda a escola.
Assim a batalha ocorreu como todos a conhecem.
Bellatrix duelava atirando feitiços como louca, a adrenalina corria nas veias e naquele momento ela não pensava em nada além de sua sede de sangue. Matou sua sobrinha e o marido licantropo. Matou, matou e matou. Em determinado momento ela virou-se para atacar a caçulinha dos Weasleys, mas então foi impedida pela vaca leiteira da família.
— A minha filha não, sua vadia!
Minha filha não! Minha filha. Filha. Filha. Filha... Delphi! A distração foi o suficiente. No segundo seguinte o feitiço da morte bateu-lhe no peito. O coração foi o primeiro a parar e a mente o último.
Longbottom matou Nagini, a última horcrux, com a espada dos leões.
Naquele amanhecer o Lorde das Trevas caiu e a Ordem venceu.
Bem longe dos campos de Hogwarts. Na outra extremidade da Grã-Bretanha. Dois homens aguardavam segundas ordens na grande mansão dos Malfoys. Foi no instante do desfecho e da queda do mestre que os olhos de Bravus brilharam, sua voz desfigurou e ele profetizou para a única pessoa presente: Rodolphus.
— Quando os outros forem poupados, quando o tempo for virado, quando filhos invisíveis assassinarem os pais: então o Lorde das Trevas retornará.
A força astral tirou-lhe toda a energia. O velho, que vinha estendendo a vida por tempo demais, caiu duro no chão com a boca aberta.
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