Delirium
27 Satisfaction
Notas iniciais
—E então?-Damon perguntou, assim que passei pela porta. Deixei minha mala no chão.
—Tudo pronto. O corpo da Kath está devidamente enterrado na Bulgária, e a carta para Nádia já deve ter chegado a ela. Agora só quero descansar um pouco. Foi uma semana intensa.
—E ainda não acabou. Elijah veio te procurar. Quer falar com você. -Suspirei.
—Sabe o que ele quer?-Balançou a cabeça negativamente.
—Não faço ideia.
—Que ótimo.
Depois de guardar minhas coisas, tomar um longo banho e me alimentar, parti para a mansão Mikaelson, me perguntando o que Elijah ia querer comigo agora.
—Estou aqui. -Anunciei, entrando na enorme sala.
—Agradeço que tenha vindo, Ludmille. Aceita alguma coisa?
—Hã... Não. Se não se importa, pode ir direto ao assunto? Acabei de chegar de viagem, só quero me jogar na cama e dormir por uns dois dias.
—Certo. Eu queria me despedir. Estou indo para Nova Orleans. Meu irmão está lá.
—Então... Adeus, Elijah. -Comecei a me virar para ir embora, mas parei. -Diga ao seu irmão que ele não precisa mais caçar Katherine Pierce. Ela está morta. -Isso o deixou surpreso.
—Katerina?
—Você a conhecia?-Assentiu. Respirou fundo e pareceu se recuperar.
—Há alguma chance de ir me visitar em Nova Orleans?
—Nenhuma. -Sorriu.
—Foi o que pensei. Bem, foi um prazer conhecê-la, senhorita Morgan.
—Igualmente... -Sorri. -Senhor Smith. -Riu.
***
—O que está fazendo, Salvatore?-Perguntei. Damon fechou o notebook rapidamente.
—Nada.
—Aposto que estava vendo conteúdos impróprios. -Me joguei em um dos sofás.
—Como se eu precisasse. Posso ver ao vivo.
—Não me deixe enjoada. Acabei de roubar uma das suas bolsas de sangue.
—Como foi a conversa com Elijah? O que ele queria?
—Queria se despedir. Vai embora, para Nova Orleans.
—Okay. Menos um Original na cidade. Precisamos comemorar.
—Não vai me contar o que estava vendo aí?
—Não era nada. -Suspirei.
—Eram os meus vídeos? De quando surtei? Eu os vi.
—O que?
—Já faz tempo. Você não ia me contar então guardei segredo. Por quê? Por que esconder isso?
—Quando entrei na sua cabeça... Eu vi tudo e senti também. -Encarou o chão. -Senti sua dor, sua culpa, seu medo. Não queria que tivesse que suportar mais. Então escondi isso de você. Entende por que fiz isso, não entende?-Olhou pra mim.
—Entendo. Bem... Parece que esse assunto está encerrado. Nunca mais algo assim vai acontecer.
—Ótimo. Quanto menos problemas, melhor. -Sorriu. -Quer assistir a nova temporada de Lúcifer? Ouvi falar que está boa.
—Claro!-Me sentei ao lado dele. -Sabe, acho que estou esquecendo alguma coisa... Ah, deixa pra lá. -Liguei a TV. -“Anteriormente, em Lúcifer”...
—Você imita o sotaque do Tom Elis certinho!
—Sou uma caixinha de surpresas, Salvatore. Apenas observe.
***
Bom, na verdade eu realmente estava esquecendo de alguma coisa. Havia uma festa pra acontecer na mansão Salvatore e não havia nada preparado ainda. Caroline me ligou no meio do terceiro episódio de Lúcifer, gritando sobre atrasos, irresponsabilidade e chance de “arrumar um garoto descente”. Na verdade, não entendi metade do que ela falou, então apenas resmunguei que tudo ia dar certo e desliguei na cara dela.
Na festa, foi difícil fugir de Caroline. Sério. Eu estava procurando por Damon (tínhamos nos desencontrado), e a garota ficava me repreendendo por ficar atrás dele e não de um garoto “minimamente aceitável”. Consegui fugir dela depois de mentir, dizendo que ia convidar Matt pra dançar.
Rastreei o celular de Damon com um aplicativo e o encontrei perto de casa, largado no asfalto.
—Caroline está me enlouquecendo. -Contei, deitando ao lado dele. -Ela quer que eu arrume um namorado.
—Você quer um namorado?
—Eu não sei. Estou bem assim. -Peguei meu celular, batendo uma foto nossa, então o enfiei no bolso. -O que estamos fazendo?
—Apenas... Esperando.
—Mas e se formos atropelados?-Sem resposta. -Hello darkness my old friend...—Fiquei de pé. -Levanta daí. Tem uma festa rolando. Devia estar lá e não bancando o vampiro deprimido. Esse é o papel do Stefan.
—Tem razão. -Levantou.
—Não vai me contar por que estava chateado, não é?
—Você é mais esperta do que pensei.
—Salvatore, você não precisa esconder coisas de mim.
—Eu sei. Quer ir pra festa ou não?
—Tudo bem.
***
—Tudo bem, agora você está bancando a vampira deprimida. -Damon provocou, sentado ao meu lado. Eu tinha saído da festa de novo e ido para o telhado.
—Não estou deprimida. Vim olhar a chuva de meteoros. Todo mundo lá dentro está bêbado demais pra lembrar disso. É tão lindo. Você não acha lindo?-Olhei pra ele, que estava me encarando. -Não está olhando os meteoros. Eles são bonitos.
—Estou vendo algo melhor aqui, na Terra. Por que ia querer ver umas pedras espaciais voando?
—Você está bêbado.
—Você também. -Sorri, levemente perdida.
—Estou.
—E não está mais olhando os meteoros. -Se aproximou.
—Danem-se os meteoros.
Sorriu, então seus lábios estavam nos meus.
Satisfaction, da Laura Branigan, estava tocando. Eu só conseguia pensar em como gostava dessa música e em como ela dizia o que eu estava sentido.
O mundo acelerou, Damon fechou a porta do quarto. Como tínhamos chegado lá tão depressa? Não importava mais, por que já havia outro beijo acontecendo e cada segundo que passava ele se tornava mais intenso.
Damon se afastou um pouco, havia uma pergunta não dita ali entre nós. Ele me conhecia, mais do que qualquer um. Esteve na minha mente, sabia do pesadelo que minha vida tinha sido antes.
—Está tudo bem. -Sussurrei. -Estou bem. -Assentiu, então voltou a me beijar.
Eu sabia que esse tipo de coisa jamais aconteceria antes. Após Robert, eu mataria qualquer um que encostasse em mim daquele jeito. Mas talvez esse medo todo tivesse ido embora com a maldição por que agora tudo o que eu queria era que Damon me tocasse.
Era tão irreal e real ao mesmo tempo. Eu nunca tinha imaginado que podia me sentir assim. Cada beijo, cada toque, cada peça de roupa tirada não trazia medo, trazia... Sensações totalmente novas pra mim.
—Então é assim quando se quer. -Sussurrei. Damon sorriu. -Não é ruim. Obrigada. -O beijei de novo. -Obrigada.
***
—Você sumiu no meio da festa!-Caroline gritou, assim que entrei na sala. Suspirei e me apoiei nas costas do sofá.
—Eu... Me distraí.
—Com o que?
—Bom dia. -Damon saudou, surgindo ao meu lado. Não olhei pra ele.
—Bom dia. Que sorrisinho é esse?
—O meu. Bom dia, Ludmille?
—Dia. -Murmurei. Isso pareceu deixá-lo satisfeito e ele saiu. Caroline apontou pra mim.
—Vocês transaram!-Acusou.
—SHH! Pode não espalhar para Mystic Falls inteira?-Franziu a testa.
—Por que está agindo como se fosse morrer de vergonha?
—Por que talvez eu vá. Estou confusa. Uma coisa pode ser certa e errada ao mesmo tempo?
—Não está sendo dramática?
—Eu fui criada numa época diferente. Essas... “Coisas”... Não são coisas que se fazem... Assim.
—Sexo sem casamento, eu entendi. Lud, bem vinda ao século 21. Esqueça essas regras idiotas. Não vou te passar um sermão por ter escolhido Damon pra esse... Passo importante, sei o que a situação toda representa pra você depois de se livrar daquele relacionamento abusivo. Você está livre, Ludmille, aproveite ao máximo!-Sorri.
—Obrigada, Care.
—Mulheres devem se apoiar. Pode contar comigo.
—Perdi alguma coisa?-Elena perguntou, aparecendo de repente.
—Ludmille e Damon dormiram juntos.
—O que?-Se virou pra mim. -Você não fez isso. Achei que fosse mais esperta.
—Elena!
—Você passou tanto tempo fugindo disso e decide ficar com Damon? Sabe que pra ele isso não significou nada, não sabe?
—Elena Gilbert!
—Eu estou falando a verdade. Você sabe disso, Caroline. Sabe como Damon é. Ele usou você também.
—Sabe o que é pior, Elena?-Perguntei, dando um passo na direção dela. -Você não está dizendo isso por que está preocupada comigo. Está dizendo isso pra me ferir. Eu sei que pra Damon o que houve ontem foi totalmente diferente do que foi pra mim, e eu não me importo. Eu sabia com quem estava me metendo.
—Eu não queria...
—Queria. Por que você gosta dele. -Balançou a cabeça negativamente. -Todo mundo sabe. Até Stefan sabe. Não estou te julgando. Descobri que essa coisa de sentimentos é muito confusa. -Olhou para Caroline, então pra mim.
—Desculpe. Eu... Tenho que ir. -E saiu rapidamente.
—Quer saber de uma coisa?-Caroline perguntou. -Ela bem que mereceu esse pisão.
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