Delirium

28 Não era o fim que se esperava


Notas iniciais
Acho que o título diz tudo. Eu demorei muito tempo para terminar essa história, e esse final apenas aconteceu.

Eu estava tão distraída lendo (Senhora, de José de Alencar), que demorei a notar Damon encostado na porta da sala.

—Por que está me encarando?-Perguntei, sem tirar os olhos do livro.

—Eu estava te encarando ontem e você não reclamou.

—Isso é verdade.

—Ainda evitando olhar pra mim?

—Parece que estou fazendo um bom trabalho.

É, eu estava sendo idiota. Mas não conseguia agir de outra forma. Esse tipo de coisa era como física pra mim: eu não entendia nada.

Damon já tinha notado o clima estranho, eu podia ver que ele estava ficando incomodado.

—Então... Hã... Quer no Grill beber?-Perguntou.

—Claro.

O caminho todo até nosso destino foi silencioso. Só voltamos a conversar quando o álcool começou a fazer efeito.

—A gente não vai ficar nesse clima estranho pra sempre, vai?-Damon perguntou.

—Espero que não. Está acontecendo sem que eu possa controlar. Não queria que ficasse assim. A situação é nova pra mim, mas eu sei bem onde estou me metendo.

—Sabe?

—É claro. Não estou esperando nada. Juro. Sem pressão. Pra você foi... Só... Uma coisa que sempre acontece. Pra mim foi... Um grito de liberdade. -Dei de ombros. -Estou feliz assim.

—Isso é... Bom. -Ergueu o copo, batendo no meu. -Aos gritos de liberdade. -Ri.

—Aos gritos de liberdade.

—Olha, eu não quero interromper, mesmo, -Matt começou. -mas tenho que fechar o Grill.

—Mutt, eu nunca estive tão perto de quebrar seu pescoço. -Damon avisou.

—Deixa o garoto em paz. -Mandei. -Nós estamos indo, Matt. -Deixei uma nota de cinco dólares na mesa e saí puxando Damon pra fora do bar.

—Ah, qual é? A gente estava se divertindo...

—Conheça a palavra “limite”, Salvatore.

***

—Eu não acredito. -Caroline disse. -Não acredito que todos nós estamos aqui... E vivos!

—Não está sendo um pouco dramática para uma formatura?-Perguntei. Damon riu.

—Depois de tudo o que aconteceu em Mystic Falls nos últimos anos... É um milagre termos durado até aqui.

—Sim, sim. -Damon murmurou. -Considerando que duas de vocês morreram e viraram vampiras, um morreu trinta vezes e só voltou por causa de um anelzinho mágico, sem esquecer a Bonnie... Que parece morrer o tempo todo, só por diversão.

—Muito engraçado. Estou emocionada. Nós sobrevivemos à vampiros psicopatas, bruxas malucas, Originais, Ludmille... Sem ofensas, Lud...

—Sem problema. -Avisei.

—Maldições, lobisomens, o Conselho, e aqui estamos nós.

—É só uma formatura. -Damon lembrou, revirando os olhos.

—Parece bom o suficiente pra mim. -Stefan afirmou.

—Junta todo mundo aqui. -Caroline pediu, pegando o celular. -Vamos. Ric, Lud, Damon e Jeremy também. -Nós aproximamos dela. -Sorriam! Perfeito.

—Temos que nos arrumar pra festa. -Bonnie lembrou. -Nos vemos mais tarde.

Cruzei os braços e comecei a me afastar. Damon me seguiu.

—Quer encher a cara no Grill até a hora da festa?-Perguntou.

—Acho que não.

—Então em casa mesmo? Ou naquele outro bar na...

—Damon, eu vou embora.

—O que?-Parou de andar. Fiz o mesmo, me virando pra ele. -Embora?

—É. Vou sair de Mystic Falls.

—Por quê?

—Por que é o que eu quero fazer agora. Sair por aí, aproveitar a liberdade que eu finalmente consegui. Além disso, eu não costumo ficar muito tempo no mesmo lugar.

—É um adeus definitivo?

—Não. Acho que a gente vai se esbarrar por aí ainda.

***

E de novo, eu estava saindo sem avisar.

Levei algumas horas para arrumar minhas malas. Decidi fazer isso naquela madrugada, assim poderia sair sem ser vista. Enquanto colocava tudo nas malas, parei para pensar em cada coisa que tinha acontecido desde o instante do meu retorno à Mystic Falls. Talvez fosse impressão, mas tudo tinha acontecido depressa.

Havia reencontrado os Salvatore, assim como Katherine. Havia feito amigos, o que era algo totalmente raro pra mim. Havia sido assombrada por uma maldição, e libertada dela. Ri, chorei, me diverti, bebi, dancei... E pela primeira vez na minha vida, entreguei meu corpo à alguém por livre e espontânea vontade. E não me arrependia nem um pouco.

Havia lutado, havia vencido, sobrevivido.

Coloquei minhas coisas no carro e parei um momento, olhando para a mansão Salvatore. Se eu estivesse certa, não a veria por anos.

—Fugindo de novo... Eu preciso colocar algum tipo de rastreador em você?

Olhei na direção da porta. Damon estava encostado no batente, braços cruzados.

—Talvez precise. -Me aproximei.

—Não gosta mesmo de despedidas, não é?

—Com certeza não. Mas você obviamente não ia facilitar as coisas pra mim.

—Não seria eu mesmo se facilitasse. -Fez uma pausa. -Não vá embora.

—Eu preciso ir.

—Não precisa ir agora.

—Não posso ficar adiando isso. Há muito pra fazer agora que sou livre de verdade.

—Você tem a eternidade toda.

—Nem sempre temos o tempo que achamos ter. Vem cá. -Sorri, o chamando pra perto de mim com um gesto. Ele se aproximou. -Vou sentir sua falta, se quer saber. Ninguém me tira do sério tão bem quanto você. Quando quiser me incomodar, é só ligar.

—Não devia ter dito isso. -Ri.

—Okay. Eu preciso ir. Então... Até mais, Damon. O mundo é grande, mas espero vê-lo de novo algum dia.

—E você vai. Ou pensa que vai se livrar de mim tão fácil?

—Nada em você é fácil. -Suspirei. -Viu? É por isso que eu odeio despedidas.

—Então não se despeça. -O puxei pra mim, beijando-o, e me afastei depressa.

—A gente se vê.

Entrei no carro, hesitando antes de ligá-lo. De repente, a porta abriu e fechou. Olhei para o lado do carona, onde Damon estava sentado.

—E aí... Aonde vamos primeiro?

***

ALGUNS ANOS DEPOIS

—Ah, isso é uma surpresa e tanto. -Klaus disse, me vendo entrar na sala. -Ludmille... Ou quer que eu a chame de Noiva de Sangue?

—Ninguém te disse? A Noiva de Sangue não existe mais.

—Preferi manter esperanças. Bem... À que devo a honra da visita?

—Nada verdade... Eu não vim ver você. -Franziu a testa, abrindo a boca, mas alguém o interrompeu.

—A visita, irmão, é pra mim.

—Elijah.

—Senhorita Morgan. Então decidiu vir.

—Acredito que tenha assuntos importantes com você.

—Além de me deixar mostrar Nova Orleans, é claro.

—É, isso também. Atualmente não tenho moradia fixa, talvez fique por aqui.

—Seria ótimo. Bem... Vamos?

—Claro. -Olhei para Klaus, ele estava muito surpreso. Acenei. -Até mais, colega.

Saí da casa com Elijah. Ele andava tranquilo ao meu lado, as mãos nos bolsos da calça. Olhou por cima do ombro, então sorriu.

—Não são muitos os que surpreendem meu irmão.

—Sou boa em surpreender pessoas. Bom... Eu não vim aqui exatamente pelo seu convite. -Parei de andar, ficando na frente dele.

—Eu imaginei. O que houve?-Olhei para trás, Damon se aproximou, ficando ao meu lado.

—Nós encontramos algo no caminho. E de acordo com os rumores... Você é tio de uma criança especial.

—Sim. E...?

—Elijah, esse é Isaac. -O garotinho saiu de trás de Damon, segurando minha mão. -Precisamos de ajuda... Ele é um híbrido. E alguém está o caçando. -Elijah olhou de rosto em rosto, então assentiu

—Você veio ao lugar certo, senhorita Morgan... -Sorri.

—Muito obrigada. Não sabíamos o que fazer. Acreditamos que algo está caçando crianças especiais, como sua sobrinha. -Olhei para Isaac, fazendo carinho na cabeça dele. -Precisamos de ajuda... Para proteger nosso filho.

—Vocês a terão.

Isaac ergueu o olhar, sorrindo pra mim. Foi assim que eu soube que tudo ficaria bem.

Notas finais
Esse final ficou meio em aberto, mas eu, atualmente, não vejo continuação. Inicialmente, Lud iria sozinha atrás de Elijah, Damon teria ficado em Mystic Falls e Isaac não existiria. Bem, obrigada à todos que comentaram, acompanharam e chegaram até aqui. ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!