Delirious
17 17. Jamais ignore quem te quer bem... não pera
Capítulo 17. Jamais ignore quem te quer bem... não pera
Narrado por Natan:
Miguel me arrastou para uma praça perto da escola e agora ele estava sentado no balanço, calado se embalando devagar. Eu estava a sua frente, sentado sob a areia encarando seu rosto inexpressivo.
Seria puro cinismo da minha parte dizer que não entendi o que aconteceu lá na casa do punk, pois entendi em... “partes”, digo, era notável que Miguel Dorneles teve uma crise de ciúme, contudo achei todo aquele teatro completamente desnecessário.
— Ô, Miguel! Olha só cara: só estávamos brincando. — falei com certo receio. — Poxa, não precisava fazer tudo aquilo, não era necessário.
Ele me fuzilou e começou a gritar novamente, até fechei os olhos e retrai os ombros não estava com medo, só que... sei lá, fiz por instinto. Eu acho.
— Estavam brincando? Brincando? Não fode comigo, só você acreditou nisso, aquele filho da puta do Pablo não estava se aproveitando de você! — Hun... até parece que ele não faz o mesmo, né? — Então não vem dizer que estavam “só” brincando, eu disse que não era para dar muita abertura pra ele, mas você não me ouve. Que saco!
Depois de ouvir isso me calei, ele também ficou em silêncio.
Os minutos foram passando e nós ficamos naquele silêncio absoluto, Miguel estava vagando longe em seus próprios pensamentos, literalmente estava em outro mundo.
Fiquei um pouco... Surpreso com o que aconteceu, sei lá, ninguém nunca ficou tão possesso por minha causa, até sinto vontade de me gabar um pouco, mesmo assim ainda acho muito estranho... Sabe o Dorneles e o outro Punk são homens e... São homos...
Arg! Já não sei se isso é bom ou ruim. Mas que fez bem pro meu ego... Isso eu sei que fez. Dei um suspiro resignado, levantei e bati na minha roupa para tirar a poeira acumulada pela terra seca.
— Então ta... acho que vou para casa. — Falei de repente, mas não ganhei nenhuma reação, fiz um bico descontente. — Vai ficar por aí mesmo? — Perguntei e outra vez fui completamente ignorado.
Porra ele nem me olha. Estou começando a me aborrecer de verdade, detesto quando fazem este tipo de coisa... Ninguém gosta de ser ignorado, mas será que ele tá mesmo tão fulo assim? Puxa não precisa ficar assim só por causa de uma brincadeirinha sem maldade... Que droga.
— Ô, Miguel! — Fiquei sem resposta novamente. Quem esse idiota pensa que é para me ignorar? Clama, calma, amanhã ele vai me procurar de novo com certeza e daí eu que vou ignorá-lo, esse demônio vai provar do próprio veneno. Ah se vai.
Revoltado, girei os calcanhares e saí de lá pisando duro, olhei para atrás e Miguel permanecia lá na mesma posição, estático e calado, sem mover um músculo. Francamente que exagerado. Parece até proposital... Parece? Haha que nada, definitivamente é proposital, ele só tá fazendo isso para me irritar... Ah, mas ele não vai conseguir, é preciso de muito mais para me fazer sair da linha, MUITO mais.
E agora não quero ir pra casa, pra onde vou? Voltar para a casa do punk estava fora de cogitação, voltar para praça também estava e era muito tarde também. Ahh vou pra casa mesmo, azar.
(#)
Dormi bem chateado fiquei a noite inteira só no aguardo da ligação do Miguel, mas não aconteceu, no fim peguei no sono e não notei. Acordei cedo e dei um salto da cama a procura do telefone, achei ele embaixo da cama... e tive outra decepção: não havia nenhum sinal do Dorneles. Hoje não tem aula é conselho de classe, portanto não vou vê-lo hoje também. Nem adianta procurar por ele, pois não faço a mínima ideia de onde mora, ir na casa do outro punk e pergunt...
— Não, não, não espera aí Natan, isso tá muito errado, até parece que é você que está atrás dele e não o contrário. Arg, chega disso. Vou na casa do Matheus, preciso espairecer um pouco. — resolvi deixar o telefone em casa, só para não ficar carregando-o com esperança de alguma coisa. E se ele ligar, vai ser bom ninguém atendê-lo, provar do próprio veneno é uma boa lição.
Cheguei na casa do Matheus e fui recepcionado no portão por uma briga idiota de casal. Ah que legal, era só o que me faltava, eu que não vou ficar aqui nem morto. Quando estava prestes a dar meia voltar e dessa vez com intenção de ir para minha casa, o loiro aguado do Matheus me gritou:
— Pode voltar agora mesmo! — Ah que vontade de esmurrar alguém, agora todo mundo pensa que manda em mim. Girei outra vez o corpo e voltei parando na frente da menina índia, que bufava como um touro raivoso olhando para o loiro com cara de boboca a sua frente. — Ia embora sem dizer nada? O asno do Edu ta lá dentro, entra!
Dei um sorriso amarelo para os pombinhos, Matheus cedeu espaço e abriu o portão. Dei de ombros e entrei. Eduardo estava jogando game, como sempre, quando entrei me olhou de canto disse um “Eai!” respondi com um aceno e me sentei ao seu lado.
— Reinicia esta merda quero jogar também. — ele bufou e resmungou um palavrão, como retorno levou um belo bofetão na cabeça. — Não resmunga, anda logo que eu tô de péssimo humor hoje.
— O que aconteceu dessa vez, brigou com a sua “namoradinha”? Ah, não, é namoradinho.
— “HÁ-HÁ” muito engraçado e pelo jeito você e o seu fizeram as pazes né? — Toma essa! Edu ergueu uma sobrancelha crespa fazendo uma pergunta muda. — Não me olha desse jeito, até uns dias atrás você estava pirando só porque o Matheus tinha te beijado e agora está aqui na casa dele, bem feliz saltitante.
Ele ficou mais vermelho que um pimentão, apontou o dedo na minha cara e começou a gritar. Ah outro asno gritando comigo, realmente hoje não é o meu dia.
— VAI SE FUDER, E-E-E-E-ELE JÁ SE DESCULPOU COMIGO — tampei os ouvidos. — NÃO TEM NADA ACONTECENDO ENTRE NÓS, ENTÃO NÃO VENHA FALAR ASNEIRAS...
— Ei, pode parando com essa gritaria. — Matheus interrompeu entrando no quarto, fechou a porta e se atirou na cama. Vish, pelo jeito a coisa lá fora foi bem feia.
— Tá tudo bem? — perguntei, observando um Edu aborrecido voltar sua atenção ao jogo.
— Não, não tá.
— O que aconteceu?
— Terminamos, quer dizer, ela terminou comigo. Disse que eu não dava atenção aos sentimentos dela, que ficava me importando só com os meus amigos e bla, bla, bla. — reclamou gesticulando os braços para o alto. — mas até que foi bom terminar, a gente andava bem distante um do outro.
— É, eu também percebi isso. — comentei.
— Hun... é. E vocês porque estavam discutindo?
— Ah, nada não, era só uma brincadeirinha. — desconversei, era melhor nem tocar nos nomes Miguel Dorneles e Pablo, Matheus tem aversão a estes nomes, principalmente o último. Melhor evitar mais uma discussão desnecessária.
— Ah tô com fome, vamos comer alguma coisa e sair pra andar de skate? — sugeriu Matheus.
— Vamos. — Concordei. Matheus olhou para o Edu esperando uma resposta, mas este estava concentrado demais no jogo que não prestou a atenção.
— Eduardo, topa? — Edu novamente não respondeu. — Ô asno! Tou falando contigo. — gritou jogando o primeiro “objeto” que encontrou na direção do Edu.
Edu gritou quando um estojo acertou em cheio seu cabeção: — Que é porra, eu tou jogando não tá vendo?
— E eu tô falando contigo animal, me responde quando eu estiver falando. — Não sei por que, mas esse tom me lembrou alguém... Mas quem?
Ei, Nat...
Porra, eu devo estar tão emputecido com esse demônio que chego a ouvir a voz dele, inferno esta é a última pessoa que quero lembrar neste momento, então Deus, por favor, apague-a da minha memória.
Voltando para realidade Matheus se ergueu e alongou os braços. — Então vamos lá. — Disse ele saindo do quarto.
— Ei, onde vai? — perguntei, Matheus parou na porta aberta e me olhou por cima do ombro.
— Vou preparar uns lanches pra nós, oras. — Me levantei.
— Eu vou junto, espera!
(#)
Ele tirou da geladeira queijo, presunto, leite, uma jarra de água bem gelada, margarina, tomate, alface e maionese, no armário pegou o saco de pães e um pacotinho de suco de morango, colocou todos esses ingrediente sob a mesa, me sentei em uma cadeira e fiquei observando-o preparar os sanduíches.
— Ei, não fiquei parado só olhando, vem ajudar também. — reclamou, mostrei a língua pra ele.
Fabrício, irmão caçula do Matheus, entrou na cozinha em silêncio, abriu a geladeira e sem pegar nada fechou novamente.
— Cadê o leite? — perguntou ele.
— Está aqui comigo, porque? — respondeu Matheus sem olhá-lo.
— Me dá eu quero.
— Ao menos cumprimente o Natan, ele não dormiu contigo.
— Que se foda, não me trate como criança. — cuspiu o moleque.
— Você é uma criança. Uma bem mau educada por sinal. — debochou Matheus.
— Ei, ei não vão começar uma briga por minha causa agora, né? — Me intrometi com receio, fico desconcertado quando presencio uma briga e esses dois brigam feio. Matheus não tem noção da força que possui.
Fabrício é baixinho, magro possui cabelos lisos e ruivos, bem alaranjados, eles batem mais ou menos na altura do queixo, os olhos são castanhos mel, sua pele é muito pálida, até mais que a minha, e ele usa óculos de grau. A primeira vista você pensa que é um garotinho fofo, muito educado e tudo o mais... porém ele é um pirralho muito mau educado e mal humorado. Enfim...
Fabrício pegou o leite sob a mesa, sem pedir, dentro do armário buscou o chocolate enlatado e preparou um copo cheio.
— Fabrício, seu moleque desgraçado não faça sujeira na pia, eu limpei tudo hoje de manhã, se sujar alguma coisa e não limpar vou esfregar essa tua cara de cachorro vira-lata na sujeira. Ouviu bem?!
Não houve resposta, Fabrício terminou o que tinha pra fazer e se mandou da cozinha sem dizer nada, só fomos nos dar conta da sua ausência quando o silêncio ficou muito grande. Matheus ficou muito bravo, ele correu até a sala e gritou no corredor: — Fabrício!!!!! Vem aqui agora, seu pirralho!
Depois voltou pra cozinha pisando duro e praguejando. Comecei a rir deixando-o mais fulo ainda.
— Qual é o motivo da graça, posso saber? — perguntou ele.
— Nada, só que eu acho divertida a relação de vocês. — comentei.
Matheus fez uma careta de nojo.
— Qual a parte disso é divertida, você não sabe o inferno que é ter um irmão mais novo, essa fase pela qual ele tá passando é infernal. Gostava mais quando tava na quarta série, eu ia buscá-lo todos os dias, ele era tão fofinho.
Agora eu que fiz uma cara de nojo para a careta de irmão mais velho babão que o Matheus fez. Eca, que nojo.
— Pare já com isso, sério. Estou ficando com náuseas. — falei e levei um tapa da cabeça. — Mas falando sério, eu sempre quis ter um irmão, não que seja ruim ter uma irmã, só que... ah sei lá, queria que fosse um irmão.
Matheus pegou a faca dentro da gaveta da pia, e começou a cortar os tomates.
— Ah, mas a sua irmã é boa também. — disse ele fazendo uns gestos obscenos com as mãos, encenando dois peitões. — Eu queria uma irmã como a sua.
E deu uma risadinha sacana.
— Fala isso porque ela não é sua irmã. Se fosse você notaria a gritante diferença.
— Pode até ser, mas considere-se um cara de sorte meus irmãos não têm tetas tão bonitas como as da sua irmã. — falou o pervertido.
— Véi, ela é minha irmã, que nojo. Não vejo vantagem nenhuma nisso.
Ele deu os ombros.
— Tá, chega de conversa fiada, anda logo, abre os pães e passe maionese neles.
— Tá pensando que manda em mim, é? — perguntei fazendo um enorme bico.
— Cala a boca e faz esta merda logo. — apontou a faca na minha cara. — Vou no banheiro, quando voltar quero a tarefa que te passei pronta, ouviu bem?
(#)
Encontramos com um pessoal que fazia tempo que não via, não eram exatamente nossos amigos, mas sempre encontrávamos eles nas rampas de skate. Diego, Mauricio, Renato e o Tutti, eram divertidos e tudo o mais, passamos a tarde inteira na praça dos skatistas e foi bem bacana. O sol estava se pondo quando retornamos para casa do Matheus, durante o caminho me propôs que dormisse na casa dele naquela noite.
— Ei, Nat quer dormir lá em casa hoje, sei lá, a gente aluga uns filmes... Hein, o que me diz?
— Topo. — Falei dando os ombros. Não tinha nada a perder mesmo.
— O Edu vai também?
— Não, não, hoje tenho um compromisso. — Nos entreolhamos desconfiados e Edu se adiantou antes que chegássemos a alguma conclusão e começássemos nos arriar nele. — sim eu vou ter um encontro.
— Com quem? — perguntamos.
— Com uma mina, oras. — Respondeu.
— Ah, para de mistério, anda vomita logo o nome da garota. — pediu Matheus.
— Você quis dizer a doente que aceitou sair com esse asno, né? — rimos.
— A Fernanda do primeiro ano. — respondeu Edu aborrecido.
— Hã... Aquela de cabelos tingidos de rosa? — Perguntou Matheus desgostoso, Edu concordou todo convencido.
— SÉRIO?! — berrei desacreditado. — Ah, cara ela é muito gata.
— Ela é feia e se veste muito mal. — apontou Matheus.
— Você se acha o garanhão né, só porque pegou metade da escola... — e bla, bla, bla eles começaram a brigar.
— E daí, qual o problema se eu pego mais que você...? — disparou Matheus.
— Ok, chega, podem parando por aí mesmo. — Gritei e os dois se silenciaram imediatamente, mas não deixaram de trocar faíscas. Estávamos dobrando a esquina da casa do Matheus quando Edu se despediu e seguiu seu rumo, nos despedimos dele, voltamos a caminhar e iniciamos um assunto banal.
— Vou passar em casa primeiro. — comentei parando no meio do caminho.
— Por quê? — perguntou.
— Tenho que pegar roupas limpas e secas, estou virado num lixão, me sinto nojento todo suado.
— Não precisa eu te empresto as minhas. — disse ele naturalmente, fiz uma careta de nojo.
— Não vou usar suas cuecas.
Matheus revirou os olhos. — Ok, vamos lá na sua casa.
E como foi dito passamos na minha casa primeiro, como de costume não tinha ninguém lá. Matheus lamentou o fato da minha irmã não estar em casa, logo que entrou no meu quarto se atirou na cama. Não pensei duas vezes em xingar ele.
— Cai fora, você tá todo suado e sujo, minha cama tá bem limpinha, embora não pareça.
— Ah vá, pegue logo teus trapos e vamos dar o fora daqui.
— Rato cheguei, tá em casa? Trouxe uma surpresinha pra você. — gritou minha irmã da sala.
Matheus saltou da cama e correu para fora do quarto, rodei os olhos, típico dele não pode ver um rabo de saia. Abri meu roupeiro e busquei pelas peças que precisava, cantarolei a aquela musica que não saia da cabeça me torturando o dia todo. Foi então que lembrei do meu celular, peguei ele sob o criado mudo e tive outra decepção.
— Esse Dorneles tá querendo me tirar do sério, só pode! Ele vai pagar...
— O QUÊ VOCÊ ESTÁ FAZENDO AQUI? — Matheus gritou da sala, tomei um baita susto quase deixei o telefone cair no chão.
— Desde quando eu te devo alguma explicação, otário? — quando ouvi aquela voz de timbre arrastado, soar tão despreocupadamente meu coração foi lá na goela e voltou.
Não lembro quando inferno cheguei na sala, acho que tenho o poder de me teletransportar e não sabia. Quando cheguei lá, dei de cara com a seguinte cena: Matheus com os dedos fincados na gola da camisa de um punk vermelho de raiva, que tinha os punhos cerrados pronto para acertar em cheio a cara do Matheus. Pablo estava junto, em pé perto da porta com as duas mãos no rosto e minha irmã no meio do Miguel e Matheus tentando apartar a briga.
Quando me notaram o silêncio pairou, Miguel estalou os lábios e girou o pescoço como se estivesse decepcionado comigo e aquilo me acertou em cheio. Sabe aquele momento em que o sangue sobe pra cabeça e você perde completamente a razão? Pois é, aconteceu comigo.
Voei pra cima dele e sem perceber empurrei Matheus com tanta força, que o mesmo cambaleou para atrás, mas foi amparado pelo Pablo; peguei Miguel pelo colarinho e tudo quanto era merda saiu da minha boca.
— Maldito, endireita essa cara agora mesmo, cansei dessa palhaçada, já disse que foi só uma brincadeirinha se não acredita problema é seu, era só o que me faltava agora toda vez que outro cara se aproximar você vai fazer cena, francamente, só em pensar nisso sinto náuseas, pare já com isso, caralho!
— CARALHO DIGO EU! O QUE ESTE ABOSTADO FAZ AQUI? — Berrou ele em resposta.
— ELE É MEU AMIGO, PORRA. O QUE VOCÊ TEM A VER COM ISSO. E NÃO MUDE DE ASSUNTO, PORQUE NÃO ME LIGOU?
— E VOCÊ SE IMPORTOU?
— CLARO QUE ME IMPORTEI, ORAS, FIQUEI PREOCUPADO.
— AH SIM, TANTO QUE NEM LIGOU PRA SABER.
— EU NÃO... não... não... não sei seu número, COMO QUERIA QUE EU LIGASSE. ARG, E DESDE QUANDO EU TENHO QUE LIGAR? VOCÊ QUE TEM QUE LIGAR!
— HÃ? DEIXA DE SER MENTIROSO VOCÊ TEM MEU NÚMERO SIM. AH, SIM SÓ EU TENHO QUE LIGAR, ASSIM FICA MUITO CÔMODO PRA VOCÊ, NÉ?
— QUE? NÃO FODE COMIGO, VOCÊ QUE COMEÇOU TODA ESSA MERDA, PORQUE EU TENHO QUE VIRAR O VILÃO DA HISTÓRIA AGORA?
— Ei gente posso interromper vocês por um segundo? — disse uma Priscila com receio.
— NÃO! — Gritamos e só então notamos a presença ameaçadora do meu pai na porta com os braços cruzados nos olhando com cara de poucos amigos.
Um silêncio pesado e mortal se instalou, todo mundo engoliu seco.
— Boa noite. — disse ele cruzando os braços acima do peito.
Ferrou!
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