Delicadamente Intocável
4 Tocar de mãos
Notas iniciais
POV Scorpius
Sentei-me ao lado dela novamente, por algum estranho motivo eu sabia que os olhares de todos estavam em cima de mim. Suspirei e peguei meu livro. Quando eu chego perto dela não sei o que fazer, não por parecer um bobo apaixonado, mas sim porque não sei o que ela quer, ou como fazê-la me responder.
Fiquei em silêncio apenas olhando o livro, até que o professor me entregou minha última prova de Poções. Meu pai era ótimo nessa matéria, mas eu sou completamente ao contrário. Péssimo.
– Vai precisar estudar bastante Senhor Malfoy. – ele disse com desdém e continuou a entregar as provas
Eu dobrei a folha rapidamente e guardei na mochila. Depois fiquei encarando o livro novamente. Se meu pai soubesse da minha nota em Poções, eu estaria morto. Isso era certo. Suspirei e comecei a procurar tudo o que eu errei no livro e estava ali, todas as respostas, até me lembro de ter lido elas, mas não consigo guardar na memória.
Respirei fundo novamente e tentei prestar atenção na aula, mas mal consegui fazer a poção. A lembrança da nota péssima da minha prova e de que provavelmente eu não passaria no NIEM’s de poções, estava me deixando para baixo.
– O que vai fazer? – Luke se aproximou – Você nem tentou falar com ela! – ele indicou Rose saindo da sala
– Eu...só estou preocupado! Acho que vou à biblioteca, nos vemos no dormitório! – eu coloquei a mochila sobre o ombro
– Mas e o jantar? – ele me encarou de forma preocupada
– Estou sem fome! – eu suspirei e segui em direção a biblioteca
Sentei-me na última mesa e peguei todos os livros de poções que podia. Mas enquanto eu lia, ela apareceu e sentou ao meu lado. Estava encolhida e longe, mas estava ali e sem material nenhum. Eu estranhei e a encarei sem entender.
Ela balançou a cabeça e pegou um livro, o que estava mais embaixo. Era o livro de poções que o primeiro ano usava. Ela abriu-o no capítulo intitulado Princípios básicos para poções. E então colocou-o diante de mim.
– Você está zoando comigo? – eu indaguei de forma séria
Ela rolou os olhos e indicou a página.
“Para todo bom preparador de poções, os princípios básicos são a melhor escolha. Nada foge deles e nada pode ser preparado sem eles. Se souber os princípios aqui descritos, qualquer poção será feita sem erro, por mais complicada que possa ser.”
Eu respirei fundo e voltei a olhar para ela.
– Você acha que devo começar do básico? – ela acenou com a cabeça – Mas eu preciso aprender isso na prática!
Ela negou com a cabeça e indicou o capítulo, em seguida pegou um livro e se ajeitou na cadeira para começar a ler. Eu sorri e voltei à atenção para o livro. Talvez ela estivesse certa e se não estivesse, pelo menos estava ali comigo.
Não sei quanto tempo estávamos ali, mas eu sei que li quase metade do livro. Só quando ela guardou o dela foi que percebi que devíamos estar indo para os dormitórios. Ela levantou e eu guardei os meus materiais e mostrei o livro a bibliotecária, terminaria de lê-lo o mais rápido possível.
Nós andamos lado a lado pelos corredores escuros, não nos olhávamos, mas ela não me deixara sozinho como a maioria das vezes, isso seria um sinal?
– Obrigado! – eu parei de andar, ela se voltou para mim e deu um sorrisinho de canto, ela estava tirando com a minha cara
Eu ri. Rir com ela era muito fácil.
– Está com fome? Você perdeu o jantar! – eu indaguei de forma meio preocupada
Ela deu de ombros, como se não importasse. Eu respirei fundo, era minha chance, só não podia assustá-la.
– Você quer ir à cozinha comigo? Eu estou morrendo de fome e assim não me sinto culpado por você ter ficado sem comer por minha causa!
Ela deu um sorrisinho nervoso, de alguma maneira eu a vi corar, parecia uma boneca de porcelana. Então ela acenou com a cabeça confirmando. Eu sorri e indiquei o caminho, era estranho estarmos em silêncio, mas eu me sentia bem ali com ela.
– Foi muito legal da sua parte tentar me ajudar! – eu tentei falar alguma coisa, ela simplesmente deu de ombros – Sabe, nós podemos tentar se amigos!
Ela parou de andar e me encarou de forma triste. Acho que ela pensava que eu não sabia o que havia acontecido com ela, ou que ninguém podia ser seu amigo quando ela era daquele jeito.
– Seus primos me contaram que você não fala e que não se sente bem quando alguém a toca... – eu dei de ombros – Mas você me abraçou aquele dia.
Ela prendeu a respiração. Talvez nem ela soubesse por que me abraçara ou como fizera isso, mas ela fez. E eu sei que havia alguma coisa boa nisso.
– Você deve ter medo não é? De que tenha uma crise ou algo do tipo... – ela acenou com a cabeça – Isso deve ser ruim à beça!
Ela acenou novamente e se abraçou com os braços. Talvez naquele momento ela percebeu como estávamos. Escondidos praticamente no subsolo do castelo, em direção a cozinha, sozinhos.
– Sabe que pode confiar, não sabe? – eu indaguei esperando ansiosamente pela resposta
Ela soltou a respiração de forma calma e confirmou dando um leve sorriso.
– Então podemos tentar uma coisa? – perguntei, ela franziu o cenho
Eu me aproximei alguns passos, não fiquei muito próximo para não assustá-la. Estiquei minha mão à frente e olhei em seus olhos.
– Toque em mim.
Seus olhos escureceram um pouco. Medo. Eu sorri tentando encorajá-la. Vi ela estender a mão em direção a minha, pude sentir o calor dela se aproximando da minha pele. Os olhos dela ainda tinham medo, mas se algo acontecesse com ela, eu me afastaria imediatamente. Virei minha mão de forma a deixar a palma para cima, ela tocou levemente com a ponta dos dedos. Não me encarava mais, só olhava nossas mãos.
Então ela deslizou a mão pela minha, seus dedos tocaram meu pulso e se prenderam ali. Eu sorri. Ela estava bem.
– Tudo bem? – perguntei só para confirmar
Ela sorriu de uma forma tão encantadora que eu fiquei admirado.
– Quer ir para a cozinha agora?
Ela acenou confirmando. Virei nossas mãos e entrelacei nossos dedos, continuamos seguindo para a cozinha. Eram somente duas mãos entrelaçadas, mas já era um começo.
***
Eu levantei muito bem no dia seguinte. O sorriso dela ainda estava na minha memória, o modo como tínhamos nos acertado fora perfeito. Ela não iria me ignorar hoje, iria? Foi só quando levantei completamente da cama e tentei entrar no banheiro é que notei a situação estranha. Luke ainda estava ali. Ele geralmente colocava qualquer roupa e saía, mas hoje ele estava ali fazendo a barba.
Eu ergui as sobrancelhas e o encarei surpreso. O que ele estava fazendo? Ele nunca se importara com a aparência. Mas lá estava ele, terminando de fazer a barba, os cabelos penteados e amarrados para trás. É ele tinha o cabelo quase chegando aos ombros.
– O que você está fazendo? – eu me encostei ao batente da porta e cruzei os braços de forma curiosa
Ele deu de ombros, nem se dignava a me responder. Eu franzi o cenho. O que havia acontecido para ele ficar desse jeito? Ele jamais se arrumava tanto, ele...ele fora rejeitado! Lylian Potter negou o pedido de sair com ele! Era isso.
– Luke, ela tem namorado, caso contrário, ela sairia com você! – eu ri e passei por ele pegando minha escova de dente
– Não estou me arrumando por causa dela! – ele deu de ombros
– E por que então? – eu estranhei mais ainda, Luke não mentia, nem em relação a seus sentimentos
– Vou sair com a Raíssa. – ele disse tão naturalmente que eu realmente pensei que a Raíssa fosse uma garota legal, mas então deixei a escova cair da minha boca em uma atitude surpresa
– Você está brincando! Você vai a Hogsmeade com a Raíssa? – eu deixei minha cabeça pender para o lado, eu parecia uma criança que tentava entender algo realmente difícil
– Vou sim, ela sempre quis isso e eu nunca dei uma chance, então... – ele terminou e saiu do banheiro, eu voltei a escovar os dentes em silêncio
Quando voltei ao quarto, ele estava sentado na beirada da cama. A cabeça entre as mãos, ele iria me contar a verdade.
– Você vai sair com a Rose hoje, não vai? – ele ergueu a cabeça e me fitou
– Ela nunca foi a Hogsmeade e depois de ontem à noite, eu convidei ela sim! – eu sorri meio sem jeito – Sabe por que estou fazendo isso!
– Eu sei e acho que está certo! – ele deu de ombros – Mas ontem, quando eu convidei a Potter, também estava achando que fazia o certo!
– Você realmente queria sair com ela! – eu sentei em minha própria cama e vasculhei meu malão em busca de uma camiseta decente
– Mais ou menos , é que...ela é diferente! Enfrenta todo mundo e conversa muito bem com as pessoas. Ela é...
– Adulta como você! – eu sorri – É, talvez vocês combinem! Mas lembre-se, você gostaria de proteger a sua garota e isso não vai acontecer com a Potter!
– Eu sei...só queria conhecê-la! – ele deu de ombros
– E vai sair com a Raíssa para fazer ciúmes? – eu ri descrente
– Não, vou sair com a Raíssa porque se não dissesse sim ao pedido dela, eu seria esquartejado! – ele levantou com os olhos alarmados – Sério, ela sabe ser ameaçadora quando quer!
Eu gargalhei. Até imaginei a loira intimidando ele. Era uma coisa difícil de imaginar, mas seria muito engraçado presenciar a cena. Ele riu comigo e piscou um olho, então saiu do quarto me deixando sozinho. Eu abaixei a cabeça e fiquei pensando se Rose realmente iria. Ela estaria me esperando? Gostaria de sair comigo? Era difícil lidar com ela, já que ela nunca falava e suas emoções eu só podia descobrir pelo seu rosto. Mas o que fazer agora? Eu não podia voltar atrás, podia?
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