Delicadamente Intocável
27 Meu paraíso!
Notas iniciais
POV Scorpius
Ajudei Alyss a juntar os livros e guardá-los em uma estante da Sala Precisa, provavelmente voltaríamos ali para estudar e não precisaríamos andar com eles por toda a escola. A loira estava estranhamente quieta, não me encarava de forma alguma. No início pensei que fosse pelo que ela representava a todos, um perigo mortal, mas com o passar dos dias, ela foi se soltando e sorrindo mais, até hoje. Quando ela parou completamente de olhar para mim.
- Eu agi feito um idiota com você no início. – eu soltei de repente, ela finalmente me encarou – Desculpe.
- Só estava querendo proteger o Alvo, ou melhor, a Rose! – ela deu de ombros e pegou a mochila no chão
- Talvez. Mas mesmo assim, eu podia ter sido mais educado. – Peguei minha própria mochila, do Alvo e do Luke que estavam jogadas por ali – Você me ajuda a levá-las?
- Claro. – ela pegou as mochilas de Lylian e Rose e abriu a porta, um sorriso fraco brilhava em seu rosto – Eu gosto de vocês, sabia?
- Gosta da gente? – eu ri de forma irônica – E não era para gostar? Somos seus amigos.
- Eu sei. Os únicos amigos que eu tenho e vou ter minha vida inteira! Ninguém mais vai confiar em mim quando souber minha origem. – ela suspirou pesadamente
- Eu sei sua origem, sou seu amigo e mesmo assim não confio em você! – eu dei de ombros
- Você é bem sincero, não? – ela riu de forma estranha, eu sorri acenando afirmativamente – Você realmente deve tomar cuidado! A Rose está certa em tudo o que disse!
- Eu sei, a Rose está sempre certa! – eu suspirei agora, em meu inconsciente eu sabia que era verdade tudo aquilo
- Não deveria debochar! – a loira ralhou comigo
- Não estou. Rose é minha namorada, eu a conheço muito bem! Pode se preocupar demais, mas tem o melhor raciocínio que eu conheço, se alguém pode me dizer para me cuidar, esse alguém é ela! – eu parei no corredor – Só não gosto de ficar de fora, entende? Como nós dois estamos agora!
- Não estamos de fora. – ela sorriu dando de ombros – Só estamos ficando na retaguarda, sabe alguém precisa pôr ordem no lugar e estudar, ou como iremos passar cola para eles?
- Você é hilária sabia? – eu ri com gosto – Se gosta de pensar assim, eu é que não vou discutir! – dei de ombros
- Olá.
Eu me voltei assim que ouvi essa voz. Ela não deveria mais estar na escola.
- Se estou vendo você e realmente é você, então você não foi! – eu franzi o cenho
- Você brinca demais! – ela se aproximou e pegou a mochila com a Alyss – Lylian vai ficar bem sozinha, tem gente demais em volta dela. Daqui a pouco os hormônios dela resolvem jogar boliche e ela manda todo mundo para o inferno!
- E você decidiu ficar aqui comigo? – passei um braço em volta de sua cintura, enquanto voltávamos a andar os três pelos corredores
- Sim e pelo jeito escolhi certo! – ela retirou um jornal amassado de dentro das vestes – Meu pai acabou de me mandar, parece que o seu pai entregou todos que estavam no esquema.
- Meu pai entregou todos? Mas se fez isso, então revelou que não está morto! – eu peguei o jornal rapidamente para ler
- Sim. E agora a sua segurança está redobrada! Não foram encontrados todos os ex-comensais envolvidos, eles temem que alguém venha atrás de você! – ela parou me encarando de forma firme
- Segurança? Eu nem sabia que eu tinha segurança! – eu suspirei
- Aurores e feitiços. Estão por toda parte, eu não sabia também, mas achei natural que fizessem isso! Principalmente por sua causa Alyss. – ela olhou diretamente para a loira – Alvo gosta de você e o tio Harry vai fazer tudo o que o filho quiser, até mesmo proteger você se estiver nos atacando!
- Não faria isso. – ela se defendeu
- Não disse que faria. – Rose deu de ombros – E agora, o melhor é irmos dormir, não podemos fazer mais nada, a não ser esperar.
- Esperar para ver se alguém conseguirá se infiltrar em Hogwarts e me atacar? – eu desdenhei
- Na verdade, acho que os ex-comensais não serão tão burros. Se eles quiserem te atacar, se manterão escondidos até o dia de pegarmos o trem e então nos atacarão enquanto ainda estiver viajando para Londres. – ela sorriu como uma garota que respondia a uma pergunta do professor
- Você me assusta. – eu disse sério, ela praticamente previra minha morte
Ok, Scorpius Malfoy, não seja tão dramático. Ela só acha, não tem certeza de nada. E até lá, já vai estar tudo bem. Todos estarão presos.
- Por que voltou então? – eu perguntei de repente, só eu estava achando aquela história estranha
- Porque queria ficar com você. – ela sorriu fraquinho, quase como se eu a tivesse ofendido
- Ela não é a Rose. – Alyss disse de repente, sua varinha já estava em punho
Rose se mostrou indignada, depois me olhou remexer a capa em busca da minha própria varinha.
- Você não vai apontar a varinha para mim, não é? – ela se afastou – Scorpius, sou sua namorada!
- Não é. – eu ainda estava confuso, mas aquela maneira de agir não era da minha namorada
Ela pegou a própria varinha apontando para mim. Sua risada começou fraquinha saindo de dentro dela e depois irrompeu alta pelo corredor. Como ela conseguira entrar eu não sei, mas ela conseguiu.
- Seu pai é um idiota sabia? – ela deu de ombros – Deveria ter se casado comigo, eu que dei tantos anos da minha vida para ele, cuidei dele nessa escola, fiquei sempre ao seu lado. Mas quando foi a hora de escolher uma mulher para dar seguimento a linhagem Malfoy, ele escolheu a estúpida da sua mãe!
- Cale a boca. – eu vociferei
- E agora, quando finalmente voltaríamos ao poder, mais uma vez ele escolher errado! Escolheu a maldita da sua mãe e você! Podíamos ir tão longe, poderíamos ter o mundo bruxo nas mãos! Mas ele desistiu de tudo só porque acredita no poder de uma família! Draco Malfoy traiu seu sangue.
- O sangue dele sou eu! Ele jamais me traiu. – eu ergui mais a minha varinha – Você é que é maldita, sua vaca ignorante! Se você acha que meu pai escolheu o lado errado, então não sei por que ele ainda está vencendo!
- Não me insulte, Malfoyzinho idiota! – ela ergueu mais ainda varinha – Estupefaça!
- Protego! – o feitiço rebateu no escuro e parou na parede a esquerda dela – Alyss chame alguém!
- Ela não vai chamar ninguém, fui eu quem a criou! – ela riu com gosto, Alyss ficou tensa
- Alyss, ela não ama você! Chame alguém! Lembra-se? Somos seus únicos amigos e seremos para sempre! Pense no que o Alvo gostaria que você fizesse! – eu vi meu escudo se enfraquecer
- Ela será rainha disso tudo um dia! Acha que ela desperdiçaria tanto poder por uma amizade falsa? – a garota a minha frente começou a rir, seus cabelos estavam voltando a cor escura
- Alyss, por favor! – eu pedi entre dentes quando vi meu escudo sumir completamente – Estupefaça!
- Protego! – a outra riu do meu feitiço, ela era muito mais velha que eu, sabia magia negra, eu não tinha a menor chance – Sectusempra!
- NÃO! – eu mal ouvi o grito vindo da entrada do corredor a esquerda
O raio de luz que saiu da varinha dela veio em forma de cruz para mim. Ouvi os passos de Alyss sumirem pelo corredor. Ela escolheu o lado certo. Senti como se fossem ferros em brasa cravando em meu peito, queimando o que viam pelo caminho. Lâminas afiadas cortavam a carne e me faziam sangrar.
Agora eu descobri do que eram aquelas cicatrizes esbranquiçadas que meu pai tinha. Ele também já fora atingido por este feitiço.
- Estupefaça. – ouvi o sussurrar baixinho, o corpo pesado de alguém cair no chão
Abri meus olhos lentamente só para ver que a Rose, não era mais a Rose. Ela agora estava caída do outro lado do corredor, desacordada. Os cabelos negros estavam manchados de sangue. Meu sangue.
- Meu amor, diz que está bem. – a verdadeira Rose se ajoelhou ao meu lado, seu rosto banhado em lágrimas – Por favor, fala comigo!
- Por que voltou? – pedi, eu precisava da resposta
- Porque me senti assustada longe de você. – ela sussurrou segurando firme a minha mão
Essa sim era minha Rose.
- A Alyss vai voltar logo. Ela só estava assustada. Você vai ficar bem. Você vai ver. – ela sussurrava tudo muito depressa, olhava para os lados em busca de algo para me ajudar e apertava ainda mais a minha mão
- Fique calma. – eu sussurrei
Eu sentia o sangue sair do meu peito, sentia que estava cada vez mais fraco, mas estar com a Rose me acalmava, eu me segurava a vida assim. Eu queria viver por ela.
Rose respirou fundo e acenou ainda de olhos fechados.
- Quem é ela? – indicou a mulher do outro lado
- Pansy Parkinson. – eu respirei mais calmamente, o ar fugia dos meus pulmões agora
- Você vai ser um jogador de quadribol quando sair daqui? – ela perguntou olhando em meus olhos, eu apenas acenei afirmando – Você vai ficar viajando o tempo todo, como vamos ficar?
- Gostaria que fosse comigo. – sussurrei ainda mais fraco
- Tenho de ter uma carreira, eu sempre quis ser jornalista. – ela sorriu fracamente
- E pode ser...jornalista pelo mundo afora! – eu tentei dar de ombros, mas doeu e eu fiz uma careta, ela deixou mais algumas lágrimas escaparem
- Eu gostei da idéia! – ela sorriu
- Eu também gostei...
Ouvi os passos apressados de alguém. Não vi quem era e nem quis olhar. Tudo o que focalizei foi o rosto de Rose. Se fosse o fim, não seria tão ruim, porque além de estar ao meu lado, seu rosto seria a última imagem que eu veria. Eu morreria vendo o meu paraíso.
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