Delicadamente Intocável

2 Confiança Estranha


Notas iniciais
N/A: Mais um capítulo! Estou a espera de comentários! XD

POV Scorpius

Eu estava perdido em pensamentos de novo. Era sempre assim. Quando eu tinha alguma aula com ela, em todos os lugares que ia depois, eu acabava pensando nela o tempo todo. O treino de Quadribol fora um fiasco por causa disso. Eu mal notei a goles passando pelos aros quando deveria estar defendendo-os. E agora, eu estava ali, voltando ao castelo e mais uma vez pensando na maldita Weasley.

Hoje ela estava diferente. Não que alguém notasse, mas eu notei. Ela estava mais pálida do que o normal, mais quieta. Bom, geralmente, ela sempre é quieta, mas agora era diferente, como se lembranças a perturbassem. Eu queria descobrir quais.

- Sabe, se não parar de pensar nela, vai acabar com o time! – Luke Zabine começou a andar ao meu lado

Ele era meu melhor amigo, eu não precisava dizer a ele o que estava acontecendo, afinal ele sempre descobriria por si mesmo. Já me pegara numerosas vezes encarando a ruiva durante as aulas e ele sabia que eu realmente me interessava, porque não costumava fazer isso com ninguém.

- Ela estava triste hoje... – eu suspirei

- Como você sabe? – ele ergueu as sobrancelhas – Em sete anos eu ainda não a vi sequer sorrir! Quanto mais chorar! – ele suspirou pesadamente – Acho que você deveria convidá-la para sair!

- Ela não fala com ninguém! – eu me exasperei – Por que aceitaria sair comigo?

- Já pensou que ela pode não falar? Tipo, ser...

- Muda? – eu indaguei suspirando – Sim, já pensei nisso, mas eu me lembro dela quando ainda éramos pequenos! Seu pai a levava para o Ministério, ela corria por lá e sempre tagarelava sem parar! Ela era bem diferente!

- Ela era normal! – ele fez uma careta – Agora ela está em seu momento de rebeldia!

- Aconteceu alguma coisa com ela, só que ninguém quer falar sobre isso! – eu dei de ombros

- E por que você se interessa tanto? – Luke riu de forma irônica

- Eu não sei, só sei que me importo mais do que deveria! – eu sorri, Luke não me recriminaria por isso

Isso era amizade.

- Ora, ora! Vejam se não é a Weasley! – Erick, capitão do nosso time da Sonserina, passou por nós e se aproximou da ruiva que andava apressada e cheia de livros – Onde está indo?

Ela não respondeu como sempre. Só tentou desviar, mas Erick barrou seu caminho de volta. Ela suspirou e permaneceu no lugar.

- Posso carregar esses livros para você? – ele se ofereceu

No fundo, Rose Weasley intrigava qualquer garoto. Ela era linda, mas quieta e afastada de todos. Até Sonserinos natos, como Erick, queriam uma chance com ela. Eu suspirei e mordi o lábio. Queria ouvi-la falar, dizer para o Erick ir se ferrar. Por isso deixei que ele continuasse. Mas ela continuou quieta.

- O que há de errado com você? – Erick se exasperou – Estou tentando ser gentil, e eu não sou gentil! Será que pode me responder?

- Deixe-a quieta! – eu me adiantei

Os olhos azuis dela se voltaram para mim. Ela não tinha emoção nenhuma, só um vazio profundo e escuro. E por mais incrível que isso possa parecer, eu queria mergulhar ali e esquecer quem eu era.

- Eu só quero uma chance! – Erick estava exasperado demais, logo se tornaria violento

Ele se aproximou dela e ela recuou até a parede. Quando ele tocou seus braços, ela derrubou os livros. Mas não gritou. Nem se moveu. Ela fechou os olhos e as lágrimas correram pelo seu rosto. Erick ficou sem reação. Eu fiquei olhando sua fisionomia. Ela sentia dor. Quando Erick a tocou, ela sentiu dor. Como isso era possível?

- Ela está gelada demais! – Erick a largou imediatamente, mas a ruiva não voltou a abrir os olhos, continuou exatamente onde estava – O que está havendo com ela?

- Droga! – eu passei por ele e fui até ela

Minhas mãos foram direto para seu pescoço e seu rosto. Ela estava extremamente gelada, sua respiração quase não era sentida. Erick saiu correndo desesperado pelos corredores, Luke se aproximou devagar.

- Chame alguém! Agora! – eu nem me atrevi a olhá-lo, mas ouvi seus passos apressados se afastando, voltei a olhar o rosto dela – Vamos lá Rose, olhe para mim!

Nada. Nenhum movimento. Ela estava cada vez mais fraca. O que estava acontecendo com ela?

- Vai ficar tudo bem, sabe que não vou te machucar! – eu sussurrei e comecei a acariciar seu rosto – Eu não sei o que está acontecendo com você, não sei como posso ajudar! Por favor, diga-me o que fazer! Não quero lhe fazer mal!

Seus olhos se abriram devagar e eu me perdi naquele oceano azul que eram eles. Ela parecia fitar minha alma.

- Tudo bem. – eu sussurrei – Vai ficar tudo bem, precisa se acalmar!

Tudo foi muito rápido quando aconteceu. Eu jamais imaginei que ela faria aquilo, mas ela fez. Ela segurou minha camisa e se aconchegou em meu peito, seu corpo bem próximo ao meu, sua respiração em meu pescoço. Eu hesitei por uns segundos, mas a abracei de volta acariciando seus cabelos. Por algum motivo ela se sentia segura comigo.

- Isso é um milagre!

Olhei o corredor e vi Lylian Potter com a mão na boca, ela estava espantada. Alvo Potter ao lado dela não estava muito diferente. Até McGonagall estava aturdida com a cena. Eu não tenho a mínima idéia do que aconteceu ali, mas nenhum deles se atreveu a nos interromper agora.

***

Quando chegamos a porta da sala de McGonagall eu me voltei para Luke, ele me encarou decidido e eu sabia que por mais que eu falasse algo ali, ele não mudaria de idéia.

- Sabe, só eu fui chamado pela diretora! – eu dei de ombros e disse a senha para a gárgula gigante

- Sempre que você esteve nessa sala, eu também estava! E, provavelmente, se você aprontou alguma para ser chamado aqui, eu com certeza estava metido no meio! – ele sorriu e subiu as escadas comigo

Eu ri baixinho. Luke era assim. Sempre seria meu amigo para onde eu fosse. Mas no fundo isso era só para não se sentir sozinho, afinal, ninguém era amigo dele ou meu. Levantei a mão e bati na porta, ouvi a voz da diretora me mandando entrar e então respirei fundo.

Mas nada me prepararia para aquilo. Meus pais estavam ali. E os pais de Rose.

- Senhor Zabine, não o chamamos aqui! – a diretora o encarou de forma severa

- Sinceramente diretora, é difícil separar esses dois durante as férias, quanto mais aqui! – meu pai deu um sorrisinho e cumprimentou Luke com um aceno de cabeça

Blaise, pai do Luke, era seu melhor amigo desde sempre eu acho. Luke e eu fomos criados juntos.

- Eu fiz algo errado? – perguntei, será que só eu estava achando aquela situação esquisita?

- Queremos que conte o que houve com a senhorita Weasley ontem! O senhor Zabine me chamou dizendo que ela estava passando mal! – McGonagall sentou e sorriu de forma bondosa

Eu encarei Luke e franzi o cenho. O que eles queriam? A garota estava bem não estava? Respirei fundo e encarei a diretora enquanto falava.

- Erick mexeu com ela, mas não foi grosseiro ou qualquer coisa do tipo, ele só queria atenção dela, mas quando a tocou ela ficou estranha. Começou a chorar e Erick disse que ela estava gelada demais, parecia fraca, quase sem respirar. – eu suspirei – Então Erick se assustou e saiu correndo, mas eu não consegui deixá-la ali e tentei ajudar, só isso!

- Quero que nos diga o que a senhorita Weasley fez com você. – McGonagall enfatizou sorrindo

- Ela me abraçou, acho que estava com medo, eu não sei...só me abraçou! – eu dei de ombros

Encarei meus pais e eles estavam me olhando como se me avaliassem. Hermione Weasley estava chorando, mas sorria e Ronald Weasley encarava o chão de forma muito pensativa. Luke deu de ombros, tão confuso quanto eu.

O silêncio permaneceu por alguns minutos. Até que o senhor Weasley se pronunciou ainda sem me encarar.

- Há nove anos, aconteceu um...acidente com a Rose! – ele me encarou por fim, parecia estar feliz apesar de tudo – Desde aquele dia, minha filha nunca mais tocou em alguém. Ela tem crises quando isso ocorre, é como um desmaio, mas ela demora a voltar e isso nos preocupa. Ela deixou de falar, deixou de tocar nas pessoas e se afastou do mundo. Você é a primeira pessoa que ela abraça em nove anos e não tem crise nenhuma! Ela confiou em você por algum motivo, você sabe qual?

Eu balancei a cabeça negando. Eu sabia que acontecera algo com ela, mas não sabia que era algo grave para deixá-la assim.

- Vocês dois eram próximos? – meu pai perguntou ainda avaliativo

- Não! – eu neguei, Luke deu um sorrisinho, meu pai ergueu as sobrancelhas – Ela nem sabe que eu existo!

- Mas você sabe que ela existe? – meu pai sorriu de lado, típico Malfoy

- Na verdade... – eu mordi o lábio – Acho ela intrigante, sei diferenciar quando está triste ou feliz, e sei o que ela quer dizer apenas com um olhar...

- Ou seja, observa ela todo o tempo, afinal estou aqui há tanto tempo quanto os dois, e não consigo nem saber o que eu quero dizer me olhando no espelho! – Luke riu, eu fechei a cara para ele

- Gosta da minha filha? – Hermione se pronunciou, ela sorria, mas algumas lágrimas desciam pelo seu rosto ainda

- Eu não sei... – o olhar dela era tão transtornado que eu fiquei com pena

- Minha filha era perfeita, mas quando tudo aconteceu...você iria se apaixonar por ela se a conhecesse como era! – eu sabia que ela falava a verdade, por algum motivo eu sabia que poderia me apaixonar por Rose Weasley

- Nós queremos um favor! – o senhor Weasley se levantou – Se seus pais concordarem, gostaríamos que se aproximasse da Rose!

- Para quê? – indaguei sem compreender

- Achamos que ela confia em você e...pensamos que você possa conseguir trazê-la de volta...sabe...

- Ser uma garota normal! – eu concordei, encarei meus pais a espera de uma resposta, mas meu pai encarava o senhor Weasley

- Ensinei meu filho a esperar dos outros o tratamento que ele mesmo oferece as pessoas. Se for um estúpido, só receberá estupidez em troca, se for gentil, receberá gentileza! Meu filho nunca será o que eu fui um dia, ele merece o melhor que alguém possa lhe oferecer! Mas nem por isso ele vai deixar de ser quem és, um Malfoy! – meu pai estava de pé, em frente ao ruivo

- Sei muito bem quem seu filho é, mas sei também que se você continuasse sendo o idiota mimado e mesquinho que estudou comigo, você nem estaria aqui! – o ruivo sorriu e estendeu a mão, meu pai a apertou – Se minha filha quiser casar com seu filho, eu não oporia, afinal, ele tem um coração!

- Ei espera aí! – eu separei os dois – E o que eu quero? Vocês estão levando em conta?

- Tudo o que você quer é se aproximar daquela garota Scorpius! – Luke me segurou o braço – Pare de fazer drama!

- Valeu amigo! – eu exclamei balançando a cabeça descrente

Notas finais
N/A: Comentem! XD