Delicadamente Intocável
14 A União Traz Esperança
Notas iniciais
POV Scorpius
Alvo me despistara aquela noite com a desculpa de que estava com a Alyss, mas ele não fugiria por mais tempo. Pelo menos eu o interceptaria antes que ele pegasse o trem de volta para casa no Natal. Eu pensei seriamente em ficar na escola e tentar falar com a Rose, queria mostrar a ela que não havia desistido e que depois daquele beijo eu lutaria até o fim. Mas depois eu me lembrei do rosto dela quando ela não quis que eu me aproximasse. Eu nem cheguei a tocá-la.
O pior de tudo é que eu estava feliz. Eu passei anos observando-a e de repente me vejo sendo o alvo da confiança dela, confiança esta que ela não depositava em mais ninguém. Eu gostava de ser amigo dela, gostava mesmo, mas depois daquele beijo eu me senti tão bem, eu me senti...apaixonado. Eu a ama e isso era um fato. Conseguem imaginar minha decepção quando ela não quis que eu a tocasse?
- Lylian não apareceu nas aulas!
Eu pensei, primeiramente, que fosse o Luke, preocupado naquela segunda feira, mas era o Alvo. Ele estava sério e com um olhar desconfiado. Eu sorri de canto, pelo menos não precisaria procurá-lo para termos nossa conversa.
- Estava esperando por você! – eu o encarei de forma firme – Precisamos conversar!
- Não, não precisamos! – ele retrucou – Você sabe onde está o Zabine?
- Precisamos e você sabe disso! Você mentiu para mim! – eu o acusei, sério
- Eu não menti, pelo menos não a história toda! – ele se exasperou – E eu contei essa história para todo mundo mesmo!
- Quer dizer que ninguém sabe que você estava lá? – eu fiquei confuso – Nem mesmo o Teddy?
- Não! – ele respirou profundamente – Eu nunca contei a ninguém o que eu fiz! O único que sabia de alguma coisa era o Hugo e apagaram a memória dele!
- Você a machucou? – eu sei que a pergunta foi inesperada, mas ele estava me deixando confuso demais
- Não! – ele suspirou – Eu jamais encostei um dedo nela para machucá-la! Só...Tudo bem! Eu vou contar tudo, mas quero contar para todo mundo! Já não agüento mais conviver com isso, ainda mais agora que a Rose passou a confiar um pouco em mim!
- Quando? – eu não podia perder a chance, não mesmo
- Na véspera de Natal! – ele decidiu – Na minha casa! Rose vai para casa no Natal e comprou até presentes!
- Ela vai para casa? – eu me surpreendi – Eu a ajudei a comprar presentes, mas ela não queria ir para casa, a não ser que seja...
- Para ficar longe de você! – Alvo fez uma careta – Olha, eu sei que o que eu fiz foi errado, mas...eu quero a Rose de volta! E acho que a única maneira dela realmente voltar é com a sua ajuda! Então Hugo e eu invadimos o dormitório feminino da Grifinória...
- Como fizeram isso? Pelo que eu sei ninguém consegue invadir dormitórios femininos! – eu franzi as sobrancelhas, pensativo
- Na realidade não se pode invadir, mas você consegue entrar se for convidado! – ele suspirou – Lylian nos ajudou também! Enfim, pegamos o diário da Rose! Ela não escreveu muito nos últimos dias! Na verdade a maioria das páginas estão em branco desde que ela te abraçou aquela noite no corredor!
- Ela não escreveu sobre mim? – eu fiquei triste com isso, imaginei que ela gostaria de desabafar, para dizer que gostava de mim ou que rira de novo aquele dia – Nada? Não escreveu nada mesmo?
- Nada! – ele pegou um caderno preto com borás vermelhas na mochila e começou a folheá-lo – O engraçado é que ela desabafava muito antes disso! Claro que eu não li porque não me interessa saber disso, mas na noite de sábado para domingo, as três horas da madrugada, ela escreveu uma única frase depois de meses sem escrever nada!
- O que ela escreveu? – eu tentei olhar o caderno, ansioso, curioso
Ele me passou o caderno em uma página quase completamente em branco. Quase. Na primeira linha de cima, bem ao centro, estava escrito uma frase na caligrafia perfeita dela.
“Eu o amo.”
- É sobre você. – Alvo disse simplesmente
Mas eu não conseguia parar de ler. Era algo tão bom que eu conseguiria ficar lendo por um dia inteiro até mais.
- Como sabe que é sobre mim? – eu perguntei, tolamente confesso
- Ah Pelo Amor de Melin, Scorpius Malfoy! – Alvo bagunçou os cabelos, impaciente – Foi você que a beijou naquele dia!
- Ela se afastou de mim por isso? – eu o encarei finalmente, mas não devolvi o caderno
- Ela se afasta de todos que ela ama! Na consciência dela pessoas que ela ama a machucam, já os desconhecidos, são simples desconhecidos! Foi por isso que ela confiou em você! Por que você era um desconhecido, mas agora que ela te ama, seus medos se voltaram contra você também!
Eu não consegui responder. Tudo o que ele dizia fazia sentido, na realidade eu também acreditava no que ele dissera.
- Mas se for assim, ela não vai voltar a falar comigo nunca mais! – eu soltei o ar que percebi que mantinha preso, agora eu estava frustrado
- É amor Scorpius! Não é um amor de amigos ou de família! É o amor que um homem deve sentir por uma mulher e vice e versa! – Alvo parecia explicar a uma criança – Você conseguiu que ela voltasse a cofiar em mim e eu sou só seu melhor amigo de infância! Você vai conseguir que ela volte a falar com você! E eu acho que sei como!
- Como? – eu nunca pedi ajuda a ele, não assim, mas agora eu queria a Rose de volta só para dizer que também a amava
- Você precisa estar em certas situações com ela, situações que outra pessoa se aproveitaria, mas você não! Precisa demonstrar que ela pode confiar em você de novo!
Eu acenei confirmando. Talvez eu estivesse me metendo em uma furada por confiar assim nele, afinal ele ainda gostava da Rose, mas eu não estava raciocinando direito aquela hora.
- Tudo bem por aqui? – Luke apareceu do meu lado olhando de Alvo para mim
Eu acenei confirmando, ainda pensativo. Se fosse em uma briga, Luke tomaria o meu partido, mesmo que fosse contra o cunhado.
- Você viu minha irmã? – Alvo encarou o outro
- Por quê? – Luke se conteve, Alvo ainda não sabia sobre Lylian
- Por que ela não apareceu nas aulas! E como você saiu com ela no sábado, imaginei que vocês dois estivessem juntos, assim saberia onde ela estava! – ele deu de ombros, não se importava com Luke, mas sim com a irmã
- Ela vai se ferrar se continuar assim! – Luke murmurou fechando os punhos, Alvo ergueu as sobrancelhas para ele, curioso – Sua irmã deve estar no dormitório, dormindo!
- O dia todo? – o moreno desconfiou, Luke estaria ferrado agora, pelo menos eu estaria ao seu lado
- Ela faz muito isso ultimamente! – Luke deu de ombros – Temos que contar algo a você e vamos precisar da sua ajuda, ou ela pode ser expulsa!
- O que está acontecendo com ela? – ele pareceu mais preocupado agora, eu dei um passo a frente me metendo entre eles
- Na Sala Precisa às onze horas da noite! – Luke suspirou – Lylian também vai estar lá!
- Leve a Alyss e a convide a Rose! – eu me intrometi, Luke segurou meu braço quase rejeitando a proposta – Lylian vai precisar de ajuda de garotas, não só de três garotos como nós!
- Tudo bem! – Luke concordou – Não interrogue a Lylian, eu não sei o que ela é capaz de fazer se você não aceitá-la agora!
- Você está preocupando! – Alvo suspirou – Vou estar lá!
- Acha que pode confiar na Alyss? – perguntei, encarando ele de forma compenetrada, será que ela havia contado tudo?
- Sim, ela vai confiar em mim e fazer tudo o que eu disser! Por sinal, ela me pediu que você ficasse longe dela, mas acho que agora ela já não tem medo de você, afinal ela me contou o que acontecia com ela!
- Espero que não tenha me acusado de algo! – eu ergui as mãos na altura dos ombros, sinalizando que era desprovido de culpa
- Na verdade ela até gosta de você! Disse que você pode até se importar com a Rose, mas que me considera um amigo também, ou não faria o que fez! – Alvo sorriu de canto e saiu dali sem me dar chance de responder
- Eu concordo com a Alyss! – Luke riu e bateu de leve em meu ombro – Eu estou morto não estou?
- Com o Alvo não, mas talvez com o resto da família dela! – eu dei de ombros – Farei um velório legal, não se preocupe!
- Valeu, melhor amigo!
Eu estava impaciente na Sala Precisa. Luke estava sentado ao lado de Lylian tentando acalmá-la e fazendo-a entender que precisavam do Alvo. Mas eu só queria que Rose aparecesse, sem olhar para mim ou qualquer outra coisa. Só viesse até ali. Eu precisava vê-la de algum modo.
Achei que ela não viria, que não se importaria, mas ela apareceu logo depois com Alvo e Alyss. Ela me olhou de frente e depois sentou em uma poltrona olhando para a prima e o Luke. Eu suspirei cansado, mas dentro de mim uma fagulha de esperança brilhava.
- Agora podem nos contar o que aconteceu! – Alvo encarou a irmã e o cunhado de frente, os braços cruzados
Alyss se mantinha mais afastada dele, mas interviria em qualquer reação do namorado, ficante ou seja lá o que o Alvo for. Eu também me interporia entre eles se precisasse.
- Ly? – Alvo chamou com mais carinho, mas a ruiva só abaixou a cabeça e começou a chorar de repente
Ela estava com medo. E alguém poderia condená-la por isso? Ela tinha dezesseis anos e mais um ano de escola pela frente. E estava grávida de um cara mais velho. Pelo menos o Luke estava ao lado dela.
- Ela está grávida. – Luke disse baixinho, mas todos nós ouvimos
Alvo ficou sem reação, Rose só olhava para a prima. O que deveríamos dizer agora? Lylian precisava de conforto, eu tinha até pena dela nessa hora. E como se ouvindo meus pensamentos Rose se levantou e foi até o outro sofá se ajoelhando em frente a prima. Todos nós prendemos a respiração, até Lylian a encarou sem saber o que fazer. Em um impulso Rose a abraçou.
Nós ficamos chocados com a reação por alguns momentos, até tomarmos consciência da realidade. Lylian havia acabado de contar que estava grávida ao irmão e agora estava ali abraçando a Rose e chorando desesperadamente.
- Eu seria um idiota se perguntasse quem é o pai? – Alvo respirou umas três vezes antes de falar
- Sua irmã só tinha fama! – Luke se levantou enquanto Alyss se aproximava para ficar com Lylian também – Ela só dormiu comigo!
- E vocês foram dois irresponsáveis! – Alvo tentou repreendê-lo, mas só tinha olhos para a irmã – O que faremos agora?
Lylian levantou o rosto banhado em lágrimas e se desprendeu de Rose.
- Vou contar aos nossos pais só no final do ano! – a voz dela estava entrecortada – Mas vou precisar de ajuda na escola! Não quero ser expulsa!
- Ajuda? Como vamos esconder que está grávida! – Alvo se exasperou – E nossos pais merecem saber!
- Mas não vão me deixar voltar para a escola! – Lylian deixou mais algumas lágrimas caírem pelo rosto
- Podemos esconder que ela está grávida! – eu suspirei, todos me encararam – Rose pode emprestar roupas mais folgadas e podemos nos revezar para ajudá-la com comida e desejos!
Alvo acenou concordando.
- Lylian é pequena e vai estar com seis meses quando o ano acabar! Poderemos esconder! – Luke fitou a namorada – Mas acho que ela deveria contar aos pais! No Natal!
- Você quer ser morto não? – eu perguntei estupefato pela decisão dele
- Vamos passar o Natal todos juntos, lá em casa! – Alvo suspirou – Tudo bem? Luke? Scorpius?
Nós dois acenamos concordando. Alyss sorriu, conversariam mais tarde pelo jeito.
- Tudo bem para você, Rose? – eu perguntei de repente, eu queria ouvir sua voz, mas ela não me responderia com palavras
A ruiva apenas confirmou com um aceno de cabeça. Eu suspirei, desanimado.
- E depois daqui? – Alvo suspirou – Depois de Hogwarts? O que vocês vão fazer?
- Eu já pensei em algumas coisas, mas conversar com a Ly antes! – Luke sorriu para a sua ruiva
- Você gosta dela! – Alvo encarou o outro admirado – Lylian se deu bem no final de tudo!
- Eu a amo! — Luke sorriu – Não vou deixar nada de mal lhe acontecer!
E nesse momento Rose me encarou, seus olhos estavam marejados. Eu queria falar algo para ela, mas não com todas aquelas pessoas ali. Eu queria poder dizer que as pessoas que amamos nem sempre irão nos machucar. Senti meu coração apertar quando ela se levantou do chão e ficou olhando a volta sem saber o que fazer.
- Nós precisamos ir agora, não é Al? – Alyss se levantou – Lylian já está melhor e seria bom que passássemos na cozinha pegar algo para ela!
- Vamos, tenho amigos elfos! – Luke estendeu a mão para Lylian e os dois se dirigiram a saída junto com Alyss e Alvo
Rose e eu ficamos sozinhos na Sala Precisa. Ela só ficou encarando o chão, eu não sabia bem o que falar.
- Você iria me procurar mesmo? – perguntei meio infantil
Ela me encarou com os olhos brilhando de lágrimas.
- Eu sinto sua falta! E não estou dizendo do beijo não, estou dizendo de ficar ao seu lado! – eu suspirei, ela deu um leve sorriso – Não vai se importar de que eu vá para o Natal?
Ela negou com a cabeça, sorria. Pelo menos estava feliz que eu fosse. Aproximei-me dela e lhe estendi a mão, como na segunda vez que nos vimos. Ela estendeu a mão por cima da minha. Não tocou, mas eu podia sentir o calor emanando de sua pele. Sorri para ela mesmo sem sentir seu toque, já era algo.
Fale com o autor