Delicadamente Intocável

10 A Realidade Trazendo Lembranças


Notas iniciais
N/A: Oiii! *-* Gente, vocês ficariam bravas se eu disser que me empolguei nesse capítulo? Sério, ele não era para ser tãããão enorme, mas como é o primeiro POV da Rose, eu me empolguei um pouquinho! XD Mas acho que vocês irão gostar do final do capítulo, eu espero que sim pelo menos! Mas não se enganem, nem tudo são Rosas!
Como eu pedi a opinião de vocês sobre os bônus ou ponto de vista dos outros personagens, eu vou postar o primeiro bônus logo depois desse capítulo, o mais provavel é que seja hoje mesmo (já que é uma e quarenta e cinco da manhã), ele será um bônus do Alvo e da Alyss, contando como as coisas aconteceram entre eles até esse passeio em Hogsmeade. Mas muitos detalhes do relacionamento deles ainda vão aparecer durante o decorrer da história. Espero sinceramente que gostem! Beijooos

POV Rose


Eu não dormi durante a noite. Na realidade fiquei sentada na cama olhando cada uma das garotas que dormiam no mesmo quarto que eu. Será que elas se importariam se eu falasse com elas? Eu pensei que nem sabia mais falar, mas ontem, naquele momento eu quis falar, eu quis que ele se sentisse importante para mim, porque ele era. Scorpius Malfoy era muito importante para mim, porém eu ainda não sabia por que.

Levantei-me cedo demais e adentrei o banheiro em busca de que a água quente me fizesse entender o que se passava. Ele me ignorara por dois dias e então ontem eu falara. Será que hoje ele também me ignoraria? Porque se fizesse isso, eu nem iria a Hogsmeade. Eu não queria ficar sozinha, mas não queria ninguém ao meu lado se não fosse ele!

Há muito tempo eu não sentia nada igual. Eu me acostumara com o silêncio e com a solidão, era algo que eu gostava e prezava. Eu sentia falta dos meus amigos, mas nada que não fosse suportável. Então ele apareceu e virou minha cabeça de ponta cabeça. Num minuto ele era um garoto irritante tentando ser meu amigo, no outro ele era um doce de pessoa que fazia parte da minha vida, irremediavelmente.

Ele fez uma bagunça na minha rotina. Ele colocou pessoas convivendo comigo, como o Luke, a Lylian e o Alvo. Meus antigos amigos e agora novos também. Eles falavam o tempo todo, sorriam e choravam. Eram pessoas que conviviam apesar das diferenças, e eu, mesmo quieta e sem me entrosar com eles, participava desse grupo. Eu fazia parte deles e eles passaram a fazer parte da minha vida.

E novos sentimentos começaram a nascer em mim. Um deles se chamava saudade. Saudade da Lylian. Saudade do Alvo. Eu nunca percebi que eu sentia falta deles como eu estava sentindo agora. Ou então carinho. O carinho enorme que eu sentia pelo Luke. Ele fizera brotar sentimentos que eu pensei há muito ter esquecido. E, no entanto, eu já não sei o que sinto por ele. Justo por ele.

Não me lembro muito do meu caminho até os portões, mas lembro-me de estar lá às sete horas da manhã, sendo que as carruagens sairiam às oito. Mas não fui a única, Scorpius Malfoy também estava lá. Os cabelos espetados como sempre e as mãos nos bolsos. Ele estava inquieto, mas assim que me viu pareceu petrificar no lugar.

– Oi. – ele disse impaciente enquanto eu ainda me aproximava

Eu não respondi, apenas acenei com a cabeça. Parei em sua frente e fiquei olhando o chão e chutando uma pedrinha. Ele teria de se desculpar se queria me ouvir falar de novo.

– Você está brava comigo? – ele fez uma careta, eu me segurei para não demonstrar que gostaria de rir

Não respondi mais uma vez e ele acabou por aceitar que eu estava brava e abaixou a cabeça.

– Sabe, eu não consegui dormir, por isso estou aqui cedo demais! – ele suspirou – Eu pensei que se você viesse, nós podíamos sair antes que os outros e ir a pé como fomos da primeira vez!

Eu ergui minhas sobrancelhas. Ele não havia convidado a Lylian e o Alvo para ir junto? Além do Luke? Por que gostaria de sair assim comigo?

– Olha, tudo bem se não quiser mais falar comigo, bom eu nem sei se foi você quem falou, mas... – ele parou e olhou de forma bem séria para mim – Eu nunca ouvi aquela voz antes e quando ouvi, eu...acho que me encantei!

Ele era um fofo não? Sério, eu podia ter medo do resto do mundo! Até dos meus familiares porque eu conhecia os dois lados da minha família, o lado bom e o ruim! Mas ele não, eu não conhecia seu lado ruim, ou então esse lado nem existia nele. E talvez por isso que eu começava a sentir medo.

Ele ficou me olhando enquanto eu ficava em silêncio e então desistiu de esperar uma resposta. Eu abri a boca para responder, não queria que ele se sentisse rejeitado, mas a fechei na mesma hora que Alyss se aproximou. Ela parecia nervosa como sempre, as mãos torcendo em frente ao corpo.

– Alvo me convidou para sair! – ela encarava Scorpius, o loiro fechou a cara na mesma hora

Eu estranhei aquele ato, afinal ele estava saindo comigo, não estava? Eu acho que de tanto me afastar das pessoas, eu acabei por esquecer como elas são. Scorpius era meu amigo, mas será que gostava de mim? Será que aguentaria uma garota que ele mal podia tocar? Quanto mais beijar? Ele nunca disse o que sentia por mim.

– E você aceitou, não é? – pela primeira vez eu ouvi o tom de rancor na voz dele, será que ele queria sair com ela e não fazia isso por minha causa?

– Eu não podia negar... – ela respirou fundo – Mas vou contar a verdade a ele! Por favor, eu gosto dele! De verdade!

– Como pode gostar de alguém que mal conversou? – Scorpius franziu o cenho, até eu fiquei curiosa

Alvo estava conosco a maior parte do tempo. Como conversara com ela? Será que os dois se encontravam escondidos?

– A gente conversa às vezes durante a monitoria...bom, minhas amigas não estão por perto...e... – ela parou de falar – Por favor, deixe que eu conte para ele!

Scorpius pareceu pensar, eu segurei seu braço em um pedido mudo de explicação. Ele me encarou e suspirou.

– Depois eu te explico! – ele sorriu de lado – Tudo bem, mas conte a ele Alyss! Ou eu vou contar!

Ela acenou e saiu dali, um pouco melhor eu acho. Eu encarei Scorpius de volta, se antes eu não estava brava, agora eu estava. Ele respirou fundo e fez uma das típicas caretas dele.

– Bom, eu posso te contar tudo se você sair comigo! – ele piscou, maroto – Alvo vai sair com a Alyss, e eu pensei de deixar o Luke e a Lylian se entenderem! Pode ser?

Eu acenei e comecei a andar, ele se aproximou, mas prevendo que seguraria minha mão, eu cruzei os braços. O vento praticamente cortava meu rosto de tão gelado. Eu me encolhi toda.

– Está com frio? – ele perguntou, eu o fuzilei com os olhos

Ele suspirou de modo cansado e parou no mesmo local. Eu o encarei, ele estava prestes a explodir e de alguma maneira aquilo era engraçado. Eu não conseguia sentir raiva dele, pelo contrário. Eu queria falar com ele! Eu mesma queria ouvir minha voz de novo.

– Me perdoa Rose! – ele estava exasperado – Sério, eu fui um babaca, mas toda vez que você olhava para o Alvo eu achava que você gostava dele! E eu fiquei...fiquei com ciúmes! Será que pode me perdoar?

Ele estava triste. Sabe a alegria que eu senti ao ver que ele estava triste porque eu estava brava com ele? Ele era ou não era um fofo?

– Eu estou com frio, sim! – eu sorri de modo contido

Ele ficou parado por uns instantes, seus olhos brilhando, maravilhado. Eu abri ainda mais meu sorriso. Então ele se aproximou e tirou o casaco colocando-o sobre meus ombros. Eu me aconcheguei fechando o casaco em frente ao meu corpo.

– Fala de novo? – ele pediu num impulso

Eu rolei meus olhos e comecei a andar, ele logo estava ao meu lado. Ainda maravilhado.

– Podemos voltar meio cedo, eu quero realmente estudar um pouco! – encolhi-me mais ainda devido ao frio

Ele passou o braço pelo meu ombro me puxando para ele. E o mais engraçado é que eu não me preocupei em ter falado de novo ou qualquer coisa assim. As reações dele fizeram me esquecer de tudo ao redor, até de mim mesma. Isso me fazia sentir algo esquisito, sabe aquilo que dizem que você só sente realmente quando perde? Eu estava assim, mas já sentia que iria perder.

– Quero pedir que você faça uma coisa! – ele começou a falar meio receoso, eu o encarei erguendo as sobrancelhas – Quero que compre presentes para sua família neste Natal!

– Não vou passar o Natal em casa! – eu falei rápido demais, quase me afastei dele, mas ele não permitiu

– Por que não? – ele franziu o cenho, mas continuamos a andar para Hogsmeade

– Eu nunca passo o Natal em casa! Lá está sempre cheio de gente e a família reunida... – eu respondi, baixo demais

Eu estava em um mundo que parecia feito de sonhos até agora, mas por algum motivo, por causa daquela conversa, eu estava voltando a realidade. Nada mudara. Scorpius não mudara nada. O que eu senti e sempre sentiria por causa daquela noite oito anos atrás continuava ali, machucando o tempo todo. Eu só pensei que sumira, mas ainda estava ali.

– Você não quer ver sua família? – ele parecia carinhoso

Levantei meu olhar para ele, mas o que eu via continuava sendo aquele menino doce de sempre, aquele que me fazia sentir coisas estranhas e que me colocara em um mundo novo e maravilhoso. Então porque eu sentia uma vontade enorme de chorar agora? Por que eu sabia que tinha de me afastar? Porque as pessoas que amamos nos machucam mais do que aquelas que mal conhecemos. E ele já passara da fase de ser um mero conhecido há muito tempo.

– Não gosto de passar muito tempo com eles! – eu me justifiquei tentando parecer uma garota normal

Por algum motivo idiota eu não queria que ele soubesse o que havia acontecido comigo. Eu queria que tudo continuasse como estava, sem ninguém saber. Somente eu.

– Mas isso vai impedir você de comprar presentes? – ele ergueu as sobrancelhas, sorria – Você pode mandar para eles por correio coruja e só mandar lembranças! Posso passar o natal em Hogwarts com você se quiser!

Eu sorri para ele, Scorpius era legal, carinhoso e ao mesmo tempo era irritante. Não por querer, mas porque eu precisava dele de uma maneira que jamais precisei de outro alguém. E era isso que me irritava, o fato dele ser tão importante na minha vida. De algum modo eu não queria perdê-lo, mas meu inconsciente me dizia que isso aconteceria cedo ou tarde.

Passamos o dia comprando presentes, andando de uma loja a outra. Ele sempre buscando que eu encontrasse os presentes ideais para cada um, que eu me lembrasse de características certas de cada um da minha família. Ele queria que eu sentisse que aquilo era importante e o pior de tudo isso, é que eu estava sentindo.

Comemos alguma coisa de almoço e passeamos, fomos até a casa dos gritos, mas ficamos do lado de fora agora. Rimos muito quando percebemos que, apesar de termos ficado a manhã inteira no povoado, nem Luke e Lylian, e nem o Alvo e a Alyss foram vistos por lá. Eles estavam aprontando com certeza. Mas eu ficava feliz por eles, tão feliz que até me esqueci de perguntar por que ele conversara daquele modo com a loira. Mas quando chegamos em Hogwarts, ainda nos jardins, eu o parei, encarando-o de forma séria.

– O que eu fiz agora? – ele ergueu os braços em sinal de defesa, eu acabei rindo

– Por que falou daquela maneira com a Alyss? – eu estava séria, mas não brava

Ele respirou fundo e fez mais uma careta. Eu já disse como adoro as caretas que ele vive fazendo? Ele tem uma careta para cada situação, para cada dia e para cada tempo. Se duvidar tem uma careta até para cada lua do mês.

– Você se lembra que ela me convidou para sair na loja de doces? No último passeio? – eu confirmei com um aceno e só então ele continuou – Bom eu iria apresentar ela ao Luke, mas parece que o Luke gosta realmente da Lylian, então decidi apresentar ao Alvo! Só que eu meio que descobri que ela está numa aposta com as amigas, por isso está saindo com o seu primo!

– Aposta? – ergui as sobrancelhas – Por isso ela está sempre nervosa?

– Acho que é mais um tipo de chantagem das amigas dela! Eu acho que a Alyss vai ter que fazer mais do que simplesmente sair com o Al! – ele estava sério, compenetrado – E no final, ela vai sair machucada e o Al decepcionado!

– Você está tentando ajudar o Al! – eu sorri, maravilhada pela atitude dele

– No início achei que era por sua causa, mas o Potter se mostrou digno de confiança e ser um cara legal! Achei que ele não merecia isso! – dei de ombros

Eu sorri e o abracei pela cintura, a neve começou fraquinha caindo sobre nossas cabeças e deixando nossos gorros molhados. Logo, tudo a volta estava branco. Eu encostei meu rosto em seu peito e ele me abraçou também. O silêncio reinou por uns segundos.

– É melhor entrarmos no castelo ou vamos ficar resfriados! – ele disse baixinho

– Você algum dia esconderia algo de mim? – pedi meio vacilante

Ele pareceu confuso porque demorou algum tempo para responder, então eu suspirei e me afastei um pouco.

– Reformulando... – eu tentei parecer forte, levantei meu rosto e senti sua respiração quase se misturando com a minha – Você faria algo que eu não quisesse?

– Nunca. – ele foi firme dessa vez e eu confiei nele

Suas mãos subiram para meu pescoço e eu respirei fundo. Então ele aproximou sua boca da minha, ainda meio hesitante. Quando nossos lábios se tocaram, eu percebi o quanto nossas temperaturas eram diferentes. Enquanto eu estava sempre quente, ele sempre estava gelado. Eu pensei que o beijo seria ávido, duro, mas os lábios dele eram donos de uma leveza que me faziam querer mais. Muito mais. Mas aí veio a sensação de desprezo, de agonia. Eu estava com medo, com medo que acontecesse de novo, com medo que ele me machucasse.

Eu me soltei dele e lhe voltei às costas. Meus dedos pararam em meus lábios, minha cabeça parecia girar por cenas que eu odiava, que eu bloqueei em minha mente por muitos anos. Mas ao mesmo tempo eu queria mais.

Eu não senti Scorpius se aproximar, pelo contrário, ele não fizera movimento nenhum. Ele me dera espaço para que eu fizesse o que eu queria fazer. Até fugir se precisasse. Voltei-me novamente para ele. Ele continuava no mesmo lugar, só me olhando. Seus olhos estavam ansiosos, até agoniados.

– Tudo bem? – ele perguntou baixinho

E então naqueles olhos eu me perdi e me encontrei. Era o Scorpius, o meu Scorpius. Eu apenas acenei sinalizando estar bem. Ele me estendeu a mão e eu a segurei sendo puxada de encontro a ele de novo. Nossos corpos se tocaram de forma delicada, ele afastou meus cabelos do rosto e me beijou a ponta do nariz.

– Eu posso tentar de novo? – ele sorria fraquinho, com carinho, eu acenei confirmando

Ele puxou minhas mãos até seu peito e as depositou ali, depois segurou meu rosto entre suas mãos novamente.

– Se você não quiser, basta me empurrar. – seus olhos brilhavam demais, o cinza de antes agora era azul e eu sentia uma paz vinda dele que me acalmava

Nossos lábios se tocaram de novo. Todas as sensações anteriores voltaram, mas a paz que ele emanava me deixava tão bem, que eu me esqueci das coisas ruins. Ele tocou meus lábios com a ponta da língua e eu os entreabri para que ele pudesse aprofundar o beijo. Quando nossas línguas se encontraram, eu amoleci, talvez porque nunca beijei um garoto antes, talvez porque nunca senti o que ele me fazia sentir. Suas mãos me seguraram fortemente pela cintura e foi só por isso que não caí.

Quando ele se afastou, alguns segundos depois, nós nos encaramos por um tempo, os dois sorrindo. E então caiu a ficha. Eu sabia o que eu sentia por ele. E era exatamente o que eu mais temia.



Notas finais
N/A: Comentem! XD