Delena - You Found Me (Completa)
40 Duas parte de um só.
Notas iniciais
A música ensurdecedora, os corpos dançando, o cheiro de suor e alcóol. Todas aquelas risadas de felicidade ou estado alterado. O meu corpo não estava diferente do de todo mundo ainda, sujo, suado e cheio de sangue com alcóol. Uma festa de faculdade. Eu mexia meu corpo no ritmo da música, dançando no meio daquele monte de desconhecidos que pareciam tão felizes quanto eu. Deixava meu corpo ser levado pela batida da música e a velocidade do sangue fresco correndo pelo meu corpo. Eu estava em transe.
Quero me sentir assim para sempre. Disse para mim mesma em minha cabeça. Quando abri os olhos eu o vi. Os lábios, o pescoço e a camisa cheios de sangue, Damon vinha em minha direção no ritmo da musica.
Ele veio em minha direção e começou a dançar comigo. Eramos um só naquele momento, naquele transe de loucura que o sangue nos proporcionava. Nada consegue descrever esse momento completamente.
Damon estava certo o tempo todo, precisamos de um tempo para nós. Estavamos juntos há cinco dias e foram os melhores dias da minha vida, nada era melhor do que o que estavamos tendo juntos.
Parece egoísmo, mas eu não queria voltar, nunca mais. Queria esquecer os outros e viver com Damon para sempre.
― Vou me alimentar. ― Falei na orelha de Damon.
Então sai dali sem nem esperar ele fazer alguma de suas objeções que pareciam as de Ric nos últimos dias. Segui para as áreas mais vazias da casa, a festa estava acontecendo numa casa de fraternidade. O lugar estava decorado de acordo com o tema da festa, Halloween. Damon estava fantasiado de Jack, o estripador. O que era irônico, já que o famoso Jack era na verdade seu irmão mais novo, Stefan. Sim, Stefan foi Jack, o primeiro apelido que lhe deram por isso que o estripador ficou. Nessa época eu estava criando Stefan, o transformando em quem ele seria. As cartas que ele escreveu depois de cometer seus crimes, muitas vezes ainda sujo do sangue de suas vitimas eram sua maior forma de arrependimento.
Vi um garoto vindo em minha direção, sozinho e meio bebado, com um sorriso convencido no rosto era a vitima perfeita. Fui em sua direção e o empurrei contra a parede.
― Não grite! ― Compeli ele.
Então cravei minhas presas em sua garganta rasgando a mesma. Deixei o sangue fluir para a minha boca, eu já havia provado vários gostos e sabores diferentes essa noite, muito bem diversificados. Cada um com seu tempeiro especial. O sangue humano sempre que misturado com algo em sua corrente sanguinea tem um sabor especial. Alcóol, drogas ou qualquer outro tipo de substancia ingerida por eles era como um tempeiro especial, lhe dando um sabor único.
Aquilo era como degustação de uma feira de comidas diversificadas para um vampiro, a procura do sabor perfeito e a cada novo pescoço era uma surpresa.
Nós vampiros controlavamos a vida de nossas vitimas pela pulsação, mas existem alguns momentos em que não nos damos conta do que estamos fazendo e perdemos o controle. Soltei o corpo do garoto que caiu desacordado a minha frente.
― Elena? ― Ouvi a voz de Damon atrás de mim.
Me virei para ele e sorri.
― Vamos tomar um ar. ― Ele disse olhando o corpo do garoto sob meus pés.
A música do lado de fora parecia abafada, do lado de fora da casa só estavam os casais, as pessoas que haviam bebido demais e aqueles que assim como Damon e eu só precisavam de um pouco de ar puro.
― Pensei que tinha dito para pegar leve. ― Damon falou.
― Eu estou pegando leve. ― Disse com entusiasmo exagerado. ― É que esses garotos são muito frágeis.
― Muito frágeis? Elena, você acabou de fazer um rombo na garganta daquele garoto lá atrás. ― Damon me advertiu.
― Você está parecendo Ric agora. ― Falei sem perder o bom humor.
― É, vou continuar como Ric quando se trata de certas coisas. Quantos? ― Ele fez a pergunta que eu estava tentando evitar.
― Porque você quer saber?
― De quantas pessoas você se alimentou? ― Ele perguntou firme.
― Não importa, ok? É só diversão, Damon. Pare de ser um certinho, Stefan era mais divertido nesse quesito. ― Falei sem pensar e me arrependi logo que as palavras sairam de minha boca. Deixei de sorrir.
― Vou perguntar mais uma vez, de quantos você se alimentou?
Foi só então que cai na realidade. Eu não estava me importando, nem contando menos ainda sentindo outra coisa que não fosse o sangue. Só então que me dei conta do que estava fazendo.
― Doze. ― Falei sem ter certeza, mas eu sabia que foram doze pessoas quase completamente drenadas. Eu só não queria acreditar nisso.
― Ótimo, isso é tipico do seu alter-ego malvado, Katherine! ― Ele disse bravo comigo. ― Porque não aproveita e começa a rancar cabeças por ai, como ensinou ao Stefan?
Eu estava voltando a realidade, a culpa estava tomando conta de mim de novo. Eu, Elena, não era como Katherine. Eramos duas pessoas que ocupavam um só corpo, mas eramos como água e óleo. A culpa invadiu meu peito junto com o arrependimento, as únicas coisas que eu sentia. Meus olhos queimaram com as lágrimas.
― Lide com sua culpa. ― Damon disse e então saiu andando, me deixando ali.
Ele estava bravo comigo e com motivo, o que eu havia feito era errado. Eu tinha deixado sangue me controlar, mas eu que deveria controlá-lo. Ele só estava com medo do que poderia acontecer se eu perdesse o controle e voltasse a ser como eu era.
...
música: http://www.youtube.com/watch?v=lDK9QqIzhwk
― É disso que eu estou falando, cara! Música, essa que te arrepia e não aquele tuntz, tuntz, tuntz... ― Lexi gritou mais alto que a música.
Ela dançava livremente no meio da sala, sem se importar com nada. Enquanto Stefan a acompanhava do sofá.
Enquanto Rebekah que assistia tudo só se divertia com a cena.
― Elijah deve estar te dando um trato daqueles, Lexi. ― Rebekah riu.
― O seu irmão tem o melhor sexo do mundo, só para deixarmos isso bem claro. ― Lexi gritou ainda dançando.
Stefan puxou o corpo mole da garota sentado imóvel ao seu lado no sofá. A segurou e então mordeu seu pescoço, se alimentando dela.
Ric ficou parado na porta da sala olhando para os três que nem notaram sua presença ali, até ele denuncia-lá.
― Belos passos, Lexi. ― Ele disse irônico.
― Você se lembra, Ric? Anos oitenta. Cara, eu era o creme dos anos oitenta.
― Oh, Deus. Vocês transformaram a casa em um bordel. ― Ric disse olhando para Stefan se alimentando da garota sem dó nem piedade.
― Ric, escuta isso! ― Lexi mudou a música.
música: http://www.youtube.com/watch?v=4YH5MEyNuIM
― Stefan, você não prefere algo tipo... uma bolsa de sangue?
Stefan parou de sugar a garota e olhou para Ric.
― Atualmente, eu estou totalmente bem bebendo direto da veia.
― Ric, sente isso! Burn baby burn! ― Lexi cantou junto com a música. ― Dança comigo, você era o Tony Manero do disco.
― Ai meu Deus. ― Ric disse batendo em sua própria testa.
Lexi mudou de música novamente.
música: http://www.youtube.com/watch?v=_Vj092UgKwQ
― Essa é a sua música, Ric. ― Lexi gritou fazendo passos dos anos setenta.
― Eu vou me retirar. ― Ric deu as costas para eles e saiu dali.
Era perda de tempo. Toda nostalgia dos anos setenta e oitenta, sem contar o fato de que eles estavam completamente bêbados. Ele foi até o lado de fora da casa ligar para Damon.
― Ric! Como tem sobrevivido no mundo dos problemas? ― Damon atendeu o telefone bem humorado.
― Ah, eu não acho que eu estou sobrevivendo. Só mencionando o fato de que Stefan transformou a casa em um bordel. Como está New York? Muitas memórias dos anos setenta?
― Ah, Deus. Stefan é igual a todo adolescente retardado. Fica sozinho em casa e corre dar uma festa porque está se sentindo abandonado. Segure as pontas por mais alguns dias, logo estaremos em casa. É claro, estou vivendo numa nuvem de flashbacks. ― Damon disse irônico.
― Ok, e Elena, como ela está? ― Ric perguntou.
― Ah, ela está bem. ― Damon disse sem muita certeza.
― Acho que você tem algo a mais para falar... ― Ric disse esperando Damon falar.
― Não, está tudo na boa. Mas você conhece sua garotinha, ela tem gosto dela coisa. Adora sair por ai descontrolada abrindo burracos na garganta das pessoas.
― Ah... ― Ric riu. ― deixe ela se divertir mas segure as redeas, ok? Se não tiver alguém para colocar limites nela, ela faz o que quiser.
― Eu sei disso. Bem, falando em limites, é a minha hora. Perdi ela de vista.
― Vai lá, vejo vocês em breve. ― Ric desligou.
Assim que Damon guardou o celular no bolso eu voltei para o seu campo de visão parada bem a sua frente.
― Ei, onde você estava? ― Ele perguntou.
― Andando. ― Falei.
― Hum, e então, quais os planos para hoje? ― Damon me perguntou.
...
Stefan continuava sentado no sofá da sala. Mas não estava mais bêbado, Rebekah ainda o fazia companhia com suas perguntas que o deixavam irritado, mas ele gostava. Lexi havia ido jantar com Elijah e Ric com Jenna e Jeremy. Rebekah conseguia o distrair de Caroline e de como ele estava se sentindo mal por ela ter escolhido Klaus.
― Bem, eu vou para casa. ― Rebekah disse.
― Espere... ― Stefan disse. ― Rebekah, eu não sou um cara legal?
― Se for para contar sobre a sua vida insana e louca, em que você mata pessoas, definitivamente não. ― Rebekah disse brincalhona, mas Stefan não sorriu. Ela se levantou e o olhou imóvel naquele sofá. ― Olhe Stefan, se isso é sobre Caroline. É claro que você é um cara legal... mas se tem algo que aprendi com você é que se você ama alguém, você não pode forçá-lo a te amar de volta. Você só pode rezar e ter sorte para que essa pessoa te ama de volta. Não fique se punindo como está fazendo agora, achando que não fez o suficiente, porque você fez. Mas é aquela coisa de sorte, a pessoa que você vai te amar de volta se você for a pessoa mais sortuda do mundo. ― Ela sorriu para Stefan e saiu dali. ― Boa noite.
Assim que Rebekah saiu, o lugar dela na poltrona de canto da sala foi ocupada por uma outra vampira loira.
música: http://www.youtube.com/watch?v=Y9ZIkV_oCe4
― Oi. ― Caroline disse baixo para Stefan.
― Porque você está aqui? ― Stefan disse olhando para ela.
― Para me despedir. ― Ela disse surpreendendo Stefan.
― Klaus encontrou a cura, nós vamos fazer uma viagem. ― Caroline disse com medo da reação de Stefan.
Stefan se levantou do sofá e caminhou em silêncio por um momento. Caroline ficou imóvel apenas o assistindo se mover.
― Você não vai voltar, não é? ― Ele perguntou já sabendo a resposta.
Caroline apenas fechou so olhos, se segurando. Ela não tinha uma resposta para dar. Nunca é fácil deixar aqueles que amamos.
― Você pode prometer algo para mim? ― Stefan disse baixinho a ela.
Caroline apenas acenou positivamente.
― Você vai ter uma vida longa e feliz, você vai fazer tudo o que você sonhou e ser quem você sonhou. Vai viver como você desejou para que quando o dia em que você... ― Stefan se engasgou, ele não conseguia dizer a palavra. ― o dia em que você envelhecer e morrer. Não vai ter se arrependido de nada. Porque vai ter vivido a vida que você sempre quis.
Caroline acenou positivamente e então se levandou, ela caminhou até ele lentamente. Parou bem na sua frente e sorriu com os olhos cheios de lágrimas. Tocou seu rosto com a palma da mão. Caroline fechou os olhos e ficou na ponta dos pés, seus lábios tocaram os dele. Ela lhe deu um beijo leve e lento, sem pressa. Quando Caroline afastou seu rosto do dele, Stefan manteve seus olhos fechados.
― Lembre-se de mim assim... jovem. ― Caroline sorriu. ― Adeus, Stefan.
E então ela se foi, tão rápido quanto chegou. Era assim que Stefan iria se lembrar dela, a garota que o beijou na noite em que partiu.
Quando ela saiu da mansão Salvatore havia alguém parado na frente da mesma a esperando. Era Klaus. Com um sorriso tímido no rosto e um brilho nos olhos.
― Você está bem, anjo? ― Ele perguntou para Caroline quando ela se aproximou dele.
Caroline sorriu e acenou positivamente, como se estivesse aliviada.
― Não fique triste. ― Klaus tocou o rosto de Caroline com a mão delicadamente. ― Ele se lembrará de você exatamente como você é. Ele ama você, Caroline. E quando se ama muito alguém, as vezes, você tem que deixá-lo partir.
― Eu só espero que ele consiga a felicidade que ele merece.
― Ele vai, pode ter certeza disso. ― Klaus se aproximou dela e beijou sua testa de leve. ― Então, para onde você gostaria de ir? ― Ele ofereceu seu braço para ela. ― Paris? Roma? Tokyo?
― Vamos... por aí. ― Caroline disse rindo.
― Você quem manda.
E assim os dois partiram juntos.
...
― Tem um vampiro cozinhando para mim, qual extraordinário isso é? ― Jenna disse brincalhona para Ric.
― Eu não sei. ― Ric sorriu. ― Não pira sua cabeça?
― Um pouco. Mas só o fato de eu ser mãe solteira já tranquiliza um pouco as coisas. ― Jenna sorriu. ― Não está fora dos padrões ter um filho caçador.
música: http://www.youtube.com/watch?v=gCXQycyN_Vs
― Ah, claro. ― Ric sorriu e então se aproximou dela. ― E namorar um vampiro, está fora do padrões?
― Eu não sei, preciso pensar sobre isso. ― Ela disse tímida.
― Tudo bem. ― Ric deu um passo em sua direção ficando mais perto dela, então a beijou. Antes que ela pudesse falar qualquer coisa.
― Cara, para de beijar minha mãe, eu ainda estou aqui. ― Jeremy disse da sala.
Ric e Jenna começaram a rir. Ric foi até a sala e brincou com Jeremy.
― Se quer um beijinho também é só pedir.
― Vai se ferrar! ― Jeremy disse rindo.
...
Eu estava no telhado de um prédio de New York. A cidade lá em baixo estava no seu ponto mais alto da madrugada, assim como os prédios acima de mim também não ficavam para trás. Eu olhava para o infinito da cidade que com todas as luzes formava um mar de estrelas.
Damon veio caminhando na minha direção, bebendo whisky em uma garrafa. O cabelo preto bagunçado pelo vento, os olhos azuis mar, sua boca em um traço fino. Vestindo preto da cabeça aos pés, por um momento eu me lembrei do dia em que ele foi me buscar naquele cemitério.
música: http://www.youtube.com/watch?v=Te11UaHOHMQ
― O que você olha tanto? ― Ele perguntou, bem próximo a mim. Percebendo a maneira como eu olhava para ele.
― Como você é bonito. ― Falei.
Ele deu um sorriso convencido e colocou as mãos em meu quadril, me puxando para perto. Então aproximou seu rosto do meu e nos beijamos.
Uma, duas, três vezes. Cada beijo era uma fração do nosso amor.
― Eu amo você, nunca vou me cansar de dizer isso. ― Falei para ele, encostando minha testa na dele.
― Nunca achei que pudesse ser tão feliz. ― Ele falou. ― Você é tudo para mim. Amo você, Elena.
Não haviam palavras para descrever o que tínhamos. Nós havíamos nos apaixonado, lutado, brigado, feito as pazes, sendo separados, mas nunca desistimos do nosso amor. Eu era parte dele e ele era uma parte de mim, não éramos nada um sem o outro. Ficaríamos juntos para sempre.
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