Delena - You Found Me (Completa)
32 A morte em suas mãos
Notas iniciais
― Caroline. Eu acho que Damon lhe disse alguma coisa sobre o que aconteceu com Elena, caso não tenha dito, o efeito do feitiço está passando e ela está voltando a ser uma vampira. As coisas estão um pouco complicadas e eu acho que uma visita sua iria fazer bem a ela. ― Stefan fez uma pausa, com o telefone ainda na orelha e o copo de whisky na mão. Um longo suspiro como uma ingeção de coragem ele continuou. ― Eu queria me desculpar pelo que aconteceu. Acho que surtei com a ideia de Klaus estar perto de você, me desculpe. Nós podemos conversar depois. Me ligue assim que ouvir isso.
A mensagem fora depositada na caixa de recados do celular de Caroline. Stefan estava sentado na sala da mansão Salvatore depois de uma longa noite. Ele não se sentia cansado, nem sono, na verdade Stefan estava preocupado.
...
― Quando você estava no século XII como você achava que o mundo seria atualmente? ― Damon perguntou a Alaric lhe passando a garrafa quase vazia de whisky.
― Eu não imagina, as pessoas eram um pouco idiotas no passado. Com crenças malucas e medos estranhos. Mas eu não tinha ideia de que eu seria um vampiro bebum. ― Ric sorriu de olhos fechados, fazendo Damon sorrir também pela primeira vez desde a noite passada.
― Como você acha que vai ser daqui a cem anos?
― Acho que do mesmo jeito. Daqui a cem anos me pergunte sobre isso de novo, quando estivermos bebados. ― Ele ainda mantinha os olhos fechados lutando para se manter acordado.
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― Daqui a cem anos eu ainda vou amá-la, Ric. Eu vou amá-la cem vezes mais.― Eu sei disso amigo. Nós temos mais cem anos para nos preocuparmos com ela, vocês vão ficar bem. Você vai ver. Só me deixe dormir por uns cinco, dez, quem sabe cinquenta minutos... ― Ric disse virando a cabeça para o lado para dormir.
― Eu poderia amá-la para sempre.
A visão de Damon estava embasada pelas lágrimas que cobriam seus olhos. Ele segurava tudo que tinha como uma bola de sentimentos presa na garganta e a empurrava para baixo com murros cada vez mais fortes. Ele matou a garrafa com um último gole.
― Eu o amo para sempre, me perdoe. ― Sussurei do outro lado da enorme parade de madeira que nos separava.
...
― Meu Deus, meu Deus. Alguém? Socorro, alguém pode me ajudar? ― Caroline gritou.
Ela estava caida de joelhos no chão, não... ela não estava no chão. Mas em um lugar muito pequeno na verdade, um lugar bem parecido com uma pequena jaula para cachorros grandes.
― Socorro? ― Ela gritou o mais alto que pode.
O som de uma se abrindo fez o silêncio de Caroline. Ela estava alerta mas pronta para pedir ajuda.
― Olá? Quem está ai? Pode me ajudar? Eu preciso de ajuda!
A luz fraca se acendeu, o lugar era realmente pequeno. Ela estava em uma jaula dentro de um trailer. Ela o olhou dos pés a cabeça sem saber o que pensar. Ele tinha pouco mais de dois metros de altura e um fisico impecavel de quem praticava exercicios e frequentava academia relugarmente. O cabelo era tão preto que quase chegava a ser azul, e muito bem cortado no estilo militar. Algo era sombrio nele, não humano... mas não humano não como um vampiro, algo diferente que Caroline nunca havia presenciado. Ele deu um passo mais perto em sua direção com suas botas de guerra e ela extremeceu.
― Assustada, pequena sugadora? ― Ele disse confiante olhando Caroline na jaula. ― Parece até uma ratinha indefesa ai.
Caroline se aproximou mais das grades da jaula em um movimento brusco, com as presas de fora ameaçando o enorme garoto na sua frente.
― Filha da mãe! ― Ele gritou dando um passo para trás e sacando uma arma, dando um tiro no peito de Caroline. ― Se fizer isso de novo vou arrancar suas presas com um alicate.
A bala de madeira queimava o peito de Caroline como lava quente, ela se afastou e recuou para o fundo da jaula. Aquilo era pior do que ela podia suportar.
― Se der mais um pio vou atirar na sua cabeça. ― Ele disse lhe dando as costas e saindo do trailer.
...
― E você está aqui, por quê?
― Você não me quer aqui? ― Stefan parou um pouco longe do irmão. Damon apenas respondeu com um olhar.
― Você não é a melhor compainha quando as coisas estão ruins, você surta um pouco. ― Damon resmungou.
― Obrigado. ― Stefan deu uma risadinha.
― Então... fale o motivo real de você estar aqui Stefan.
― Eu pedir desculpas. Sinto muito.
― Sim, Stefan. Já ouvi isso antes. O feitiço não acabou ainda pode esperar mais algumas horas para poder finalmente se lamentar?
― Me desculpe por ser uma idiota, ok? Me desculpe por fazê-lo esperar por cento e cinquenta anos. Desculpe, o que eu fiz foi egoísta. Coloquei o amor dela acima de qualquer laço que nós tinhamos como irmão. Eu só não queria ficar sozinho.
― Demorou apenas um século e meio para dizer. Pena que é tarde demais, Stefan.
― Não, não é. Quando o feitiço acabar eu irei sair da cidade e deixar que vocês vivam bem. Nunca mais irei incomodá-los. Deixamos Katherine ficar entre nós, não vou deixar o mesmo acontecer com Elena.
― Elena? ― Damon o olhou surpreso. ― Você consegue ver agora? Você vê que ela não é mais a mesma pessoa? Ela é boa Stefan, ela sempre foi e tudo que ela tinha era medo de mostrar isso.
― Gostando ou não você a transforma na pessoa que ela quer ser. Eu a amo, Damon, amo você também. E por amar ambos dessa maneira a felicidade de vocês é mais importante que a minha.
― É bom ouvir isso, mas não significa nada agora.
― Por que não? ― Stefan perguntou.
― Ontem Elena e eu fomos até a casa de Klaus falar com Rebekah. Elena pediu para que Rebekah me hipnotiza-se para deixar de amá-la quando o feitiço acabasse.
― E ela o fez? ― Stefan olhou para com o irmão com as esperanças arrancadas a força.
― Sim. ― Damon engoliu com amargura.
― Isso não está certo!
Não menos de meia hora Stefan invadiu a mansão de Klaus com a raiva correndo em suas veias.
― Rebekah! ― Ele gritou parado no meio do saguão, o olhar direcionado para o pico da escada circular que levava ao primeiro andar da mansão. ― Você é sempre tão infantil... querendo brincar de esconde-esconde? Sério? Eu sei que está aqui, eu sinto o seu cheiro.
― É como Marilyn sempre me dizia, um homem nunca esquece o cheiro do seu melhor sexo. ― Rebekah sorriu do alto da escada. Ela começou a descer um degrau de cada vez tranquilamente.
― É quase impossível não sentir o seu cheiro, afinal, você deixa um rastro de perfume por onde passa. É quase uma trilha de pão. ― Rebekah sorriu irônica.
― O que você quer? Ainda não está de volta aos braços de quem ama?
― Eu amo você. A pergunta é... porque fez o que fez com meu irmão? Ele não tem nada a ver com isso, liberte-o, Rebekah. Você tem a mim, não sou o suficiente?
― Não e não. Deixe-me lhe dizer, Stefan, eu estou enjoada e entediada de você. Eu quero algo diferente.
― Ele é o meu irmão e não diferente.
― Por isso mesmo, esse é ponto. Eu quero porque ele é seu irmão e porque Katerina o ama, essa é a graça das coisas. Se tê-lo fosse fácil é fato que eu não iria quere-lo, mas como vai render divertido e isso vai afetar á ela eu posso fazer esse sacrifio.
― Como você pode fazer isso por prazer? Machucar as pessoas?
― Não estou a machucando, Stefan. Estou colocando-a no meu lugar. Imagine amar alguém por tanto tempo mas essa pessoa nunca o amar de volta, pelo menos verdadeiramente. Eu quero ter Damon em minhas mãos para ela saber como era toda vez que ela tirava você de mim.
...
― Damon! Damon. ― Eu o chamei com a voz fraca e rouca.
― Eu estou aqui.
Ele apareceu bem diante dos meus olhos do outro lado das grades, seus olhos azuis me fitaram por um minuto ele aguardava que eu dissesse outra coisa.
― Onde está Stefan? ― Sussurei.
― Stefan não está aqui. Porque você quer Stefan? ― Ele perguntou curioso e com um tom de irritação em sua voz.
― Eu preciso falar com ele.
― Sobre? ― Damon levantou uma das sombrancelhas.
― Apenas chame Stefan, Damon.
Fechar os olhos pesados por um minuto era como dormir por duas horas seguidas sem nem se mover, aquilo me matava aos poucos. Era terrível a sensação de que cada minuto que passava uma parte do meu corpo morria e apodrecia.
― Elena, ele está aqui. ― Damon disse baixo ajoelhado diante da grade me olhando.
Abri os olhos e vi Stefan de pé ao seu lado.
― Você pode nos deixar sozinhos? ― Olhei para Damon, esperançosa.
Ele manteve o rosto duro e irritado, mas eu sabia que a esse ponto da situação ele faria qualquer coisa por mim. Em seguida trocou um olhar com Stefan que dizia; Ela está sob sua responsabilidade agora. Colocando todo um peso em cima de Stefan, mas isso não parecia o encomodar mais do que o que estava prestes a acontecer.
― Eu ficaria mais confortável se você se sentasse, porque a conversa é um pouco complicada. ― Falei com a voz arrastada me encostando na enorme parede de madeira, Stefan se sentou do outro lado da mesma.
― Qual o problema? ― Stefan perguntou baixo.
― Qual deles você quer saber? ― Eu sorri. Era estranho eu fazer esse tipo de piada irônica, não fazia o meu genero mais deveria ter alguma coisa a ver com o meu lado vampiresco. Cada vez mais proximo e mais em mim. ― Stefan... ― Comecei amedrontada. ― eu imagino que você já deva estar sabendo o que fiz. Mas não fiz por mal, tudo que queria era que Damon não disse sentimentos por mim quando eu voltasse para você. Mas Rebekah fez algo que não deveria.
― Rebekah é como uma onça, você deveria se lembrar disso. Ela é pior do que Judas não é possível fazer negócio com alguém como ela. ― Ele fez uma pausa. ― Não se preocupe porque vamos dar um jeito nisso. Porque não começamos com você saindo daí? Acho que consegue aguentar um feitiço fichinha desse. ― Ele brincou.
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― Eu sou uma bomba relógio, Stefan. Não quero machucar nenhum de vocês, é por isso que o chamei. Preciso de um favor. Quando o efeito do feitiço passar, se eu não for eu mesma... ― Respirei fundo e finalmente falei. ― quero que me mate. Eu sei que tenho pouco tempo, talvez alguns minutos por isso te chamei agora. Quando o feitiço acabar e eu não for mais eu, Elena, arranque meu coração.
― Não faça isso, não peça isso para mim. ―Stefan sussurou. ― Não parta meu coração dessa maneira.
― Você é o único, Stefan. Se você me matar isso vai ser a prova de seu amor por Rebekah e ela vai deixar Damon ir. Prometa, o tempo está acabando.
― Eu não posso, Elena! ― Ele gritou.
― Porque não? Você pode porque você me ama e se você não o fizer eu farei. Vamos, rápido Stefan, prometa. ― Eu gritei com o pouco de forças que me restava sentindo o meu corpo ir diminuindo as suas funções. ― Stefan, me escute, eu amo você. Eu sei disso porque eu consigo sentir toda vez que estou perto de você por mais que eu queira negar. Eu o amei por mais de uma vida e isso é tempo o bastante. Eu sei cada momento que nós tivemos juntos, cada beijo, cada palavra. Sempre vou amá-lo, eu tenho certeza disso, mas eu sempre serei apaixonada por seu irmão e vê-lo sofrer é possível querer a morte. Pense no seu irmão.
Stefan agora conseguia finalmente ver com clareza e aceitar a verdade. A coisa foi errado por muito tempo, não fora sempre e sempre seria Stefan, na realidade sempre foi Damon. Ele aceitaria e faria o que fosse para a felicidade de ambos. Tudo que ele queria era um final diferente não conseguia acreditar que no fim ele mataria aquila que ele mais amou.
― Stefan. ― Sussurei. ― O tempo acabou.
― Tudo bem. Eu farei. ― Ele disse as palavras de alma cortada. Quando ela morre-se ele morreria junto.
Meu coração estava parando e minha vida humana estava indo, eu estava pronta para oque viria em seguida. A morte e Damon assim como Stefan finalmente livre. A cada nova batida meu coração demorava pelo menos um segundo a mais para dar outra.
― Seu coração. ― Stefan limpou as lágrimas dos olhos e se aproximou mais da parede de madeira para ouvir melhor.
― Está acontecendo, Stefan.
...
― O coração dela está parando, Ric. ― Damon disse em pânico.
― Vamos cuidar disso, vamos encontrar uma maneira. ― Ric disse calmo tentando acalma Damon.
― Isso não deveria estar acontecendo! ― Damon gritou e deu um soco na parede. ― Não, não, não.
Um momento de silêncio absoluto. Nenhuma respiração na casa, nenhum barulho ou som, ninguém dizia nada e nenhum coração batendo. Damon estava paralisado.
― Ela morreu. ― Ele falou sem acreditar no que dizia.
...
Eu tenho lembraças de outras vezes que morri como vampira, mas ter as lembranças não é vivê-las e nem senti-lás. Então eu não sabia como era morrer, se doia, se não doia, se era bom ou ruim. Eu apenas sabia o que vinha depois, a morte real. Eu acho que isso foi um preparo para o que viria. A morte humana parece menos terrível quando se está cansado e exausto. É como dormir. Sabe em um dia que você está tão cansado que basta fechar os jogos e pegar no sono? É mais ou menos assim, só que sem sonhar.
As pessoas lidam com a morte cada um de sua maneira. Choram, as vezes fazem piadas, outros só ficam calado e a aceitam e alguns nem nela acreditam. Mas pior do que lidar com a morte é lidar com a morte em suas mãos.
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