Delena - You Found Me (Completa)
31 A Fera
Notas iniciais
Eu estava sentada na cama de Damon vestindo uma de suas camisas que ficavam enorme para mim. Ele andava de um lado para o outro no quarto bem na minha frente, prequejava baixo e mordia os dentes. Sentia o medo e a raiva em sua voz, e ele me deixava cada vez mais tensa fazendo isso.
― Damon. ― Eu disse seu nome em tom baixo e calmo, entre os soluços do meu choro tentado fazer com que ele se acalma-se.
Mas ele simplesmente me ignorou e fingiu não me ouvir, continuou com seu estranho ritual.
― Eric, finalmente. ― Damon disse e finalmente parou de se mexer. Um segundo depois Eric passou pela porta do quarto. ― Quanto tempo ela aida tem até tudo piorar de vez? Onde está Ric? ― Damon perguntou desesperado quase correndo na direção de Eric para lhe dar um abraço de salvador da patria.
Eric caminhou até a porta do banheiro e analisou com os olhos toda a sujeira. Então logo em seguida ele veio na minha direção e se abaixou um pouco para me olhar. Meus olhos ainda estavam cheios de lágrimas e eu tremia. Não era frio nem calor, eu apenas tremia.
― O corpo está começando a desintoxicação. Vai rejeitar todos os genes humanos em seu sistema e elimaná-los, até seu corpo ficar puro novamente. Puro nos termos de um vampiro.
― Isso quer dizer que ela vai vomitar sangue até se tornar uma vampira de novo? Tem que haver uma maeira mais fácil de fazer isso, Eric.
― Na verdade, ela vai vomitar sangue até morrer e voltar a ser uma vampira. Mas a questão de vomitar sangue não é a nossa preocupação, a nossa preocupação agora é o que acontece nesse meio tempo.
― E o que acontece? ― Perguntei temendo a resposta pronta para o pior.
― Você meio que vai enlouquecer e sentir uma culpa como nunca sentiu antes. Isso vai ser tão forte que vai levá-la pelo caminho do suícidio. Só que ele não pode acontecer, não é natural. Você tem que sobreviver a culpa e se deixar morrer.
― Não. Não. Não! ― Damon gritou.
Não parecia ser uma coisa complicada mas a maneira que Eric falou me assustou muito, tornando a situação ainda maior.
― Precisamos de mais tempo, atrase o processo Eric. Precisamos encontrar uma solução para isso. ― Damon segurou meu rosto com as duas mãos. Ele estava descontrolado, seu rosto estava entre o desespero e a beira da loucura. ― Vamos dar um jeito, meu amor, eu prometo a você. Não vou deixar nada acontecer com você, vou tornar tudo isso suportável.
Eu apenas consegui acenar positivamente.
― Não tem essa de atrasar o processo, Damon. Está acontecendo e não tem como evitar. Tudo que podemos fazer é tornar a situação controlável. Ela precisa de espaço e nenhum tipo de agitação, quanto mais calma ela se manter mais calma o processo será.
― Tudo bem, tudo bem. Nada de agitações e vamos ficar bem. ― Damon disse me puxando para os seus braços de maneira protetora.
― Eu acho que você deveria dormir um pouco, Elena. Vai te manter calma e bem... você não vai dormir por um tempo logo depois que voltar ao normal. Eu e Damon ― Ele deu enfase ao Damon. ― vamos te deixar descansar, qualquer coisa você deve nos chamar.
Damon não se moveu e continuou ao meu lado, mas Eric insistiu.
― Damon.
― Tudo bem. Eu estarei aqui ao lado, tudo bem? Qualquer coisa basta sussurar o meu nome e eu prometo que venho o mais rápido possível. Durma bem. ― Ele disse tocando a minha perna de maneira carinhosa com a mão.
Eu dei um pequeno sorriso esperançoso para ele. Conhecia Damon como a palma da minha mão e sabia que ele estava a ponto de explodir em loucura mas estava se segurando para me manter calma. Aquilo deveria ser muito difícil para ele mas eu sabia que só estava o fazendo porque era o melhor para mim. Ele me devolveu com um sorriso pior que o meu.
Assim, se me deixou ali e saiu do quarto junto com Eric contra sua vontade. Eu me ajeitei na cama como se realmente tivesse a intenção de dormir. Mas eu sabia que não iria dormir nem se quisesse. A minha cabeça era como uma fábrica a todo o vapor, ela não pararia de funcionar por nada. Eu sabia que meu tempo ficava cada vez mais curto e eu precisava de um plano.
― Você acha que ela vai conseguir? ― Eric perguntou para Damon.
― É claro que ela vai, ela é a pessoa mais forte e determinada que conheço. ― Damon respondeu firme.
― Força e determinação não contam agora Damon. Ela precisa ter a cabeça no lugar para passar por tudo isso. Eu realmente espero que ela consiga, mas não tenho certeza de que ela vá sobreviver a isso.
― Ela vai, pode ter certeza.
...
― Eu acho que talvez você esteja se arriscando demais, Ric. Todos sabemos o que aconteceu da última vez. Você pertence a uma raça e seu irmão a outra, duas raças que são inimigas mortais. ― Lexi disse sentada confortavelmente na cadeira giratória da sala de Ric na escola. ― E eu tenho quase certeza de que a aparencia é a mesma, mas aquele não é Alec.
― Tem que haver uma razão para tudo isso, Lexi. ― Ric disse parado diante dela.
― E tem, eles voltam todo século. Os mesmos cinco sempre recrutando novos membros, mas nós sempre os matamos.
― Eu nunca tinha visto Alec.
― Bom, vá até lá, mate as saudades, mate ele. ― Lexi sorriu. ― Eu acho que você tem que matar ele, ou eu mato, porque afinal de contas ele quase matou o meu irmão ontem. Ele me deve uma quase morte.
― Ele disse que um vampiro matou seu pai.
― Que azar, em todas as vidas a mesma história triste. Família destruída por vampiros.
Ric deu um olhar sinistro para Lexi, era hora de parar de fazer piadas.
...
― Caroline.
― Hei Damon, algum problema? Você ligando, erhh. Você é o único vampiro na história do mundo que sabe usar mensagens de texto, algum problema? ― Caroline perguntou ao telefone apressada e atrasada para a aula.
― Algo aconteceu. Elena está... doente. Você sabe onde Stefan está?
― É o feitiço não é? O efeito está passando e ela está se tornando uma vadia louca?
― Sim, mas sem a parte da vadia louca. Você sabe onde Stefan está?
― Não, nós meio que tivemos uma briga ontem, me mantenha informada e diga que vou visitá-la depois da aula.
― Tudo bem. Que tipo de briga, Caroline? ― Damon perguntou interessado, ele já imagina que isso tinha a ver com a atitude de Stefan.
― Nada com que se...
Mas o telefone caiu no chão e desligou antes mesmo dela terminar a frase. A agulhada que ela sentiu em seu pescoço queimou seu corpo inteiro dos pés a cabeça. Ela estava imóvel e entregue ao perigoso. Uma siringa de verbena fora ingetada em sua jugular.
Ela queria lutar, queria ver quem era o perigo mais não tinha mais forças para isso, então se entregou ao desmaio.
...
Eu já havia vomitado sangue o suficiente para encher um balde. Minha garganta estava doente e eu me sentia muito fraca, estava deitada na cama quase caindo no sono, mas eu não podia, não ainda. Eu precisava botar o meu plano em pratica antes que eu não pudesse mais.
― Damon. ― Sussurei seu nome.
Um segundo depois ele estava parado ao meu lado na cama.
― Qual o problema?
― Eu preciso de um favor, quero fazer algo antes que eu não tenha mais tempo. Não diga não, eu preciso, faça essa ultima coisa por mim.
Ele me analisou com os olhos por um momento, então acenou positivamente. Ele me tomou em seus braços me tirando da cama e me pegando no colo.
Damon me levou ao lugar que eu queria sem fazer perguntas, mas quando chegamos as questões começaram.
― O que você quer aqui?
― Não faça perguntas, por favor. Apenas confie em mim.
Eu segurei firme em sua mão e caminhamos adentro da enorme mansão Mikaelson.
― A que devo uma visita sua, Katerina? ― Rebekah sorriu sentada no sofá da reluzente sala com uma expressão de falsidade pura.
Damon me olhou com uma cara de o que diabos você está fazendo, ele estava pronto para me segurar pela garganta e me arrastar para fora dali.
― Eu quero um favor, Rebekah. ― Ela deu uma longa gargalhada prazerosa na minha cara. ― Farei qualquer coisa se você fizer isso.
― O que? ― Damon me fuzilou com o olhar. ― Você realmente enlouqueceu, vamos embora.
― Não, Damon! Espere... ― Respirei fundo e continuei. ― Eu lhe imploro, Rebekah, farei qualquer coisa.
― Elena!
― Não! ― Respondi firme.
Rebekah pareceu interessada em minha proposta e se levantou, graciosa como sempre.
― Fale. O que você deseja? Apesar de que eu deveria arrancar o seu coração bem agora, mas sabe... eu acabei de fazer as unhas. Não sujaria minhas mãos com seu sangue sujo.
― Você é a vampira que tem o maior poder de hipnose na história do mundo, quero que hipnotize Damon.
― O que? Elena, pare! ― Damon falou.
― Silêncio! Quero terminar de ouvi-lá. ― Rebekah olhou para Damon esperando que eu continuasse.
― Quero que tire dele todo o sentimento que nutre por mim, quero que faça com que ele viva uma vida boa e feliz sem mim. Quero que não pense em mim, quero que não deseje a minha presença, quero que ele seja feliz sem mim. ― Eu falei firme e certa disso. Mas a cada palavra que eu dizia era como arrancar um pedaço do meu coração com as unhas. Eu faria qualquer coisa para não ver Damon sofrer.
― Elena, pare.
― Uma atitude altruista vindo de você, eu estou surpresa. Mas por que, quero saber o por que? Se cansou dele?
― Para não vê-lo sofrer. Quero que ele viva feliz sem mim, porque quando eu voltar a ser uma vampira é Stefan quem eu vou amar novamente. Então faça isso por mim, eu lhe imploro. Farei qualquer coisa que você quiser.
― Eu posso hipnotizá-lo. Cada momento que vocês passaram juntos, cada dia, cada beijo, cada carinhoso. Tudo isso não vai significar nada, serão apenas memórias que ocupam espaço, nada mais que isso. Posso tirar cada pingo de amor que ele tem por você. Farei toda a dor dele ir embora, enquanto você e Stefan vivem juntos no país das maravilhas.
― Não, por favor. ― Damon me analisou com os olhos.
― Quero que faça. Diga para ele que quando o meu feitiço acabar ele não terá mais nenhum tipo de sentimento por mim, eu significarei nada para ele. Apague tudo, tiro tudo.
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― Elena, não! Por favor... eu prefiro amá-la sem tê-lá do que não amá-la. ― Damon disse com os olhos firmes no meu.
― Faça.
― Por favor. ― Damon ainda insistia mas ele sabia que não havia mais volta.
Rebekah deu um passo na direção de Damon e sorriu para ele, ela olhava em seus olhos tão azuis quanto os dela com prazer.
― Quando o feitiço de Katerina acabar quero que você esqueça cada sentimento que nutre por ela, quero que não sinta nada que não signifique nada para você. Faça cada pequena coisa que seja dela dentro de você vá embora e não volte. E quando o feitiço acabar, quero que sinta isso por mim.
― Espere... esse não era o combinado! ― Eu disse para Rebekah.
― Agora esses são os meus termos, Katerina. Você achou mesmo que eu iria fazer isso simplesmente para ajudá-la? De jeito nenhum. Eu quero ganhar também e eu ganhei, quando o feitiço acabar você volta para Stefan. Se não tem um Salvatore, pegue o outro. ― Ela sorriu, o sorriso do diabo. Sem tirar os olhos de Damon. ― Quando o feitiço acabar, é isso que quero que faça Damon.
Do mar azul que eram os olhos de Damon uma onda saiu, uma lágrima como um tsunami. Uma única lágrima escorreu de seus olhos, aquilo doeu mais do que a morte em mim.
― Se você machucá-lo, vou caçar você até no inferno e arrancarei seu coração com as minhas mãos. ― Eu disse firme para Rebekah.
Damon piscou rápidamente e voltou a realidade.
― O que você fez? ― Ele perguntou tenso para Rebekah.
― Salvei sua vida de uma eternidade de tristeza e miséria, meu amor. Vejo você mais tarde. ― Ela piscou para Damon.
― Tudo vai ficar bem, eu prometo. ― Falei segurando o rosto dele com as duas mãos para olhar em seus olhos.
Havia algo errado e fora do normal, seus olhos não tinham mais o mesmo brilho de antes e parecia um azul morto. No caminho de casa eu me sentia extremamente culpada por ter feito isso com Damon, por não lhe dar uma escola mas era tudo para o seu bem, será que ele entendia isso? Seu silêncio estava me matando e me deixando cada vez mais nervosa. Eu não aguentava mais. Assim que entramos Eric estava nos esperando na sala.
― Vocês enlouqueceram? O que eu tinha dito sobre agitação? Cama, agora. ― Eric me deu a ordem e eu subi para o quarto.
Assim que subi para o quarto fechei a porta. Parei na frente do espelho, olhando a minha imagem. Eu parecia cansada e exausta, os lábios estavam sem cor, haviam olheiras e meu rosto estava fino. Sem contar que minha cabeça doia novamente.
Olhando o meu reflexo eu passei a mão sobre meus dentes como se procurasse algum tipo de codigo secreto para fazer as minhas pressas aparecerem.
― Elas não vão aparecer assim.
Ouvi o som da voz de Stefan, ele estava parado na porta do quarto me olhando se segurando para não dar risada.
― Damon me falou sobre o feitiço, como você está?
― Não muito bem, na verdade, eu estou pirando um pouco. Eu acabei de fazer algo que eu pensei que fosse a minha melhor escolha mais estou tão arrepedida e culpada.
― Suas emoções estão se intensificando.
― Eu me odeio pelo que eu fiz, eu odeio tudo a minha volta, Stefan. Eu odeio a mim mesma por ser quem eu sou.
Stefan ficou me olhando, a maneira que eu agia e achando aquilo tudo muito divertido como um espetáculo.
― Como você consegue simplesmente ficar aí parado me vendo enlouquecer a cada minuto? ― Perguntei revoltada. ― Aaahhh, tudo parece ser tão alto. Minha cabeça está doento.
Eu me virei bruscamente e dei um passo na direção do abajur ao meu lado e estorei a lampada do mesmo com a mão finalmente fazendo silêncio.
Me virei para olhá-lo novamente mas a luz do sol bateu contra o meu rosto e queimou meus olhos, era como olhar diretamente para o sol.
― O sol machuca as suas retinas, eu vou fechar as cortinas.
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Mas antes que Stefan pudesse sair do lugar eu o empurrei pelos ombros contra a parede. Eu o segurei com toda a minha força. Eu não estava mais no quarto e não via mais o mesmo Stefan, era uma alucinação, uma memória. Eu estava perdida nessa imagem e na voz sombria de Stefan.
― Você se junta a mim para uma bebida?
― Beba dela até que seu coração pare, beba cada gota de sangue que viva em seu corpo. ― Eu só via a mesma imagem e ouvia as vozes.
Então voltei a realidade com o som da verdadeira voz de Stefan.
― Me solte, Katherine... Katherine? ― Ele lutava para se soltar mais não conseguia.
― O que? O que eu fiz com você? ― Eu fiquei perdida na sua expressão de espanto. ― Eu o transformei em um estripador. Eu sou o único monstro, Stefan, eu sou a única culpada de tudo o que você já fez.
Eu o soltei de uma vez e corri na velocidade vampirica até a porta, então ouvi Stefan falar do quarto enquanto se recuperava.
― Damon! Ela está descendo.
Tudo que eu sentia era os piores sentimentos do mundo. Dor, culpa, ódio, raiva, solidão, tristeza. Eu merecia a morte, eu havia transformado Stefan no que ele era, era tudo minha culpa. Eu só sugava e destruia a vida das pessoas, era o meu único talento o meu único dom.
Eu cai de joelhos no meio da sala, as lágrimas queimavam como fogo em meus olhos.
― Eu sou o mal. ― Disse entre as lágrimas no tom mais baixo possível. ― Eu sou a maldade. Alguém me mate.
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Eu estava louca, completamente louca. Tudo que eu sabia era que eu era o mal e eu merecia morrer, ou alguém me mataria ou eu mesma faria o trabalho. Eu destruíra a vida de tantas pessoas e era a hora de destruir a minha. Mas todos esses pensamentos foram embora quando ele me abraçou. Ele se ajoelhou ao meu lado e me abraçou com todo o cuidado do mundo, os seus braços eram o meu lar.
― Eu vou lhe contar uma história. ― Damon sussurou. ― O garoto viu um cometa e sentiu que sua vida tinha significado.
E quando ele foi embora, ele esperou a vida inteira para que ele voltasse para ele.
Era mais do que um cometa, ele trouxe para a vida dele, direção, beleza, significado.
Tiveram muitos que não puderam entender, e as vezes ele passou entre eles. Mas até nas suas piores horas, ele sabia em seu coração que algum dia, iria voltar para ele.
E seu mundo estaria completo de novo. E sua crença no amor e na arte divina renasceria em seu coração.
Todos os momentos que tive com Damon nos últimos meses passaram diante dos meus olhos como um filme, eu sabia que havia alguma coisa boa em mim ainda, bem lá no fundo e era o sentimento que eu sentia por ele. A partir daquele momento eu me dei conta de que eu era e sempre serei apaixonada por Damon Salvatore.
― Feche os olhos e tudo ficará bem, eu prometo.
Eu fechei meus olhos como ele pediu. E de alguma maneira cai instantaneamente no sono. Eu me lembro de acordar deitada no chão duro e gelado, a minha cabeça continuava a doer. Sabia onde estava... estava no porão da mansão Salvatore. Eu estava presa, enjaulada como eu deveria estar a muito tempo, no verdadeiro lugar onde uma fera deve ficar, enjaulada.
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