D.e.l
1 Justiça
Para um cidadão comum, Ray Brandon era um jovem com um grande senso de justiça. Ele sabia distinguir o certo ou errado melhor do que qualquer um. E comparado a um cidadão comum, Ray enfrentou desafios maiores... Ele testemunhou até mesmo a morte.
6:00 AM, Londres.
O dia começava como sempre, eu acordo sempre ás seis da manhã, lavo meu rosto e visto meu uniforme escolar, e devido ao meu forte grau de miopia tenho q usar um óculos que nunca tiro do meu rosto. Vou sempre ao centro da cidade para pegar o metrô, por lá a minha maldita rotina começa...
–Olha só quem chegou pessoal, o nerdzinho Ray ! _dizia Roger.
Um repetente da minha classe que adora complicar minha vida, e os seus dois seguidores que faziam o mesmo.
–Roger...pelo menos hoje você poderia me deixar em paz não é?
–Poderia sim, mas não ia ter graça nenhuma, seu nerd. _dizia ele , se exibindo para os amigos_
E assim, acontecia o mesmo de todos os dias, meu dinheiro era roubado, eu levava alguns socos e chutes, e era xingado todo dia, antes de chegar na escola. Mas toda essa rotina me fez ver uma coisa, nesse mundo, só há o bem e o mal. Essa foi uma das primeiras verdades universais que eu aprendi observando o mundo a minha volta. Todo ser humano sem exceção acaba se encaixando em uma categoria ou na outra. Mesmo naquela época inocente de escola primária, não se podia escapar desse fato. Como representante de turma eu consegui grandes coisas para os meus colegas, mas sempre tive inimigos... O bem contra o mal. Houve momentos em que o mal parecia prevalecer sobre o bem, mas o mal tinha que ser enfrentado. E no final... Fiz valer o meu senso de justiça.
Devido a minha inteligência e QI elevado, o FBI já me reconhece, já fui chamado para ajudar em vários casos, mas tudo isso graças ao meu pai, que é investigador.
Mas para que a justiça triunfe, é preciso ação, e para servir a justiça eu percebi que tinha que deletar o mal, e meu objetivo é me tornar promotor. A única pessoa que me entendia, e continuou sendo minha aliada foi uma amiga, Olivia Simons, tenho alguns sentimentos há mais por ela mas... Não sou bom em expressar isso, contudo nossa amizade é grande.
Um dia estava caminhando pelos corredores da escola com Olivia, estávamos rindo e jogando papo fora, como sempre... Porém Roger e seus amigos não gostaram de ver aquele meu momento de felicidade, e se aproximaram de nós.
–Olha só... o nerdzinho azarando a gatinha... eu pensei que você fosse bobão Ray, mas vejo que é bem espertinho não é? _dizia ele, debochado_
–Bom... é melhor eu ir Olivia, não quero que haja problemas hoje _ dizia baixo.
–Calma Ray, eles não farão nada comigo perto de você. Roger você é um idiota, nos deixe em paz ! _dizia ela de costas para mim, parecendo me proteger_
– Saia da frente vadia, vamos mostrar pra esse moleque, que ele não é mais inteligente e nem melhor do que nós ! _empurrava Olivia agressivamente, fazendo-a cair no chão_
–Olivia ! Não a machuque , ou eu... _cerrava os punhos , o encarando_
–Ou o quê? Venha, vamos te mostrar que sua inteligência não é nada, seu nerd !
Bom, depois de ter apanhado pelos três na frente de Olivia, fui direto para casa... Sangrando e com as vestes rasgadas. Como sempre não havia ninguém , meu pai trabalhava muito e minha mãe faleceu quando eu tinha 2 anos de idade, meu único refúgio era meu computador, onde eu escrevia tudo o que sentia em meu blog, apenas para desabafar... Me sentei e comecei a escrever tudo que havia acontecido naquela semana maldita, de repente olhei para o relógio e já eram quase três horas da manhã, mas não me importei, eu não iria mesmo na aula no outro dia... Roger havia passado dos limites, eu não ia dar minhas caras lá logo no dia seguinte, então continuei escrevendo enquanto ouvia o som da tempestade lá fora. As três horas em ponto todas as luzes da cidade se apagaram, houve um blackout.
–Era só o que me faltava... Agora não posso nem escrever? O que falta pra acontecer agora? _falava alto, em tom de raiva_
Me levantei da cadeira e tirei da tomada o fio do computador, mas reparei que a tela havia ligado novamente, uma página continuava a carregar, como se eu ainda estivesse conectado na internet. Me sentei e fiquei olhando para aquilo abismado, a página finalmente carregou... Nela havia dois olhos grandes e vermelhos, com uma cruz de cabeça pra baixo no meio deles, e uma barra de pesquisa logo abaixo, e do lado da mesma estava escrito:
‘Digite aqui o nome’
Fiquei sem entender o que estava acontecendo, olhei mais uma vez para a tomada para confirmar o que eu estava vendo.
–Mas como isso é possível... e que nome é esse que eu tenho que digitar...? Não pode ser problema do computador, está fora da tomada, e a cidade toda está sem energia...
De repente senti um calafrio, e uma voz sussurrava baixo no meu ouvido, dizia:
‘Escreva o nome... Você odeia...’
Não me assustei , porém olhei pra trás rapidamente e não havia nada. Mas a única coisa em que consegui pensar foi... Escrever o nome de Roger, e foi o que fiz.
–Roger Brawn... está escrito... e agora? Bom, vou dar enter... _apertava a tecla, receoso_
Assim que apertei, a barra onde se escrevia o nome sumiu, e uma mensagem apareceu no lugar dela, escrito: ‘Seu pedido foi enviado com sucesso, em caso de dúvidas, leia as regras abaixo'
Muitas letras apareceram na tela, abaixo da mensagem, mas estava em um idioma desconhecido. A mesma tela permaneceu lá até as quatro horas da manhã, nesse tempo eu fiquei sem entender, passando mil coisas pela minha cabeça... mas acabei pegando no sono.
No outro dia me levantei as oito horas da manhã, olhei para o computador, mas não havia nada de incomum, ignorei o que havia visto naquela madrugada, poderia ter sido um sonho ou um delírio meu. Coloquei uma roupa confortável e peguei meus óculos, fui dar umas voltas no bairro. Geralmente o bairro era calmo, mas um tumulto estava se formando em frente a uma casa, e quem morava nela...? Roger.
Ambulâncias, carros de polícia, investigadores... E um corpo, o rosto estava levemente descoberto pelo pano preto que estava sobre ele, e a senhora Brawn chorando muito sobre o mesmo... Era Roger, e pelos comentários, ele havia cometido suicídio com a arma de seu pai, exatamente ás quatro horas da manhã.
Agora... o que eu senti naquele momento? Culpa...? Fiquei confuso...? Sim. Mas o sentimento mais forte foi... Euforia. Será mesmo que foi aquela página? E se foi... Eu fiz justiça, apenas isso. Finalmente posso deletar o mal desse mundo? Deus me escolheu?
Apenas um sorriso foi o que consegui expressar enquanto olhava aquela cena.

Fale com o autor