Notas iniciais
O Chisaki é bonito (tm) e eu me sinto meio mal por deixá-lo tão... Sozinho, ao menos nessa fic. Mas se você está aqui, provavelmente lê o mangá e sabe que o poder dele não é um dos que realmente ajudam em se tratando de manter relações humanas.

Desculpe, querido, hoje você será shippado com sua mão.

Curiosamente a fic não tem falas porque ele não é uma pessoa de falar muito, ainda mais em um momento tão... Particular. Bem particular. Mas acho que não tem problema se a narrativa compensar, não é mesmo? :D

Boa leitura! ♥

Delírio

Estava acontecendo de novo.

Chisaki tentou ignorar o dia inteiro mas ele sabia que, agora que estava sozinho em seu quarto, não havia motivo para continuar desse jeito. Ele apenas esperava que ninguém tivesse notado seus momentos de distração mais cedo, os olhares discretos para a própria calça para certificar-se que estava tudo bem, qualquer sinal que indicasse inquietação.

Era irritante o quanto seu corpo conseguia deixá-lo tão vulnerável, tão ansioso, tudo aquilo por causa de alguns hormônios e um instinto que ele sabia ser natural, mas que mais o atrapalhava do que ajudava quando precisava se ocupar com coisas mais importantes.

De qualquer forma, ele iria dar um jeito nisso. Chisaki não aguentava mais ter que esperar, e não queria dormir correndo o risco de acordar com as roupas sujas — como se ele fosse um adolescente — na manhã seguinte.

Ele começou tirando as luvas e logo em seguida a máscara, deixando os itens cuidadosamente arrumados na mesa de cabeceira. Seus dedos estavam ligeiramente suados e ele respirou fundo, inalando mais oxigênio do que normalmente estava acostumado.

Seu corpo esquentava cada vez mais enquanto ele tirava o casaco grosso e a camisa que usava por baixo, revelando o corpo com músculos delineados, ainda que com algumas cicatrizes, e as costas cobertas com tatuagens — desenhos tradicionais que mais pareciam pintados com delicadeza através de pincéis, e não eternizados em sessões que duraram horas, que testavam sua paciência e em alguns momentos sua resistência a dor.

Para outras pessoas a nudez significava expor-se da maneira mais vulnerável possível. Para Chisaki, significava expor o que era tão poderoso que ele mal conseguia controlar.

Ele não gostava de ficar nu, não por muito tempo e não além do necessário, mas aquilo parecia ser simplesmente o certo a se fazer e Chisaki não estava com paciência para questionar o que seu corpo pedia. O homem mordeu o lábio, impaciente, dando rápidos passos até o armário para pegar o que precisava e que ele mantinha em uma caixa escondida.

Era embaraçoso segurar o masturbador transparente, mas Chisaki ao menos não comprou um modelo caro — não porque ele não podia, mas porque ele não iria gastar seu precioso dinheiro, o dinheiro dos negócios de seu pai, em excesso com algo dessa natureza. O lubrificante, ao menos, era um gasto que ele não sentia tanta culpa em cima.

Sua cabeça dizia que podia ser um prejuízo, mas o volume em suas calças o fazia acreditar que era um investimento. Mesmo ele merecia ser um pouco auto-indulgente, no final das contas.

Ele rumou para a cama, desfazendo-se do cinto e abrindo a calça. Seus dedos seguiram caminho para a barra, abaixando-a junto com a roupa íntima, e Chisaki não pode deixar de suspirar baixo ao realizar este ato mesmo sem estar completamente ereto ainda.

Se não estivesse tão necessitado, Chisaki perderia mais tempo explorando seu corpo, permitindo-se acariciar seus músculos e cicatrizes — no peito, no quadril, nas pernas, frutos de uma vida difícil, memórias de dias sujos de sangue. No entanto, ele decidiu se tocar diretamente, focando-se mais em como o envolver de seus dedos e o movimentar de sua mão era bom do que em fantasiar com alguém.

Chisaki não tinha com quem fantasiar.

Não demorou muito até que seu sexo ficasse totalmente rijo, quente e pulsante em sua mão. Ele forçou-se a parar apenas para lubrificar o brinquedo, com as mãos tremendo em ansiedade e os dedos dos pés agarrando-se ao lençol em antecipação. Era impossível pensar em qualquer outra coisa que não o calor de seu corpo, no formigamento angustiante em seu baixo ventre, no pulsar entre suas pernas.

Ele precisava de mais, precisava se livrar daquela necessidade que consumia sua razão.

Chisaki segurou o brinquedo e penetrou-o, contendo-se para não gemer muito alto com o estímulo inicial da textura em seu interior envolvendo sua intimidade. Era completamente diferente de usar apenas a mão, de esfregar-se no travesseiro, e ele se perguntava se era semelhante a realmente estar com outra pessoa.

Independente disso, era bom e ele queria mais. Chisaki voltou a se masturbar, o lubrificante fazendo-o deslizar facilmente, deixando-o confortável. Ele fechou os olhos e se deitou, permitindo-se suspirar baixo ocasionalmente enquanto aproveitava o máximo do que era capaz de conseguir considerando sua individualidade.

Ele não desejava ninguém em específico — sequer tinha esse direito -, mas Chisaki queria poder ser beijado, ser tocado, ser apreciado como qualquer outra pessoa. Ele queria ter a chance, ao menos uma vez, de ter tal intimidade com alguém, de deixar que outra pessoa explore seu corpo, descobrindo-o de maneiras que ele nunca seria capaz de descobrir.

Talvez um dia essa fantasia seria real — enquanto não se tornasse, a estimulação do brinquedo barato bastava.

Ele passou a mover o quadril junto com a mão, ouvindo a cama ranger de leve junto com os sons molhados — praticamente obscenos — do que acontecia entre suas pernas. Por um momento Chisaki se perguntou se não havia exagerado no lubrificante, que escorria em seu baixo ventre e em sua virilha, mas aquilo não importava agora que ele estava tão duro e tão perto de gozar. Cada movimento seu era bom, era certo, e ele conseguia sentir o prazer crescente em seu ventre, na sensibilidade de seu membro, no delirar cada vez mais ensandecido em sua mente.

Os lençóis da cama pareciam grudar em seu corpo suado, consumindo-o com seu desejo. Os gemidos eram contidos, tímidos; o homem não queria que ninguém escutasse naquele momento de entrega a si mesmo mas que ao mesmo tempo ansiava que pudessem deleitar alguém um dia. O peito subia e descia com sua respiração cada vez mais errática, e seus olhos permaneciam fechados, o negro da escuridão misturando-se com o vermelho não de sangue, mas de lascívia.

Sua mão livre subiu pelo seu peito, e o homem cobriu a boca para abafar seus gemidos de êxtase durante o orgasmo. Chisaki sentiu-se tremer, as pernas movendo involuntariamente — abrindo-se, como que expondo-o para uma audiência imaginária — enquanto seu coração batia mais forte e ele se derramava em jatos fortes.

Ao terminar, o homem relaxou e parou de cobrir a boca, permitindo-se respirar com ela e recuperar o fôlego. Involuntariamente, ele sorriu, aproveitando o alívio derivado do prazer que nublava sua mente e o fazia esquecer-se de quem ele era, onde estava, e quais eram suas obrigações. Naqueles meros segundos Chisaki sentiu-se grato por ter se permitido dar atenção ao que seu corpo queria.

Quando a euforia passou, Chisaki abriu os olhos e se sentou, tirando o brinquedo do meio de suas pernas. Imediatamente ele olhou para seu interior, percebendo a mistura de lubrificante e gozo ali dentro, para logo em seguida se dar conta de que também estava suado.

Ele precisava de um banho e tirar toda aquela sujeira imediatamente. Chisaki ainda queria ficar deitado — aquilo o tinha cansado -, mas a necessidade de se limpar era maior. Sendo assim, ele usou todo o resto de forças em seu corpo e forçou-se a se levantar, ainda que com as pernas cambaleantes.

Entretanto, por mais que fosse irritante, Chisaki sabia que no fundo não estava arrependido.

Notas finais
Acho que a individualidade do Chisaki é uma das pouquíssimas do mundo de BNHA que não dá pra ser pervertida, simplesmente porque usar ela implica em ferimentos graves no mínimo e morte no máximo lmao

Ao menos ele parece ser imune ao próprio poder e assim pode levar uma vida (quase) normal. Ênfase no quase pffff Ele sempre me passou a impressão de que odeia a individualidade dele e que se pudesse escolher, preferiria não ter nada, o que é bem compreensível. Quanto mais eu penso no quanto esse poder limita várias coisas em sua vida, mais pena eu sinto, também. O cara deve ter levado uma vida miserável e descobrir o poder quando criança deve ter sido super traumático...

Em uma nota mais engraçada, eu realmente fiz uma pesquisa em sites de sex shop pra saber preços de brinquedos voltados pro público masculino LKJSADHKHDSAKASD

Fiquei meio abestada com os preços de algumas coisas, e acho que o próprio Chisaki ficaria também, então vamos dizer que ele prefere gastar o mínimo possível nessas coisas pra satisfazer as próprias necessidades de vez em quando -q

No final acabei tocando bastante nos sentimentos do personagem, C O M O S E M P R E. TÁ PRA NASCER MAIS PREVISÍVEL, se bem que a graça é esse turbilhão de sentimentos e coisas que se passam na cabeça dele mesmo. MEU SENHOR, COMO EU AMO ESCREVER SOBRE GENTE DESGRAÇADA DA CABEÇA

Se bem que é bacana porque pode não ter "plot", mas ainda conta algo. Eu gosto dessa sensação de entregar alguma coisa com uma cena tão "banal", digamos assim C:

Eu legitimamente acredito que ele tem tatuagens e cicatrizes e vou ficar muito triste se o Horikoshi não entregar isso. ELE É UM YAKUZA, GENTE, YAKUZA PRECISA SER TATUADO!!! POR FAVOR, HORIKOSHI, ATENDA ESSE PEDIDO ;;

Espero que tenha gostado! ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!