Era o terceiro dia de aula desde o início do semestre...

Nezu estava com toda a certeza com um único sentimento, medo... O Pós-Guerra já foi algo completamente tenso e desgastante, agora esse sentimento se agravava ainda mais com suas suspeitas e afirmações.

Havia um impostor entre eles, ou melhor, vários...

Que Lápide iria querer invadir a UA com ou sem a Shield não era novidade, outras escolas também, mas esse lugar é especial para ele, afinal era nesse lugar que estava residindo as quirks do próprio Mirio, Aizawa, Eri, Mirai... Um monte de gente com as quirks mais poderosas e promissoras residiam aqui, sejam como estudantes, professores, heróis ou civis. Perguntar se Lápide iria querer por as mãos nessas pessoas para obter as quirks seria o mesmo que perguntar se estava chovendo no meio de uma tempestade.

O problema para o roedor era: O Inimigo era um excelente estrategista nato.

—Filho da puta... -Nezu desabafou enquanto se via mentalmente jogando xadrez contra ele.

Mirio havia confirmado que ele havia enviado pelo menos alguém pra lá, para acabar com toda a UA atual e desestabilizar não só a mesma, mas as demais escolas... Como ele não ficaria em pânico? Se ele como líder de tudo aquilo não desse um jeito, tudo que restou do antigo Japão cairia de vez e todos iriam sofrer.

Shigaraki Tomura, neto da antiga mestra de sua velha amiga, era uma mente brilhante... Apesar de inicialmente infantil e imaturo ele mostrou ter realmente crescido para ser um excelente vilão e como Nezu o odiava por isso mesmo sabendo que não necessariamente a culpa disso tudo era do mesmo.

Ele foi o resultado de um abandono que apesar de bem intencionado tem suas consequências até hoje, seu desaparecimento, sua negligência por parte do mundo dos heróis a ponto do próprio ter ido parar nas mãos do maior vilão de todos os tempos, ou melhor... Antigo, já que agora o mesmo ocupa esse papel...

E pra piorar... O próprio Lápide PERMITIU que eles soubessem que tinham pessoas infiltradas.

“HÁ HÁ HÁ HÁ HÁ HÁ AH HÁ HÁ HÁ....”, Nezu imaginava a risada de zombaria dele ecoando em sua mente.

—Merda... Merda... –Ele não estava aguentando mais, ele estava a beira de ter um ataque de nervos.

O impostor ou os impostores poderiam estar em qualquer lugar, poderia inclusive ter um ali, atrás dele... Vendo todos os seus passos e relatando à chefia, como o mesmo iria competir com isso?

E não bastando isso, ele nem ao menos poderia contar sobre a possibilidade e confirma-la...

“Narrador, como diabos ele não poderia buscar ajuda?”, vocês estão se perguntando? Se sim, pois bem....

Considerando a hipótese que ele e qualquer outra pessoa estivesse sendo observado, se ele tentasse falar com alguém sem ter provas o mesmo poderia ser emboscado e morto, o inimigo poderia reagir? Talvez, mas era mais provável que ele estivesse observando tudo de longe e mantendo seu disfarce com sucesso.

Se ele tentasse fazer alguma coisa por si só, ele poderia ser morto por conta do seu tamanho e falta de força.

Agora se ele não fizesse nada, ele não sofreria nada...

“Mas não seria vantajoso para a Toru ou qualquer outro impostor matar o Nezu?”, vocês se perguntam.

Sim e não...

Sim pois matar um líder como ele traria um efeito dominó catastrófico e muita coisa poderia se desenrolar em meio ao caos, mas os heróis com certeza seriam acionados e eles talvez poderiam lidar com muito mais trabalho pela frente.

Se ele não morresse, seria apenas POR HORA... Já que em um caso de invasão ele poderia morrer de qualquer jeito caso não fosse com os civis para ser evacuado e nada garante que a evacuação seja um sucesso pois infiltrados podem estar entre os civis enquanto os mesmos são evacuados.

Enquanto ele não faz nada extremo, os impostores estão escolhendo não mata-lo por hora, pois estão pensando em fazer as coisas do modo mais fácil e menos trabalhoso pensando a longo prazo.

É compreensível o pânico que ele está sentindo? Sim ou com certeza?

—... -Ele viu uma jovem faxineira de cabelos brancos passando e executando sua faxina tranquilamente, ela até foi simpática e acenou para ele, e o mesmo retribuiu mesmo tendo seu estômago embrulhando em relação a ela, algo na mesma não cheirava bem para ele.

Pior que ele já reconhecia o cheiro do impostor que costuma ficar na sala, mas toda vez que ele se mistura na multidão ele usa outro perfume... Aí Nezu não teria como identificar de qualquer jeito.

Tsukauchi e pessoas com as quirks adequadas poderiam até ajudar, mas os alvos ou poderiam contornar falando sem mostrar que estavam mentindo ou até ter quirks que burlem essas quirks, afinal... Se existe uma quirk que te transforma em uma bomba relógio ter uma que burle outras capazes de detectar de mentira é o menor dos problemas para Lápide e cia obterem.

—O que fazer? O que fazer? -Ele pensava consigo mesmo.

Ele de repente começou a rir, ele não estava mais aguentando tanta pressão a medida que tentava pensar cada vez mais em uma solução viável, ele simplesmente saiu de sua cadeira e caminhou até um armário.

—Aqui está... -Nezu sorriu ao vê-la.

Uma das balas apagadoras de quirk apreendidas por Izuku e Mirio no final do ano passado, antes de toda a desgraça acontecer... Nezu havia pego uma dessas balas e mantido com ele em segredo, só por precação.

—... -Ele a observou por bastante tempo.

Não era preciso dizer que fazia tempo que ele estava em uma grande depressão, com todas as tensões que teve no ano passado, toda a pressão... Tudo que aconteceu na guerra e agora, eram demais pra ele.

Se ele injetasse o conteúdo da bala dentro de seu corpo, os poderes da mesma iriam remover de vez sua quirk, apagar qualquer traço de que um dia uma quirk assim poderia estar nele, ele voltaria a forma de um animal comum, a mesma que a de seus antepassados um dia tiveram...

—Sem preocupações, sem tensões...Sem necessidade de pensar em mais nada... -Ele era covarde demais para se matar, ele sabia que se fosse covarde a esse ponto o último lugar aonde iria com certeza seria o paraíso ou qualquer coisa assim, então por que não tacar o “dane-se” para tudo de outra forma?

—...? -A “Zeladora”, ou melhor: Toru, não podia acreditar, ela chegou a sorrir diante de tudo aquilo já que se não podia mata-lo... Ou ele deveria ser morto mais tarde ou ele poderia se matar literalmente ou daquela forma que ele estava fazendo... Tem coisa melhor do que isso que ela está vendo? Ela vai ver o triste fim de uma das maiores mentes do Japão e que os heróis tinham em mãos e ninguém poderia dizer que foi algo suspeito e sim que foi ele que não aguentou a pressão!

Toru continuava com seu disfarce, dessa vez invisível apenas para ficar e observar tudo após terminar de limpar aquela sala e sair de cena, mas ainda querendo ver o que ele iria fazer por razões óbvias.

Ele foi aproximando a ponta afiada da bala para perto do seu braço, mais e mais... Ele mal podia esperar para isso acontecer, quando ele iria injetar o conteúdo...

Flashback POV.ON:

—O QUE?! -Nezu estava em choque com o que ouviu.

—Toru Hagakure, a irmã do Lápide, ela está aqui -Itsuki ressaltou- Foi o que Aoyama mandou dizer.

—M-Mas como?!

—Ele a reconheceu pelos sinais que apenas os dois conheciam, ele não falou muito pois não sabia se ela ou qualquer outro estaria lá vigiando ele, mas meu palpite é que ela era quem estabelecia contato entre e sua família com a chefia ou um dos contatos.

—E como ele contou isso? -Nezu estava sem entender.

—Código... Após ouvir o meu desabafo, ele me deu um conselho amigo e falou um monte de coisas sem parar, ressaltando uma palavra ou outra -Itsuki comentou- Eu achei inicialmente estranho ele tagarelar tanto, principalmente ele que estava tão depressivo... Mas a forma que ele me olhou e os gestos de leve, como se quisesse chamar minha atenção me fez pensar que ele talvez estivesse tentando passar uma mensagem secreta.

—.... -Nezu ficou pasmo com a ação surpresa do loiro.

—Foi mal a demora, eu demorei pra entender e.. Eu tava cheio de problema e coisa pra resolver... -Itsuki coçou a cabeça- Só fui sacar tudo agora que as coisas melhoraram...

—S-Sem problemas garoto... Sem problemas... -Ele sorriu de forma paciente.

Flashback POV.OFF:

Um de seus ex-alunos, apesar de tudo... Mesmo tendo sido um vilão, mesmo podendo morrer caso o inimigo matasse a charada ou estivesse lá, fez o que fez tentando ajudar... E aquela lembrança que só foi possível graças a um outro estudante que tinha ido visita-lo.

—Poxa... Que covarde eu estou sendo... -Nezu riu completamente sem jeito.

Naquele momento ele parou para lembrar de Toshiko, de suas motivações e de todos os demais amigos que morreram durante a guerra lutando por uma causa nobre, ele começou a chorar bastante em conflito sobre o que fazer, apoiando a bala em sua mesa enquanto estava em conflito.

—...

O que Nezu precisava era uma forma de falar e não falar para o caso de a cada coisa que for vista, falada e feita os inimigos não tenham como provar para si mesmos que eles fizeram isso, eles precisavam de um código, mas o que? COMO?!

Ele pensou, pensou e pensou bastante, levava toda a sua quirk que permitia o mesmo ter o seu lado racional ao limite.

Ele precisava disso, fazer isso... Ele não queria seguir o caminho mais fácil e abandonar tudo e a todos daquela forma covarde, seus amigos que ainda estão vivos... Seus preciosos estudantes... Os civis... TODOS precisam dele, enquanto ele está como líder e tem esse poder que lhe foi concedido... Essa era a sua responsabilidade.

Foi quando ele parou... Que se acalmou.

—...? -Toru ficou pensativa.

—... -Ele sorriu olhando para a janela- Obrigado, Toshiko...

Sem entender o que ele queria dizer, ela não aguentou e decidiu adiantar tudo e forjar que ele mesmo havia apagado a própria quirk.

Ela havia se aproximando lentamente, mais e mais devagar, pegando a bala e indo bem atrás dele, ela iria injetar aquilo nele a todo custo.

—... -Nezu fechou os olhos sorrindo.

Quando tudo iria por água a baixo para os heróis, a Nezu se virou para ela e a chutou.

—....!! -A mesma acabou se ajoelhando, deixando a bala cair.

Nezu havia notado ela pegar a bala há poucos instantes e vendo que a mesma deve ter perdido a compostura, ele a pegou por onde achava que era o seu rosto e o bateu na mesa de seu escritório.

—AAAAAAAAAAAAAAAAAAARGH!! -Ela gritou de dor, sangue saía da sua boca.

Nezu sabia que não duraria muito ali, ele precisava sair dali e chamar ajudar... De qualquer um e sem perder tempo ele começou a correr de quatro patas rezando para encontrar a pessoa certa.

—MALDITO!! -Toru pensava indo correndo até a porta tampando a boca enquanto via ele correr desesperada- Agora você me deixou furiosa!!

A perseguição estava desenfreada, Toru começou a quebrar as lâmpadas para tentar atingi-lo com os vidros sem sucesso naquele corredor imenso, a situação ficava cada vez mais caótica, mesmo que o roedor corresse bastante ele não seria páreo para a humana e quando tudo parecia estar perdido... Ele fechando os olhos deu um último salto de esperança.

—...? -Toru se surpreendeu.

Naquele momento em que Nezu havia fechado os olhos, estava Izuku que o havia pego nos braços.

—Midoriya?! -Nezu perguntou surpreso.

—... -Izuku fez um sim com a cabeça, Itsuki o havia contado tudo, e quando foi investigar por conta própria com seu irmão, ambos chegaram a conclusão de que talvez poderiam ajudar assim que chegassem ao diretor e agora que ele chegou, pelo visto foi bem a tempo de evitar alguma coisa terrível dado o estado dele- Nezu?

—Gatos... São... CRUÉIS... -Ele estava tão assustado e sem ter como raciocinar que ele simplesmente falou em código de forma simples e direta.

—... -Izuku assimilou o que foi dito, e entendeu tudo, afinal ele a conhecia muito bem e por conta disso ativou sua visão especial, podendo vê-la sem seu uniforme de vilã e sim como faxineira- Entendido.

Aquela fala do esverdeado, fez a jovem invisível ficar em choque...

Continua...