Era um belo domingo de manhã e a neve começava a cair simbolizando o inverno... O esverdeado estava completamente agasalhado no local indicado.

—Olá~-Camie havia aparecido, ela estava também vestindo roupas de frio.

—Oi -Izuku reagiu.

—Como estou? -A loira perguntou.

—Está bonita -Izuku respondeu.

—Mesmo só mostrando praticamente os olhos?

—Eu sei como você é -Izuku respondeu rindo.

—Mas queria que pelo menos visse o meu rosto todo -A mesma foi franca inflando as bochechas.

—Então por que não tira o cachecol e a touca pelo menos? -Izuku perguntou.

—Está frio!

—Viu? -Izuku brincou.

—E então? Por onde começamos? -Ela perguntou.

—Por que não vamos passeando por aí? Só andando? -Izuku perguntou.

—Vamos parar pra pegar um café primeiro? -Ela havia perguntado.

—Claro -Izuku respondeu.

O dia foi de um modo geral relaxante, ambos pareciam se divertir e enquanto Izuku tinha uma postura mais tímida e “travada”, era a loira quem era a mais extrovertida e sem dificuldade nenhuma de socialização, de fato ambos eram um casal notável por conta dessa dinâmica.

Quando o fim do dia chegou...

—Sabe... Eu estive pensando muito sobre o que tem acontecido recentemente, você sabe... Sobre toda essa coisa de aranhas e nós -A loira foi quem iniciou a conversa.

—Mesmo? -Izuku perguntou.

—É...

—E como se sente quanto à tudo isso?

—Feliz -Ela respondeu- E não foi apenas pelos poderes, como dá para notar.

—....

—Eu pude conhecer você, eu sei que já deixei bem claro que gosto de você... Mas eu queria de verdade explicar sem que pareça apenas desejo, entende? -Camie explicou.

—Elabore -Izuku respondeu.

—Você é... Peculiar -Ela iniciou- Desde o início, você tem algo que o torna diferente, especial... Único, as pessoas gostam de você de qualquer forma, acho que só os vilões mesmo querem te matar.

—É né... Por que será? -Izuku riu.

—Nosso primeiro contato... Não tinha como esquecer, entende? E analisando tudo, eu fico feliz que meu primeiro beijo tenha sido você.

—... -Aquilo o tocou.

—Muitos homens são maus, e se estivessem na sua situação com certeza se aproveitariam... Você? Foi diferente, mesmo tendo desejo, pensou em como me sentiria, não é? Mesmo querendo, mesmo que fosse apenas instinto, você não fez nada...

—...

—E eu sei que muito provavelmente devo ter passado a imagem errada sendo tão proativa... Mas eu não sou uma mulher “fácil” -Camie foi franca- Apenas: O que poderia fazer quando encontrei um cara como você? Como poderia reagir?

—....

—Muitas garotas não sabem valorizar caras bons, e é por isso que mais pra frente muitas se dão mal... Está bem que nosso primeiro beijo foi puro instinto, foi mais forte que nós -Camie desabafou- Só que quando pude te observar melhor, ver sua postura, quem você é tanto depois na primeira prova quanto posteriormente... Eu não pude deixar de querer te agarra logo e não soltar.

—Camie... -Aquilo o impactou.

—Você estava lá, na minha frente... Eu queria segurá-lo, beijá-lo mais e mais... Queria ficar com você... E quando te vi de novo pela segunda vez, fiquei feliz, pois poderia tentar te conquistar, mesmo que não fosse a única em sua mente, como deu pra perceber em algumas... Eu queria que você pensasse em mim... Mostrar que eu existo -Camie continuou- Na luta do esgoto também, quando te beijei de novo pude mostrar o que sentia, senti que consegui sua atenção, não é?

"Eu irei fazer com o tempo que apenas eu esteja em sua mente, entendido?", foi a frase que ela disse para ele.

"Assim como você só tem estado em minha cabeça"

"A ponto de não pensar em mais ninguém..."

—Eu não consegui parar de pensar no que você disse -Izuku foi franco sorrindo levemente.

Ambos pararam em frente a uma ponte, subindo até o meio dela.

—Então consegui o que queria -Ela sorriu- Mas e você Izuku? O que sente quanto a tudo isso? -Camie deu a vez de falar para ele.

—... –Izuku tomou café pensativo e decidiu dar a sua resposta- Eu não esperava me encontrar em uma situação assim... Pelo menos não o meu antigo “eu”.

Ambos parados em cima da ponte observavam seus reflexos acima d’água.

—Eu lhe contei certo? Que eu era quirkless... -Izuku foi franco- Na verdade, ainda sou...

—Somos só humanos com capacidades físicas de uma aranha afinal -Camie se lembrou.

—Antes da transformação, eu nunca fui alguém notado, valorizado pelas demais pessoas... Apenas minha querida tia, que Deus a tenha, foi minha verdadeira amiga e lugar seguro nesse mundo -Izuku comentou- E por ter sido tão maltratado, eu nunca pensei que uma garota poderia ter chegado em mim daquela forma... Na verdade e foi por isso que em meu interior eu desistir dos romances... Mesmo sendo super poderoso depois da picada.

—Izuku... -A loira olhou de forma triste para ele.

—Na minha cabeça, no meu interior, eu sempre pensei que... Ninguém nunca gostaria de mim... Eu pensei que morreria sozinho -Izuku desabafou- E mesmo despertando meus poderes, nunca se passou na minha cabeça tentar a sorte no amor pois... Sei lá parecia que ou ninguém iria me querer de qualquer jeito ou eu teria que mentir pra pessoa a vida toda e dizer que eu tive um despertar de poder tardio... E bem... Mentir não é legal.

—Tinha outras garotas que gostavam de mim? Bem recentemente eu descobri que apenas uma... Essa confessou pra mim após nosso encontro enquanto outra eu apenas gostava, tinha uma pequena queda, mas parecia que nunca poderíamos ir adiante pois... Sei lá.... Parecia que era um “Será que ela gosta ou não?”, entende? Ela poderia apenas se preocupar como amiga e tal... E... Eu não queria passar vergonha... De me iludir e no fim não ser nada.

—... -Aquela última parte a comoveu.

—Se eu contasse para o meu eu antigo sobre o que passei com você ele ficaria em choque, negaria com todas as forças pois nunca nos imaginaria com alguém como você -Izuku olhou para ela- Eu no início pensei em me afastar, pois... Parecia que era apenas o nosso “instinto aranha” falando mais alto e poderíamos não ser “nós” mesmos, entende? -Izuku coçou a cabeça.

—...

—E quando recebi o segundo beijo... Depois de tudo o que passamos... Depois de ter lhe confessado que eu era, na verdade descobri que ainda sou quirkless... Eu fiquei em choque -Izuku foi sincero- Você foi a primeira pessoa que apesar da surpresa, não... me achou estranho, e me aceitou, fora a minha tia é claro...

—Ela parece ter sido uma pessoa incrível -Camie reagiu.

—Ela... Foi minha mãe de verdade, claro que eu amo a minha mãe biológica e falo que ela também é a minha mãe -Izuku comentou- Mas minha tia Laurie foi a minha “MÃE”... Entende?

—....

—E foi o que eu disse: Você, assim como ela me aceitou de braços abertos -Izuku tocou onde estava seu coração- E quer continuar comigo, quer lutar comigo, quer estar para o que der e vier... E-E eu não sei como reagir, pois... O que aparentava ser apenas algo superficial, está mostrando na verdade se algo ainda maior e além do que eu pensava... E-E...

—E...? -Camie perguntou.

—Eu não sei como reagir, pois nunca tive algo assim -Izuku foi franco- Nunca passou pela minha cabeça que... Algo assim pudesse acontecer...

—Bem... Diferente do que posso fazer com minha quirk, eu não sou uma ilusão, ou o que sinto por você -Camie se aproximou abraçando seu braço e encostando a cabeça em seu ombro- Somos bem reais.

—De verdade? -Izuku perguntou virando-se para ela.

Camie o beijou, o que o surpreendeu.

—Isso é real o bastante pra voc...? -Ela se surpreendeu quando o mesmo retribuiu indo beijá-la assim que a interrompeu.

Ambos se separaram pela falta de ar.

—Se isso fosse um sonho, eu queria que nunca acabasse -Izuku acariciou seu rosto.

—... -A mesma sorriu com os braços envolvendo seu pescoço.

—Camie... Você quer... Mesmo ver se dá certo? -Izuku perguntou.

—Eu disse que vou ser a Senhora Midoriya, certo? É claro que vai dar certo -Ela cutucou seu nariz.

—... -O mesmo sorriu levemente

—E você, se está perguntando então está afim? -Ela provocou.

—É o que tenho certeza que quero -Ele envolveu sua cintura com seus braços.

—Fon! -Ela cutucou seu nariz de novo.

Ambos riram e seguiram caminho, com a loira abraçada a um de seus braços, apesar de não ser inverno, o sentimento de encontrar o amor em plena primavera estava ali.

Continua...