Dejame Ser
5 Ok, isso era só o que me faltava
Ao dormir, Remo sonhara várias vezes com ela. Sonhos que iam desde simples – porém lindos — passeios no parque até o dia de seu casamento – que ainda acreditava impossível.
No dia seguinte haveria uma nova reunião da Ordem da Fênix, no horário do almoço. Todos estavam lá: os Weasleys, Sirius, Remo, Tonks, Dumbledore, McGonagall, Joseph e.. sim, Annabeth Legeno, juntamente com uma amiga que Remo reconheceu ser Thalita Lockhart.
Ambas foram apresentadas a todos os membros da Ordem e foram sentar-se nas cadeiras desocupadas em frente à Remo e Tonks – sentados lado a lado.
— Oi, Remo. – começou ela.
— Olá, Annabeth. Como vai? – respondeu ele, estendendo-lhe a mão para cumprimentá-la.
— Eu vou muito bem, e você?
— Levando a vida, né? Como sempre. Os problemas vêm e os problemas vão, mas a gente sempre tenta resolve-los.
— É... mas vejo que está acompanhado, não? – pergunta ela, percebendo que Tonks tinha uma das mãos segurando o braço esquerdo dele, enquanto olhava para o outro lado, tentando ouvir alguma outra conversa.
— Ah, sim. E muito bem acompanhado, por sinal. – disse ele, acariciando a mão da namorada e sorrindo. – Esta é a minha namorada, Ninfadora Tonks, que prefere ser chamada pelo sobrenome.
— Muito prazer, mas... onde começa o sobrenome? – perguntou Annabeth, olhando desdenhosa para Tonks, enquanto arrumava os loiros cabelos para trás das orelhas.
Esta recostou a cabeça no ombro de Remo e respirou fundo várias vezes, tentando não irritar-se com a recém-chegada.
— O sobrenome é Tonks, e desculpe-me por isso... – disse ele apontando a garota. – Ela não gosta muito do nome.
— Entendo... esta é Thalita Lockhart. Lembra dela, Remo?
— Lembro sim, como vai, Thalita? – cumprimentou-a ele.
— Eu vou muito bem, Remo, obrigada.
— Lockhart... por acaso você tem algum parentesco com... – começou Tonks.
— Com aquela fraude em Defesa Contra as Artes das Trevas? Sim, ele é meu irmão. – completou Thalita.
— Thalita, posso fazer uma pergunta? – perguntou Tonks após alguns segundos de silêncio, ao ver que Thalita tinha os cabelos pretos com mechas azul claro e rosa um tanto discretas, porém visíveis.
— Claro que pode.
— Você é metamorfomaga?
— Não, Tonks. Eu faço isso no meu cabelo – Thalita agora mexia nas mechas enquanto explicava – uma vez por mês, à maneira trouxa mesmo. Mas eu ia adorar se fosse. Você é, não é?
— Sou sim. – respondeu Tonks sorrindo.
— Faz alguma coisa para eu ver?
Nisso, Tonks metamorfoseou-se, mudando os cabelos cor de rosa vivos para um tom mais claro de rosa, criando orelhinhas e nariz de porco. Roncava como um, enquanto Thalita caia na gargalhada pela brincadeira da garota.
— É, eu acho que namoro um zoológico inteiro, não? Essa garota já se metamorfoseou para diversos animais. – riu-se Remo.
Ao voltar à forma normal, ela beijou-o no ombro e eles continuaram a conversa tranquilamente, até que fosse a hora de recolher-se para dormir. Arrumaram quarto para as duas novas ocupantes da casa, e Remo e Tonks subiram para seus quartos. Porém, rapidamente ela entrou no quarto dele e disse:
— Precisamos conversar, Remo.
— Aconteceu alguma coisa, Dora?
— Aconteceu sim, Remo. Aconteceu que a tal a Annabeth tá muito metidinha pra uma garota recém-chegada aqui.
— E o que eu posso fazer pra te ajudar, meu amor? – perguntou ele, chegando mais perto dela.
— Eu não sei... mas Remo, essa Annabeth por acaso, não é a daquela historia que você me contou aquele dia, é?
— Sim, Dora. É ela mesma.
— Ah, tá bom. E agora ela acha que chega “chegando” nos lugares e vai insultando as pessoas que encontra justamente por causa do nome delas, ou por que acha que ainda namora o cara, depois de... sei lá eu depois de quanto tempo!
— Quatorze anos.
— Que seja!
— É... na verdade eu acredito mais que ela tenha dito aquilo pra te incomodar, porque você é a minha namorada agora, e não ela. Provavelmente ela achava que eu estaria sempre ali, de braços abertos pra me render a ela quando ela me encontrasse de novo. O que, mesmo que meus braços não estivessem ocupados com garota alguma, não seriam abertos pra ela novamente. – ele disse, na maior simplicidade do mundo.
— Sério, amor?
— U-hum!
— Ah, que bonitinho! – disse ela, apertando-lhe as bochechas. – É por isso que te amo muito, sabia? – ela completou e em seguida beijou-o.
Ficaram ali, abraçados por algum tempo – não souberam dizer quanto já que, segundo eles, não se davam conta do tempo quando estavam juntos. Até que Remo sentiu-se cansado, e disse num sussurro ao ouvido dela:
— Dora, acho melhor irmos dormir.
— Por que? Tá tão bom aqui...
— É, mas você não vai dormir em pé, vai? – perguntou ele.
— Huum... é, acho que não. – respondeu ela, afastando-se dele vagarosamente. – Estou indo pro meu quarto, então. Eu te amo. – beijou-o.
— Boa noite, Dora. Também te amo.
Então, Tonks saiu do quarto dele e foi em direção ao seu próprio – que ficava ao lado do dele. Tomou um banho, vestiu-se e se atirou sobre a cama, ainda pensando nele e no que havia acontecido no jantar.
Rolou na cama por uns vinte minutos, mas nada do que fizesse a ajudava a dormir: já contara carneirinhos, cantara musicas lentas e ate mesmo havia aberto um livro. Mas, já que nada disso adiantava, uma coisa se passou pela cabeça da metamorfomaga...
Ela levantou-se, pegou uma pena, o tinteiro e um pedaço de pergaminho. Escreveu algumas palavras, dobrou-o, lançou sobre o bilhete um feitiço que o havia feito brilhar como néon e foi em direção ao quarto dele – que ficava ao de frente para o seu.
Passou, então, o pergaminho dobrado por debaixo da porta e bateu três vezes nela. Tendo feito isso, voltou para o seu quarto, na esperança de que ele a tivesse escutado.
E, para sua sorte, ele realmente ouviu, já que não estava em sono profundo. Olhou para a porta e viu ao chão o pergaminho brilhante. Levantou-se, foi até ele e, ao abrir, leu a seguinte mensagem:
Não consigo dormir, me ajuda?
Ele reconheceu a caligrafia como sendo dela, sorriu marotamente e se dirigiu ao quarto da garota. Bateu levemente na porta e entrou.
— Já contou carneirinhos? – perguntou ele, entrando e fechando a porta atrás de si.
— Sim... eles já pularam a cerca, já voltaram por ela, e os lobos já jantaram também. – Remo ficara estupefato com a resposta. – Mas não se preocupe, eram lobos normais, não lobisomens. – ela sorriu e em seguida baixou o tom da voz para continuar: — Embora eu prefira os da segunda espécie, não? – ela fez um aceno com a mão para que ele se sentasse.
— É, eu percebi o quanto marota você é. Se tivesse feito Hogwarts na época dos marotos, você poderia ter entrado para o grupo, o que acharia? – ele olhou para ela com um olhar curioso pela resposta que receberia.
— Bem... eu acharia maravilhoso, mas... eu não preciso de um grupo para mostrar que sou marota. – ela sussurrara a segunda parte ao ouvido dele, e beijou seu pescoço.
— Tá, o que você acredita que eu possa fazer por você, para que consiga dormir, hein? – ele perguntou, sorrindo.
— Quero que você fique aqui comigo. – respondeu ela, fazendo uma carinha de bichinho sem dono.
— Ah, é? E por quê?
— Porque eu te amo, estou com saudades e principalmente porque não consigo dormir.
— Meu Merlin! O que foi que eu fiz pra merecer essa garota? Ah, esqueci que nem mereço... mas mesmo assim: amar você é um castigo, pelo simples fato de eu ser um lobisomem, não é?
— Não, não é! Você me ama porque você quer – disse ela, dando-lhe beijos no pescoço.
— Tá bom, que seja! Você quer que eu fique ou não?
— Claro que eu quero! Deita aqui – ela apontou para um lado da cama, dando-lhe espaço para que ele se deitasse ao seu lado.
Então, Remo deitou-se ao lado dela e, abraçados, ambos rapidamente caíram no sono.
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