Deixe-me pinta-lo, Capitão
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Meus pais morreram em um ataque pirata em 1648 -quando eu tinha dez anos-, desde então eu odeio aqueles bárbaros psicopatas.
Cresci com meus tios religiosos, que me colocaram em uma escola católica aos doze anos. Minha tia -que era casada com o irmão de minha mãe- sempre me chamava de “demôninho”, pois eu não acreditava na tal “Força Maior” chamada Deus. E eu sempre defendi meu ponto de vista, todos eles. Ela também não me suportava porque eu nunca achei certo que mulheres fossem consideradas menos do que os homens, e sempre dizia isso. Já meu tio, me apoiava ou nem ligava para as palavras que saiam de minha boca. Aos 14 anos, eu queria sair daquela escola e estudar coisas que possam ser explicadas. “A explicação para tudo é Deus, menina” era a única coisa que minha tia falava sobre isso. Mas, meu tio era assim: “Ninguém sabe explicar as coisas, mas eu posso lhe ensinar certas coisas que eu sei”. Eu sempre aceitei seus convites, pois já o tinha ouvido tocar violino e piano, e visto seus lindos quadros. Assim, virei uma artista e só ia à aula para aprender a ler e para matemática, faltava às outras.
Em 1655, meus tios foram pegos por outro ataque pirata.
Sobrevivi às duas vezes pois minha família sabia proteger seus queridos. Comecei a morar sozinha na antiga casa de meus pais, que ficava mais afastada da cidade. Para falar à verdade, nunca sai de lá. Meus tios se mudaram logo após o "acidente".
Hoje, tenho 19 anos, vendo minhas pinturas e me apresento em concertos. Ganho a vida assim.
Tenho três paixões: Minha arte, minha música e meu amado cachorro. Encontrei ele no dia do funeral dos meus tios. Era um filhote de pastor-australiano, eu estava na escadaria da igreja, me afogando em lágrimas... E, subitamente, eu senti uma coisa molhada na minha bochecha. Lá estava ele. Me fazendo rir naquele dia de luto.
Eu e Chopper estamos juntos até hoje. Ele me acompanha por todo lado, desde apresentações e negociações até o mercado e ao banheiro.
Mas essa história não é monótona ou coisa parecida. Bom, pelo menos eu me diverti. Esta é a minha história e como eu consegui vivenciar essa enorme aventura.
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