Deixe-me pinta-lo, Capitão
10 Capítulo 9
Notas iniciais
Enquanto andávamos de volta, o pequenino ainda segurava a minha mão. Mas então ele teve um colapso e tivemos que levá-lo às pressas para o barco. Contudo, no final, ele só estava cansado. Colocamos ele no meu quarto e eu o assisti enquanto dormia.
Ele começou a se levantar e esfregar os olhos.
—Você está bem? –Perguntei sentada na poltrona. –Tem um sanduíche ali se você... –Mas antes de terminar ele já havia pegado o lanchinho.- Como se chama?
—Jorge. –Falou enquanto engolia.
—A quanto tempo você não dorme, Jorge?
—Eu tive que ficar acordado limpando os estábulos ontem, e antes minha barriga doía tanto que o sono não veio.- Fiquei perplexa.
—Bom, se você quiser dormir ou comer, está livre para faze-los quando quiser. Se importa de dividir esse quarto comigo? –Ele balançou a cabeça em negação.
—Onde eu vou dormir?
—Na minha cama, onde mais?
—Eu costumava dormir no chão.- Ele falou sorrindo. E recomeçou a comer.
—A cozinha fica lá em baixo. Descanse um pouco e eu vou comer. Bom... se não estiver afim de descansar... faça o que quiser. –Sorri e fechei a porta, deixando Chopper junto do menino.
—ESPERA! –Abri a porta rapidamente. Ele ainda estava deitado.
—Que foi? Você está bem? –Perguntei, preocupada.
—E.. e e-ele? –Falou apontando para Chopper. Andei até a cama e me ajoelhei ao seu lado.
—Você não viu ele na casa daqueles panacas? — Falei e ele riu balançando a cabeça de novo, em negação.- Ele vai defender você e sempre que quiser ele estará ao seu lado. Seu nome é Chopper.
—Chopper...- Falou e se esticou para fazer, hesitante, carinho no cão.
—Tem mais perguntas? –Ele fez que não, aparentemente distraído pelo cachorro.- Muito bem, se quiser algo vá lá em baixo.
—Como ele está? –Perguntou o capitão quando eu sentei a mesa e Castiel me serviu.
—Está melhor. Mas eu gostaria de voltar lá e bater mais um pouco -e com pouco é o mesmo “pouco” do meu “mais um pouco de rum”- naquela megera palito-de-elefante. E ele não dorme a um dia e pelo que eu percebi, não come a sei-lá-quanto-tempo. –E tomei um longo gole do meu precioso rum.- Poderia levar mais um sanduíche para ele, Castiel? Obrigado.- Falei sem nem ao menos olha-lo.
—É melhor você ficar calma e beber. –Falou James.- Pois se ele comentar tudo o que ele sofreu, é capaz da senhorita nos fazer dar meia volta e matar aquela mulher.- Rimos.
—Ela não é uma mulher... Bom, pelo menos não é humana. –Respondi.
Quando eu subi encontrei o menino deitado feito um anjinho e dois pratos, vazios, em cima do criado-mudo. Não poderia acorda-lo poderia? Levei os pratos até em baixo. Então fui até o convés. Me escorei no mesmo lugar onde estava quando parti da minha vida menina-menino. Eu ainda tinha um pouco de saudades de casa.
Então finalmente me dei conta disso: Eu sou garota de novo. Estou usando roupas femininas, mas que me deixam confortável. Eles não me menosprezam pelo fato de ser mulher. Eu sou eu mesma aqui. Eles confiam em mim (pensei em Castiel e Z.S), me ajudam (todos vieram à minha mente... exceto...) e também eles se preocupavam e não me subestimavam...
—O que você está fazendo aqui? –Me virei, os meus cabelos começaram a voar. E lá estava o capitão.
—Jorge está dormindo e não quero acorda-lo. –Respondi, voltando a me virar. Ele se postou ao meu lado.
—Em que você está pensando, moça?
—Em como vocês são bons. –Ele me olhou espantado e depois desviou o rosto... completamente corado. Ri um pouco por isso. Ele voltou a me encarar.
—O que fizemos para você? Por que fica perdendo tempo pensando em nós?
—Não sei dizer... –Só senti vergonha. Minhas orelhas estavam quentes.- Mas vocês são muito especiais para mim. -Falei.
Capitão se aproximou de mim um pouco mais e colocou um pedaço do meu cabelo para trás da orelha. Eu cheguei um pouco mais perto e fiz a mesma coisa. A mão dele ainda estava na minha nuca. Ele foi se aproximando um pouquinho mais, e um pouquinho mais e então... ouvimos um barulho em baixo de nós e saímos daquele transe, muito corados.
—Vou ir dormir. –Falei. Mas ao invés de me dirigir ao meu próprio quarto, fui até o dele.
Quando ele entrou, meio confuso, eu estava tirando o colete.
—Acho que você se enganou. –Disse.
—Não. Como você abusou dos meus aposentos ontem, e como tem um menininho que não pode ser acordado, eu vou dormir aqui.- Sentei na cama e comecei a tirar a bota.
Ele se virou e foi até o baú que ficava nos pés da cama. Tirou as botas e começou a desabotoar a camisa. Que corpo lindo a vida havia lhe dado. Corei. Fui subindo os olhos, bem devagar, até chegar ao pescoço, lábios tão macios, os cabelos caindo até o ombro... e então cheguei aos seus olhos. Ele percebeu que eu estava devorando-o com o olhar e corou. Ele tirou por completo a camisa e pegou outra no baú. Deitei na cama, capitão me acompanhou. Estávamos de barriga para cima.
—Todas as noites, -começou ele- eu não consigo dormir direto quando me deito. Me sinto um pouco triste e vazio.- Me virei para encara-lo.- Mas ontem, quando abracei você como se fosse um travesseiro... aquilo me deixou feliz, confortável e... completo. Não consigo entender. –Se virou para mim.
Eu dei um impulso para frente e o abracei. Ele me apertou contra si com muita força, porém aquilo não doía, mas era muito aquecedor.
—Fique assim mais um pouquinho. –Ele pediu enfiando o rosto no meu pescoço.
—Eu não estava pretendendo soltar...- O apertei mais forte.
Naquele momento, eu senti como se um único abraço não fosse o suficiente. Como se eu quisesse e merecesse mais. Como se nossas roupas fossem um abismo entre nós. Eu queria arrancar suas roupas e senti-lo mais. Eu sentia um desejo imenso. Mas mesmo assim me controlei. Só entrelacei meus dedos nos seus cabelos. Eram tão macios.
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