Deixe-me pinta-lo, Capitão
9 Capítulo 8
Notas iniciais
Quando eu acordei, me vi sob observação por um lindo homem de cabelos pretos que iam até os ombros e olhos de uma cor tão dourada, que poderia ser facilmente confundida com ouro. E então percebi que o motivo de eu acordar foi que o capitão estava fazendo carinho no meu rosto com uma mão e com a outra estava apoiando a cabeça enquanto me mirava com um olhar angelical e admirado.
Ontem o dia havia sido tão cheio e cansativo, que eu me lembrei da brincadeira com o menino riquinho, o ouro que roubamos, PORRA! Castiel e Z.S. E foram estas memorias que me fizeram sentar em um pulo, assustando o capitão. Só quando ele sentou, colocou as mãos em minhas costas e perguntou se eu estava bem, foi quando percebi que sua camisa estava aberta, meu Deus, que corpo lindo, senti uma faísca passar pelo meu olhar ao ver aquilo. Então, de súbito abaixei o rosto para mim mesma, minha camisa estava um pouco aberta, porém não revelava nada.
Então, me recorreu o pensamento, de que como ontem havia sido um dia extremamente cheio, eu merecia algumas horas de descanso. Estiquei o braço, empurrando o capitão para baixo, junto comigo, para nós dois deitarmos de novo.
—Está tudo bem? –Ele perguntou de novo.
—Quero dormir mais um pouco.- Sussurrei.
—Quer que eu me retire?
—Não.- Então ele foi descendo a mão até chegar na minha cintura e me puxou para mais perto. Coloquei a cabeça no seu peito e ele beijou a minha cabeça, senti um sorrisinho brotar em seus lábios, mas estava com muito sono para saber.
Não sei quanto tempo eu dormi. Mas acordei com alguém gritando: ”Terra à vista” novamente seguido pelo sino. O capitão pulou da cama em um estante. Se dirigiu a porta e me deixou lá sentada na cama. Senti vontade de dormir mais, porém eu queria muito uma inspiração para pintar e conhecer novos lugares. Coloquei as ataduras e sai. Vi que já estávamos atracados no porto. E eu estava sozinha. Desci para abaixo do convés. Só o capitão estava lá.
—Eles saíram. Foram comprar um presente para você.- Ele disse.
—Por que? –Perguntei.
—Não sei. Acho que estão cansados de ver você sempre com as mesmas roupas.
E logo depois de um café da manhã silencioso eu subi para o convés e lá estava James com uma caixa na mão e logo atrás os outros homens.
—Senhorita. –Ele disse satisfeito.- Nós queríamos lhe dar isso. Uma forma de agradecimento por ter nos ajudado naquele dia. –E ele estendeu a caixa para mim. Eu a peguei e quando eu estava quase abrindo Carl me interrompeu:
—São roupas. Roupas limpas e menos masculinas. –Todos me olharam com os olhinhos brilhando.
—Vocês querem que eu experimente agora? –Todos balançaram a cabeça afirmativamente.
Então me retirei e fui para o meu quarto. Tirei a calça, que estava em mim desde que cheguei, a camiseta, as ataduras e abri a caixa. Estava cheia até o topo de roupas. Tirei todas de dentro e coloquei sobre a cama. Peguei uma camiseta cor de vinho, uma calça preta (só tinham calças pretas) e um colete. A blusa deixava os ombros a mostra e tinha um detalhe para segurar os seios, e as mangas eram largas. Coloquei o colete e ficou bem melhor. Ele parecia um tipo de espartilho improvisado. Segurava os peitos e ajeitava a cintura. Coloquei a bota e sai.
Todos já estavam esperando. E sorriram para mim quando passei.
—E a senhorita vai precisar disso. –Falou Gabriel me estendendo um cinto com uma espada e uma arma. Coloquei e me senti completa. O capitão estava lá.
—Capitão, — Timber começou a falar- um senhorio nos convidou para sua casa. –Esbugalhei os olhos.
—O quê? — Dissemos eu e o Capitão.
—É verdade. Quando estávamos a caminho do barco uma mulher correu até nós e disse isso. –Falou James. –Não fazemos a menor ideia do que esse homem deve querer.
—Muito bem. Vamos lá agora. –Falou o capitão e todos saímos do barco, Chopper do meu lado.
Perguntamos onde ficava a casa do homem para as pessoas, e todas pareciam com medo ao ouvirem nossa pergunta e apenas um homem apontou o topo da colina.
—Argh! –Bufei.- Olha como isso é longe caramba.
—Deve ser por um bom motivo senhorita. –Falou um dos gêmeos, eu só revirei os olhos.
Quando estávamos andando por um caminho que foi feito entre duas florestas. E avistamos uma casa branca no alto.
Ao chegarmos lá, atravessamos o jardim. Eu e o capitão estávamos na frente. Não sei o porquê, mas eu sentia que sempre estava do lado dele, seria verdade?
—Quer fazer a honras Alicia? –Ele me perguntou. Eu sorri e encarei a porta. Todos se afastaram e então entendi. Levantei a perna e chutei a porta com tudo. Ela abriu no mesmo instante e eu entrei seguida por Chopper e os homens.
O hall de entrada era um corredor que dava para duas aberturas e uma escada bem em frente. A abertura da direita dava para a sala de estar e a outra para a sala de jantar.
Com o estrondo, várias pessoas vieram ver o que estava acontecendo. E pude perceber que eram os empregados. Descendo apressadamente pela escada, uma mulher com o nariz pontudo e um coque bem apertado, aparentemente tinha uns 50 ou 60 anos, magricela e com uma expressão de megera e arrogância. Do seu lado um homem, gordo e baixo, com a mesma expressão da mulher.
—Vocês são os piratas? –Perguntou o homem, com voz fria e irritante.
—Não, somos uma trupe de pôneis alados e estávamos caminhando pelo arco-íris quando caímos nos portões do inferno. –Falei sarcasticamente, cruzando os braços, os homens atrás de mim riram. E vi uns empregados conterem o riso.
Mas percebi que um menininho colocou a mão na boca, e a mulher pareceu notar e de súbito deu uma palmada que ecoou por tudo. Os risos pararam. O menino caiu no chão com um baque surdo com a pequenas mãozinhas na bochecha. Olhei incrédula para os meus companheiros, as expressões de surpresa deram passagem para o ódio e nojo. Virei a cara e vi Chopper fazendo carinho no menino. E quando a mulher percebeu isso levantou a mão e fez um ruído.
Peguei o pulso dela no ar e comecei a apertar com todas as minhas forças.
—O.quê.você.pensa.que.está.fazendo? –Falei entre os dentes serrados de raiva. Olhei para ela, que estremeceu. –Você ia bater no meu cachorro? –Perguntei arqueando as sobrancelhas. Ela gaguejou e senti que os meus homens deram um passo para trás. –Se você, sequer, tocar num fio dos pelos do meu cão, juro pela minha própria vida que torcerei todos os seus dedos e depois cortarei o seu pulso, para você nunca mais ser capaz de encostar em nada, entendeu ou precisa de uma demonstração? –Ela balançou a cabeça em afirmação, só se ouvia a minha voz. Eu apertei o pulso dela com mais força e o larguei.
Me fiz carinho em Chopper e ajudei o menino a se levantar.
—Nem pense, homenzinho. –Ouvi a voz do capitão e vários gatilhos de armas. Levantei o rosto e o homem gordo estava com uma arma apontada para mim e todos os piratas estavam com as armas apontadas para ele. Sorri e me virei para o menino.
—Você está bem? –Ele esbugalhou os olhos para mim e fez que sim com a cabeça. Chopper começou a lamber o rosto dele e eu fiz um pequeno carinho em sua cabeça.
Levantei e fui até o homem. Quando nossos olhos se encontraram ele abaixou o braço e encolheu os ombros.
—O que querem conosco? –Perguntei.
—Nós queríamos saber se fazem trabalhos... sujos? –Falou a mulher hesitante. Olhei para o capitão e ele balançou os ombros.
—Depende. –Falei.
—Vocês matam pessoas por dinheiro? –Ela perguntou me olhando com suplica. Olhei mais uma vez para o capitão com uma cara “vocês fazem mesmo isso? ”. Ela balançou a cabeça negativamente.
—Você me enoja, mulher.- Falando isso, me virei e peguei o menino pelo braço. –O que ele é para essa casa?
—Um nada. –Ela falou com desdém. -Pode ficar com essa merdinha se quiser.
—Vejo que recuperou a coragem.- Falei soltando o braço dele e me dirigido a ela.- Eu se fosse você, não a recuperaria tão rapidamente na minha presença. –Ela voltou a se encolher, e eu dei um tapa, muito mais forte que o dela, naquele rosto magricela. Ela caiu ajoelhada. –Viu como é bom? Você vem com a gente menino. –Falando isso saímos da casa e o menino ficou paralisado no mesmo lugar.
—Vocês vão e comprem suprimentos. –Falou o capitão.
Eu voltei e me ajoelhei na frente do garoto. Ele estava horrível. Usava uma blusinha rasgada e uma calça pequena. Estava descalço e os pés muito machucados. O cabelo ruivo vivo e os olhos azuis escuro. Estendi minha mão:
—Nós não vamos machucar você. –O capitão se postou ao meu lado, o garoto o olhou e voltou a olhar para mim. E hesitantemente colocou a pequena mãozinha na minha.
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