Deixe-me pinta-lo, Capitão
18 Capítulo 16
Notas iniciais
Chegamos ao píer. Capitão estava sendo mantido em pé por James.
—Vamos achar uma pousada, e ficar o tempo necessário. –Falei para todos eles. –Alguém quer ficar para cuidar do navio?
—Eu e Z.S podemos ficar. –Falou Castiel. Eu o olhei e depois olhei para Z.S.
—Acho que... –Castiel me olhou com o olhar de um cãozinho perdido e não pude recusar. –Claro, mas terão de limpar o navio inteiro, okay?
—Tudo bem. –E eles se viraram e voltaram ao barco.
Andamos pela cidade. Já era noite, mas as pessoas que ainda estavam no lado de fora, ao nos verem corriam assustados. Eu sentia graça e um pouquinho de poder com isso. E o melhor? Era eu quem os comandava. Eu ficava a frente deles e comandava o caminho. Até que chegamos em uma linda hospedaria.
Ao abrirmos a porta um sino tocou. Era um lugar bem bonito. Uma mesinha um pouco à frente da porta. Os enfeites da recepção eram plantas com bambus e alguns quadros asiáticos com frases em kanjis. Uma bela mulher usando um simples yukata, que parecia um roupão, saiu de trás de cortinas atrás do balcão. E ao nos ver ela se encolheu.
—Por favor não me mate. –Ela falou com uma vozinha muito aguda.
—Não estamos a fim de matar hoje moça. –Respondi, sarcástica. –Só queremos de um lugar para ficar por uns dias. Estamos exaustos e só precisamos descansar. Isso é pedir demais?
—Não senhora. –Ela soltou um sorriso de alivio. –Quantos quartos?
—Quantos a senhora tem?
—Temos dez quartos disponíveis senhora.
—Quantas camas em cada quarto?
—Bom temos sete quartos com duas camas e três com uma cama grande.
—Tudo bem. São 6 quartos com duas camas e dois com uma cama. –Peguei as chaves e me virei para falar com todos eles. –Serão as seguintes duplas: James e Carl –Joguei a chave para um deles. –Isaac e Igor. –Fiz o mesmo movimento. –Sebastian e Jonathan. –Repeti. –Oscar e Ronald. –Greg e Gabriel. Eric e Timber. Eu ficarei com Jorge e Capitão terá um quarto só para si. –O avistei, ainda estava escorado e James. –James, leve-o até seu quarto. –E joguei a chave de Sen para James.
—Senhora? –A moça a minhas costas falou. –Se vocês quiserem ainda há fontes termais. Elas se localizam no jardim dos fundos.
—Tudo bem. Eu vou as fontes termais e se vocês quiserem ir, acho melhor irem se aprontar logo. –Ao dizer isso, me dirigi ao meu quarto. –Vamos Jorge. –E o menino me seguiu juntamente de Chopper.
O quarto era muito lindo. Verde com detalhes de flores rosas e brancas nas paredes. Os mesmos vasos com bambus e uma enorme cama de lençóis brancos. E em cima da mesma, uma pirâmide de toalhas.
Tirei minhas roupas e me enrolei em uma das macias toalhas e disse a Jorge para fazer o mesmo. Ao irmos para as fontes, vi que só haviam duas e que eram divididas em mulheres e homens.
—Vá se encontrar com os homens. Eu e Chopper vamos ficar do outro lado.
—Tudo bem. –E ele se foi. Me despi e entrei na água.
—Chopper, se você entrar vai ficar fedendo. –Ele lambeu meu rosto e se deitou.
—Gostaria de um champanhe senhorita? –A atendente estava atrás de mim com uma garrafa.
—Claro, por que não? – E assim, ao terminar de beber, aproveitei mais um pouco a fonte quentinha e depois fui deitar-me.
O dia amanheceu com pássaros cantando e alguém a minha porta me dizendo que o café estava servido. Então acordei Jorge ao meu lado e ao ouvir meus pés tocarem o chão, Chopper levantou em um pulo.
Vesti uma camiseta que deixava os ombros a mostra, vermelho sangue. As mesma calças e botas de sempre. Deixei o medalhão de minha família a mostra e quando Jorge estava pronto, saímos.
Fui andando e ao ouvir vozes, comecei a segui-las. Cheguei a um belo lugar, com portas de vidro, que davam para uma bela vista da manhã. E ao centro dessa sala, estava uma mesa lotadas de rostos conhecidos. Todos os homens estavam lá. Até mesmo capitão.
—Olá senhorita. –Falou uma metade.
—Bom dia senhorita Alicia. –Falou a outra.
—Bom dia rapazes. – E tomei um lugar a ponta da mesa, encarando capitão. –Você está melhor? –Perguntei ao mesmo.
—Muito melhor. –Ele respondeu sorrindo
—Por que não conta a ela o porquê, Capitão? –Disse Carl rindo, e James e Timber o acompanharam. Eu, que estava levando um copo com água a boca, lentamente levantei meus olhos e mais lentamente ainda coloquei o copo na mesa.
—Justifique. –Falei olhando com uma sobrancelha erguida para os três patetas.
—Bom, nós estávamos falando sobre ontem à noite... –Começou Gabriel, que estava entrando na conversa, não sei o porquê.
—Sim. –Falei com pressa.
—Vou explicar exatamente o que aconteceu. –Disse Timber, já sem paciência. Porém, capitão pigarreou e ele se calou. Todos nós nos viramos pata encarara-lo. Ele censurava os homens com o olhar.
—Continuem. –Falei e os olhei com a maior raiva que pude puxar de mim mesma.
—Capitão esteve com três mulheres ontem à noite. –Entoou um dos gêmeos indiferente a situação. Os dois irmãos o cotovelaram e ele apenas os lançou um olhar de “o que foi?” . Já eu? Fiquei paralisada por um minuto, até James começar a explicar.
—Mas ele não se lembra de nada, pois estava dormindo o tempo todo. Nós o drogamos quando fomos as fontes termais, para que ele dormisse. Entretanto, quando voltamos para dar uma olhada, ele estava adormecido com três mulheres, parecidas com aquela de ontem, ao redor dele na cama. Elas estavam o limpando e dando alguns chás de ervas, queimando algumas coisas e ao nos avistarem, pediram licença e se retiraram aos risinhos. –Não sei se a raiva que eu estava sentindo foi notada devido a minha cara, ou ao copo que se quebrou em minha mão. Mas todos eles engoliram em seco, até mesmo capitão.
—Sen- Chamei-o e ele logo levantou os olhos para mim. –Poderia levar Jorge para a fonte. Ele precisa tomar um banho. –Eu não o encarava, mas mesmo assim ele simplesmente chamou Jorge e ambos foram para fora. –James.
—Sim, senhorita?
—Chame as três garotas. –Ele ficou parado me encarando. –A-GO-RA! –E ele saiu correndo.
Logo depois, três mulheres entraram pela porta.
—Gêmeos. –Ponderei. –Cubram as saídas por favor. Ninguém entra e ninguém sai até minha segunda ordem, tudo bem?
—Sim, senhorita Alicia. –E eles se posicionaram.
Dei uma boa olhada as três garotas. Uma delas era loira e olhos verdes. A do meio tinha cabelos castanhos misturados ao loiro, e olhos castanho claros. Já a da ponta, devia ser asiática. Cabelos lisos, longos e negros como a noite, olhos puxados e pretos. Todas com o mesmo yukata. A esse ponto, meu sangue fervia.
—Moças. –Disse com um sorriso enorme estampado no rosto. –Por favor, se coloquem a minha frente. –Eu estava de costas a mesa, com as mãos apoiadas na mesma. Minha raiva estava no limite, porem eu consegui fazer uma expressão de um belo sorriso calmo, porém olhos afiados. –Então, -Fiz uma pausa e as olhei de cima a baixo. –Soube que visitaram nosso capitão ontem à noite. –Disse com a calma de uma flor e beberiquei meu café. Elas pareciam... indiferentes. E isso me deixou ainda mais irada. –Falem. –Ponderei com um pouco mais de raiva e força.
—Nós apenas soubemos que ele estava doente senhora. –Falou a loira.
—De fato, ele estava. Mas vocês já cuidaram disso, não é mesmo? –Meu sorriso era grande, porém, minha mandíbula estava serrada e meus olhos faiscavam com a fúria. –E se alguém me chamar de “senhora” outra vez, perderei a calma. –Coisa que eu perdi assim que as vi, mas ninguém precisava saber. A loira engoliu em seco. –Hum... curioso. –Falei ao me tocar de uma coisa.
—O- o que senhorita? –Perguntou lentamente, alguém atrás de mim.
—Acho incrível como essas três jovens entraram no quarto de um hospede que estava dopado de mais para responder a porta. –Eu estava com os tornozelos entrelaçados. -E ainda mais incrível, mesmo o homem estando naquele estado, elas se fecharem no quarto, -Coloquei a perna esquerda no chão, com um alto som e as encarei. –E depois o fizeram beber chás de ervas, inalar uma estranha queima de outros tipos de ervas. –Me desvencilhei da mesa e estufei o peito, senti a raiva em meu olhar. –Entretanto, como se não fosse o suficiente! –E não me contive, joguei a xícara de café na parede. –AINDA TIVERAM A AUDÁCIA DE O DESPIREM E LAVAREM SEU CORPO! –Fiz uma pausa e respirei fundo. Senti o nervosismo vindo de trás de mim. Agora eu andava calmamente em direção a elas e comecei a andar ao redor das mesmas. Estando lado a lado com a loira, perguntei. –Vocês temem a mim?
—N- não senhora. –As três disseram.
—Ah, pois deveriam. –Falei passando meus dedos na nuca de cada uma delas, que estavam tão rígidas quanto estatuas desde que chegaram, porém estremeceram ao meu toque. –Estão vendo esses homens a mesa? –Elas afirmaram. –São fortes como mil touros jamais serão, e servem a mim. Portanto, devo lhes dizer. Vocês deveriam temer. Agora, tem algo mais que queiram contar? Pois se meu capitão chegar aqui e me contar algo inédito, vocês estarão correndo sério perigo.
—N- não senhorita. Juro. Nós apenas cuidamos dele. Nada mais. –Falou a do meio. Suspirei e me escorei na mesa de novo.
—Tudo bem. Mas se eu souber que vocês dirigiram a palavra a ele ou sequer o olharam, estarão encrencadas, pois sabem... uma leoa vence de touros 85% por cento das vezes. –Encarei-as com um olhar mortífero e simplesmente completei. –Dispensadas. –Os gêmeos as deram passagens e elas saíram correndo.
—Isso foi tão... –Ouvi alguém dizer.
—FODA! –Outro completou. E então uma comoção começou. Falando sobre como foi de mais minha atitude, como elas estavam amedrontadas e como todos eles foram denominados como bravos touros.
Eu estava tão cansada que me dirigi novamente as fontes. Me despi e entrei na água. Estava tudo tão calmo... até que de súbito senti uma mão me tirando da água. Olhei para trás, era um homem, porém não era nenhum homem que eu havia conhecido. No desespero, comecei a debater-me gritar. Gritei muito alto.
As mãos me soltaram... não, alguém as havia puxado para trás. Deitei no chão de pedras frias, enrolando-me em mim mesma. Virei e lá estava o homem mais lindo que já tinha visto, metendo porrada em meu agressor. O mesmo ficou deitado no chão, enquanto vários homens da tripulação vinham em sua direção. Então capitão veio até mim e me cobriu com sua capa, e logo depois fui erguida e carregada... ficou tudo escuro de repente...
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