Deixe-me pinta-lo, Capitão
14 Capítulo 12
Notas iniciais
Ele era alto; tinha ombros largos; mãos firmes e gentis; braços fortes; seus cabelos castanhos e macios, reluzentes, estavam escovados para trás, deixando uma ou duas mexas caindo sobre a testa, e seus olhos eram tão negros quanto a saia do meu vestido.
—Posso lhe perguntar uma coisa? –Falei.
—Claro. –Francis respondeu.
—Quem seria o anfitrião deste baile?
—A senhora está dançando com ele. –Ele sorriu.
—Oh...
—Não quero parecer rude, mas você foi convidada? –Me assustei por um momento.
—C-claro. O homem que veio junto comigo na verdade foi o convidado, eu sou apenas uma acompanhante.
—Devo dizer que é muito linda para uma simples acompanhante.
—Não sou este tipo de acompanhante, senhor. Sou a melhor amiga da irmã do homem que estava me acompanhando. –Ele riu, e eu o acompanhei.
—O que você costuma fazer? –Ele me perguntou.
—Bom, eu gosto de brincar com animais e sei tocar violino. E o senhor?
—Eu tenho uma vida muito monótona. Sou um grande fornecedor de produtos exportados das colônias.
—Nossa! Deve realmente ser chato nadar em dinheiro. –Falei arqueando uma das sobrancelhas e rindo gozadora.
—Bom, é muito ruim viver nessa casa enorme, sozinho e só com empregados que não querem se relacionar com o patrão.
—Você já tentou seduzir uma serva? É isso que está dizendo?
—Não! Por Deus. Eu só estou falando, que se eu quiser me relacionar, eles podem acabar ficando frouxos.
—Entendo.- Na verdade, não entendia. Eu era a imediata do navio, uma vice capitã, eu me relacionava muito bem com os rapazes.
A música cessou. Me lembrei dos outros. Devo ter ficada hipnotizada pelos olhos castanhos. Olhei em volta, Castiel estava falando com um homem que, para meu descontentamento, não era Z.S. Os outros estavam espalhados pelo salão... Mas capitão estava sentado a uma das mesas, um copo em suas mãos e os olhos vidrados em mim e em Francis.
—Gostaria que me mostrasse o seu talento com o violino. –Falou Francis enquanto andávamos, não sei para onde, ele me conduzia.
—O que?! Eu- Ele me cortou:
—Toque para nós. –Seu sorriso era muito cativante.
—Tudo bem...
Ele me levou ao palco, onde outros músicos tocavam. Eles pararam, peguei o violino em mão, fui até o pianista, cochichei em seu ouvido e ele me acompanhou*. Eu sempre senti uma triste felicidade quando tocava o violino. Era um paradoxo que fazia meu coração sentir-se mais quente.
Quando terminei de tocar, todos os olhos estavam em mim, e as pessoas estavam em pé aplaudindo. Era uma ótima sensação.
Francis me levou até o jardim, no lado de fora.
—Você é muito boa. –Ele disse com um belo sorriso.
—Muito obrigado. Seu jardim é adorável.
—Eu acho que, esta noite em especial, ele perdeu o brilho para outra pessoa.- Me virei e o peguei me encarando enquanto caminhávamos, seus olhos sorriam.
—Acho que já chega, não é? –Uma voz veio por trás de nós.
—Quem é você? –Perguntou Francis. Então a figura foi saindo das sombras. Era...
—Capitão?! –Exclamei
—O que? –Perguntou o homem que estava ao meu lado.
—Somos amigos de infância sabe? Temos apelidos. –Ri constrangida.
—É. E hoje à noite ela deveria ser minha parceira.- Sen retrucou.
—Pensei que você não se importasse. –Falei. Mas minha cara dizia “Cai fora”.
—Eu estou cansado de esperar você largar minha acompanhante, senhor. –Ele se dirigiu a Francis.
—Ele é o dono desta casa, e você pode muito bem ir com as outras. –Respondi.
—Acho que você deveria deixar a moça decidir. –Disse o anfitrião.
—Não tem necessidade. Eu só preciso falar em particular com o meu velho amigo. –Falei, puxando capitão para um canto. –O que você pensa que está fazendo?! –Sabe sussurrar gritando?
—Eu deveria perguntar isso a você!
—Enquanto eu o distraio você deveria ir procurar a grana!
—Eu desisti de levar a grana, vamos embora. –Ele agarrou meu braço.
—Você é um idiota. Me dê uma boa razão para deixar essa grana para trás!?
—Vejamos... –Ele colou o dedo na ponta do nariz. –Talvez porque esse cara está quase levando você para cama?! –Ele quase gritou.
—Shhhhh! Besta. Eu já lhe avisei, sei me defender.
—Não quero saber. Vamos ir. Já mandei James avisar aos outros, vão no esperar na porta. –Ele começou a puxar meu braço.
—Desculpe, meu amigo está com diarreia, temos que ir. Adeus. –Falei olhando para trás e me desvencilhando das fortes mãos de capitão.
—Venha me visitar de novo, Anne. –Francis disse beijando minha mão. Mas nessa hora, Sen deu um puxão na outra e começamos a andar rapidamente até a saída.
—Calma, se não vai fazer nas calças. –Disse, alto.
Chegamos a parte de fora. Bruscamente me soltei das mãos dele.
—O que você estava pensando?! Perdeu a cabeça? Poderíamos ter ganhado muito.- Exaltei-me.
—Do que você está falando senhorita? –Apontou James.
—Eu estava com o dono da casa em minhas mãos, quando o seu capitão chega e estraga tudo. –Todos viraram para ele. Mas ele continuou calado e começou a andar.
—Eu vi vocês, e acho que a senhorita poderia ter conseguido tirar algo dele. –Apontou Carl.
—Eu também. – Disseram todos em coro, com exceção de capitão e Z.S.
—Eu acho que ela não deveria ser tão descuidada com homens. –Proferiu Z.S.
—Muito obrigado. –Ponderou capitão.
—É? Pois eu acho que ela fez muito bem em desfrutar de suas armas naturais para nos ajudar. –Retrucou Castiel.
—Muito obrigada. –Ponderei.
—Pois é. Ao menos eu pude notar que a maioria não se atirou em um homem desconhecido. –Falaram os dois em coro.
—Atirar?! VEJA LÁ O QUE FALA! –Dissemos, Castiel e eu, em resposta.
Nós quatro começamos a nos encarar com muita raiva. Eu frente a capitão e Z.S frente a Castiel. Mas me pergunto, o que aconteceu com eles?
De volta ao navio, cada um foi para seus devidos aposentos. Chopper e Jorge vieram comigo.
Coloquei uma larga e longa camiseta, adormeci ainda com raiva e aquela dúvida ainda em minha cabeça, abraçada ao menino e com Chopper aos meus pés.
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