Deixe-me Ir
4 Os Mortos Devem Continuar Mortos!
Notas iniciais
"Os Mortos Devem Continuar Mortos!"
A noite estava fria... A cada minuto que se passava a temperatura parecia diminuir 1°C. Mas Charles não se importará... Ele estava com ela novamente...
– O que acha que irá acontecer quando ele me encontrar? – Disse Ellen, seu rosto estava apreensivo.
Charles parou um pouco para pensar... E se ele e levasse de volta? Charles nunca mais á veria novamente... Não! Ele não agüentaria perde-la novamente... Ele não iria perdê-la novamente...
– Charles?...
– Sim?...
– O que acha que acontecerá quando ele me encontrar?
– Nada...
– Como assim nada? – Uma expressão de dúvida tomou conta do rosto de Ellen. – É claro que ele irá fazer algo... Ele tem que fazer algo...
– Não! – Disse Charles, parando na frente de Ellen. – Olhe... – Ele segurou os braços dela, e olhou profundamente em seus olhos. – Nós iremos até lá. Perguntamos como ele fez isso, e depois se tem como ser permanente...
– O que? Charles!... Está ciente do que está falando?
– Eu não irei te perder novamente!... – Seu olhar estava assustando-a. Então ele á soltou.
– Mas...
– Já está decidido!... – Disse, voltando a caminhar.
– Não!... Não está... – Ellen estava, praticamente, correndo para poder acompanhá-lo. – Isso não está certo!...
– Não ligo para o que é certo e o que é errado...
– O que?... – Charles não tirava o olho do asfalto velho da rua solitária. – Você... Está realmente considerando a alternativa de...
– Lógico. – Disse mantendo seu olhar fixo ao chão.
– Ei!... Olha para mim... – Ellen segurou a cabeça de Charles, colocando as mãos em cima de suas orelhas. Lentamente, ela encostou sua testa na dele, olhando fixamente para seus olhos. Charles envolveu seus braços em torno da cintura de Ellen. – Os mortos devem continuar mortos!
– Por favor!... Não me peça isso... Não me peça para desistir de você...
– Desistir?... Não desistir nunca!... Mas você precisa seguir em frente, precisa viver a sua vida. Eu não pertenço mais á este mundo... Eu preciso que...
– Pertence... Para o meu coração, você ainda pertence. Para o meu coração, você ainda não morreu...
– Por favor!... Não torne as coisas mais difíceis... – Ellen deu um beijo longo e calmo na bochecha esquerda de Charles. – Deixe-me ir...
Uma lágrima caiu do olho esquerdo de Charles molhando, justamente, a parte que Ellen havia beijado á poucos segundos...
Alguns passos foram ouvidos. Alguém estava vindo!... Charles rapidamente limpou a lágrima de seu rosto, parando alguns segundos sua mão na parte que Ellen havia tocado seus lábios.
Em meio ás nuvens nebulosas da noite, um homem de palito e calça pretos, surgiu como em um passe de mágica...
Charles conhecia bem aquele palito, era diferente de qualquer outro que ele já vira, era... Sombrio!
– Achei que não fossem mais me encontrar. Fiquei preocupado! Dois anos sem se verem. Achei que daqui iriam voltar para casa... E não quis arriscar perder um cliente...
– Cliente? – Disse Ellen, assustada.
– Victor!...
– Charles!...
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