Deixe-me Ir
8 Ele Não É Meu Amigo!
Notas iniciais
"Ele Não É Meu Amigo!"
Charles tivera que sair pela porta dos fundos da casa. Ellen não podia vê-lo. Ele não queria dar satisfações a ela, sobre para onde estava indo. Especialmente se essas satisfações forem sobre como ele se envolveu com sua melhor amiga...
Sarah não era o amor de sua vida. Mas, Charles gostava dela. Ela era inteligente, humilde, generosa, guerreira, segura consigo mesma. Um verdadeiro exemplo de mulher... Além de claro, ser muito bonita!... Ao contrário de Ellen, com seus cabelos loiros lisos e olhos azuis, Sarah tinha uma beleza exótica, seus cabelos eram pretos e incrivelmente ondulados. Sua beleza também era única, seus olhos eram pretos...
Há três semanas ele havia se mudado para a casa de Sarah após muita insistência da parte dela. Ele gostava dela... Gostava muito, mas, não queria dar falsas esperanças á ela. Ele ainda não tinha certeza que queria ficar com ela, muito menos agora, que, Ellen voltou...
O apartamento era pequeno, mas, confortável. Ele e Sarah não precisavam de uma casa muito grande.
O lugar cheirava á orquídeas azuis, as flores favoritas de Sarah. As de Ellen eram de peônias brancas. Sempre que Charles podia, ele comprara flores para elas.
Charles entrou no apartamento, a luz do sol irradiava todos os cômodos. Ele caminhou até o quarto principal.
Sarah estava sentada na cama, à luz do sol batia levemente sobre ela deixando-a mais bela ainda.
– Charles?... – Disse Sarah, sorrindo. Charles não entendia o motivo daquela alegria... Ela estava chorando quando ligara para ele, ela ainda estava chorando...
– Oi?... – Disse Charles, sentando-se na cama ao lado de Sarah. – Olha... Eu sinto muito. Muito mesmo...
– Charles...
– Desculpe ter te deixado esperando... Eu sinto muito mesmo... É que... Aconteceram coisas muito... Muito estranhas nas últimas horas...
– Charles! – Disse Sarah, interrompendo-o. – Eu entendo... Você precisa desse tempo sozinho... Mas, não foi por isso que liguei para você...
– Não? – Perguntou Charles. Sarah balançou a cabeça negativamente.
– Á questão é... – Ela fez uma pausa. Por um momento ela olhou para ele com um sorriso irradiante, um dos mais bonitos que Charles já vira. – Charles... Eu estou...
Uma forte batida na porta interrompeu Sarah...
– Eu vou! – Disse Charles, se levantando e caminhando em direção á entrada do apartamento. Quando Charles abriu a porta, ele quase caiu para trás quando viu Victor para em sua frente. – O que você esta fazendo aqui? – Disse Charles, empurrando Victor com força e fechando a porta atrás dele.
– Nossa! – Disse Victor. – Sem dúvidas a melhor recepção que já tive!
– O que você quer?
– Nada de mais... Apenas a verdade...
– O que?... Você veio até aqui, só para saber... Agrh! – Grunhiu Charles.
– Charles?... – Disse Sarah, abrindo a porta. – O que esta acontecendo?
– Nada! Volta para dentro, por favor!
– Sarah! – Disse Victor, puxando e beijando as costas da mão de Sarah. – Encantado!
– “Encantado”? – Disse Sarah, rindo. – Que cavalheiro você. Não se vê mais isso nos homens de hoje em dia! – Disse, lançando um leve olhar na direção de Charles. – Entra! – Disse, gesticulando com a mão.
– Não! – Disse Charles, se posicionando em frente á porta. – Ele já estava de saída. Certo? – Disse, olhando para Victor.
– Claro que não! – Disse Victor.
– Claro que sim!
– Charles! – Disse Sarah, lançando um olhar penetrante para ele. – Desculpe, mas, qual é seu nome?
– Victor. Victor Warren.
– Prazer! Sarah Blake. – Disse, abraçando Victor. Isso fez Charles querer vomitar. – Vamos entrando...
– Sim, sim. – Disse Victor, entrando no apartamento.
– Por que não ia convidar seu amigo para entrar? – Perguntou Sarah, sussurrando para Charles, e seguindo Victor.
“Ele não é meu amigo!” pensou Charles.
– Então... – Disse Sarah. – Você e Charles se conhecem á muito tempo?
– Sim! – Disse Victor.
– Não! – Disse Charles
– Há quanto tempo? – Perguntou Sarah.
– Há cerca de oito horas... – Disse Victor.
Sarah rapidamente olhou para Charles com uma expressão de “O quê?”.
– O que você quer? – Disse Charles, friamente.
– Nada demais... – Disse Victor, caminhando pelo apartamento. – Apenas que termine aquela história que estava me contando...
– Que história? – Disse Sarah, olhando para Charles.
– Aquela sobre... – Disse Victor, fazendo uma pausa. – Como deixou Ellen morrer...
– O que?... – Gritou Sarah, olhando para Charles apavorada.
– Não... Você não entende...
– Como não entendo?... Você... Você deixou minha melhor amiga... Morrer?!
– Sim... Quer dizer não...
– Acho que seria mais fácil se você nos contasse como tudo aconteceu...
– Você... Seu filho da mãe... – Disse Charles, segurando a gola da camisa de Victor, e o empurrando com força contra uma estante, fazendo todos os objetos sobre ela caírem. Charles levantou Victor pela gola da camisa, fazendo-o ficar á alguns centímetros acima de chão. – Você acha que pode, simplesmente, entrar na vida de uma pessoa e bagunçá-la por completo? Você já fez Ellen sofrer demais... Não irei deixar que faça o mesmo com Sarah...
– Charles! – Gritou Sarah. Charles soltou Victor rapidamente, fazendo-o desabar no chão. – Que história é essa? Porque este homem fez Ellen sofrer?...
– Você não entenderia...
– Talvez... Se você me explicasse eu entenderia...
– Não posso!
– Pode! E, vai! – Sarah o empurrou fortemente na direção de uma cadeira... – Ótimo! Agora... Pode começar!
– Isso mesmo! – Disse Victor. Charles lançou um olhar assustador em sua direção.
– Quer calar a boca?! – Disse Sarah, para Victor, que assentiu.
– Ellen, ela... Ela morreu em um incêndio... Provocado por mim...
– O que?... – Disse Sarah.
– Estávamos na biblioteca da cidade... Estava á noite e havíamos entrado na biblioteca escondidos. Como fazíamos algumas vezes... Estava escuro então... Acendi uma vela. Mas, após um forte vento ela caiu sobre o livro que estava lendo... Em alguns segundos o fogo já havia se espalhado por toda a biblioteca. E havia chegado em Ellen, ela estava presa, mas, eu podia ter salvado-a... Ela me chamou... Ela gritou meu nome... Mas eu não... Eu não á salvei...
– Em outras palavras... – Disse Victor. – Você foi um covarde.
– Eu... Eu fugi... Eu escapei e a deixei lá... Sozinha... No fogo... Ela precisava de mim... Mas, eu não... Eu sou o culpado pela morte dela...
– Não Charles, você não é... – Disse Sarah.
Um barulho fez todos olharem na direção da porta. Alguém havia entrado no apartamento... E esse “alguém” era...
– Ellen?!... – Disse Sarah. Sua pele era de um dourado incrivelmente brilhante. Mas, quando viu Ellen em seu apartamento. Sarah ficou branca, como uma vela nova.
– Oi Sarah!...
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