Deixe-me Cuidar De Você
1 Capítulo 1
John acordou no meio da noite de novo. Levou um tempo para processar que não tinha acordado de um novo pesadelo, e sim com dores no ombro. Eram tão mais frequentes nessa época do ano, quando Londres anoitece e amanhece e a chuva não passou.
Tentou mudar para uma posição mais confortável, com a intenção de aliviar o ombro, mas como não conseguia mais dormir, levantou-se para um chá.
Depois de finalmente conseguir preparar um chá adequado através da bagunça memorável, com diversos murmúrios de “maldito seja, bastardo preguiçoso” e “não acredito que estamos sem leite outra vez”, John pegou sua xicara e sentou-se na sua poltrona.
Apesar de sem leite o chá estava agradável, e deixou John aquecido e confortável, e eram apenas quatro da madrugada, então que mal podia fazer fechar os olhos por dois minutos ou uma hora...
Uma dor aguda atravessou seu ombro e ele xingou alto. Talvez alto demais, já que dois segundos depois Sherlock vinha apenas de samba canção e um bastão de basebol na mão (pra que diabos Sherlock teria um bastão de basebol?) pronto para defender seu colega de apartamento de um possível perigo.
Seus olhos traçaram a sala escura em todas as direções, Sherlock acendeu as luzes e caminhou até as janelas, quando decidiu que não havia nada lá fora além de chuva largou o bastão, indo em direção a John, seus olhos afiados gastando um segundo a mais no ombro de John, sob sua mão tremendo um pouco.
“John? Qual é o problema? Porque você está dormindo na sala?” Sherlock sentou-se na frente de John, tentando captar mais alguma coisa, a julgar por seus olhos correndo sobre toda a extensão do amigo.
“Eu acordei com dor e não conseguia dormir, então pensei em descer para um chá, mas posso ter caído no sono, então...” John acompanhou Sherlock com os olhos quando ele se movimentou com sua costumeira graça através da sala.
“A posição piorou o estado do ombro, claro.” Sherlock resmungou, enquanto oferecia uma aspirina para John, que aceitou de bom grado. Quando John foi levantar-se para pegar uma água para tomar o remédio porém, sentiu as mãos firmes de Sherlock o empurrando para baixo.
“Eu posso pegar um copo d’água, Sherlock, eu não estou inválido, é só uma dor” John disse com um tom ofendido que não enganou ninguém. Ele adorava ser mimado quando estava doente, e Sherlock conhecia John como a palma da sua mão.
“Não seja ridículo, eu estou cuidando de você, só isso.” Sherlock disse tentando esconder o ar de riso da voz enquanto voltava com um copo d’água e, John percebeu com um pouco de apreensão, com um gel para massagens.
“Isso é totalmente desnecessário, Sherlock. Eu estou voltando para o meu quarto, obrigado pela aspirina, de qualquer forma” John soltou um pouco mais áspero do que o necessário, mas ele não estaria recebendo massagens de madrugada do seu colega de apartamento, era completamente inadequado, pensou enquanto escapava pelas escadas para o seu quarto.
Não parecia ter sido suficiente, e Sherlock deve ter interpretado sua fuga de um modo equivocado, por que quando John se virou para fechar a porta do quarto, Sherlock estava parado com um ar positivamente ofendido.
“Eu não vou deixar você dormir com dor, quando eu posso resolver isso, John. Eu sei como fazer massagens, eu fiz um estudo uma vez, era para um caso. Eu não vou deixar seu ombro pior, eu não me ofereceria para um trabalho que não posso fazer.” Ele parecia um tanto vermelho de não tomar folego uma vez se quer.
Depois disso, John só podia se afastar da porta e deixar seu amigo passar por ele, tentando não pensar muito sobre Sherlock na sua cama vestindo apenas uma cueca. Sherlock muito pálido e alto, com olhos azuis muito brilhantes, caminhando para sua cama com uma expressão no rosto que pra John parecia expectativa. John sacudiu a cabeça, afastando essa ideia, era ridícula. Sherlock não estava com expectativas para apalpar John, isso era insano. John caminhou para sua cama, e não pode deixar de reparar como Sherlock sentado nela, parecia fazer parte do quarto.
John sentou-se e tirou a camiseta, deitando de peito para baixo, o rosto sobre o travesseiro. Fechou os olhos e deixou-se sentir. Um pequeno estremecimento quando o gel frio fez contato com sua pele, mas logo ficou muito melhor, suave e quente quando sentiu as mãos de Sherlock no seu ombro, aparentemente muito hábeis, e John deveria parar de se perguntar o que mais sobre Sherlock haveria para saber.
John começou a se sentir muito bem, sob as mãos de Sherlock, e a noite mal dormida começou a cobrar o sono que ele devia. Ele não se lembrava muito bem em que parte da massagem ele adormeceu, mas demorou mais do que o necessário para reparar que o peso no seu estomago quando ele acordou era um braço. Pálido e elegante, terminando em uma mão com dedos um tanto compridos, pressionados contra sua cintura, John sentiu a respiração de Sherlock no seu pescoço, seus cachos fazendo cocegas no seu nariz.
John se permitiu um suspiro e um sorriso, esperando que Sherlock não acordasse tão cedo. Ele poderia ficar assim pra sempre. Enquanto a chuva caía continua e irritante lá fora, algum ponto de sua consciência sabia que isso tinha grande possibilidade de acabar mal, mas inclinou a cabeça e plantou um beijo desajeitado na testa do homem aninhado nele.
Depois de alguns minutos ou horas, John nunca saberia ao certo, Sherlock acordou, mas parecia rapidamente ciente de onde estava. Desvencilhando-se de John, Sherlock sentou-se na ponta oposta da cama com um olhar um tanto estranho, receio? Não importava, John sorriu pra Sherlock, o rosto indo de verde-náusea para púrpura-vergonha em um estalo.
“John, eu sinto muito, devo ter caído no sono, e...” Sherlock baixou os olhos e John pensou que talvez fosse um sonho, já que Sherlock não sabia o que dizer.
“Realmente Sherlock, não precisa se desculpar, depois de ter cuidado tão bem de mim” John atravessou a cama para diminuir a distância entre eles, uma mão no ombro de Sherlock, tentando o olhar mais sugestivo que a coragem lhe permitiu.
A última coisa que John viu foi brilho intenso nos olhos azuis chegando cada vez mais perto, onde ele poderia jurar que continham a mais genuína felicidade, quando ele fechou seus próprios olhos para aceitar o beijo.
Notas finais
Essa foi a primeira coisa que eu escrevi(na vida) então sei lá, criticas/xingamentos/comentários estou aceitando todos.
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