Deixe Minha Alma Só
1 Deixe Minha Alma Só
Carina mal parecia um fantasma, sentada encolhida no porão. Soluçava, de um jeito estranho, pedidos de solidão.
Seu corpo já havia partido, há tantos séculos que sequer se lembrava de como fôra morrer. Mas sua alma continuava ali, perdida. Sem saber o que, no fim das contas, não perdoara.
Assombrava aquela casa, e todas as pessoas que se mudavam para ela, mas era difícil não derrubar nada enquanto corria em meio as lágrimas fantasmagóricas. E, aliás, aquele quarto com vista para o jardim era seu!
Vez ou outra, alguém a ouvia, já havia tido até mesmo um que a via! Mas então, furiosa, entristecida e sombria, ela gritava: Deixe minha alma só.
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