Deixa Eu Gostar de Você
1 Capítulo Único
Notas iniciais
“Eu te amo” é a sentença mais estúpida a ser proferida.
Penso enquanto te observo parado do outro lado da sala.
A distância física não condiz com a proximidade de nossas almas.
Olho para você e o que vejo é ímpar.
O que quero é que sejamos par.
Prendo a respiração.
O que dizer quando o que vejo em você é tão bonito que até as definições mais belas das palavras que conheço perdem sentido?
Sem movimentos bruscos.
Inspiro.
Você sorri para mim, e o mundo, mais vivo, parece o lugar certo. Para nós.
Você desliza os dedos em meus cabelos. Sinto o aconchego queimar.
Quando me abraça, seus braços me passam proteção. É meu lar.
Quando me encara, afundo na profundidade do seu olhar. Não quero emergir.
Expiro.
Sua simplicidade é quase uma incógnita.
E é tão complexo o turbilhão de sentimentos que me invade ao pensar em você.
Sei que eu te entendo.
Você me entende.
A gente se explica.
Mas o que é isso que me faz te querer sempre mais perto?
O que é isso que me faz querer sonhar seus sonhos?
O que é isso que me faz temer seus medos?
O que é isso que não é matéria e que também não é ilusão?
O que é isso que eu já sei o que é e tenho receio de verbalizar?
“Eu te amo” é a sentença mais estúpida a ser proferida.
Não se assuste.
Deixa eu falar. Não vai embora.
“Eu te amo”.
A sentença mais estúpida a ser proferida.
Porque tem hora certa.
Só pode ser dita quando quiser ser ouvida.
E você não quer ouvir falar de amor.
Jura que pretende viver o que ele significa.
Só não quer definições.
Bastam as intenções.
Que são as melhores.
Mas eu te amo.
E não consigo não dizer.
Mesmo que você saber disso estrague tudo aquilo que essa sentença estúpida tenta superficialmente explicitar.
Está dito.
O que resta agora?
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