Notas iniciais
:)

“Eu te amo” é a sentença mais estúpida a ser proferida.

Penso enquanto te observo parado do outro lado da sala.

A distância física não condiz com a proximidade de nossas almas.

Olho para você e o que vejo é ímpar.

O que quero é que sejamos par.

Prendo a respiração.

O que dizer quando o que vejo em você é tão bonito que até as definições mais belas das palavras que conheço perdem sentido?

Sem movimentos bruscos.

Inspiro.

Você sorri para mim, e o mundo, mais vivo, parece o lugar certo. Para nós.

Você desliza os dedos em meus cabelos. Sinto o aconchego queimar.

Quando me abraça, seus braços me passam proteção. É meu lar.

Quando me encara, afundo na profundidade do seu olhar. Não quero emergir.

Expiro.

Sua simplicidade é quase uma incógnita.

E é tão complexo o turbilhão de sentimentos que me invade ao pensar em você.

Sei que eu te entendo.

Você me entende.

A gente se explica.

Mas o que é isso que me faz te querer sempre mais perto?

O que é isso que me faz querer sonhar seus sonhos?

O que é isso que me faz temer seus medos?

O que é isso que não é matéria e que também não é ilusão?

O que é isso que eu já sei o que é e tenho receio de verbalizar?

“Eu te amo” é a sentença mais estúpida a ser proferida.

Não se assuste.

Deixa eu falar. Não vai embora.

“Eu te amo”.

A sentença mais estúpida a ser proferida.

Porque tem hora certa.

Só pode ser dita quando quiser ser ouvida.

E você não quer ouvir falar de amor.

Jura que pretende viver o que ele significa.

Só não quer definições.

Bastam as intenções.

Que são as melhores.

Mas eu te amo.

E não consigo não dizer.

Mesmo que você saber disso estrague tudo aquilo que essa sentença estúpida tenta superficialmente explicitar.

Está dito.

O que resta agora?

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!