Notas iniciais
– Ah... oi, prazer. Sou o Pedro, o...
– Guitarrista da Galera da Ribalta. Eu te conheço bem, Cabeludinho. — disse Vicki, piscando para o garoto, o que o fez corar.
– Ô Vicki, para de dar em cima do moleque e vem pra cá. O Nando tá falando sobre show. — disse Ricardo. — Aliás, onde cê tava.
– Não sei se você sabe, Ricardinho, mas eu sou a vocalista da banda. Tava exercitando canto com a Dandara. — disse a garota, aproximando-se do guitarrista de sua banda e brincando com seus cabelos loiros arrepiados.
– Bom, que seja. Veio fazer o que aqui, fracassado?
– Eu não chamaria abrir os shows de diversas pessoas famosas e em média 5 mil pessoas por show próprio de fracasso, mas ok. — disse Pedro. — Vim ver meu antigo professor, algo que não lhe interessa. Então, Nando, eu queria saber se você e o pessoal do Penetras não tão afim de abrir o próximo show da Galera da Ribalta.
– Pô, Pedroso, eu adoraria, mas tem que ver com o resto da galera do Penetras.
– Não se preocupa. A gente já viu com eles e toparam. Mas evita de levar gente indesejada, ok? — disse o rapaz, olhando para Ricardo.
– Não fazia questão de ir não. Você vai ver. Já, já o pessoal esquece da Galera da Ribalta e a gente que vai brilhar — respondeu o loiro, desafiador.
– Ricardinho, para de provocar o Cabeludinho. Ele é um fofo, olha ele.
– Hmm, concordo. — sorriu Mel com um sorriso travesso no rosto.
– Ô, Nando, eu tô indo, já é? A gente conversa depois, ok? Té mais.
– Tchau, Cabeludinho. — gritou Vicki, acenando e mandando beijos.
Ao descer as escadas, já não pensava em Vicki ou em Mel, mas no abusado do guitarrista. Tinha que se chamar Ricardo. Pedro nunca encontrou um que prestasse. À sua esquerda, Karina passava séries de exercícios aos seus alunos. Quando viu o rapaz, a professora sorriu aquele sorriso lindo dela. Pedro não conseguia resistir. Por mais que quisesse se fazer de difícil para poder provocá-la, ela o tinha nas mãos. Mandou um beijo para a garota e foi à secretaria.
Para sua surpresa, na secretaria estavam Gael, Bianca e Ana.
– Oi, Bi. Ué, tirou folga do Projac hoje? — perguntou Pedro.
– É, minha personagem foi viajar e eu vou ter essa folga pra mim. Você não faz ideia do quão exigente é fazer novela.
– Com o Lírio então, deve ser um saco. — disse o guitarrista, fazendo todos rirem.
– E você, Menestrel do Ca...
– Pai! Cê sabe que não quero a Ana aprendendo essas palavras. Vai, pega ela e vão brincar. Quer brincar com o vovô, filha?
– Não. — respondeu Ana.
– Ué, mas por quê?
– Eu tenho medo do vovô Gael. O vovô René é mais legal. Ele me dá doce.
– Vem com o vovô Gael que ele vai te dar uma fábrica de doce. — disse o mestre tomando o que a neta disse como um desafio.
– Pai, olha lá, hein. Não quero ela com dor de barriga. Quer brincar com ela? Leva no parque de diversões. Mas ó, maneira no doce, seu Gael. E você, obedece o seu avô, ouviu, mocinha? — ordenou Bianca.
Depois que avô e neta saíram, a atriz voltou-se para Pedro e disse:
– E aí, cunhadinho, tá esperando a K terminar de dar aula?
– Tô sim. Combinei com ela que a gente ia procurar algumas coisas nos classificados do jornal.
– Quer ajuda enquanto ela tá ali?
– Claro.
Os dois passaram a procurar as casas ou apartamentos mais relevantes a eles. O limite de quarto era dois e também não podia ser muito caro. O ideal era que fosse de aluguel e foi quando Karina apareceu.
– Oi, Pê. Que que cês tão fazendo?
– Ah, a Bi tá me ajudando aqui a ver apartamento pra gente.
– Ah, deixa eu ver aí... ô, Pedro, olha o preço dessas coisas. A gente ganha bem, mas pega aí algo mais em conta, pô.
– Hmmm, K, olha esse. É espaçoso, não muito caro nem muito barato... parece bom.
– Mas Pedro, esse aí é longe daqui.
– É, mas é nossa melhor opção agora.
– A gente confere mais tarde, ok? Como é que foram as coisas lá na Ribalta?
– Ah, foi visitar o Nando, Pedro? O Ed tá lá? — perguntou Bianca.
– Tá sim, vai lá, Bi.
Quando a atriz saiu da secretaria, a primeira coisa que o rapaz fez foi beijar Karina com tudo o que podia. Ele amava os lábios macios da loira. Puxou-a para seu colo e contou a toda a história.
– Nossa, que babaca esse tal de Ricardo. — disse Karina.
– É, Ricardos são assim. — provocou o guitarrista.
– Ih, vai vir com ciúmes bobos pra cima de mim agora, sério? Principalmente depois daquelas zinhas lá darem em cima de você?
– É só você que pode?
– Ah, Pedro, sem estresse, tá? A gente não ia ver o lance da casa? Então...
– Tá bom... vou anotar o número dessa aqui e amanhã a gente confere, tá bom, K?
– Ué, por que amanhã?
– Eu agora tô indo pra um ensaio com a banda. Avisar que o Penetras vai tocar e tudo o mais. Até mais tarde, Esquentadinha. — disse o rapaz dando um beijo daqueles que deixam saudade quando acaba e foi ao Perfeitão.
Nem um minuto havia se passado até que Bianca voltou e encontrou Karina emburrada e decidiu ajudar a irmã.
– Que que houve, K?
– Ah, o Pedro fica implicando com minha amizade com o Cobra. Ele ainda quer se achar o dono da razão depois que algumas vacas lá da nova banda da Ribalta deram em cima dele.
– Pera, me conta direito essa história.
Após se explicar com sua irmã, Karina obteve uma resposta um tanto inesperada.
– K, eu acho que o Pedro está é muito certo.
– Oi?
– Olha, convenhamos, ele mal interagiu com as garotas e, pelo que você me disse de hoje mais cedo, ele veio tocando algo super fofo pra você e 5 segundos depois você dispensou ele. Pior, dispensou pra ficar de papo com o Cobra.
– Mas o Cobra é meu amigo.
– É seu amigo, mas ele fica sentido. Qualquer um ficaria. Imagina que você decide dar a ele um presente de aniversário de namoro. Você nunca faz isso e quer surpreender ele. Imagina se ele fizesse pouco caso da sua surpresa?
– É, acho que cê tem razão...
– E outra, abre o olho pro Cobra. Pra você, vocês são amigos, já pra ele a história pode ser outra.
A lutadora resolveu refletir sobre aquilo. Será que o seu amigo de longa data realmente nutria algum sentimento por ela? Resolveu deixar esses pensamentos de lado, virou-se para Bianca e perguntou:
– Bi, cê tá afim de ir no cinema comigo?
– Claro, K. Eu só tenho que ligar pro papai pra saber se tá tudo bem com a Ana e ver se ele pode ficar com ela.
Após a ligação e a confirmação que estava tudo bem, as belas irmãs foram ao shopping. K queria esquecer um pouco do estresse. Queria parar de pensar na possibilidade de Cobra gostar dela e de lembrar-se do quanto deve ter chateado Pedro. O cinema era ideal para isso. Karina adorava filmes. Achava eles a forma perfeita para distrair-se, além de lutar, claro. Aliás, não podia ter ficado mais feliz quando Pedro a levou para o cinema em seu primeiro encontro. Durante a sessão, porém, K recebeu uma notícia nada agradável via mensagem. "K, liguei pro cara do apartamento e já alugaram aquele. Precisamos procurar outro". Isso para logo em sequência receber uma mensagem dizendo " Mas tem show da banda com Penetras abrindo daqui a duas semanas :)". Ela riu. O jeito do garoto de olhar sempre pelo lado bom das coisas constantemente a contagiava.
Ao chegar em casa, estava bem cansada e frustrada. Aquele apartamento realmente parecia ser a melhor opção deles. Parece que o casal teria que continuar procurando. Exausta como estava, apenas mandou uma mensagem a Pedro avisando que chegou e que iria dormir. Quando o rapaz recebeu, nada fez além de pegar seu violão e tocar melodias melancólicas.
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