Definição de amor
1 Cartas amassadas
Notas iniciais
“De acordo com as minhas pesquisas no Google eu encontrei tal definição: “Forte afeição por outra pessoa, nascida de laços de consanguinidade ou de relações sociais.”. Mas, não. Pra mim aquilo não era o suficiente para definir o que eu sentia, para definir o tal do “amor”. Mas eu não falo de qualquer tipo de amor, eu quero dizer, aquele pior tipo. O de quando você se sente totalmente enfeitiçado, atraído, obcecado por uma pessoa. Quando aquilo já passou do simples nível de paixão e avançou para algo tão intenso que você não consegue controlar, você não se importa mais consigo, o mais importante é ela. Ela, ah... Ela. Tão perfeita, tão encantadora, ela é algo que nem as mais extensas horas de pesquisa no Google conseguiriam definir. Por ela eu dou minha vida no campo de batalha, a ela eu entrego meu coração. Minha querida Lady, simplesmente quero que saiba que eu te amo mais que tudo! Você pode rir e dizer que sou jovem demais para compreender um sentimento tão forte, e estaria certa como sempre. Eu não compreendo, eu simplesmente sinto. Tudo que mais quero é que seja minha, que eu possa ser seu! Que me ame como eu te amo. Que sinta o que eu sinto. Não sei se seria capaz de me confessar em palavras, de fazer você entender o que eu quero dizer falando, então, com sua permissão eu tenho outra forma de fazer você descobrir e desfrutar dos meus sentimentos tão intensos: um beijo. Simples, rápido, te juro que não vai doer. Não o farei se não quiser, mas antes de responder quero que pense sobre o quanto isso é importante pra mim, para nós. Isso é, se um “nós” poder chegar a existir, certo? Ah se isso acontecesse eu seria o gato preto mais sortudo do mundo. O garoto mais feliz, e eu te amaria para todo sempre. Ah, sim eu te juro meu amor eterno. Dramático e exagerado, talvez até idiota, seriam alguns dos adjetivos que você poderia usar para me definir depois de ouvir todas essas “baboseiras” que eu estou a te confessar, mas querida, não posso negar que todo esse drama exagerado e idiota são os meus sentimentos. De fato sou só um garotinho, mas sou um garotinho que te ama! Não me importo com seu desprezo ou sua indiferença, que ás vezes eu recebo depois de meus flertes, eu sei que você é gentil e que mesmo não me demonstrando tanto assim você sente no mínimo um carinho mínimo por mim certo? Eu sei que sim, então me dê a chance de evoluir isso para algo maior. Deixe me te fazer me amar, permita-se a me amar. Eu te amo.
Do seu eterno gatinho, Chat Noir ♥ “
“Não, não, não! Adrien deixe de ser idiota! Porque diabos ela iria te permitir algo assim?” eu perguntei a mim mesmo depois de terminar de escrever minha carta. Eu, como sempre um perfeito iludido, estava a escrever de novo para a minha amada Lady, em um telhado de um prédio qualquer de Paris. Eu encarava o vasto céu já repleto de estrelas porque aquilo me trazia inspiração e me fazia lembrar dos cabelos dela, negros como a noite. Eu pretendia escrever uma carta para tentar me confessar pra ela, mas não conseguia. Quer dizer, eu consegui, só não tinha coragem para entrega-las. Eu sentia que ela merecia algo melhor que eu, que era melhor só aceitar a sua amizade e ver ela com alguém melhor que faria ela feliz mesmo. Era isso afinal, eu não merecia ela. Suspirei, amacei aquele pedaço de papel sem valor nas minhas mão e deixei ali jogado no telhado de um prédio parisiense qualquer. E então parti rumo a lugar nenhum para tentar me distrair de tudo.
Então, algum pouco tempo depois uma heroína passava pelas construções observando cada canto da cidade, com o seu sempre constante objetivo de mantê-la segura. De repente parou para encarar algo inusitado: uma bolinha de papel que de alguma forma foi parar em cima do telhado de um prédio. Curiosa pegou o objeto que por algum motivo lhe trazia certa atração. Cuidadosamente desaçamou a folha a abrindo por completo e encarando atentamente seu conteúdo. Ela lia as palavras surpresa, tantas palavras de amor ali jogadas como se nada fossem. Ela encarou a assinatura. “Minha querida Lady”. Chat Noir teria escrito aquilo para ela? Ao concluir que sim ficou boquiaberta e algumas lágrimas leves caíram pelo seu rosto, deslizando por suas bochechas até caírem sobre seu uniforme. Seu coração acelerou ao ter mais uma surpresa: aquela era a letra de Adrien. Como sabia? Simples, ela tinha lido a carta que ele escrevera no Dia dos namorados tantas e tantas vezes que chegou a decorar ela e também cada traço das letras. Chat Noir era Adrien. Adrien a amava. Deveria ser o momento mais feliz de sua vida, então por quê? Porque todo aquele peso em seu coração? Porque não conseguia se sentir bem com isso? Segurou o papel amassado de modo delicado e pôs-se a pular de prédio em prédio até chegar a sua residência. Seus pais já estavam dormindo, todas as luzes apagadas, até a brilhante luz de “destransformação” clarear tudo por uns segundo e depois se dispersar. Tikki queria muito conversar com Marinette sobre o que aconteceu, mas estava tão exausta que assim que saiu dos brincos miraculosos caiu de sono. Marinette colocou a sua pequena amiguinha em uma almofadinha em cima da mesa do computador e depois foi para um conto do quarto, encarando a carta em suas mãos e o poema que estava grudado no seu mural. Não tinha duvidas nenhuma: os dois pertenciam a mesma pessoa. Então aquilo queria dizer que o poema tinha mesmo sido escrito para ela, como o destino gosta de brincar com a gente não é mesmo? Espere o poema não era para ela. Não, não muito menos a carta! Ambos não eram destinados a Marinette, eram para Ladybug! “Sim”, ela concluiu,” é isso mesmo”! Era isso que estava tanto pesando em seu coração: aquelas doces palavras eram para uma super-heroína mascarada que protegia Paris, não para uma colegial desastrada e tímida! Poderia parecer loucura, mas era verdade, Marinette e Ladybug eram completamente diferentes. Enquanto Ladybug era perfeita aos olhos de quem a vesse Marinette não passava de uma desajustada. E Adrien na verdade amava a perfeita Lady, não a menina bobinha e tímida. Adrien tinha se apaixonado pela mascara e ela tinha causado aquilo tudo! E o pior seria ter que desiludir seu amado, contando quem ela era na verdade e assim o deixando decepcionado e magoado. É de fato. Marinette deitou-se na cama, enfiou a cabeça no travesseiro para cobrir o barulho de choro e os soluços. “Eu não mereço ele, não é mesmo?” Ela pensou. Quer dizer, a seu ver o único perfeito era ele! O Adrien que sempre tirava as melhores notas, o Adrien que era modelo, o Adrien que era gentil, o Adrien que era com certeza perfeito! E então pensou em sua outra face. “Chat Noir”. O Chat Noir que era descontraído, o Chat Noir que sempre alegrava seu dia nos momentos mais difíceis, o Chat Noir que sempre lutava ao seu lado corajosamente sem se importar de arriscar uma de suas sete vidas por ela e por Paris. Apesar de suas cantadas baratas e suas piadas sem nexo ele era extremamente charmoso e ela mentiria se dissesse que não sentia nada referente ao parceiro. Se não sentisse nada não teria motivo para ter ficado tão acanhada depois daquele beijo... E ah como aquele beijo tinha sido bom. É. De fato tanto o gato quanto o modelo lhe agradavam muito. Os dois com suas personalidades opostas, mas mesmo assim donos, ou simplesmente “dono”, de seu coração. Ela poderia contar, contar que o amava que o sentimento tão confuso chamado amor era reciproco, mas não conseguiria. Se fosse ter algum relacionamento com ele, com toda certeza ele insistiria em querer saber quem era Ladybug na realidade e quando soubesse ele a rejeitaria! Ou ainda pior: ele ficaria com ela por pena, não teria coragem de magoa-la e para isso ficaria junto dela mesmo sem gostar de verdade disso. Sim. Ela era uma decepção. Mas não queria que Adrien sofresse ao descobrir que todos seus sentimentos eram destinados a uma farsa. O que deveria fazer? Ela se virou e revirou pela cama. Não conseguia dormir. As lagrimas continuavam a cair pelo rosto. Ela não tinha ideia do que deveria fazer, estava tão, tão confusa. Por que as coisas tinham que ser tão difíceis? Ela mudou o lado da cama de novo. Adrien já tinha muitas tristezas na vida, ela sabia muito bem disso. O desaparecimento repentino da mãe, a ausência do pai, a solidão, e se além de tudo isso descobrisse que o amor de sua vida não passava de uma farsa? Ela não queria se tornar mais uma das muitas tristezas na vida do loiro. “O que devo fazer?” isso não saia de sua mente.
Aquele amor entre os dois jovens era mesmo muito complicado. Os dois assustados e confusos, com medo de decepcionar. Crianças ingênuas aprendendo a amar. No momento os corações dos dois estavam conectados, os batimentos frenéticos que não sessavam estavam na mesma velocidade. As mentes com os pensamentos a mil Km por hora. Os olhos arregalados que não conseguiam ser fechados, os pensamentos voltados ao amor não os permitiam descansar.
Marinette se levantou de sua cama e foi até a janela, abriu ela deixando uma brisa gélida invadir seu quarto. Encarou as muitas estrelas presentes no céu naquela noite. Era mesmo uma bela noite. Será que aquela visão noturna seria suficiente para distrair seus pensamentos, para clarear sua visão sobre aquela situação toda? Ela desejava que sim. Estava desesperada e qualquer coisa que lhe parecesse boa o suficiente para lhe distrair seria uma opção. Cuidadosamente desceu as escadas do quarto indo para a cozinha, pegando alguns cookies e voltando em seguida do mesmo jeito silencioso. Delicadamente acordou a amiguinha avermelhada lhe pedindo um favor “Tikki poderia me transformar, por favor?” falou entregando alguns biscoitos para a joaninha que assentiu se levantando. Tikki sabia que depois de ler aquela carta sua portadora estaria confusa, então não questionou o pedido estranho de transformação na madrugada, pois concluiu que isso de algum modo podia ajudar sua amiga humana. Então pouco tempo depois a heroína estava de volta, pulando pelos prédios buscando alguma distração. Talvez no mínimo conseguisse ficar cansada e quando voltasse para a sua casa desabaria na cama e dormiria pelo cansaço. Encarou a vista parisiense se lembrando de um lugar que, talvez, fosse belo o suficiente para prender seus pensamentos nele. Ao longe já conseguia avistar um dos monumentos mais famosos do mundo: a Torre Eiffel. Chegou ao lugar, a beleza da iluminação, mesmo que por ela fosse vista todos os dias, ainda lhe causava imensa admiração. Caminhava calmamente pelas estruturas de ferro até ouvir uma voz familiar:
— E se eu escrevesse algo como “Meu amor por você é maior que a própria Torre Eiffel”?- Ouviu a voz dizer pensativa. – Uh, não deixa de ser verdade, mas eu acho que talvez ela pense que sou muito meloso.
A mestiça estava surpresa. Não esperava encontrar Chat Noir ali, escrevendo outra carta. Seu espanto foi tão grande que deixou cair seu ioiô sem querer provocando um ruído metálico que chamou a atenção do gato para a sua direção. Os dois permaneceram estáticos se encarando com os olhos arregalados em sinal de surpresa. Por uns cinco minutos ficaram assim. Congelados se encarando. Olhos nos olhos. Até que o silencio foi quebrado por um pigarreio de Ladybug.
— Então Chat, o que faz aqui? – Perguntou tentando não gaguejar.
Ah, uh, bem... – Chat começou a balbuciar coisas meio perdido, mas logo balançou a cabeça se recompondo. O típico sorriso de canto veio ao rosto do rapaz. –Gatos são animais noturnos, não? Mas eu não sabia que joaninhas também eram.
— Eu não conseguia dormir. – Explicou a menina.
— Quer ajuda? Pode dormir comigo se quiser. – Ele falou já vindo com seus flertes indiscretos.
— Engraçadinho. – A mestiça falou sarcasticamente, mas o rosto estava corado. – O-o que está fazendo? – Acabou por perguntar sem querer.
— Er... Escrevendo... Coisas. – O gato falou sem graça e com um sorriso amarelo.
— Muitas coisas. – A dama falou, notando que ao redor de Chat Noi se encontravam várias bolinhas de papel amaçadas.
— Veja bem... São coisas importantes! – O garoto falou, ainda sem graça.
— Eu sei. – A menina encarou o céu. Arregalou os olhos e corou ao perceber o que disse. – AH, BEM EU VOU PRA CASA AGORA! – falou mais alto do que devia, na esperança de tentar encobrir o que tinha dito antes.
— Espera aí! Você disse que já sabia?- Ele perguntou segurando a mão dela delicadamente antes que ela pulasse com ajuda do ioiô para a casa.
— Eu, eu... – A garota tentava achar uma saída, mas era impossível. Ela suspirou, era o momento de dizer a verdade. – Eu encontrei uma de suas cartas amaçadas. Você... Você me ama mesmo não é?
O garoto corou e arregalou os olhos. Certo, deveria lembrar de não sair espalhando aquelas bolinhas de papel malditas por qualquer lugar da próxima vez. Ele suspirou e desviou o olhar.
— Eu sou louco por você. –Falou, já esperando a rejeição.
— E-eu também. – A garota disse virando de costas para ele.
— Voc-você também?- Ele falou surpreso, seu coração batendo mais rápido do que devia.
— Eu também te amo. – Virou-se para frente bem a tempo de ver um brilho esperançoso passar pelos olhos do parceiro. –Mas nós... Nós não podemos ficar juntos Chat. Me desculpa.
— O que? Por quê? –Falou sem entender.
— Promete que não vai ficar com raiva de mim? – Ela perguntou, cheia de melancolia.
— Prometo! – Falou mais que depressa.
— Eu só iria de decepcionar. Eu não sou como você pensa que eu sou. Eu sou fraca. Sou uma fracassada. Eu não te mereço. – Ladybug explicou abaixando a cabeça sentindo as lágrimas descerem.
— Do que diabos você está falando? Você é incrível! — O rapaz segurou nos ombros dela para lhe passar confiança.
— Para com isso! Eu não sou não! Você que é perfeito! Você é sempre tão legal, consegue ficar calmo e descontraído mesmo que o mundo esteja explodindo ao seu redor e mesmo sem usar a mascara ainda assim é perfeito! Um modelo desejado por todas as garotas de Paris! E antes que me pergunte, sim eu sei que é você Adrien! – Ela berrou cada palavra deixando elas saírem junto com seu choro e seus soluços.
— Meu Deus do céu! Como é que você tem coragem de dizer que não é incrível? Por acaso eu tenho cara de quem amaria alguém que não é incrível? – O garoto perguntou depois de ficar uns minutos em choque pela revelação.
— Não seja iludido gatinho. Não sabe quem sou eu. – Ela falou em um sussurro.
— Então me deixa saber! – Ele falou segurando o rosto dela pelo queixo para que ela o encarasse diretamente. – Me diga o seu nome. – Ladybug permaneceu em silencio só encarando os olhos verdes que tanto amava. Ela não podia dizer. – My lady por favor. – Ela não conseguiria se segurar mais. Não resistiria depois de ouvir seu apelido carinhoso.
— Marinette. – Ela falou vendo as pupilas do gato se dilatarem.
— Dupain Cheng? – Falou com os olhos brilhando.
— É. – Ela sussurrou.
— Então por que eu deveria estará decepcionado mesmo? – Ele falou ironicamente.
— O que? – A de vermelho permanecia confusa.
— Sabe, se você fosse na realidade alguém igual a Chloe ou a Lila eu deveria estar triste, mas pra mim você continua sendo perfeita. – Ele disse sorridente.
— Você enlouqueceu? Escutou meu nome errado? Eu sou a Marinette! A desastrada, esquisita que só sabe gaguejar na sua frente! Eu... Eu... – A menina falava nervosa.
— Você é extremamente fofa, generosa, corajosa, carinhosa, linda e gentil. Com ou sem essa porcaria de mascara. Para de se menosprezar! Para de menosprezar a menina que eu amo! Agora escuta bem o que eu vou te falar! Eu te amo Marinette Dupain Cheng! – E concluindo isso selou seu amor pela mestiça com um beijo nos lábios macios e pequenos da menor.
De inicio um beijo calmo, não passando de um mero selinho. Mas quando a menina começou a corresponder aquilo começou a tomar intensidade. As lingues dançando em sincronia, logo a dança se tornou uma batalha. Aquele beijo tão intenso e apaixonante, aquilo, juntamente com as palavras de Adrien, fizeram Marinette entender que ele realmente não tinha se decepcionado, ele não estava fingindo. Ele a amava. Ele a ensinou a tão complexa e maluca definição de amor.
Notas finais
Beijinhos e ~fui~
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