Notas iniciais
Desculpa pela demora pro capítulo sair. É que, como eu disse ontem, hoje é meu aniversário. Em compensação, esse é o meu favorito, pois é o que dá nome à fic. Digam o que acharam.

A semana passou rápido. Karina e Pedro continuaram a se encontrar escondido, e o amor só crescia entre os dois, porém, nada oficial. K estava satisfeita com aquilo, mas o roqueiro queria poder dizer que a lutadora era sua namorada. Não queria esconder dos outros o seu sentimento.

Na sexta, Pedro acordou cedo. O rapaz estava ansioso. À noite ocorreria o tão aguardado Show de Talentos da Ribalta. Seria aí onde ele colocaria seu plano em prática, mas ainda precisava melhorar ainda certas coisas.

Mais tarde, Karina ainda dormia feito pedra. A garota havia se encontrado com Pedro à noite, com a desculpa que ia sair com algumas amigas e o rapaz a deixou cansada com tanta pegação. Como se não fosse o suficiente, eles ficaram até tarde conversando no celular, apesar dela achar que o garoto estava meio avoado. Acordou com Bianca, fazendo barulho enquanto se arrumava, como sempre.

– A noite ontem foi boa, hein, dona Karina? — disse Bianca.

– Dá pra fazer mais barulho? Não tão te ouvindo da Antártida.

– Tá, desculpa… ei, cê vai no show de talentos hoje, né?

– Vou sim.

– Vai por mim ou por um certo garoto de cabelo bagunçado? — disse a atriz, sorrindo maliciosamente.

– Se continuar nem por você eu vou, hein.

– Duvido muito. Sabe por quê? Porque você me ama demais! — diz a garota, fazendo cosquinhas na lutadora.

– Ai, Bianca, para. Para, por favor! Eu vou te machucar, para!

– Pede penico.

– Penico, penico, penico, agora para!

– Ok, parei. Vai pra academia hoje?

– Sabe que nem sei? Sei lá, hoje não acordei com vontade de dar porrada. Tô cansada, sabe?

– Nossa, Pedro é tão bom assim?

– Não viaja, Bianca… vai almoçar aonde?

– Ah, sei lá. Por quê? Quer visitar o namorado?

– Bia, para aí, por favor. Queria te chamar pra almoçar lá no Perfeitão comigo. Tá afim?

– Só pra você poder ter desculpa pra ir lá, envergonhada.

– Não é vergonha. É pelo papai. — diz K, apesar de estar corando.

– Aham, sei. Vai lá tomar um banho e se arrumar que eu te espero, tá bom?

– Ok, valeu.

A garota foi à toda para o banheiro, deixando peças de roupa pelo caminho.

Enquanto isso, Pedro terminava os retoques de seu plano. Ele achava que estava bom, mas se tratando da Karina, nunca se sabe. Olhou o relógio e percebeu que estava extremamente atrasado para seu expediente no Perfeitão. Enfiou tudo na mochila e correu. Sentia falta de seu violão. Estava juntando dinheiro para comprar um novo, ao mesmo tempo que também colaborava com a demo da banda. Dinheiro estava escasso, por isso, trabalhava o máximo que conseguia no Perfeitão e na banda. Ao chegar lá, teve uma surpresa agradável. Karina e Bianca adentravam o estabelecimento, sendo que a loira carregava algo em suas costas.

– Ah, não. Não pode ser verdade. É sério isso? — dizia Pedro, enquanto olhava o belo violão que K o trazia.

– Bem sério. Juntei uma graninha. Sabe, um certo garoto comprou umas luvas pra mim uma vez e achei que eu devia recompensá-lo. — disse a garota, abrindo um sorriso pela animação do rapaz.

– Já disse que te amo hoje?

– Não disse não.

Pedro beijou-a. Um beijo de felicidade, carinhoso.

– Eu te amo... — disse ele, encarando seus belos olhos.

– A melosa agora é você, K? — perguntou Bianca, rindo.

– Fica quieta senão chamo o João, hein.

Pedro riu. Estava feliz pelo amigo, apesar de ter inveja. Em dois dias, o garoto conseguiu não apenas ficar com Bianca, como também conquistou-a e o casal começou a namorar. Em dois míseros dias, João já estava numa situação melhor que ele. Pior, ainda tem total apoio de Dandara e Gael. Pedro, porém, decidiu afastar a mente daqueles pensamentos. Naquela noite ele conseguiria tornar-se namorado de Karina.

– Cê se importa da gente comer aqui, mané?

– Claro que não. Sentem aí e decidam o que vão querer. Vocês já sabem o cardápio de cor mesmo.

O skatista foi até a cozinha para vestir seu avental e pegar o bloquinho de notas. Quando voltou, viu João chegando, com um sorriso mais do que gigante no rosto.

– Oi, amor. — disse, beijando Bianca — E aí, K? Tudo beleza?

– Estaria se eu tivesse comendo, né? — responde a garota, encarando Pedro, com raiva.

– Fala aí o que você vai querer, Esquentadinha. Coxa de mamute, bisão cru, rinoceronte, que que vai ser?

– Sabe, tava pensando em moleque abusado assado. Tá afim, Bia?

– Não, brigado. Já tenho o meu, que já é chato o suficiente de aguentar sozinha.

– Ó, vou pro lado do Pedro, hein?

Todos riram. Era engraçado a interação de todos, sendo elas irmãs e eles melhores amigos. Depois de anotar os pedidos, Pedro sentou-se ao lado de K.

– Tá ansiosa pelo Show de Talentos hoje à noite, Esquentadinha?

– Nem um pouco. Por que deveria? Duas pessoas insuportáveis em um lugar só.

Ela com certeza teria uma ótima surpresa. Depois do almoço, Pedro os dispensou, dizendo que precisava praticar para o show. Karina estranhou o comportamento do garoto, mas não comentou nada. Voltou para casa e se arrumou para ir à escola.

Ela estava era muito ansiosa. Queria ver Pedro no palco. Ele sempre ficava mais gato ao tocar a guitarra.

A noite chegou, e trouxe a ansiedade geral. Todos do bairro reuníram-se para assistir o show. Karina estava extremamente nervosa. Suava feito um porco e achava cada apresentação um tédio absurdo, mas queria ver Pedro tocando. O garoto disse que havia se dedicado muito.

– Boa noite a todos vocês que vieram nos ver. Nós somos a Galera da Ribalta. A música que iremos apresentar hoje é especial. É uma composição minha e eu a dedico pra Esquentadinha — disse Pedro, no palco.

Karina virou-se para o lado e percebeu que seu pai o encarava. Ele não aparentava feliz nem com raiva, apenas o encarava, avaliando o rapaz. Já K estava completamente nervosa. Não sabia como reagir. Era, não apenas, muita exposição, como também não sabia o que o pai dela faria com o garoto após o show. Sol aproximou-se do microfone e começou a cantar:

" Você me chama de irritante

Com seu jeito provocante

Me bate, me joga na lama

E mesmo assim diz que me ama

Com o brilho do teu olhar,

Só faz eu me apaixonar

Nesse lindo oceano

Eu me perco, eu gamo...

Você, é a Definição de Perfeição

Dona do meu coração

Meu amor, minha paixão

Se tornou minha obsessão

Quero que você seja minha

Por ti eu perco a linha

Quero sempre você ao meu lado

Esquentadinha...

Apesar de nossos problemas

Nada atrapalha nossos esquemas

Quero conquistar você

Mas quero fazer por merecer

Estamos sempre em tapas e beijos

Apesar de nossos trejeitos

Cada vez mais me apaixono

E você me tira o sono

Você, é a Definição de Perfeição

Dona do meu coração

Meu amor, minha paixão

Se tornou minha obsessão

Quero que você seja minha

Por ti eu perco a linha

Quero sempre você ao meu lado

Esquentadinha...

Te amo demais

Somos iguais

Não sou capaz

De te amar mais

Momento legais

Brigas banais

Na cama, na praça, na praia ou no cais

Beijos triviais

Você me dá gás

Não somos normais

Mas não vou jamais

Te deixar em paz

Pois eu não vou nunca deixar de ser seu rapaz

Você, é a Definição de Perfeição

Dona do meu coração

Meu amor, minha paixão

Se tornou minha obsessão

Quero que você seja minha

Por ti eu perco a linha

Quero sempre você ao meu lado

Esquentadinha

Yeah...

Você, é a Definição de Perfeição

Dona do meu coração

Meu amor, minha paixão

Se tornou minha obsessão

Quero que você seja minha

Por ti eu perco a linha

Quero sempre você ao meu lado

Esquentadinhaaaaa...

Minha Esquentadinha"

O garoto sorriu enquanto eram aplaudidos, mas era pela reação da sua Esquentadinha. Ela estava boquiaberta e o garoto pôde notar algumas lágrimas tímidas escorrendo dos olhos dela. Gael o encarava, sério. O rapaz dirigiu-se, novamente, ao microfone e disse:

– Gostaria de aproveitar esta oportunidade para poder pedir ao senhor Gael, se o senhor permitiria que eu namorasse sua filha, Karina. Serei sincero, temos nos encontrado escondido, mas eu preciso demais. Eu amo demais ela. O senhor permite?

Gael caminhou até o palco, silencioso e sério. Chegou, cara-a-cara, com Pedro e disse, rindo:

– Você é um bom garoto. Percebi isso depois de hoje. Eu permito.

Karina já morria de vergonha. Depois das palmas e gritos, a garota queria sumir. Mas queria fazer isso com Pedro.

Notas finais
Gostaram da letra? Espero que sim, deu um certo trabalho, afinal, não sou "Apenas mais um compositor"