Defenders - A Era dos Heróis
9 Capítulo 9
Agora que a F.A.I.H.D.A. descobriu que a fenda aberta na pequena cidade do oeste estadunidense era na verdade uma abertura quadridimensional que ligava a nossa realidade a outra, as autoridades internacionais tentaram acalmar os cidadãos de todo o globo. Religiões afirmam que na verdade se trata do fim dos tempos, outros paranoicos acreditam que na verdade é uma invenção do governo global para dominar o mundo por meio de uma sociedade secreta, ou algo parecido. No final das contas, a F.A.I.H.D.A. fechou o local para pesquisas astrofísicas acerca do portal aberto, os riscos que ele poderia impor a população ou os seres que poderiam entrar ou sair como aquele que tinha 8 metros de altura. Uma série de teste foram feitos baseados em Força, Agilidade, Inteligência, Habilidade, Defesa e Ataque fizeram com que apenas dois dos defenders, de sexos opostos, fossem as primeiras pessoas a irem a uma realidade totalmente diferente da nossa. Escaramuçador e Gravity foram escolhidos. Ratuey era inteligente, ótimo com armas, além de que sabia utilizar as habilidades humanas a seu favor. Arabella era ágil, esperta, além de ótima na defesa. Ambos faziam uma perfeita dupla. Segundo os cientistas a fenda se assemelhava a um buraco de minhoca, se algo entrava > poderia sair, mas no lugar da singularidade capaz de destruir o que lhe atravessar (característica presente no Buraco Negro), ele causava consciências graves como danos cerebrais, alteração no circuito nervoso e no campo eletromagnético há não ser que um campo gravitacional em forma de bolha os mantivesse fora do alcance desses efeitos. Os cientistas afirmaram que eles deveriam usar roupas especiais, feitas de um material adaptável ao clima de 100 graus Celsius até 100 graus abaixo de zero, além de se camuflar caso quisessem. Como não sabiam se haveria oxigênio ou não no outro universo, deram um equipamento oxigenados que duraria em torno de 96 horas, contando a parti do momento que eles saíssem da Terra. Ratuey estava nervoso assim como Arabella já que não sabiam o que lhes aguardava. Os dois se despediram dos amigos e por um possível último momento trocaram beijos e então no centro de pesquisas foram até o epicentro do estudo que era a fenda contida por um campo de grávitons, a mesma causa do aumento inerente da cratera. Infelizmente esta tinha formado uma espécie de tornado cuja energia era parecida com a da aurora boreal. Arabella formou o campo gravitacional ao redor deles, os cientistas desligaram o campo de grávitons e então Ratuey lhe deu a mão. Os dois foram sugados pelo tornado. A sensação era destruidora e esmagadora, todas as moléculas, órgãos e partículas de seus corpos eram sacudidos mas ao mesmo tempo eram imóveis pelo campo gravitacional de Arabella. Ratuey e ela sentiam falta de ar, e o corpo deles eras esticados até que suas respectivas visões ficaram turvas, e então alguma energia captou eles e tudo ficou branco como num flash. Depois preto e vazio, Ratuey não via nada nem ninguém, entrou em desespero até que sentiu uma descarga fazê-lo ressurgir. Eles tinham sido "cuspidos" pelo portal, e por um momento se sentiram mortos. O respiradouro, e os equipamentos ainda estavam com eles, mas tudo era bastante estranho. Ratuey abriu os olhos no capacete e então suspirou e gritou, a única que podia ouvi-lo era Arabella que também tinha acordado; -Oh meu Deus- falava Arabella -Funcionou!- não era bem o que ambos esperavam mas deu pro gasto; -Onde estamos?- perguntou Ratuey. Os dois se viraram e viram a fenda quadridimensional ainda aberta como um rasgo no tecido espaço-temporal, e sugava o gás presente no local e as partículas. Depois viram que o solo do possível planeta era arenoso, no horizonte haviam montanhas pedregosas, o solo era irregular e o céu... o céu era azul mas um azul distorcido e passado, de longe viram uma bola incandescente, extremamente quente mas pouco brilhante; -Aquilo não seria....- falava Arabella; -O sol daqui? Talvez- os dois heróis temiam o lugar em que estavam. Se a estrela do planeta era vermelha, não tardaria o tempo dele envelhecer, e começar a sugar todo o sistema solar e se tornar um buraco negro... até lá, os dois não queriam estar presentes; -Vamos- falava Ratuey -Temos trabalho a fazer, lembra? Esse lugar pode ser hostil e perigoso mas... com nossos poderes podemos fazer a pesquisa e voltar a tempo, não?- Arabella assentiu e os dois seguiram caminho. O tal planeta tinha nuvens cinzentas e espessas como se a chuva fosse algo raro, até o momento os dois não tinham encontrado qualquer outra forma de vida. O lugar de fato parecia desabitado, talvez as condições do lugar fossem tão hostis que... bem, os únicos seres que já tivessem pisado foram mortos por algo... ou alguma coisa sobre humana, claro, tudo aquilo era sobre humano demais para ser verdade. Enquanto Gravity coletava amostras do solo, percebeu que o solo era feito de uma liga de quartzo e ferro oxidado, fazendo assim o planeta parecer seco e árido como um deserto. Ratuey observava o horizonte até que viu uma espécie de projétil ou algo sendo enviado até eles; -Ei, olha só o que eu...-falava Arabella até que Escaramuçador a pegou pelo braço e então saltaram para o lado direito da cratera que se formou logo depois. Uma nuvem de poeira e rocha se formou mas o mais preocupante aconteceu: o capacete de Gravity estourou fazendo ela se sentir sem ar, sufocada na realidade. Ratuey estava desesperado tentando ajudar, mas não podia se comunicar com a garota sem o capacete. Até que ouviu uma espécie de rosnado ou bramado vindo da cratera, uma garra pegou sua perna fazendo ele ser arrastado até a cratera. Por um momento avistou que o ser era o mesmo enfrentado na cidade, ele tentou chutar e bater no monstro mas seus tentáculos tinham lhe pego e agora abria a boca dele para engoli-lo. Quando pensou que era o fim, viu um campo de força ser gerado e empurrar o monstro para longe. Arabella estava de pé e tão viva quanto se estivesse na terra! Ela dava socos e impulsos gravitacionais empurravam o monstro fazendo ele perder a força e sua resistência. Ratuey se afastou para que deixassem os dois até que tivesse um plano, mas o monstro empurrou Gravity e ela caiu indefesa. Ratuey correu até ela mas algo maior veio do céu e caiu em cima do monstro... era um lagarto, um homem, um homem lagarto. Ele era alto, musculoso, tinha pele escamada, nu, possuía uma cauda reptiliana, olhos amarelos esgueirados e garras triunfais além do físico como o de um lutador colossal. O homem lagarto chutava e destruía o monstro com chutes, golpes pré históricos, até que pelos tentáculos lhe girou e depois o jogou no chão. Por fim tirou das costas um machado de metal desconhecido mas bastante rústico e cortou a cabeça da besta. Seu corpo ficou ensanguentado mas ele se sentia satisfeito. Minutos depois, o homem lagarto continuava a olhar para o corpo do monstro como se esperasse que ele revivesse. E então Arabella se moveu, ele rapidamente se virou com voracidade e farejou eles. Gravity e Escaramuçador não mexeram um músculo e então o homem lagarto tocou Arabella e ela arregalou os olhos e este começou a abrir a boca, e pareciam se entender, Ratuey apenas ouvia grunhidos até que os dois se viraram para ele e então Arabella tirou o capacete e por um momento ele sentiu falta de ar até que voltou ao normal: o gás presente não era exatamente ar, mas possuía oxigênio; -Mas... o que...- falava o herói; -Raty- dizia Arabella, ninguém tinha o chamado assim -Este é Laywestejo, ele é um dos habitantes de Írio- falava a garota como se conhecesse o rapaz há milênios; -Írio?- perguntou escaramuçador; -Írio é o nome deste planeta, segundo Laywestejo precisamos sair daqui logo- Ratuey não estava confiando nele de cara já que o tempo todo não tinha falado mas ele confiava em Arabella. Ambos saíram da cratera e Gravity se comportou como uma "intérprete". Segundo ele, Írio nem sempre fora assim, antes era um planeta vivo e com uma grande variedade de formas de vida distintas até que os devoradores entrarem em Írio. Os devoradores eram seres como o que eles tinham enfrentado, não eram exatamente racionais, mas só pensavam em comer, comer qualquer coisa que suprisse o vazio dentro deles, já eram uma espécie de praga que afetava cada universo periodicamente. Eles comiam de tal forma que podiam até se alimentar do espaço-tempo, abrindo assim uma nova fenda para outra realidade e assim em diante. Escaramuçador entendeu a gravidade do problema que enfrentavam. Os devoradores eram como cupins, eles eram capazes de comer qualquer coisa que significasse para eles energia. Imaginou então as bilhares talvez trilhares de vidas mortas, planetas e civilizações inteiras destruídas por aquela maldita praga que devia ser exterminada. Laywestejo afirmou que era um dos poucos sobreviventes natais de Írio, e vivia em um grupo que se mudava constantemente no planeta mas que atualmente estava vivendo em uma gruta subterrânea. Lá encontraram vários outros seres lagartos pacíficos, alguns fêmeas outros machos mas tinham suas casas feitas com pele de devoradores mortos, objetos de pedra, camas improvisadas etc. Laywestejo disse ser o líder do grupo ou tribo que era a única sobrevivente da guerra de Írio, ele pensou que seria o fim de tudo já que não tinham mais circunstâncias para sobreviverem: o alimento estava ficando escasso, o único aquífero que encontraram não tinha muita água. Logo, eles morreriam de fome, sede ou pelas mãos dos devoradores. Quando o dia terminou com o pôr do sol vermelho de Írio, Ratuey e Arabella não sentiram o frio de 20 graus negativos já que tinham suas roupas especiais mas ficaram juntos olhando para as constelações e as luas diferentes e estranhas do planeta; -O que vamos fazer, Raty?- perguntou Arabella; -Precisamos deter essas coisas- falava escaramuçador -Tanto Írio como a Terra não podem morrer... precisamos derrotar essas coisas e trazer de volta a vida para esse planeta- -Como? Quero dizer... a tecnologia que eles possuem lhes permite sobreviver no subterrâneo, mas e depois?- o herói assentiu e então ficaram em silêncio. O vento não atingia eles já que o escudo gravitacional de Gravity ficaria permanente até a manhã. Os dois se entreolharam e então o jovem disse; -Eu prometo- ele tocou a mão da garota e aproximou seu rosto do dela -Nós vamos salvar a todos, ninguém vai morrer assim... eu amo você... eu juro pelo nosso amor- Então Ratuey a beijou. Ambos passaram a noite na esperança de ter um amanhã, compartilhando o amor por meio de beijos, abraços e do afeto que poderiam ter um pelo outro. ***** No dia seguinte, a temperatura beirava os 40 graus negativos, mas o deserto de Írio continuava pálido e distante. Ratuey, Arabella e Laywestejo planejaram um ataque direto aos devoradores.
Dezenas dos habitantes sobreviventes de Írio se aliaram a causa e atacaram a colônia dos devoradores, era basicamente como uma colmeia, uma colmeia alienígena gigante. Muitos dos habitantes estavam vivos, sendo "cultivados" para consumo no dia que fossem devorar o planeta, eles seriam o prato principal. Laywestejo matou vários deles com sua força sobre humana e outros com suas armas, as crianças tinham ficado protegidas na gruta com suas mães. Gravity empurrava e detinha eles com seus campos e empuxos gravitacionais. Ratuey percebeu que eles tinham como alvo controlador, uma espécie de placa mãe viva que ao se instalar nas raízes de um planeta começava a produzi-los, quando terminassem de fazer uma limpeza planetária iam para outros e outros planetas, destruindo assim as milhares de formas de vida. O único jeito de parar a fabricação foi matando a "rainha mãe" tornando os outros sem reforços e assim eliminando eles. No final da batalha, a colmeia foi esterilizada e Írio ressurgiu das sombras, o rei de Írio agradeceu a ajuda e ofereceu a Arabella e Ratuey a chance de ficarem com eles e desenvolverem o planeta, no entanto eles assentiram e disseram que tinham um lar. Logo depois de serem coroados como os heróis de Írio, colocaram seus capacetes respiradouros e por meio da fenda (que já se fechava) eles voltaram para a Terra.
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