P.O.V. Elijah.

Eu finalmente tenho tudo o que queria, tenho uma filha e ela comeu as almas da minha irmã e da mãe da minha sobrinha.

Estou aqui, sentado num bar bebendo quando ela chega desfilando graciosamente.

—Devia ver o lado positivo das coisas. Você tem o que sempre quis, uma filha.

—Pela sua confiança e pelo fato de estar respondendo minhas perguntas não feitas imagino que seja Renesmee.

—Sou eu. Sabe, você tem sorte.

—Sorte?

—Ela não comeu você.

Ela deu um sorriso sacana pra mim.

—Está brincando com fogo senhorita Cullen.

—Eu não tenho medo de fogo e acho que já passamos da fase do senhorita e senhor. Para com essa ladainha, temos uma filhinha juntos e ela é a criatura mais adorável do mundo.

—Adorável? Ela comeu a alma da minha irmã! Deixou minha sobrinha orfã de mãe!

—E daí? As duas eram vadias que não valiam nem o ar que respiravam.

—Você está falando da minha irmã!

—E daí? Falei alguma mentira? Você vai mesmo querer defender a integridade inexistente dela? Claro que vai.

—Integridade inexistente?

—Sim. Se ela fosse realmente íntegra e boa ela não teria ido pro maldito outro lado que por acaso é o equivalente ao purgatório!

Ela riu.

—Escuta aqui sua...

—Nem se atreva a me chamar de vadia, você foi o primeiro e único homem com quem eu dormi.

—Se isso fosse verdade o lençol teria manchado e eu teria sentido o cheiro.

—Feitiço de ocultação. Eu não queria que soubesse quem eu era, porque se soubesse iria correndo me dedurar pro seu irmãozinho afinal, todo mundo sabe que você é pau mandado do pequeno Niklaus. Quer uma prova da minha pureza? Toma.

Ela jogou o lençol na minha cara e pronunciou palavras em uma língua antiga que eu desconhecia. Logo pude sentir o cheiro doce do sangue dela.

—Pra comparar.

Ela puxou uma adaga e cortou a própria mão esfregando o corte na minha cara.

—Comprovado?

—Porque essa necessidade de me provar sua pureza?

—É que... eu odeio gente fofoqueira e odeio mais ainda gente que combina fofoca e mentira. Eu realmente odeio que espalhem mentiras sobre mim. E espalhar mentiras parece ser sua especialidade.

—Você matou minha irmã!

—E? Quantos você já não matou? Torturou e pior de tudo... gostou?

Fiquei sem resposta.

—Eu sou mesmo incrível. Calei o todo metido e falso nobre Elijah Mikaelson.

—Falso nobre?

—Por favor, você só cumpre suas promessas quando elas são convenientes pra você. Nós dois sabemos disso. Pode enganar qualquer outra pessoa, mas não a mim. Eu vejo você.

—Ela destruiu mais alguma igreja recentemente?

—Sim. Uma em roma e transformou a água da fontana de Treve em sangue. Os Volturis ficaram muito satisfeitos. Toda a água da Itália se converteu em sangue. Acho que os fanáticos religiosos tinham razão e o juízo final se aproxima. Imagine o que será de você e de sua adorada, amada e idolatrada família.

Niklaus entra correndo no bar.

—Elas sumiram.

—Quem sumiu?

—Rebekah e Hayley. Não consigo mais vê-las.

—Eu vou ligar pro Crowley.

A duplicata sacou o celular e logo estava no viva voz.

—Você tá no viva voz Crowley. Os irmãozinhos Mikaelson estão ouvindo você.

A voz masculina do outro lado da linha começou a falar:

—Olá. Á muito eu espero por vocês, nos veremos em breve, mas enquanto isso não acontece vou mostrar pra vocês como nós brincamos aqui em baixo. Diz oi pros seus irmãozinhos pequena Mikaelson.

Dava pra ouvir o desespero na voz dela. Rebekah estava sofrendo.

—Eles te estripam de um jeito que nem dá pra descrever. Valeu Crowley, meus parabéns pegamos as vadias. Eu manterei contato.

—Onde ela está? Pra onde a mandou?

—Quer mesmo saber?

—Quero.

—Ela tá no inferno. O lugar é... uau! Fede a enxofre,sangue, ovo podre e é quente a ponto de derreter os seus órgãos internos. Vocês não pensaram que iriam continuar se safando dessa, pensaram?

—Nos safando dessa?

—A sua alma está manchada com o sangue dos inocentes. É hora de sofrer com eles.

Um barulho de motocicleta é ouvido.

—Ele chegou. Boa sorte tentando escapar do cavaleiro.

—Cavaleiro?

Niklaus começou a rir. Mas, foi interrompido pela porta que voou longe.

Aquela figura cadavérica, aquela caveira em chamas apontou para Niklaus e disse:

—Você. Culpado.

Vi o rosto do meu irmão perder a cor.

—Não, não cavaleiro. Ele é culpado, mas eu tenho um trato com o Crowley. Ele é a Âncora.

—Eu não posso destruir a âncora. Destruir âncora ruim.

Então... ele olhou pra mim e apontou o dedo esquelético.

—Você, culpado.

Ele se aproximou, peguei a taça de vinho e joguei o líquido nele. Mas, o fogo não apagou.

—O fogo do cavaleiro é de origem sobrenatural Elijah. Nenhum líquido consegue apagar.

Tentei correr, mas ele se teletransportava. Ele me pegou pela gola da camisa.

—Me ajude Renesmee!

—Porque? Até agora estava fazendo pouco de mim, espalhando boatos feios sobre mim e me chamando de vadia.

—Olhe nos meus olhos. A sua alma está manchada com o sangue dos inocentes. Sofra com eles.

Eu vi todos os meus pecados sendo jogados contra mim mesmo. Todas as mortes que causei, todos aqueles que torturei, ou feri de alguma forma. Ouvi os gritos deles, revivi cada momento sentindo o peso da culpa recaindo sobre mim, me queimando. Ferindo fundo.

E logo eu estava ao lado de Rebekah. Acorrentado, sendo brutalmente torturado.

P.O.V. Klaus.

A criatura largou o corpo do Elijah. E olhou pra mim.

—Mude ou morra. Monstro.

A criatura montou na moto e foi embora.

—O que aconteceu com o Elijah?

—Ele tá no inferno. Relaxa, fiz um trato com o Crowley eles vão ficar lá por umas duas semanas talvez três e depois o Crowley manda eles de volta pra ver se aprendem alguma coisa. Porque só sabendo que todos os seus atos tem consequência é que se aprende a ser um homem de verdade.

Três semanas depois...

P.O.V. Elijah.

De repente, eu acordei apavorado.

—Gostou do passeio? Na próxima vai ser permanente. Se derramar mais uma única gota que seja de sangue ele te pega e eu largo você lá.

—Katerina.

—Não. Tenta outra vez.

—Renesmee.

—Foi real sim. Você esteve no inferno por cerca de três meses.

—Foram três meses aqui. Lá o tempo passa diferente, lá foram seis anos.

—Interessante.

—Eu juro que nunca mais derramarei mais uma gota de sangue.

—Não sei se você sabe, mas pra mim sua palavra vale menos que merda.

—O que aquela coisa fez comigo?

—O olhar da penitência. É a maior arma do cavaleiro fantasma, todos os cavaleiros tem, ele queima a alma dos perversos.

—Você sabe quem ele é?

—Não, mas sei quem foi seu antecessor. O último cavaleiro apareceu a 150 anos numa cidezinha chamada San Venganza, era uma cidade boa, com gente boa até que apareceu um estranho fazendo promessas e pouco a pouco consumidos pela ganancia e pelo poder os habitantes se voltaram uns contra os outros e o pequeno e pacato vilarejo de San Venganza se afogou no próprio sangue. Suas almas se perderam para sempre num lugar amaldiçoado.

—Como sabe tudo isso?

—Ser mãe da irmã de Deus tem suas vantagens. Por causa da Amara eu tenho contatos lá embaixo.

—Crowley.

—O rei do inferno. Eu falei com ele, com o cavaleiro seu nome era Carter Slade ele traiu o diabo, pegou o pacto e se mandou.

—Porque?

—Ele foi até lá pra recolher as almas, mas o que ele encontrou foi tão maligno que ele sabia que se o diabo botasse as mãos naquele pacto seria o fim de tudo e de todos. Então ele pegou o pacto e fugiu, dizem que foi enterrado com ele.

—Sabe se isso é verdade?

—Porque o interesse? O Contrato de San Venganza, o inferno na terra, o fim dos tempos, morte e dor espalhadas pelo mundo. O que será que aconteceria se o contrato caísse nas mãos de alguém como você? Consegue imaginar? Porque eu consigo.

Ela se virou e foi até o frigobar, pegou uma bolsa de sangue e colocou o conteúdo num copo de beber uísque. Então, ela me estendeu o copo dizendo:

—Bem vindo de volta cabeçudo. Saído do fogo direto pra frigideira.

Eu bebi o copo todo, estava com sede.

—Lembre-se do pacto. Se voltar a matar, vai comprar uma passagem só de ida e sem retorno para o inferno. Dessa vez, não tem brecha, não tem talvez, não tem escapatória, dessa vez vai ter que cumprir sua palavra.

Disse a duplicata com um sorriso vitorioso no rosto.