Deep Souls - História interativa.
9 Cap 08- Casa, doce casa.
Notas iniciais
Dia 15 do quinto mês.
O retorno a cidade de lorde Gatros foi demorado, os caçadores enfrentaram a nevasca, fome e criaturas noturnas. Freyr estava ferido gravemente, mas com a ajuda de algumas poções e cuidados de Helena melhorou um pouco. Rigardo o carregou a viagem toda. O jovem tentou aproximar-se amigavelmente de Dylan e até trocaram algumas palavras que não fossem palavrões, mostrando respeito pelo outro. Helena tornou-se mais querida ainda por Freyr, pois o tratou muito bem e ambos consideram-se irmãos de outras mães.
Finalmente passaram pelo portão da pequena cidade entre montanhas. Lá a neve caia bem mais fraca e o sol trazia aquela sensação fraca de calor entre os caçadores sorridente. Dylan carregava em sua cintura a espada que pegaram no castelo e Helena estava à frente de todos exausta, suja e se sentindo terrível. Quase um mês ficaram fora sem tomarem banho direito e comendo mal. As pessoas clamavam seus nomes e comemoravam felizes a volta dos quatro, são muito queridos ali.
–Para você! – uma pequena garotinha de apenas cinco anos de idade, cabelos louros curtos entregou uma rosa perfumada para Rigardo e timidamente correu para os braços de sua mãe. O gigante e segurou sem demonstrar quaisquer expressões e disse.
–Obrigado. – disse seco, mas por dentro sentia-se vivo, não imaginava que uma criança se aproximaria desta maneira e lhe presentearia. Freyr ria baixo em suas costas, estava sendo carregado por semanas.
–Tem um bom coração, isso atrai coisas boas. – ele disse para o gigante que colocou a rosa por dentro de sua armadura.
Dylan colocou o braço por cima dos ombros de Helena e roçou sua barba grossa em seu rosto.
–Feliz por voltarmos? Já sentia falta daqui. – ela deu um sorriso fraco e respondeu.
–Claro, mal vejo à hora de tomar um banho quente e mandar esse frio embora.
Ocorria na cidade uma feira pequena que acontecia sempre a cada quinzena, mercadores de vilarejos e cidades vizinhas viajavam até lá e vendiam seus produtos ou trocavam por outros de seus respectivos interesses. Helena mal conseguia ouvir o que Dylan dizia com tantas pessoas falando ao mesmo tempo. E de relance a bela notou um brilho intenso de uma lâmina em uma barraca. A espada chamou sua atenção, de gume avermelhado e um cabo dourado erguia-se a afiada lâmina de prata alcançando mais que meio metro de comprimento.
–Gatros quer falar com vocês. – disse o mensageiro de trajes verdes escuros. Rigardo assentiu e seguiu passando entre a multidão de pessoas que reuniram para vê-los.
Eles seguiram até o castelo de lorde Gatros. Lá dentro o encontraram em seu banquete, estava só e abriu um sorriso de orelha a orelha ao ver os quatro. Levantou-se e abraçou Dylan que carregava a espada.
–Vocês a trouxeram! Pensei que não voltariam mais! – exclamou tão alto que sua voz podia ser ouvida até no salão de festas. Helena não sorria, nunca gostou daquele homem falso e com intenções maléficas.
–Sabia do risco não é? Aqueles Ibixians não estavam no contrato. – ela comentou séria. Gatros sorridente acariciou seus bigodes longos e dourados, a cabeça desprovida de cabelos exaltou um brilho diferente e seus olhos verdes fitaram Helena de baixo a cima.
–Que Ibixians? – ele indagou. Helena franziu sua testa e Dylan tomou a voz.
–Um grupo de Ibixians estavam guardando a espada por ordem de alguém. O que tem de tão importante em uma arma simples como esta? – ele tocou o cabo da arma em sua cintura e encarou Gatros.
–Entregue a arma, somos mercenários e não devemos interferir com “porquês” e “para quês”. – disse Freyr nas costas de Rigardo.
–Ouçam-no. – Gatros estendeu sua mão e Dylan entregou-lhe a espada de cara feia. – acho que devo dinheiro a vocês. – ele olhou para Helena sorrindo maleficamente. – darei uma quantia extra pelo imprevisto, realmente Ibixians não estavam no contrato. Algo mais? – ninguém nada disse. A oferta parecia boa para Helena, mas ao mesmo tempo era um mistério.
Com a espada em mãos Gatros parecia tão feliz que sua cabeça avermelhou-se de ansiedade, ele rapidamente mandou seus empregados buscarem uma arca grande e ao abri-la os olhos dos mercenários brilharam como aquele ouro puro que jazia adentro da arca. Tinha mais ouro que o combinado e rapidamente todos se esqueceram de o quão maléfico era aquele sorriso de Gatros. Despediram-se com um simples “adeus” e desceram as ruas da cidade com Dylan e Helena carregando o baú pelas alças de aço.
A casa que o quarteto tinha era grande, com um belo jardim e bem espaçosa possuindo um cômodo para cada. O curandeiro local chegou para tratar dos ferimentos de todos. Após um longo banquete de boas-vindas eles dividiram o dinheiro em partes resultando em quatro mil e duzentas peças de ouro para cada.
–Devemos fazer mais trabalhos para Gatros! Nunca tive tanto dinheiro assim de uma vez! – Dylan disse em voz alta tão feliz que saltitava. Eles estavam reunidos na sala de estar após a refeição. Freyr agora enfaixado e sobe efeito de poções adormecia ao lado de sua irmã de alma Helena.
–Dinheiro é sempre bom, mas temo que ele esteja tramando algo.
Após uma noite de conversas e falhas cantadas de Dylan em Helena todos foram dormir, estavam exaustos e mereciam um descanso. Nos dias que passaram eles aproveitaram o máximo a pequena cidade, comprando novos equipamentos, comendo bem e bebendo bastante. Rigardo usou parte de seu dinheiro para erguer uma pequena casa e deu de abrigo a algumas crianças abandonadas, talvez seja por isso que o adoram mesmo quieto e aparentando ser um monstro assassino. Helena festejou em bares com antigas amigas, treinou seu corpo e comeu em todos restaurantes da cidade. Dylan dormiu com prostitutas, embriagou-se, brigou com homens do sul em tavernas, comprou novas roupas e armas e continuou flertando com Helena. Freyr investiu seu dinheiro em uma escola de magia que estava em construção, leu diversos livros e aprendeu novos feitiços. Uma semana se foi depois duas e três.
Dia 04 do sexto mês.
O suor e saliva caiam no chão de madeira enquanto aquele jovem de cabelos louros e olhos azuis engolia o membro sexual de Freyr que estava totalmente nu em pé a sua frente. Era uma linda manhã nublada e naquele quarto de taverna ambos se entregavam um ao outro. Mesmo com o som do “toc” que vinha da porta os jovens não se importavam e entre gemidos e palavras insanas Freyr despejou todo seu esperma na garganta do jovem que por pouco não vomitava.
–Já vou. – ele disse rapidamente vestindo suas calças leves e soltas. Fora até a porta enquanto seu companheiro se limpava.
–Senhor... Freyr. – quando abriu viu um homem com seu chapéu alaranjado e um casaco longo e da mesma cor. Carregava consigo uma mochila grande e aparentemente cheia.
–Sim, sou eu. – o corredor da pousada estava escuro e o rosto do homem encoberto por um cachecol de pele de urso. Ele abriu sua mochila e pegou uma carta com um selo dourado.
–É do rei. – Freyr a pegou suspeito. O homem virou suas costas e deixou o corredor com alguns passos curtos desaparecendo nas sombras.
Então abriu o envelope, retirou o selo e começou a ler a carta.
“Caros amigos caçadores, a fama de vocês se estendeu tanto que alcançou os ouvidos de vosso Rei Teodor Ketezburg. Tenho um trabalho para vós e convoco a presença dos quatro em meu castelo até o meio deste mesmo mês. Sua alteza.”
Ele abriu um sorriso e olhou fixamente para a parede daquele corredor. Uma missão para o rei, finalmente Freyr sentiu-se feliz por tal reconhecimento. Seja o que for.
Eis que Freyr contou a seus companheiros naquela mesma tarde. Todos ficaram entusiasmados com o pedido real. Trataram rapidamente de fazer os preparativos para a longa viagem. Naquela noite eles fizeram um banquete comemorativo com carnes temperadas, vinho, tortas de morangos da fazenda do paraíso e diversas outras iguarias. Helena estava radiante, seus cabelos estavam sedosos e tão limpos como nunca. Dylan não tirava os olhos da bela mulher. Os cabelos do homem cresceram um pouco ficando rasos e não mais carecas, de barba feita e bem vestido ele bebia seu vinho com Rigardo que devorava sozinho um enorme porco fatiado.
–O que será que Teodor quer conosco? – indagou Helena mastigando a carne em sua boca.
–Deve ser de extrema importância e pressa. Chegar a Rosário ao meio deste mês... – comentou Freyr já satisfeito.
–Cavalos, compraremos cavalos. – disse Rigardo com a boca cheia de carne de porco e vinho. Helena riu da situação do amigo e quase engasgou com a carne que mastigava.
–Exatamente Rigardo, cavalos rápidos e fortes. – Freyr retrucou cutucando o enorme bife com seu garfo.
–Armas e armaduras também. O que achara o rei de mercenários “famosos” que usam trapos e espadas enferrujadas? – comentou a jovem Helena toda charmosa. Seus olhos fechavam e se abriam como flores na primavera.
–Vou conversar com o ferreiro e partimos depois de amanhã. Peguem aquilo que precisem e o que fará falta. Acho que desta vez ficaremos um longo tempo fora de casa. – disse Freyr. Dylan ainda não contente com seu espírito de liderança rosnou.
–Levem muita comida. – Rigardo falou entre mastigadas e o som dos nervos da carne se estourando em seus dentes.
O luar adentrou-se por aquela janela aberta dando um tom de alegria aquele banquete, todos unidos conversando e interagindo com o outro como nunca havia ocorrido antes. Tudo tão sossegado, Helena olhava para Freyr que olhava para Dylan que olhava para Helena. Os cães cantavam entre si uivando para a lua, uma cidade tranqüila e calma como esta é difícil de encontrar.
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