Deep Souls - História interativa.
12 Cap 11- A bruxa da torre norte.
Notas iniciais
Leão carregava sua espada e escudo, estava vestido com aquela velha armadura de ferro e trapos de pano. Felina agora possuía uma adaga e lembrava-se de alguns feitiços que “costumava” usar.
Os dois caminhavam por um telhado coberto por sombras da noite ao lado da muralha, estavam ali pois acabaram de subir destroços de uma torre que se adentraram, famintos e com muita sede a dupla escalava muros, passavam entre detritos e rochedos a procura de uma saída, aquilo já os estava enlouquecendo. Os telhados daquele enorme castelo, agora com um equipamento razoável e mais animo à dupla sentia-se capaz de descobrir todos os mistérios que pairavam ali.
Mas um som vinha de uma daquelas torres enormes cheias de escadas. Era agudo e fazia com que as paredes vibrassem e cada telha cintilava sobe seus pés.
–Este som... – comentou o guerreiro Leão. Suas pernas estremeciam com a vibração das telhas. Felina lançou seus cabelos para trás e efetuou um salto daquela torre para outra mais próxima a muralha. Ela não temia aqueles quase sessenta metros de altura.
–Venha, vamos investigar.
Com esforço ele fez o mesmo movimento saltando na outra torre pois por um descuido escorregou e se pendurou nas pontas das telhas derrubando poeira e pedrinhas. Felina logo o ajudou a manter-se em pé no telhado daquela torre.
–Obrigado. – ele bateu as mãos em seu peitoral retirando a poeira.
Os dois entraram na torre por um buraco no teto, caíram no chão ecoando ela toda com o som de suas botas. Felina acendeu a lamparina de Leão com um pequeno feitiço de fogo. Estava bem escuro e agora poderiam iluminar boa parte do caminho.
–Acha que é uma armadilha? – ela indagou suspeitando do estranho som vibrante.
–Com certeza é uma armadilha. – com a cara de poucos amigos Leão seguiu descendo as escadas seguido de Felina.
Assim desceram degrau por degrau iluminando cada canto com a lamparina que o homem carregava pendurada em sua cintura. Ele estava à frente com sua espada e escudo e ela logo atrás em prontidão. Cada passo criava um eco estrondoso e quando se deram conta já tinham descido as escadas.
Do lado de lá estava um enorme jardim florido com pilares e diversas portas. Aquela mesma mulher que conversou com Leão estava ali colhendo flores e rindo entre soluços. Os dois se entreolharam e ele tomou a voz.
–Eu a conheço. – Felina estendeu os braços dando espaço para ele passar e ir conversar com a mulher. Ele caminhou até a mesma com uma dúvida pairando em sua cabeça, então tocou seu ombro direito a fazendo virar o rosto de relance, aparentava mais magreza e desidratação que da última vez.
–Oh... É você, pensei que fosse outra pessoa. – Leão franziu seu rosto confuso. – Perdido? Vejo em seus olhos mal sabe seu verdadeiro nome e se dão apelidos ridículos.
–Como sabe disso?
–Sei de tudo que acontece aqui. – ela deu um riso histérico bem baixo, estava de costas e seus cabelos negros caiam sobe os ombros finos e bagunçados.
–Porque faz isso? Diga-nos o que sabe agora! – com o grito a mulher retorceu levemente seu pescoço. Algumas feridas podiam ser vistas na jugular e ombros.
–Seu nome é Cloud e ela é conhecida como Meg, mas esse não é seu nome de verdade. – os nomes saíram de sua boca como palavrões e atingiram em cheio o antigo Leão e Felina. Seriam mesmo seus nomes?
–Quem é você? Diga! – ele estava prestes a agarrá-la, mas segurou-se.
–Sou uma mera serva! Uma jardineira que colhe as flores mortas e entrego para lorde Bolton, ele ama o cheiro da morte, é apaixonado por ela!
–Quem infernos é Bolton? – indagou sem paciência Meg.
–É meu lorde, minha vida! Já disse como encontrá-lo e ele já está irritado com a demora!
–Leve-nos a ele ou a mato! Vá sua desgraçada! – gritou Cloud desembainhando sua espada. – estou cansado destes joguinhos! Falo com seriedade! – ela ria de costas, seu rosto estava tapado pelos cabelos negros sem vida.
–Quer mesmo ver lorde Bolton? – seus risos cessaram e a voz engrossou como a de um demônio. Meg rapidamente pegou sua adaga e deu dois passos para trás.
–Sim. – respondeu seco. Os cabelos da mulher caiam como uma calvície precoce, seus braços ficavam mais magros e as pernas finas.
–Bruxa! – gritou Meg e no mesmo instante a mulher saltou transformando-se, ficou mais alta que o comum e as pernas cresceram desproporcionalmente ao corpo. As roupas ficaram largas e seu rosto se contorcia deformado. Na mão direita surgiu um cajado de madeira vindo dos galhos da árvore e na outra possuía enormes garras afiadas e terrivelmente mal cuidadas.
–Infernos! – gritou Cloud erguendo seu escudo e bloqueando um jato de chamas lançado por ela. Meg energizou um feitiço e lançou congelando as chamas.
–Nunca vão passar por mim! – Cloud girou seu corpo no chão e recebeu um golpe no rosto vindo da bruxa fazendo quatro cortes na vertical próximo aos olhos. Ele girou seu corpo e atingiu o pulso dela que se movimentava rapidamente evitando receber mais golpes.
A bruxa ao tomar a distância ergueu o cajado e vários pilares de gelo começaram a surgir destruindo o solo de mármore e alcançando uma altura de quase três metros. Cloud saltava de um lado a outro, mas acabou sendo pego e arremessado. Meg escapou com sua agilidade e foi para um canto perto dos pilares de pedra que sustentavam muros do castelo.
–Fracos! Fracos! Como querem ver lorde Bolton se são fracos? – ela repetia rindo histericamente. Meg correu em direção à bruxa e fincou a adaga em suas costas magras perfurando-a, a mulher gritava muito alto e se movimentava como um cavalo que não quer ser montado.
Cloud se recuperava. Fora parar do outro lado do jardim com um ferimento nas costas, pois a armadura se partiu e o cortou. Meg soltou-se, porém a adaga ficou cravada nas costas da bruxa. Ela energizou uma magia em uma esfera, mas acabou sendo atingida por uma bola de chamas no tórax a lançando para longe dali com uma terrível queimadura.
–Vadia! – gritou a bruxa irritada, ela retirou a adaga e lançou no chão.
O guerreiro bravo partiu para cima da bruxa, desferiu um golpe, mas ela desviou, revidou com um soco e ele bloqueou com facilidade. Nesta brecha conseguiu cortar dois dedos da mão esquerda da terrível criatura que o agarrou pelo pescoço com a outra mão. Eis que correntes surgiram enforcando a bruxa e a arrastando para trás assim deixando Cloud solto.
–Vá! Não consigo segura-la por muito tempo! – gritava Meg. Assim Cloud empunhou sua lâmina e golpeou a bruxa quase dez vezes cortando seu peito, braços, pescoço e rosto. Quando terminou a seqüência seu corpo todo estava sujo com o sangue da maldita.
As correntes se desfizeram e a bruxa não se cansou, bateu o cajado no chão e uma onda mágica afastou ambos fazendo-os colidir com os muros do jardim. Nesta altura os pilares de gelo já haviam derretido deixando buracos no solo de onde emergiram.
–Ela é forte... – disse Cloud bem baixo. Olhou e viu que ela não estava mais ali.
–A bruxa sumiu! Deve ter fugido... – Meg estendeu a mão e ajudou Cloud a se levantar. Eles estavam feridos e exaustos da batalha.
–Aquilo não estava ali. – comentou o homem apontando para duas portas, uma era de aço escuro e com correntes jogadas a frente. Já a outra era de madeira e estava semi-aberta.
–Ela está brincando conosco.
Cloud caminhou até o centro do jardim destruído e notou que uma placa pairava ao lado de cada porta. Uma dizia:
“Caminho do ouro” e na outra “Caminho da carne”.
–Pague o com ouro ou carne... – disse para si mesmo.
–Pague quem?
–Lorde Bolton. Ela me disse que devo paga-lo com ouro ou carne. – aquilo era insano. Eles não sabiam o que os aguardavam detrás de cada uma daquelas portas.
Fale com o autor