Deep Souls - História interativa.
7 Cap 06- Massacre de Outono.
Notas iniciais
Dia 02 do quinto mês.
Passou-se uma semana e os soldados deixaram a pequena cidade agora com as herdeiras rumo ao forte Valiriano. Naquela noite na taverna Arthon acabou não resistindo aos prazeres da carne e dormiu com Hysteria, assim como Galatea e Edward. Foi uma noite de sexo inesquecível aos dois.
Perante um lindo crepúsculo os cento e trinta soldados caminham diante uma floresta com altas arvores de folhas alaranjadas, poças de água que refletem o pouco sol que ainda resta. É outono e as folhas caem sobe os homens de barba grossa, cabelos compridos e armaduras de aço. Arthon parece mais hostil agora com a barba estampada em negro e os cabelos oleosos caindo-lhe sobe o rosto sujo de poeira. Edward prendeu seus cabelos louros e a barba clara quase chegava ao queixo, duas semanas sem fazê-la. Uicenzo é mais cuidadoso, desprovê de pelos faciais e seus cabelos já crescem encaracolados.
–É tão cansativo. – disse Hysteria desanimada ao lado de sua irmã gêmea Galatea. Ambas com coletes de aço por cima de suas roupas decotadas. Os cabelos louros estão soltos e é fácil de confundi-las.
–Entediante também. – completou Galatea. A beldade carrega em suas costas uma espada longa, porém leve embainhada. Hysteria leva consigo uma adaga e seu repertório de feitiços.
–Estamos chegando garotas, só mais duas semanas de viagem. – disse capitão Then sorridente e esperançoso.
–Porque não usamos a estrada? – indagou Hysteria em seu tom de inocência mascarada.
–A guarda real utiliza a estrada para seus soldados viajarem e também tem comerciantes, pessoas e entre outros. – respondeu Arthon nem sequer encarando Hysteria que tentava agradá-lo. Ela pensava que ele seria diferente, mas no fim foi como todos os outros.
Uicenzo e Edward tiveram uma aproximação maior na ultima semana tornando-se bons companheiros e ganhando a lealdade um do outro. Estavam unidos.
–Capitão! Capitão! – um soldado ofegante veio correndo gritando estas palavras. Estava sujo e com alguns ferimentos. Pertencia à frota que trazia os mantimentos, sempre viam atrás dos combatentes para evitarem algum ataque direto na comida e bebida.
–O que houve? – questionou o capitão vendo o estado do soldado. Todos tiveram suas atenções roubadas por aquele homem ofegante que tentava recuperar fôlego para falar.
–Diga! – exclamou Edward sem paciência alguma.
–Tragam água para ele. – disse Galatea também mostrando sinais de preocupação. Seriam os Rosarianos em uma tentativa de sabotá-los?
Capitão Then estendeu suas mãos oferecendo um cantil com água e o soldado recusou já disposto a falar.
–Estamos sendo atacados! – aquilo pegou todos de surpresa. Edward já partia correndo com seu escudo e espada em mãos de volta ao caminho que fizeram. Arthon fez o mesmo sendo seguido por diversos soldados.
Eles passaram entre as arvores iluminadas e rochas até chegarem ao local onde se encontravam os soldados que carregavam os mantimentos. A maioria estava morta, os cadáveres ensangüentados espalhados entre destroços de árvores e rochas. Uma enorme criatura desajeitada estava lá. É parecido com um mamute, porém caminha como um gorila, músculos sólidos. A cabeça é longa e deformada com um aspecto de pura fúria. Dois longos dentes de mamute curvados estendem sobe sua boca e uma corta tromba ao meio. As orelhas são pequenas, mas por compensação as pernas dianteiras são longas e poderosas. O couro é brilhante em um tom cinza prateado. Alto com cinco metros e pesando em média de duas toneladas o quadrúpede esmagou o último soldado com seu braço forte fazendo um estouro de sangue e miolos jorrarem.

–É um Tharkos! – gritou um soldado correndo para longe dali deserdando os Valirianos. Capitão Then demorou cerca de cinco segundos para desembainhar sua espada.
–Puta merda! Mas puta merda! – repetia Edward boquiaberto como todos. As gêmeas foram quase que arrastadas para trás as ordens do capitão.
–Matou nossos homens e destruiu os mantimentos. – clamou em voz alta o capitão raivoso e ao mesmo tempo amedrontado.
–Este Tharkos está sendo caçado na região há meses! Dizem que vale cinco mil peças de ouro. – disse Galatea a Hysteria. As duas se entreolharam surpresas.
Arthon estava entre uma árvore vendo aquilo. O Tharkos caminhava em círculos baforando e encarando os cem Valirianos. As árvores a seu redor foram destruídas e os cadáveres pintavam as folhas de vermelho.
–Melhor recuar capitão, todos já foram mortos... – disse um soldado refugiado. Then o encarou sério.
–Vamos lutar e exterminar a criatura pela vida daqueles que morreram aqui injustamente. Não serei covarde, se quiserem ir que vão!
O Thaskor continuava andando em círculos observando a movimentação dos soldados. Eis que um arqueiro dispara uma flecha na tentativa de acertá-lo, mas sua pele é tão forte que nem sequer faz um arranhão e a flecha se destrói como se fosse um galho.
–Estúpido! – gritou um soldado. A criatura partiu para cima de todos que estavam enfileirados correndo sobe as duas pernas e os braços como um gorila.
–Lanças! – exclamou Uicenzo puxando sua espada e escudo. O Tharkos fora mais rápido e com um soco lançou sete soldados aos ares arrebentando suas armaduras e os destruindo por dentro. Com o outro braço acertou mais quatro chegando a estourar a cabeça de um.
Hysteria e Galatea tomaram passos a frente ignorando os avisos de Then. Arthon disparava várias flechas e o monstro seguia destruindo todos os soldados que cruzavam seu caminho os lançando aos ares, socando crânios e esmagando-os.
–Recuar! – gritava o capitão vendo aquele monstro correndo saltitante destruindo tudo a sua direção.
Edward estava a sua frente e golpeou o braço do Tharkor com sua espada, depois a perna e estocou-lhe o peitoral, somente a ponta da lâmina o havia perfurado. Eis que um soco inesperado veio a sua lateral e a tempo ele conseguiu bloquear com o escudo, porém fora lançado a três metros batendo as costas em uma árvore. Uicenzo interferiu também no trajeto do monstro que acabara de golpear um soldado e esmagar outro no chão.
–Atirem nos olhos! – gritou o jovem e após a fala desviou de um poderoso soco. O Tharkor investiu e enquanto Uicenzo saltava para trás foi surpreendido por um poderoso chute nas laterais de seu corpo o fazendo girar várias vezes e colidir com alguns homens.
–Merda! – capitão Then tomou passos a frente e com sua espada de uma só mão atravessou metade da mão do monstro que tentou socá-lo cessando o golpe.
Um círculo azulado se formou ao redor da criatura e um enorme pilar de gelo o fez subir sete metros e descer em alta velocidade batendo suas costas com a terra. As duas toneladas fizeram um tremor imenso e crostas de pedra subiram com o impacto. Foi uma magia conjurada por Hysteria que jazia ali ao lado da irmã gêmea cercada de soldados as protegendo, eles a olhavam boquiabertos com tamanho poder.
–Obrigado. – agradeceu o capitão. Sua espada se quebrou ao meio quando o Thaskor fora lançado pelo pilar que se formou. O gelo já começou a derreter, um soldado entregou outra espada ao capitão.
Com o monstro no chão se recuperando uma chuva de flechas caiu sobre ele, todos os arqueiros estavam no ato despejando uma atrás de outra. A poeira estava erguida e impossibilitava a visualização do Tharkos.
–Atirem o máximo de flechas que puderem. – ordenou o capitão.
Edward levantou Uicenzo e notou o enorme hematoma em suas costas expostas devido à destruição da armadura pelo golpe recebido.
–Infernos! Hiras! – o jovem médico rapidamente veio correndo após socorrer um soldado caído.
–Sim mestre Edward!
–Cuide do ferimento dele. – Edward pegou a espada do desacordado Uicenzo para substituir a mão que carregava seu escudo agora em pedaços. – vou pegar isto emprestado. – e girou as duas espadas, uma em cada mão.
–Parem de atirar! – gritou capitão Then encima de uma rocha vendo o buraco que o Tharkos abriu no chão com a queda, a poeira já estava a desaparecer.
–Lance outra irmã. – Galatea estava com sua espada de duas mãos. Sua irmã mais “nova” assim fez e estendeu o braço direito fazendo as runas surgirem por sua pele e várias bolas de fogo serem arremessadas em seqüência.
As chamas faziam à fumaça se misturar a poeira e com um salto o Tharkos deixou aquela cratera em chamas voando a quase sete metros com o braço estendido pronto para socar Hysteria. A criatura carregava diversas flechas que conseguiram penetrar sua pele, estava bem ferida, mas continuava com raça e força.
Galatea saltou para cima e Hysteria lançou um feitiço rapidamente em sua espada a tomando por uma coloração azul escura. O Tharkos se deparou com Galatea a sua frente e ambos cruzaram espada com punho os deixando sobe os ventos por alguns segundos antes de caírem no solo. A bela caiu equilibrada e o monstro de costas destruindo mais ainda o chão.
–Ataquem! – gritou o capitão e todos os soldados partiram para cima da criatura com espadas, lanças e machados.
O monstro girou seu corpo e lançou vários homens a quase cinco metros de distância. Um soldado o apunhalou pelas costas com sua lança, os outros conseguiam furar suas pernas, peito, rosto e até um de seus chifres próximos a boca cortaram fora. O punho que Galatea atingiu com o feitiço estava todo contornado por marcas roxas, ela o envenenou.
–Desgraçado. – disse Arthon disparando uma flecha atingindo um dos olhos do monstro que enlouquecido de fúria desferiu uma seqüência de golpes mortais em todos a sua volta.
O primeiro soco arrebentou o peitoral, ossos e órgãos internos de um soldado, segundo golpe fora um chute com os enormes braços apoiados no chão estourando metade do crânio de um homem, quebrando os braços e costelas de outro e atingindo em cheio a perna esquerda de um lanceiro a deixando pendurada por uma fina pele e nervos restantes.
–Eu vou domá-lo! — Edward interferiu com um grito. – vai! – ele gritou e Hysteria lançou uma magia enfeitiçando seu par de espadas as tomando por chamas ardentes.
O terceiro golpe do Tharkos foi um soco tão forte no chão que abriu outra cratera de três metros esmagando por completo um jovem soldado de dezessete anos, os ossos misturaram-se com órgãos e sangue formando uma terrível cena. Todo ensangüentado a criatura ainda agarrou o último soldado que restou ao seu redor e o esmagou como se fosse uma mosca fazendo com que os olhos saltassem para fora de sua cabeça.
Edward veio pelas costas e golpeou sua perna direita marcando-a com as chamas. Passou por baixo das penas e golpeou entre elas, logo após desviou de um soco poderoso que abriu uma enorme rachadura no solo. Neste ato o monstro se envergou e neste momento ele fincou a lâmina em chamas de Uicenzo por baixo de sua cabeça atravessando a pele e saindo pela parte de cima da tromba.
–Hysteria! – gritou Galatea aproximando-se do Tharkos pelas costas. A jovem gêmea conjurou um feitiço do qual outro círculo formou-se ao redor da criatura e correntes de fogo se amarraram por volta de seu corpo antes de revidar o ataque de Edward.
Com várias flechas, a espada fincada no pescoço e sangramentos o monstro não conseguia se soltar estava fraco demais. Galatea contava com outro encantamento da irmã em sua lâmina, adquiriu um tom escuro e com um salto ela atravessou seu outro olho com a lâmina de quase um metro e após a espada se adentrar junto à pele do monstro um pequeno impacto implodiu devido ao encantamento e metade de seu rosto se desfez em pó o deformando mais ainda.
–Agora o gran finale! – Edward girou sua espada em chamas para finalizar a criatura, mas eis que ele se solta baforando mais ainda. Galatea não conseguiu retirar sua lâmina e recebeu um soco forte o bastante para lançá-la a dez metros de distância arrastando-se no chão.
–Galatea! – gritou Hysteria levantando o braço para os céus conjurando outro feitiço. O Tharkos acertou um soco no chão próximo a Edward e o fez subir dois metros então saltou junto e o chutou para baixo com muita agilidade e força fazendo o guerreiro bater suas costas no chão e perder a consciência.
Arthos disparou uma flecha explosiva e atingiu o monstro bem a tempo de ele antes esmagar seu companheiro o lançando para longe dali. Então em um surto de velocidade o Tharkos correu em direção a Hysteria que ainda conjurava uma poderosa magia.
–Não deixarei você passar! – capitão Then armou-se e mesmo assim não o parou recebendo um soco. O Tharkos o segurou no ar pela cabeça fazendo com que sua espada e escudo caíssem no terreno.
–Capitão! – gritou Arthon desesperado. Um raio atingiu a mão de Hysteria e tomou forma de uma enorme espada brilhante.
Os poucos soldados restantes correram para atacar o monstro, mas foi em vão. Sua mão se fechou e a cabeça do capitão transformou-se em uma poça de sangue e miolos.
–Não! – Arthon caiu de joelhos deixando sua aljava no chão e arco.
Hysteria fez um rápido movimento antes dos soldados alcançarem a criatura e sua espada de luz com quase três metros de comprimento atravessou o peito do monstro o imobilizando enquanto a arma residir ali, porém este feitiço requer muita energia do usuário e Hysteria já estava enfraquecida.
Os soldados atacavam de todos os lados, cortavam quando podiam, perfuravam e chutavam. Um soldado carregando seu machado gigante decepou-lhe a tromba deixando um mar de sangue manchá-los. Galatea estava meio desnorteada, mas ainda conseguia lutar. A linda gêmea agora desarmada pegou a espada de um soldado morto e a fincou em sua medula, depois deu alguns saltos para trás. Suas roupas estavam destruídas com metade dos seios a mostra e pernas.
–Saiam de perto! – gritou Hysteria mais branca do que o normal soltando o cabo da espada de luz. Todos se espalharam com medo do feitiço e então a arma se encolheu formando uma esfera no centro do ferimento e explodiu criando um clarão.
O Tharkos finalmente caiu com diversos ferimentos e agora um enorme buraco abriu-se em seu peito. Todos estavam ofegantes e a maioria se feriu na batalha, mais da metade dos soldados restantes morreram ali incluindo o capitão Then. Sensibilizados alguns caíram de joelhos como Arthos e derramaram lágrimas. Galatea retirou sua espada de duas mãos do crânio da criatura e sua irmã caiu ao gramado exausta.
Edward sorria olhando para o céu recuperando a consciência. Agora terão de eleger o novo capitão e será uma decisão complicada.
Fale com o autor