Deemo - No Mundo Que Você Deixou
1 Prólogo - Sonho
Seus olhos se abriam lentamente como se houvesse acabado de tirar uma leve soneca de apenas alguns minutos. A pequena garota; cuja pele branca como marfim contrastava com seus longos e repicados cabelos castanhos, se encontrava sentada sobre uma alta cadeira diante de uma mesa circular feita de madeira escura e bem envernizada. Olhava ao redor com suas pupilas de cor caramelizada sem saber exatamente que lugar era aquele... Mas sentindo a sensação que; apesar disso, de alguma maneira, conhecia ou possuía alguma ligação com ele. As paredes se camuflavam atrás de diversas estantes de livros, que se encontravam categoricamente organizados. Tratava-se de uma biblioteca... A quantidade de conteúdo existente ali era realmente absurda, mas a pequena garota não parecia se impressionar com isso. Simplesmente sentia certo costume em estar neste tipo de ambiente. Mais adiante; na única parede desprovida de dezenas e dezenas de livros, seis altas janelas garantiam que uma luz incessante iluminasse a sala. Aquilo era estranho... Claramente não eram raios de sol, afinal, não se podia enxergar nada que estava lá fora. Era como se as janelas na verdade fossem telas de TV em branco, mas que ainda assim, criavam visíveis traços de luz no ar... Havia sequer lógica naquilo?
A pequena garota olhou para a mesa de madeira à sua frente e viu um relógio dourado.
Ao fita-lo mais de perto, era possível notar que seu vidro estava trincado... Mas o mais intrigante era o fato de haver apenas um ponteiro, já que relógios assim geralmente possuem três; um mais grosso e menos cumprido, indicando as horas; um mediano e da mesma espessura que o das horas, indicando os minutos; e um último com uma cor diferente — geralmente vermelho — sendo este o mais fino, e o indicador dos segundos. Aquele ponteiro era tão incrivelmente delicado, que conseguia possuir a metade da espessura de uma agulha, mas por alguma razão era a única coisa girando dentro do relógio. Bem, na verdade, ele quase não se movia... Não pulava de marcação em marcação. Apenas deslizava tão lentamente de modo a seu movimento ser quase imperceptível. O acabamento externo do relógio era belíssimo, e embora o objeto não fosse servir para nada, a pequena garota instintivamente o pegou para si. Suas engrenagens expostas por alguma razão lhe traziam uma sensação estranha... Como se ela e o relógio possuíssem alguma ligação profunda.
— Olá...?! — A pequena garota disse em voz alta, quebrando o silêncio mortal no qual a sala se encontrava. Não houve resposta.
Saltando de cima da cadeira de forma tímida e sem esboçar qualquer expressão além de receio e um leve medo, a pequena garota olhou para si e passou as mãos por suas vestes; um costume que tinha para garantir que não estava com as roupas amassadas. Ela não se lembrava quando havia colocado aquilo, mas de certo modo, se sentia contente em estar usando. Aquele vestido branco com um pequeno manto preto e um fino laço no pescoço, havia sido um presente... Ao se recordar deste fato, a menina sorriu. Mas... De quem era...? Ao parar para analisar as próprias mãos; estas que se encontravam protegidas por um par de luvas negras de poliamida, a garota sentiu uma sensação ruim... Apesar da pequena confusão em sua cabeça, a menina sabia que estava se esquecendo de algo. Como havia parado ali? Que lugar era aquele? De quem não conseguia se lembrar...? Após alguns instantes, ela enfim notara... A jovem não se lembrava nem mesmo do próprio nome.
A pequena garota sentiu um aperto no peito.
A sensação de não se lembrar do próprio nome era especialmente perturbadora quando ela tentava conversar consigo mesma para convencer-se a manter a calma; algo que fazia em momentos de grande tensão. Margareth? Vivian? Luna? Como se referir a si mesma sem saber sua denominação original? No fundo, ela sentia vontade de chorar. Se sentia sozinha e no escuro... Mas exatamente por estar sozinha, sabia que precisava ser forte e sair daquela sala. Afinal, onde quer que estivesse, claramente aquele não era seu lugar. Não estava segura; não haveria alguém ali para protegê-la. A menina então respirou fundo e engoliu em seco, caminhando até a saída da biblioteca a fim de descobrir que lugar era aquele. Talvez pudesse encontrar uma saída, se fosse persistente.
No momento em que se deparou com o longo corredor de paredes claras e tapete vermelho no chão, a pequena garota sentiu o coração disparar ao presenciar um tremor repentino.
Embora a menina não se lembrasse de nenhuma situação ruim de sua vida; visto que não se recordava de absolutamente nenhum trecho específico dela, aquele tremor sem dúvidas poderia entrar para a lista de coisas mais assustadoras que já presenciou. Por um momento, foi como se as paredes estivessem saindo do lugar; se contorcendo entre si lentamente enquanto um som grave e muito alto tomava conta de tudo. A garota perdeu o equilíbrio e se apoiou na parede, apertando a guarnição de madeira da porta e fechando os olhos com força. Não havia durado mais do que três segundos, mas pareceu toda uma eternidade... Ao novamente olhar para o corredor, tudo parecia bem. As lâmpadas; que não eram necessárias graças à luz que vinha de uma pequena janela de vidro no teto, nem mesmo haviam tombado. Os livros da sala anterior mantinham-se firmes e fortes em seus respectivos lugares, e apesar do som assustador, nenhuma rachadura visível se criara após o tremor. Depois de se afastar da entrada da biblioteca, a jovem deu alguns passos adiante; ainda com o coração batendo forte graças ao que acabara de presenciar. Aquilo havia mesmo sido um terremoto? Algumas memórias vagas diziam à pequena garota que quando tudo balançava e ficava confuso, algo de ruim estaria acontecendo. Mas era mesmo para as paredes ficarem daquele jeito...? Mesmo tendo sido aterrorizante, ao menos durou pouco. Já havia acabado... Acima de tudo, ela sabia que precisava continuar explorando aquele lugar para encontrar uma saída, então juntou forças e prosseguiu.
A pequena garota ignorou as outras portas da casa e a escadaria que levava ao andar de cima, decidindo explorar apenas a área de baixo onde havia acordado. Aos poucos a jovem constatou que aquilo era de fato uma casa. A cozinha, por sinal, era enorme. Tinha uma grande mesa de vidro no centro, e um balcão na frente do fogão e da geladeira. Tudo ali estava limpo e com uma aparência de recém aquisição... O piso refletia dois belos olhos cor de caramelo que curiosamente caminhavam por cada detalhe da sala de jantar; cada vaso com plantas, cada pequenino quadro de arte moderna, e cada mobília bem trabalhada. Uma das obras de arte, em especial, era bem engraçada... Encontrava-se ao lado de uma janela, e por alguma razão, havia sido pendurada diferente das outras. O quadro parecia torto. Seu conteúdo era um misto de cores incrível, e de alguma forma, a imagem se movia como água recém corrente... A jovem ficou olhando para a tela por quase dois minutos até constatar que aquilo não fazia sentido algum. Como algum tipo de magia, parecia querer hipnotizar quem olhava por muito tempo... Quase a dispersara por completo de seu real objetivo; achar a saída.
Após caminhar mais um pouco pela casa, a pequena garota enfim encontrou a porta principal diante da sala de estar. Mais além; depois dos sofás e da televisão, era possível ver a fechadura: Trancada por cinco cadeados dourados que brilhavam intensamente. Com sua leve inocência, a menina tentou puxá-los e quebrá-los usando toda a sua força, mas nada adiantava. Agora havia uma certeza: Ela estava presa naquela casa... Mesmo sendo um lugar agradável e extremamente familiar, o silêncio e o terremoto de mais cedo faziam-na ansiar por uma fuga. Quem a havia trancafiado ali? Algum tipo de mago com péssimo gosto para quadros? Só poderia ser... Aquele lugar sequer parecia real. Não havia paisagem além das janelas, ou mesmo barulho vindo do mundo lá fora. Apenas silêncio... Um silêncio quase perturbador.
— O-Olá...! Alguém, por favor! Me tira daqui! Eu quero sair! — Gritava a pequena garota enquanto batia na porta com as mãos fechadas. — Socorro! Eu quero sair! Eu quero ir pra casa!
Quando já estava com algumas lágrimas escorrendo pelo rosto, a jovem viu o relógio quebrado escapar de sua mão direita e cair no chão. Sua audição parecia aguçada como a de um cão, e por isso ela parou imediatamente ao escutar o som que o objeto fez ao cair sobre o piso de madeira. O ponteiro continuava se movendo devagar como uma lesma... Ao menos a proteção de vidro não havia se quebrado.
A pequena garota se abaixou e agarrou novamente o relógio, fitando os cadeados dourados uma última vez antes de cair ofegante até uma poltrona vermelha diante de uma lareira. Antes havia uma esperança de sair dali e voltar para casa... Se não isso, escapar e descobrir por que estava naquele lugar ou quem a havia deixado lá. Talvez fosse uma brincadeira de mau gosto... Ou quem sabe um pesadelo. Se não era real, certamente tratava-se da alucinação mais profunda que a jovem já presenciou, visto que era possível sentir cada toque de seu corpo; cada dor na garganta ao pensar no pior. Se beliscar não adiantava. Fechar os olhos e tentar flutuar pra fora de si também não. Nem mesmo dizer em voz alta: ‘’Eu vou acordar agora!’’ surtia efeito.
Após deixar o relógio de lado e abraçar as pernas com o rosto abaixado, a pequena garota voltou a chorar.
O sentimento era de algo muito importante sendo deixado lá fora a cada instante que passava naquela casa... Mas o quê...? Num momento, era como se um martelo estivesse batendo em sua cabeça; forçando-a a se lembrar, mas sempre sem sucesso a cada impacto realizado. A dor era intensa... Mas nunca perfurava o bastante. Qual era seu nome? Por que algo tão crucial não estava claro em sua mente da mesma forma que o jeito correto de se escrever uma nota musical ou preparar chá, por exemplo? O mais incômodo era não se lembrar de sua história. Aos poucos, pensar em estar presa ali se tornava uma tortura... Cada segundo sem entender sobre si mesma; sem conhecer a própria vida, trazia um profundo sentimento que algo muito ruim havia acontecido antes de chegar em tal lugar, e isso só aumentava sua aflição.
Minutos se passaram. Após deixar toda a tristeza e a solidão se esvaírem, a pequena garota limpou o rosto desceu de cima da poltrona. Sabia que não poderia permanecer ali chorando para sempre... Algo precisava ser feito, e aceitar aquela prisão não era de seu feitio. Não foi assim que aprendera a viver. Após guardar o relógio num bolso, a menina começou a caminhar pela casa em busca de alguma chave que pudesse servir em qualquer daqueles cadeados dourados. Chorar em lamentação não iria resolver absolutamente nada... Se havia realmente algo importante lá fora, a garota sabia que deveria fazer o possível para sair daquele lugar. Mesmo que fosse necessário procurar sob cada almofada e tapete da casa...
A ideia era buscar primeiro pela área de lazer, e posteriormente pela cozinha. Mesmo tendo revirado quase todos os cantos possíveis, não havia nada além de coisas comuns de se encontrar numa casa; objetos para o dia a dia... Sem muitas opções, a jovem decidiu procurar pelas salas que ainda não havia entrado, para então poder vasculhar o andar de cima sem arrependimentos. No fundo, a pequena garota havia perdido as esperanças de haver algo lá em baixo... Mas todos os seus conceitos mudaram ao entrar por uma porta de maçaneta prateada; esta localizada no corredor da biblioteca.
A pequena garota se deparou com um piano negro em uma grande sala aberta.
Assim como no restante da casa, a área contava com alguns pilares brancos em determinados pontos, combinando perfeitamente com o piso que alternava entre grandes quadrados pretos e brancos em seu design. Além da janela diante do final da cauda do instrumento, havia uma pequena mesa do lado direito do assento, e um enorme relógio perto da entrada. Ao se aproximar um pouco, a garota notou que suas engrenagens de bronze eram muito parecidas com as daquele pequeno mecanismo que ela havia encontrado na mesa da biblioteca. No entanto, este possuía os três ponteiros e todos os indicadores de horas. Aparentemente estava quebrado... O pêndulo não se movia, e os ponteiros se encontravam parados.
— Ah...!
A pequena garota se aproximou da pequena mesa ao lado do assento do piano e viu dois pratos negros com conteúdos distintos em cada um; o da direita era lotado de um pó dourado extremamente fino, enquanto o da esquerda encontrava-se preenchido com pedaços de algum objeto branco que fora quebrado previamente. Se parecia muito com porcelana, mas era impossível ter certeza, já que a menina não possuía nenhum tipo de perícia em cerâmica. Sobre o assento do piano havia um par de folhas com diversas notas musicais e tempos desenhados. Eram as partituras completas de uma música...
Ao segurar as partituras e lê-las por um instante, a pequena garota sentiu um misto de solidão e serenidade.
Como quando se segura um fio elétrico de baixa voltagem, a sensação veio num instante e de maneira repentina. A pequena garota instintivamente colocou os papéis de maneira bem posicionada sobre o suporte que havia acima do teclado, então sentando-se diante do piano logo em seguida. Sabia tocar... Também tinha total noção de como ler uma partitura, e o mais estranho era aquela música estar tão lúcida em sua mente... Não como se já a tivesse tocado antes, mas sim a escutado. Não era apenas familiar: Ao tocar nos papéis, era como se houvesse uma ligação entre a jovem e a melodia. Algo que nem ela sabia explicar...
Faixa 01: The Way Home
https://youtu.be/_QQtd1kV2BM
A pequena garota hesitou um pouco antes de começar a tocar; embora apenas uma breve olhada nas partituras fosse o suficiente para que pudesse fechar os olhos e dar vida à melodia. Conforme as notas se espalhavam pela sala vazia, um som familiar de ondas se chocando contra superfícies sólidas chegava aos ouvidos da jovem pianista, que por alguma razão começara a sentir cheiro de mar e praia ao seu redor. De repente, o grasnar de gaivotas também tomava conta do novo ambiente, que então revelava-se à menina ao a mesma abrir novamente seus olhos. Os dedos que antes se movimentavam sobre as teclas do piano, agora deslizavam por um espaço vazio diante da pequena garota, que se encontrava perdida num cenário completamente novo.
A pequena garota se deparou com uma barragem diante de uma praia lotada de pequenas pedras cinzentas.
Suas vestes subitamente mudaram. O vestido de antes havia sumido, dando lugar a uma calça comprida escura e um par de pequenas botas bem resistentes. A jovem estava vestindo uma blusa cinza com braços brancos, além de um boné preto que a protegia do sol intenso; insistente em atacar as águas cristalinas ao redor da barragem em que a criança estava de pé. Havia um farol bem atrás; alto e com um topo preenchido por telhas vermelhas em tom de borgonha. As nuvens rosadas no céu contrastavam com o azul intenso atrás delas, refletindo no oceano como se estivessem sobre um grande e infinito espelho em movimento. Aquele vento quente batendo em seus cabelos era tão agradável quanto o cheiro dos frutos do mar, que mesmo estando sob as águas, se faziam presentes através de seus odores na superfície. O lugar trazia uma profunda e mística serenidade; súbita, mas de algum modo, esperada.
A pequena garota notou o peso de uma mochila em suas costas; algo que não estava carregando antes, e que assim como suas novas roupas, surgira num passe de mágica. Revirando num dos bolsos, encontrou uma bússola branca cujo ponteiro girara sem parar pouco antes de indicar uma direção específica: O caminho infinito que aquela praia seguia. Sem saber o rumo que estava tomando; sendo guiada pela vontade de voltar para casa, a jovem seguiu pela barragem enquanto olhava para a bússola, sabendo que independente do que houvesse no lugar de onde veio, ainda queria muito voltar. À esquerda se encontrava o mar; uma vastidão azul sem fim, preenchida de tons de rosa e branco gerados pelas nuvens no céu. Com uma beleza que alcançava seu horizonte, poderia ser observado por horas... Trazia uma sensação de felicidade e calmaria; uma vista perfeita para se apreciar por horas. E à direita, uma grande névoa envolvia dezenas de colossais montanhas distantes; todas em formatos diferentes e variados, como em livros de colorir.
Conforme a música de algum modo continuava tocando; como se o piano ainda estivesse diante de seu corpo, a pequena garota caminhava por cima da barragem até conseguir ver um tipo de porta a vários metros de distância. Uma passagem com luz atrás...! Aquela era sua saída! No entanto, de repente, o nível da água do mar começou a subir depressa, e por mais que a jovem tentasse correr mais rápido, todos os seus esforços eram retardados pela nova adversidade. Quando se deu conta; durante um piscar de olhos, a menina estava de volta à sala do piano. Não havia conseguido alcançar a saída... Mas por alguma razão, ela não sentia-se triste por isso.
Com o fim da música, a pequena garota olhou para os pratos ao seu lado, e notou que havia uma chave no meio do pó dourado. Aquilo não estava lá antes... Os pedaços brancos de porcelana no prato ao lado continuavam espalhados, mas parecia haver um maior do que os outros após o encerramento da melodia. A jovem sorriu, tendo enfim entendido como funcionaria sua rota de fuga daquele lugar! Tocar o piano faria com que as peças se reconstruíssem, e assim que todas as cinco chaves fossem materializadas, os cinco cadeados poderiam ser abertos! Agarrando sua primeira recompensa, a menina pulou de cima do assento do piano e começou a rir; contente consigo mesma. Sentia uma leve vontade de chorar de emoção por ter pego a primeira chave, mas não era o momento para enrolações! O primeiro cadeado deveria ser aberto o quanto antes!
No entanto, quando decidira correr com a chave até a entrada da casa, a pequena garota se lembrou do pedaço branco que havia se formado ao lado do prato onde encontrou a chave. Curiosa sobre aqueles fragmentos de porcelana, a menina pegou o maior deles com as pontas dos dedos e repentinamente o largou; surpreendida por uma terrível sensação que este havia passado. Durou um mero instante... Mas segurar aquilo, de certo modo, era como ter em mãos um animal morto. Um que ela mesma havia matado. A sensação era um misto de solidão e ódio; uma dor profunda e incapaz de ser superada. Ofegante e com as mãos no peito; quase lacrimejando por conta da mudança repentina de humor e do calafrio que havia acabado de sentir, a pequena garota se virou e correu até a entrada da casa, tentando esquecer aquele sentimento enquanto o cobria com a determinação de escapar de sua prisão e descobrir o que havia lá fora. Não havia razão para tocar nas peças daquele prato novamente; sua rota de fuga fora enfim descoberta, e distrair-se com os mistérios místicos daquela casa parecia apenas trazer sofrimento. Sendo assim:
A pequena garota destrancou o primeiro cadeado.
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