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6 Capitulo 5 - Duas escolhas


Notas iniciais
A partir desse capitulo eu tive ajuda de um grande amigo para me ajudar na construção do texto e me ajudar na correção, Jonatham, ele não quis criar conta no Nyah mas pode-se dizer que ele é meu Beta pessoal ou co-autor... Valeu amigão, espero que gostem e não esqueçam de comentar.

Eu podia ver o sol nascendo a minha frente, me sentia leve, mas ao mesmo tempo atordoado, eu sabia que aquilo tudo era um sonho, pois não seria possível eu estar naquele lugar. A minha frente via um gramado verde e as traves de um gol, aquele era meu lugar preferido quando criança, um antigo campo de futebol que meu pai me levava sempre para jogar futebol antes de morrer na queda de um avião quando eu tinha oito anos.

Nevoa cobria o campo, eu comecei a andar meio sem saber pra onde ir, angustia me tomou assim que um urro ecoou.

_Greymon – disse o procurando.

Pude ver sua silhueta monstruosa entre a imensidão branca, mas logo percebi que ele não estava sozinho, algo muito maior que ele estava a sua frente, pude sentir a terra debaixo dos meus pés tremerem ao primeiro passo da criatura, por mais que eu quisesse não conseguia distinguir o que era, nem mesmo Greymon, mas sabia que era ele, podia sentir.

Da boca de Greymon uma luz começou a ser emanar, ele estava atacando a criatura que não pareceu tentar se defender. Comecei a correr em sua direção e cada vez mais ataques era feitos por Greymon, podia ouvir as explosões e ate mesmo sentir o cheiro da fumaça. Então a criatura em sua frente se moveu, uma grande massa de ar foi deslocada me deixando no chão, um brilho intenso estava vindo da parte mais alta da criatura, senti como se a gravidade desaparece por alguns segundos, não mais que dois segundos, então um barulho abafado ecoou, em seguida só pude ver a onda de energia vindo em minha direção, não havia para onde correr, pus as mãos sobre meu rosto e quando dei por mim estava tudo branco.

Dados pairavam a minha frente, era como se eu estivesse flutuando, pois nada me tocava, foi ai que ouvi a voz, ela era grossa, meu corpo tremia com a sua vibração, as palavras ditas foram:

“O escolhido carregara a sua destra cinco almas, que andam entre os mundos em desequilíbrio. Eu conheço as tuas obras, e a de cada um que foi expulso de seu berço, pois eu não suporto os insubordinados e deleitados, aqueles que não foram fies não receberam a chaga de vida e aos que os apoiam nada além de desgraça e dor os espera.

Aqueles que você confia não estarão mais lá, todo seu futuro, sua vida já estão seguindo para o caminho que não trará paz, quando a esperança finalmente cair será hora do verdadeiro poder se levantar, mas a escolha devera ser feita, ate onde conseguira ir guardião?”

Meu coração quase parou quando senti mãos geladas segurando meus braços e me puxando para baixo, eu sentia como se meus braços fossem se partir de tão forte que era puxado, gritei de desespero, nenhuma palavra, mas sim berros.

A voz agora me dizia distante — Volta... Volta... Volta...

Apertei meus olhos o mais forte que consegui e então quando eu os abri de volta estava deitado no sofá da casa de Luan com Mayara me balançando, me dizendo volta. Não demorou mais que um minuto pra todos estarem na sala.

_O que ta acontecendo aqui? – perguntou Ludmila a mim, olhei para Mayara sem entender muita coisa, estava tonto e suado, meus braços doíam e meu pescoço também.

_Que gritaria do caralho é essa? – perguntou Luiz — primeiro uma voz grossa depois essa menina, que susto.

_Ele estava no meio de um pesadelo gritando histérico e eu fui tentar acorda-lo, mas ele começou a dar uns trecos parecidos com convulsões – disse May me olhando com os olhos cheios de lagrimas, chorava muito fácil nunca vi.

_Eu... Sonhei com umas coisas muito loucas – disse sem saber direito, acho que com a confusão perdi um pouco da consciência do sonho.

_Você tem convulsões Jonas? Nunca te vi tomando nenhum remédio controlado – indagou Will assustado.

_Eu não, vocês estão loucos? – respondi pasmo, a dor no meu corpo começou a diminuir – May você ta pirando serio.

Levantei e ainda estava meio zonzo, todos saíram rosnando de volta pro seus quartos ou canto onde dormiu, apesar de que já era dia. Fui ate a varanda, May veio atrás de mim, já deveriam ser umas dez da manha, o sol estava muito quente.

_Eu sei o que eu vi – disse ela chegando ao parapeito, à vista ali era realmente bacana, a enorme lagoa a nossa frente, as mansões e o verde, era um pouco de fuga da realidade, depois terminou dizendo – e aquilo que estava acontecendo com você não era normal.

Eu não queria ter aquela conversa, do que o sonho falava mesmo? Me perguntei sem lembrar muito bem, mas tive que tranquiliza-la – olha May, estou com muitas coisas na cabeça, todos nos, é normal eu ter tido um pesadelo.

Ela me olhou com raiva, bufou e entrou resmungando – eu sei viu.

Então pensei em Greymon, na loucura da noite passada e no quando as coisas poderiam piorar, resolvi voltar à cozinha pra pegar o notebook, chegando lá me assustei quando dei de cara com Luan mexendo nele, sempre odiei que as pessoas pegassem no meu PC, ainda mais quem, perguntei na hora o que ele estava fazendo.

_Eu estava analisando o código do Greymon, consegui diferenciar pontos fundamentais do código, cadeia de códigos mutantes acredita, praticamente tudo baseado nisso, mas tudo se volta pra um núcleo defendido, não consigo ter acesso – respondeu ele sem dirigir o olhar pra mim, ele digitava rápido, mais do que eu conseguiria mesmo se treinasse durante uma semana, ele tinha muita confiança, talvez mais também do que eu conseguiria ter.

_E pra que você esta tentando ter acesso ao digi-nucleo? – perguntei contendo minha raiva, e sinceramente odiei a resposta.

_Não sei se você já pensou em tudo que este código faz, são simples linhas que podem ser copiadas, e elas tem a capacidade de materializar uma criatura daquela magnitude, imagina só as possibilidades desse código, poderíamos criar qualquer coisa apenas digitando – um sorriso brotou no rosto de Luan – se eu conseguir forçar o rompimento do núcleo dele eu posso saber qual é a chave pra materialização e todo o poder.

_Você esta louco Luan? Se forçar a entrada sabe muito bem que deve perder uma parte significativa de linhas de código, o Greymon pode deixar de existir – corri e puxei o computador, meu sangue ferveu, não consegui mais me segurar e explodi em gritos – ele não é apenas dados.

Luan se levantou e me olhou fixamente – acho que você não tem realmente noção do que esta havendo não é garoto? Do que nos temos em mãos.

_Nos Luan? Pelo que me lembre Greymon esta no meu computador – respondi aos berros, minha vontade era pular na garganta do garoto, não era normal alguém pensar dessa forma, ou talvez fosse, visto que esse código era o mais incrível código da face da terra.

Nessa hora Will entrou na cozinha, ele estava sem os óculos e seu cabelo estava todo desarrumado – achei que estivéssemos nessa juntos Jonas?

_E estamos, mas você não ouviu o que o Luan acabou de dizer? Ele quer forçar a entrada para o núcleo do Greymon – respondi rápido e ainda aos berros.

Will o olhou, Luiz e Ludmila chegaram também nessa hora, agora estava montado o circo, se alguém desse razão a Luan não sei o que poderia fazer — Imaginem as possibilidades desse código gente, poderíamos ficar ricos, poderíamos criar qualquer coisa – respondeu Luan com um olhar determinado, como se ele já não tivesse dinheiro de mais, é tentadora a ideia, para a maioria das pessoas obviamente, mas não para mim, a possibilidade de perder o Greymon era algo que deixava meu estomago revirado.

_Do que você esta falando Luan, você quer copiar o código do Greymon? – perguntou Ludmila sem entender nada.

_Não só isso, ele quer forçar a entrada pro digi-nucleo do Greymon, mas sabemos os ricos que isso implica – respondi a ela, eu tinha certeza que ela não poderia concordar com aquilo, ela era muito sensata

_Luan isso seria muito arriscado, o Greymon poderia se perder pra sempre – indagou Luiz mais que depressa.

Luan não disse mais nada, ele era o mais controlado do grupo, enquanto eu estava gritando como louco ele manteve a voz calma e baixa, isso me preocupava, eu não sabia do que ele era capaz, mas já estava começando a ter ideia, sempre tive um palpite de que ele não era exatamente o que mostrava ser, agora era só deixar que ele se mostrasse, aquela historia de dar corda pra pessoa se enforcar afirmei mentalmente.

_Eu acho que devíamos nos preocupar em pra onde vamos, porque é óbvio que não podemos mais ficar aqui, lembram daquele cara que nos achou fácil ontem – afirmou Will tentando mudar o foco da discussão, ele odiava aquele tipo de coisa.

_Realmente – Respondi, eu também não queria que aquilo continuasse, tínhamos que ficar juntos, brigar não levaria a nada, desde que Luan não tocasse mais no assunto e mantivesse distancia do meu computador – eu tenho que passar em casa e pegar algumas coisas.

_Eu não posso fazer isso – respondeu Will – eu não vou fugir, vou ficar em casa, não vou me meter em mais confusão.

_Acho que não é mais questão de escolha Will – respondeu Ludmila, ótimo, era só o que nos faltava agora.

_Eu sempre tenho escolha – respondeu ele, só ai notei que ele estava com a mochila nas costas, como aquilo tinha chegado aquele ponto? – eu já estou indo.

_Não Will – indaguei.

_Serio gente – ele estava cabisbaixo, seu olhar estava vazio como nunca tinha visto, ele parecia esgotado sim, mas todos estávamos – eu não vou dizer nada, não se preocupem, mas realmente isso não é pra mim.

Então ele foi caminhando ate a porta, todos começaram a pedir que ele ficasse, eu demoraria tempo de mais pra contar, mas o que realmente importa é que ele foi embora, Luan insistiu que pelo menos ele pegasse dinheiro pra ir de taxi e depois de muita insistência ele decidiu aceitar. Depois disso ficamos mais abalados, sentamos, brigamos, Mayara chorou como sempre acabava acontecendo, e resolvemos nos encontrar no parque da cidade no final do dia para decidirmos o que faríamos, cada um de nos iria em casa, pegaria suas coisas e então iríamos para a casa do meu primo que parecia o ultimo refugio seguro para nos.

Luan iria levar as meninas em casa, e Luiz ia me levar, primeiro iríamos pra casa do Luiz, ele morava sozinho e então não teria complicações, logo em seguida iríamos pro meu apartamento, minha tia trabalharia ate dezoito horas e isso me daria tranquilidade.

Foi isso que fizemos, logo chegamos ao prédio de Luiz, um grande e velho prédio com apartamentos sem varanda e janelas espelhadas, mal sabia que nada sairia como nossos planos, passamos pela portaria muito facilmente, só havia um porteiro sentado em uma cadeira de rodinhas assistindo jornal em uma televisão velha, e entramos no apartamento, ele morava no segundo andar, ele foi logo pro quarto dele pegar roupas.

_Bacana seu apartamento – disse eu, era pequeno, mas muito mais bem organizado do que imaginei, um sofá amarelo muito chamativa enchia quase metade de sala, na parede em frente a ele havia uma estante com uma televisão enorme e cheio de livros, nunca pensei que Luiz gostasse de ler.

Ele então gritou do quarto – pelo preço que pago deveria ser maior, mas a localização é tudo, perto da faculdade e perto do trabalho.

Luiz saiu com a mochila do quarto enfiando seu notebook, olhou pra mim e deu um sorriso idiota e disse – vai que precisamos – eu ri, e olhei pra janela, pro meu desprazer vi quando duas viaturas de policia pararam em frente ao apartamento e mais uma veio com a sirene desligada logo atrás.

_Ham, Luiz... – ele entendeu minha indagação e veio ate a janela.

_Temos que sair daqui – gritou ele quando viu o que estava por vir, meu coração gelou, isso já estava se tornando comum.

_Não temos outra saída a não ser a que eles acabaram de fechar Luiz – disse tentando pensar em outra saída, não havia, eu sabia disso mais não queria acreditar.

_Merda – disse ele correndo ate a porta.

Corri junto dele, elevador? Escadas? Ele abriu uma porta e respondeu minha pergunta mental entrando nas escadas, ele desceu pulando degraus e eu atrás dele, foi quando demos de cara com o primeiro policial abrindo a porta que dava acesso a portaria.

_Parado ai – disse o homem de farda, um policial grande como a maioria era, de cabelo loiros muito bem cortados, mas antes que ele pudesse sacar sua arma Luiz pulou em cima do homem o fazendo rolar alguns degraus, metade dos poucos que ele havia subido, gelei mais ainda, mas não parei, Luiz puxou a arma e apontou pra ele, a situação estava cada vez mais surpreendente.

Foi ai que o resto dos policiais apareceu nas escadas, haviam quatro, todos homens enormes, se assustaram quando perceberam que Luiz fez um deles de refém e isso poderia, alias, seria um vantagem pra gente.

_Largue a arma — gritou o primeiro sacando a própria sendo acompanhado pelos outros policias.

Luiz puxou o homem e o colocou na sua frente apontando a arma pra sua cabeça – acho que vocês não estão em condições de decidir nada aqui, saião do nosso caminho agora – gritou Luiz, eu não sabia que ele era capaz disso, talvez nem ele mesmo soubesse, mas é como dizem, a ocasião faz o ladrão.

Tirei minha mochila das costas e peguei meu notebook, talvez eu pudesse ajudar de alguma forma, mas aquilo tudo era arriscado de mais visto que eu estava sem nenhum tipo de proteção, eles não atirariam em Luiz porque poderiam ferir o parceiro, mas e eu? Luiz continuou – Deixem-nos passar — os policiais então depois de discutirem um pouco entre si, baixo de mais para que pudéssemos escutar saíram deixando a porta aberta.

O policial que Luiz estava mantendo como refém não dizia nada, sua cara estava horrível obviamente, fomos caminhando de vagar e quando chegamos na portaria percebemos que o numero de viaturas tinha aumentado.

Havia apenas um policial dentro da portaria, ele estava com um olhar muito serio, diferente do olhar dos outros policias, ele parecia seguro de mais para aquela situação.

_Olá senhores, eu sou o Capitão Tavares, não sei se perceberam, mas não há como escapar – disse ele apontando pra fora e mostrando o numero enorme de policiais que haviam aparecido, como se nos não tivéssemos percebido, nem preciso dizer que meu desespero foi a level 120 naquele instante.

_Merda — Disse Luiz me olhando, como se disse-se caminhamos o que podíamos, eu fiz minha parte, agora é só enrolar ate sermos presos.

_Soltem esse policial e joguem a arma, vocês são apenas moleques mimados que se meteram em uma encrenca enorme, não assassinos. – disse Tavares frio.

Alguns policiais entraram no salão da recepção do prédio, todos apontando armas pra nos, só havia um caminho pra sair e duas escolhas a se tomar então, meu medo não afetou minha clareza dos fatos. Cheguei perto de Luiz e disse a ele baixinho – Deixa comigo e se prepara pra ligar aquela moto o mais rápido que você puder quando começar.

_Começar o que Jonas? – perguntou o garoto mais alto do que deveria, então parei do lado dele tomando coragem, engoli seco e comecei a dizer — A vida é feita de escolhas Tavares, você pode escolher parar e escutar um policial metido a besta que acha que todo mundo que faz faculdade é mimado e irresponsável quando não tem ideia de como amarrar a bota direito ou você pode escolher abrir caminho a força machucando seriamente vários policiais e um capitãozinho de merda – disse eu fingindo ser o cara mais corajoso do mundo.

_E como pretende abrir caminho? – ele fez a pergunta que eu queria, coloquei o Notebook em cima do braço esquerdo e o abri com a mão direita, olhei para trás e percebi a cara de assustado de Luiz, apertei F5 então às luzes piscaram, acho que foi ai que Tavares percebeu o que eu ia fazer.

_Corram – gritou ele indo para a saída o mais depressa que podia, a bola de energia já se formava, Greymon estava de pé na frente de todos, o enorme dinossauro azul arrebentou a entrada de vidro do prédio balançando com força os cacos de vidro do seu corpo na rua.

O tumulto de pessoas que já havia se amontoado na porta começou a gritar e correr, alguns policias os acompanharam e enfim os tiros começaram, Greymon urrou, não de dor, porque as balas não conseguiam atravessar sua pele, mas sim de raiva, ou sabe-se lá que sentimento ele poderia sentir naquela hora. O enorme mostro começou a caminhar ate as viaturas as mordendo, dar cabeças e as jogando pra longe, os policiais não paravam de atirar mas agora o mais longe que conseguiam fazer isso.

_Vamos Luiz – disse correndo pra saída, Luiz soltou o policial depois de dar com a arma na cabeça dele o fazendo cair e correu junto de mim, ele pegou a moto e a ligou, então dei o comando e Greymon despareceu, montei na moto e saímos em disparado, à maioria dos policias estava longe das viaturas que não haviam sido destruídas por Greymon nos dando uma vantagem enorme, mas eu ainda podia ouvir os disparos feitos em nossa direção.

...

As coisas também não iam muito bem pro Will, ele havia pegado o taxi como Luan pediu, só que resolveu não descer na porta de casa por medo de seus pais o virem, a família de Will era de classe baixa, e se o vissem saindo do um taxi eles iam estranhar muito.

O garoto desceu um quarteirão antes, ele foi caminhando de vagar com a mochila nas costas, foi quando o carro preto parou do seu lado, Will não olhou e continuou andando, ele escutou a porta se fechando atrás dele, e alguns segundos depois a mão em seu ombro. Era Pedro o agente da Rad, o coração de Will quase parou.

_Olha eu não sei de mais nada disso, não adianta me perguntar nada – disse Will tentando fugir, respondendo a perguntas que nem haviam sido feitas, ele era bem assim mesmo, a personificação da valentia.

_Eu sei disso, mas os policias que estão esperando dentro da sua casa não – disse Monteiro.

_Policiais? – perguntou tremulo Will, seus olhos se arregalaram ao ouvir aquilo, sua mãe, o que ela estaria pensando.

_Sim, a policia averiguou as filmagens da faculdade e estão atrás de vocês, você tem duas opções simples, ou entra em casa e vai preso na frente da sua Irma e da sua mãe e depois nos te tiramos da cadeia publica e te levamos pra da Rad ou você vem logo com agente e nos pô-la trabalho e evita sua vergonha – disse o agente com firmeza, parecia sensato, mas porque ele deveria fazer isso, se daria mal de qualquer forma.

_E como vou saber se não esta blefando? – perguntou Will, a essas alturas nada mais o surpreenderia, tudo estava virando um pesadelo pra ele, ele não era como Luiz forte e brincalhão, nem com Luan um gênio da informática calmo e controlado, nem tão corajoso como eu que pularia de um prédio sem duvidar se alguém que eu confio disse-se que havia algo que amorteceria minha queda lá em baixo, pensou ele.

_Liga pra sua Irma – disse monteiro estendendo o celular, era o único gesto preciso para que o Will tivesse certeza de que era verdade.

Ele pensou em pegar, mas conteve o impulso, ele sentiu raiva junto do medo, Will era o típico garoto certinho que nunca se meteria em uma encrenca e muito menos em uma aventura, agora ele estava metido em uma enrascada enorme, o problema era como sair dela agora. O garoto tremeu, mas não parecia ter saída – Eu vou... Pra minha casa – respondeu Will.

_O que? – perguntou incrédulo Monteiro.

_Eu vou pra minha casa – respondeu agora em auto e bom tom Will, seu medo e insegurança por alguns segundos se transformaram em raiva, simplesmente pura raiva.

_Olha eu estou tentando fazer isso da melhor forma possível pra todo mundo, não quero que passe por constrangimentos nem mesmo que tenhamos que começar o modo difícil. – disse monteiro.

_Já disse, to indo pra casa, foda-se... To cansado de todo mundo decidindo o que é melhor pra mim, dessa vez eu vou fazer o que eu acho certo – Will virou de costas novamente e continuou andando, temeu que monteiro tentasse o parar, mas ele não o fez, logo ele já estava entrando em casa. Deu de cara na sala com dois policiais, sua mãe e sua Irma saltaram quando o viram.

_No que você se meteu meu filho – perguntou sua mãe, uma mulher de cerca de quarenta e oito anos, com cabelos morenos misturados a fios brancos amarrados a um coque, trajando um vestido floral e chinelo, uma mulher muito humilde.

Os dois policiais se levantaram e começaram a caminhar na direção do garoto.

_Você esta preso senhor Willian Ribeiro e será levado a interrogatório– disse um dos policias.

_Cuida dela pra mim Verônica, eu vou ficar bem – disse ele para sua Irma se referindo a sua mãe, ele não tentou escapar nem ao menos demonstrou resistência, os policiais o algemaram e foram o retirando de casa. Verônica ficou abraçada com sua mãe o olhando entrar na viatura, sua mãe chorava, ela não, ela era uma garota forte, tinha quinze anos, mas era madura de mais para sua idade, ela estaria pronta pro que viria.

Will entrou na viatura como um bandido qualquer, ele estava segurando para não chorar, fecharam a porta e então a viatura arrancou, mesmo com as algemas Will ainda conseguiu tirar seu celular do bolso, os policiais acabaram por não revistar o garoto, com bastante dificuldade ele digitou uma mensagem para Luan.

“Luan fui preso, eles estão nas nossas casas.”

...

Não importa o quando as coisas estão ruins, elas sempre tem a tendência de piorar. Luan dirigia com as meninas no carro, Mayara pela primeira vez sorria desde aquilo havia começado.

_Olha não importa, eu só sei que beijaria aquele cara que invadiu o apartamento – disse a morena rindo.

_Para May, isso é serio, tenho que pegar minhas coisas no meu AP. o carregador do meu notebook ta lá, eu tenho bateria pra umas três horas, mas eu não sobreviveria muito tempo sem ele – disse Lud nervosa com a situação.

_Merda – disse Luan, assim que as meninas olharam para frente perceberam vários carros de policia vindo em alta velocidade com sirenes ligadas e policiais muito bem armados – espero que isso não tenha nada haver com Jonas.

Nesse momento o celular de Luan vibrou, o garoto hesitou, mas pegou o celular, ele olhou para a tela e ficou mudo.

_O que foi? De quem é a mensagem Luan? – perguntou May.

_Do Will, ele foi preso, os policias estão nos esperando em casa – Luan virou o volante com toda vontade fazendo os pneus do carro derrapar e o carro quase bater em outra na rua.

_Ta tentando nos matar? – indagou Lud com o coração na boca, ela não esperava por aquilo.

_Vamos para o ponto de encontro, não temos escolha – afirmou Luan.

_Mas e se isso tiver mesmo haver com Jonas e o Luiz? – perguntou Mayara gritando nervosa.

_Espero que o Greymon não faça muito estrago – respondeu Luan.

Mayara segurou a mão de Lud que a olhou nervosa, ter fé às vezes é a única escolha.