Notas iniciais
Boa leitura!

Inclinei a cabeça para direita tentando enxergar melhor lá fora. O céu estava nublado e o clima estranhamente agradável, bom, pelo menos para mim estava. O vento gélido batia em minha pele causando leves arrepios. Não tinha ninguém em casa, além de mim e Misty. Minha mãe estava visitando uma tia sua que contraiu uma doença grave misteriosamente, então ela não voltaria tão cedo. Meu pai se encontrava do outro lado do país á negócios, eu acho. Na verdade acho mesmo que ele está tendo um caso com uma loira gostosa, e que, eles estão trepando agora mesmo. Eu sei, sou terrível.

Eu poderia alugar um filme para assistir ou sair com Tom (unica pessoa que consegue ficar por horas comigo sem reclamar) mas só o fato de levantar da cama me deixava cansada e irritada. Conviver com outras pessoas pode ser bem estressante, nunca fui boa com amizades, deve ser por isso que eu só tenho uma. Misty lambeu minha mão em busca de comida. Olhei para ela com desdém, eu não queria levantar. Minha cama estava extremamente confortável, cada músculo do meu corpo estava relaxado. Porém Misty odeia ser ignorada, eu voltei a dormir e ela começou a me morder com força. Quase estrangulei a pobre coitada, quase mesmo, mas apenas levantei e me espreguicei. Olhei para minhas pernas cheias me hematomas e machucados. Como foi que eu cheguei nesse ponto? Fico me perguntando quando foi o inicio da minha decadência.

Tropecei em algumas latas de gim-tônica que estavam espalhadas pelo chão. Não me lembro de ter bebido ontem a noite, me sinto tão frustada. Meu reflexo no espelho não é dos melhores, estou pálida e com o rosto manchado com alguma coisa vermelha. Deve ser sangue. Coloco ração para Misty enquanto me sirvo de café requentado e pizza gelada. Olho no meu celular. Tem algumas mensagens dos meus pais. Mamãe diz que me ama e que ainda vai demorar para voltar. Meu pai é curto e grosso, diz que vai passar aqui para pegar algumas roupas e pergunta se eu já arrumei um emprego. Ele vive dizendo que eu já vou adulta e que tenho que me virar, eu sempre falo para ele não se preocupar mas ele parece não acreditar em nada que eu digo.

Não sei o motivo para ele querer me despachar tanto assim, isso só afirma minha teoria de que ele está tendo um caso. Pobre mamãe, da missa não sabe a metade. Primeiro eu, depois ela, aí ele trás a loira gostosa para cá. Pego o notebook e me sirvo de outro pedaço de pizza, preciso dar uma olhada no meu e-mail mesmo sabendo que não vai ter merda nenhuma nele. Mensagens de spam, anúncios, vaquinhas virtuais, nada que mereça minha real atenção. Continuo rolando os e-mails até que o telefone toca. Nem olho quem está ligando apenas atendo.

—Alô?-Eu conheço essa voz que algum lugar...-Ella? Você tá me ouvindo? Eu sei que você está aí.

—Hm, estou.-Esfrego as têmporas com os dedos tentando me livrar da terrível dor de cabeça que me veio do nada.

—É o Tom. Você...-O telefone fica mudo de repente.-Olha, eu não acredito no que você fez ontem!-Seu tom de voz demostrava irritação.

—Eu não fiz nada Tom, só fiquei em casa com Misty.-Comentei olhando no relógio gigante que tinha do lado do fogão. Já eram 4:45PM.

Não.-Disse seco.-Ella , você estava podre de bêbada. Todos viram você no maior amasso na rua com o Samuel.

Ele diz e eu sinto um calafrio. Aquilo não era verdade, eu não falava com aquele garoto fazia séculos. Senti um enorme enjoo. Joguei o celular longe e corri para o banheiro. Não consegui chegar a tempo. Vomitei no tapete favorito da minha mãe. Merda. Limpei a boca e foi então que eu vi. Meu braço cheio de cortes de alto a baixo, uma sensação fortíssima de dejá-vu. Eu realmente tinha passado a noite com o Samuel. Ele veio aqui em casa, eu estava meio mamada, tinha tomado alguns drinks enquanto jantava. Não. Ele nunca tentaria nada comigo, isso deve ser coisa da minha cabeça, ou não? Lembro-me dele sorrindo e cochichando em meu ouvido. Palavras doces e gentis, por algum motivo sinto minhas pernas ficarem bambas.

Outro flash me vem a memória. Estou sentada no meu quarto com apenas a luz do abajur iluminando o lugar, latas de gim-tônica e alguns curativos ao meu redor. Por que eu estava chorando? Não me lembro. Não consigo me lembrar de mais nada. Preciso de respostas. Ligo para Samuel mas cai na caixa postal, peço para ele me retornar quando puder. Liguei para Louise que é sua irmã mas ela também não me atende. Puta merda, puta merda! A campainha toca e eu corro para atende-la.

—Pai!-Me arrependo na hora de ter abrido a porta. Sua cara é de nojo, desprezo.

—Que merda é essa garota?!-A casa estava uma bagunça, fedia a azedo.

—Eu...-Ele põe sua enorme mão na minha cara para que eu me calasse. E foi o que eu fiz.

—Não quero saber! Sempre disse para sua mãe que você era uma vadia imprestável.-Passou por mim e subiu para seu quarto.-E pelo amor de Deus, limpe tudo isso.

Eu quis chorar, gritar, dizer que ele estava errado, que eu não iria mais dar trabalho para ele. Ele não quer se livrar de mim? Vou realizar esse desejo seu.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.