Esse lugar é uma droga. Da última vez que eu estive aqui, não era tão rígido. Pelo menos posso ficar com meu celular. Eu só saio para as refeições, falar com meu psiquiatra ou ir para a sala de recreação. Ninguém nunca vem me visitar. Nem meus pais.

Porém hoje foi diferente.

A porta do meu quarto se abriu e um homem de branco entrou, com Dave do lado.

– Você tem dez minutos.

O homem fechou a porta e eu olhei para Dave.

– Oi.

– Oi. Como você está?

– Eu estou bem.

– Eu tentei vir te visitar, mas está tendo muitas provas e não tive tempo. Desculpa?

– Claro. Ei, eu preciso sair daqui. Eu não aguento mais, preciso pisar na grama novamente! Mas não posso sair até eu melhorar. Você tem que me salvar Dave!

– Eu não posso salvar você de você mesma, Violet! Sei que você sabe disso!

Suspirei.

– Eu sei! Mas eu vou ficar mais louca aqui do que eu estava antes! Eu fico trancada num quarto o dia todo, eu só posso sair para comer ou ir para a sala de recreação... Ninguém nunca vem me visitar, nem meus pais! Eu só quero que você me ajude a dar uma escapadinha daqui. Só por algumas horas. Eles nem vão sentir minha falta!

Vi que ele estava confuso, mas continuou falando.

– Você tomou todos os remédios direito? Nenhum risco de você me assassinar?

Eu ri um pouco.

– Nenhum risco. Por favor.

Um homem alto chegou e falou para Dave que o tempo dele tinha acabado. Espero que ele tenha um plano.

Aproximadamente meia-noite, Dave me mandou uma mensagem. Ele disse que era para eu tentar sair pela janela, ao lado da minha janela tem um apoio no qual eu posso descer até o andar debaixo. Vai dar na sala do diretor do hospital, e tem um túnel de escape atrás de um quadro. É só eu seguir reto e vai dar no lado de fora do hospital. Perguntei para ele sobre como que ele sabe disso, mas ele não me respondeu. Esse é o único jeito de eu sair daqui? Deve ser. A janela tem uma tela, mas já está velha e eu consegui desprender facilmente. Isso pode ser suicídio, estou no sétimo andar, se eu cair eu morro. Mas não vou decidir agora. Tento me lembrar dos livros que eu leio, de garotas que fazem coisas bem mais perigosas que isso, tipo passar por uma floresta cheia de fantasmas, ou explodir lugares, e saem vivas de lá.

Estava ventando forte, havia uns tijolos elevados, mas estão bem presos. Forma uma escada, dá para descer por eles, mas decido seguir o plano original. A janela está aberta, entro e procuro o quadro. Tem vários quadros, mas tem só um que é enorme. É uma caricatura de um homem. Tiro o quadro e vejo o túnel. Coloco o quadro de volta e rastejo pelo túnel até que ele fique suficientemente comprido para que eu comece a andar de pé. Não tem que escolher um caminho, é reto e você desce sempre. Provavelmente foi projetado caso haja alguma rebelião aqui, assim os trabalhadores possam sair rápido sem correr riscos.

Depois de uns dez minutos descendo essa escada sem fim, eu consigo chegar. Tem uma porta que está destrancada. Estranho. Alguém deve ter usado ela e esqueceu aberta, mas assim qualquer pessoa conseguiria entrar. Mas não vou reclamar. Dave está me esperando no lado de fora. Eu o abraço.

– Como que você sabia dessa passagem?

– Foi aqui que eu fiquei internado. Fiquei aqui por um ano, tentando fugir, até que descobri essa passagem. Por algum motivo ela está sempre destrancada, mas na maioria das vezes não precisamos passar por ela de novo, pois a porta de entrada fica aberta e a secretária noturna não fica de olho em quem entra e sai. Dependendo do horário não tem ninguém na entrada.

– Hum... Mas obrigado, Dave.

Respiro fundo. Como é bom sentir que estou viva. As pessoas não ligam realmente para você lá no hospital. Eles te jogam na mão de um psiquiatra e se depois de uns meses não der em nada, acabou. Você fica louco para sempre, trancado num sanatório, proibido de ter visitas. Muitas pessoas chegam lá apenas traumatizadas, mas depois ficam loucas, insanas, suicidas. Homicidas.

Sentamos no alto de uma árvore perto daqui e passamos a noite conversando.

Porém, Dave teve que voltar para a casa dele. Esperei um pouco então desci da arvore e voltei para a porta de escape. Tentei virar a maçaneta, mas está trancada. Merda. Então fui até a porta de entrada, estava tudo escuro, e ela estava trancada também. Havia uma luz vermelha piscando e gritos. Alguém havia tentado fugir, se matar, ou matar alguém, com certeza. Como que eu faço para entrar agora? Eu poderia fugir, mas para onde eu iria? A mãe de Dave me odeia não me aceitaria na casa dela. Meus pais me mandariam de volta para cá e eu seria dez vezes mais supervisionada. Como que eu volto?

Então eu me lembro: A parede dos muros. É como se fosse uma escada, algum fugitivo deve ter feito elas. Corri até ela e comecei a escalar. O vento estava forte, dá para ouvir os uivos. Eu estou no terceiro andar, falta mais quatro. Quarto andar. Quinto andar. Sexto andar, eu estou quase lá. Então um tijolo se solta, o dá minha mão esquerda. Vou morrer. Consigo me segurar em outro tijolo, mas meu coração está batendo a mil. Até que chego ao meu quarto de novo.

Fecho a janela e a cortina e vou ao meu banheiro e tomo uma chuveirada gelada.

Então me olho no espelho, e não sei por que dou um soco nele. Ele se quebra em muitos pedaços, cortando minha mão. Que droga, por que eu fiz isso? Pego um monte de papel higiênico e o enrolo na minha mão. Deito na minha cama e, não sei se dormi, ou se desmaiei. Só sei que acordei no hospital, com minha roupa toda ensanguentada.

Notas finais
Comentário de um leitor: ''mds, ela vai ficar presa ai?? continuaa''